Luz e Escuridão
20 O Anjo da Orientação, O Ser Repleto de Escuridão, e Banhado de Luz
Notas iniciais
“Não disse que a batalha começaria daqui a dois dias Castiel?”, perguntou Sofia surpresa pelo arcanjo estar encarando o irmão gêmeo. Com um olhar assassino estampado no rosto, à lança parecendo um chicote, ou uma arma de esgrima, branca que parecia cegar, estava em sua mão direita, a espera do primeiro movimento de Enrique.
Enrique parecia relaxado, como se ele soubesse o que iria acontecer, na mão esquerda segurava uma espécie de espada negra, havia tirado as luvas mostrando a mão pálida cheia de cicatrizes. Elas tinham estória, e lembranças das quais ele gostaria de esquecer. Lembranças de quando havia se tornado um demônio e pegou sua “arma celestial”, uma idêntica a de Castiel, como que um castigo a arma queimou sua mão e deixaram aquelas marcas. Ele sabia que um corte por mais simples que fosse causaria uma dor terrível.
Sofia observava os dois, ainda a espera de sua resposta. Lembrando se beijo na testa que havia levado minutos antes e da fala, quase como um sussurro “Se cuide, não vou poder te cuidar para sempre, eu quero, mas não sei cuidar nem mesmo de mim”, as palavras não combinavam com a expressão descontraída de Enrique. Ela estava preocupada, e tinha medo de perde-lo, seu coração quase pulava pela boca, quando ouviu a voz rouca de Enrique.
“A grande batalha seria daqui dois dias...Estamos a dois dias do Apocalipse, acho que como pessoas civilizadas devemos resolver as coisas entre nos, e se um de nos morrer aqui, vai ser um só, se levarmos isso para o apocalipse milhares de pessoas iram morrer...Acho que Castiel ainda pensa igual a mim, não é irmão”.
“Cale a boca, seu verme. Você não é meu irmão, não depois que virou isso...Ariel é um idiota, se ele não houvesse que ir para aquela reunião idiota com a Miles, aquela velha arrogante que nunca gostou de Sofia, que acha que a existência dela era apenas necessária, ela nunca gostou da própria filha. Se Ariel não tivesse ido naquela reunião...”, as ultimas palavras era quase como um sussurro, seus olhos olhavam a lamina, como se ele não tivesse controle da mente.
“Você não esta bem, precisa de ajuda, vamos, tem que deitar um pouco e dormir...”Enrique foi interrompido pelo engasgo de sangue, que havia saído de sua boca, por causa do ferimento na barriga, causado pelo irmão. Em um momento de descuido de Enrique, ele havia sido atingido pela arma angelical.
“Enrique?!”, disse Sofia aflita, pegando o garoto antes que ele caísse, mas ele era muito maior que ela, e ela acabou caindo junto com ele no chão, os joelhos bateram na terra. E ela sentiu o peso do corpo do rapaz vindo para frente. Ele estava engasgando sangue e rindo ao mesmo tempo. Com a mão direita sobre o ferimento na barriga, numa tentativa inútil de estocar o sangramento.
“Miles é uma vergonha para os arcanjos, não tenho o que discutir sobre isso...”, ele foi interrompido pela própria tosse de sangue e logo continuou, “Ariel não tem culpa, ele foi para nos dois o que nosso pai e mãe nunca foram, ele nunca nos apredejaria, nunca matarias nos dois, a culpa foi toda minha... Eu me apaixonei, achei que isso nunca iria acontecer comigo, alguém que nunca gostou nem de si mesmo, e que dava mais valor na vida dos outros do que na sua... Naquele dia, não fazia importância eu sobreviver ou não, só queria que você continuasse vivo...”, ele forçou o corpo para trás, caindo, tentando forçar o corpo a ficar de pé, e abriu o grande par de assas completamente negras. Virou o rosto para o irmão, limpando o sangue que escorria no canto da boca, e sorriu.
Sofia por alguns minutos se lembrou daquele sorriso. Ela havia visto a mesma expressão no rosto do rapaz a uma década.
O rapaz continuou tropicando e se virou de frente ao irmão. Ele passou a mão suja de sangue sobre a corrente que ele havia no pescoço, e a corrente se abriu. O que rendeu para Ariel e Castiel, uma expressão de espanto.
“Como é possível?! O trato feito por Lúcifer e Ariel era que enquanto não achasse um lado, enquanto não se decidisse, iria ficar preso à realidade! O que você é afinal?!”
“Eu sou Cassiel, sou o arcanjo responsável à orientação das pessoas, em momentos difíceis, a fazer as escolhas certas... Sou seu irmão, sou um ser repleto de escuridão, mas a luz me completa, não se perca Raziel, não você... Tenho certa quedinha por “sabedoria”.”, disse a ultima parte com um sorriso no rosto, piscando para Sofia, que consegui sorrir em um momento como aquele, por causa de uma piada besta com seu nome.
“Você é um demônio, não pode ser um arcanjo...”.
“E você um arcanjo, mas vingança transborda por seus olhos e alma...”.
“Você me irrita, o que queria?”.
“Talvez gratidão...”
“Sou grato a você, apenas não sei por que ainda fica do lado deles, não deveria...”.
“Fico no lado certo, não se deve guardar tanta magoa no coração, ela te mata, te afoga, te sufoca...”.
“Você e sua mania de bancar o irmão mais velho... Você não é o dono do mundo Rick, aceite...”.
“Nem você, Ele é, e se ele quis assim, quem sou eu para contestar?”.
