Luz e Escuridão

4 Novas Amizades, ou Primeiras Amizades?


Bateu o quinto sinal. Anunciando o final da quarta aula. Já era a terceira aula que ela passou sem ninguém sentar ao seu lado. Todas as aulas que houveram naquela manha foram do mesmo professor. Duas de historia e duas de geografia.

Ela levantou e ajeitou o seu caderno, e entregou o livro de geografia para o professor na mesa. Que a segurou pelo pulso e disse:

“Preste atenção nas amizades que faz. Ele é um bom menino, mas age por impulso e não pensa nas consequências, o que acaba não sendo muito bem a maioria das vezes, e as consequências nunca são coisa boa. Então acho melhor à senhorita, não falar com ele. Há pessoas mais boazinhas na escola. Logo fará amigos”, então soltou seu pulso e sorriu para ela.

Ela saiu de lá assustada. De acordo com o que ela havia escutado no corredor agora seria a hora do almoço. E as aulas da tarde seriam suspensa pelo forte chuva que estava caindo.

Ela não sabia da chuva, ate sair do prédio onde ficavam as salas de aula e sentir o vento gelado e a chuva cortado seu rosto. Colocou a bolsa em cima da cabeça e começou a correr pela grama para chegar ate o refeitório. Quando de repente ela trombou em alguém, e caiu no chão. Não sujando apenas os tênis de lama, como toda a roupa e se molhando.

“Desculpa!!”, gritou ela para ser ouvida.

Ela tirava o cabelo que havia se soltado do rabo de cabelo e colava ao rosto. E conseguiu ver um rapaz loiro, de pele bronzeada e olhos cores de mal. Usava uma camiseta cinza e uma calça jeans e sorriu para ela quando ela pediu desculpa.

“Não foi nada!”, respondeu ele, alto, para ser ouvido. Ele esticou a mão para ela, ainda sentado. Quando uma voz rouca e seca e com tons sarcásticos, interrompeu.

“Bem sua cara, fazer esse tipo de coisa, Greices”, e uma mão pálida com uma luva preta, que cobria ate a metade dos dedos, foi oferecida a Sofia para que essa se levantasse.

Ela olhou para cima, e viu o garoto de cabelos pretos repicados. Seus cabelos negros estavam emaranhados no rosto e ele continuava sem expressão olhando cara o menino loiro que se levantou e bateu as mãos na roupa. Olhou para Sofia e deu um ultimo sorriso e foi embora correndo.

Sofia ia pegar na mão do menino, mas se lembrou do que o professor havia falado e recuou.

“O que foi? Assustei-te?”, a voz dele continuava rouca, mas parecia calma e carinhosa quando ele se dirigia a ela. Como quando ela lia os bilhetes e imaginava a conversa, com ele dizendo tudo em meio de sorrisos.

“Nada, consigo me levantar sozinha, apenas isso”, ela se levantou e pegou a bolsa, estava molhada, e talvez a maioria de suas roupas, pois estavam todas dentro da mochila. Estava pensando em como ia se virar com as roupas e nem percebeu uma poça de água na terra, que a fez escorregar, o garoto segurou seus braços perto de seu peito. Ela o olhou assustada e ele sorriu. Mostrando seu sorriso perfeito e com dentes brancos.

“Se machucou?”

“Não...”

“Vamos sair da chuva, esta toda molhada. Então conversamos”, disse ele pegando a mochila que estava no chão e puxando Sofia pelo braço.

Chegaram ao refeitório todos molhados. E foram direto para fila para buscar o almoço/café da manha. Como foi dito pelo garoto de cabelo preto. Quando foi a vez deles pegarem a comida a mulher sorriu para o menino. Seus cabelos estavam presos na touca, para que o cabelo não caísse na comida. E usava uma camiseta azul marinha, calça jeans e um avental branco.

“Ora quem vemos aqui”

“Ola, Marlene. Como esta?”

“Estou ótima. Você não merece essa