“Alguém que já contestou antes... Largue tudo, venha comigo, vamos embora de tudo isso...”.
“Eu a amo, como nunca amei ninguém, você não entende...”.
“Leve-a, apenas venha embora comigo, vamos fugir disso...”.
“O apocalipse é por nossa causa, não posso deixar a casa pegando fogo, cheia de pessoas dormindo, e ficar curtindo a praia, sabendo que fui eu o causador do incêndio... Desculpe-me Raziel”.
“Ainda da tempo, chega disso...”, Castiel gesticulava com as mãos numa tentativa inútil de convencer o irmão, “Eu não vou fazer isso, não posso fazer isso”, disse ele tacando a arma no chão.
Enrique sorriu para ele, e começou a chorar, ao meio do sorriso...
“Amo você”, virou o rosto para Sofia e mordeu o lábio superior, enquanto as lagrimas escoriam por seu rosto, “Me perdoa”, e colocou a arma escura, com tudo no próprio peito, e depois girou ela pelo corte que havia feito, e o liquido escarlate foi manchando ainda mais as roupas sujas de sangue do garoto. Ele caiu de joelhos e Castiel correu para socorrê-lo. Mas não havia muito que fazer, o corte estava profundo demais, ele pegou o irmão pelos braços e começou a chorar em cima do cadáver do arcanjo, parecia dormir, com uma expressão suave.
O lugar estava coberto de penas negras por todo canto. Vitoria e Ariel se mantiam longe abafando o som do choro. E Sofia se aproximou de onde estava Castiel. Agachou-se perto de onde ele estava, e começou a acariciar os cabelos de Enrique.
“Esperava por você todos os dias, para aparecer na escola. Nunca foi culpa sua, se eu ao menos não existisse... Apaixonei-me perdidamente por você, de todas as formas possíveis, de todos os jeitos conhecidos e desconhecidos, de forma rápida e dominadora. Antes mesmo de saber o que significava. Sempre amei e sempre vou amá-lo Cassiel, meu anjo...”, ela não aguentava mais falar uma palavra, pois as lagrimas que ela tanto segurava haviam lhe traído.
Castiel com a mão esquerda aproximou a cabeça da garota em seu ombro e choraram os dois juntos. Ate ela sussurrar algumas palavras que assustaram o arcanjo. Ela o olhou e sorriu.
Ele se levantou, apesar da dificuldade, causa pelas pernas que lhe traem. Ele sussurrava para si próprio: “Faça a escolha certa, pelo menos uma vez Raziel, pelo menos uma vez...” e continuou em voz alta olhando para cima, “Eu me sacrifico!”, uma luz forte veio do céu, o sol estava mais forte que o normal, mas ele não desvio o olhar, forçou um sorriso para Sofia e estendeu a mão para que ela chegasse perto. Arrumou o corpo do irmão sobre o ombro e segurou Sofia pela cintura. As longas assas brancas se abriram e eles voaram para o alto, ate se manterem fora do campo de visão.
...
Uma luz intensa saia de um trono, Ele estava sentado, a espera dos dois.
Quando finalmente eles chegaram, se ajoelharam perante a Ele. A luz que saia de lá parecia animada, não era possível ver, mas seria como uma expressão de aprovação para os dois...
“Fico feliz te terem me procurado, e por finalmente ter criado juízo Raziel...”.
“Tudo isso era para eu criar juízo? Meu irmão sofreu tanto e morreu em vão?”
“Não foi isso que disse. E agora você reconhece o sofrimento dele? Vê que nunca foi idiotices dele fazer todos aqueles sacrifícios? Foram todos escolha dele. E são tão idiotas como fala, mas vai fazer o mesmo?”
“Ele era um idiota, sempre foi. Mas ainda é meu irmãozinho, pode que ele era mais novo que eu segundos, mas ainda tenho que cuidar dele, e sempre fui egoísta, nunca cuidei dele, ele sempre cuidou de mim... Não sei o que é certo fazer agora, mas quando eu pedi um sinal. Quando eu rezei para Cassiel a única coisa que eu ouvi foi ‘Vai ficar tudo bem, eu também o amava, daria minha vida por ele se pudesse’, acho que eu entendi o que ele fez a vida toda dele”, disse ele sorrindo para Sofia e voltou a olhar o Trono esperando uma resposta.
“Não é atoa que o nome dela significa sabedoria... Então Raziel, meu filho, qual sua resposta final?”
“Faço o que for preciso para ter meu irmão de volta”
“Esta ciente que você pode nunca mais vê-lo? Que talvez não o reconheça, e que ele vai viver, e não vai lembrar-se de você, e vai vê-lo envelhecer e morrer?”
“Só quero que ele consiga fazer o que sempre sonhou e nunca conseguiu...”.
O Trono emitiu uma luz forte, que parecia de felicidade, e a luz foi direcionada a Sofia.
“E você, o que quer?”
“Quero Enrique de volta, se possível...”.
“Tudo é possível, basta acreditar. Vou dar uma chance para mocinha... De acordo Raziel.”
“Claro. Eu ia pedir isso também...”.
“Vocês talvez não se encontrem...”.
“Eu vou procura-lo então”
“Okay, Tudo de acordo. Castiel, esta morto. Agora você é Raziel, vai voltar a fazer o trabalho que sempre foi seu. De acordo?”
“Vai me dar outra chance? Mas eu não mereço...”.
“Você é meu filho, e se arrependeu do que fez, tem lugar conosco...”.
“Acho que sei o que fazer... Obrigado, muito obrigado mesmo!”
“Que assim seja”.
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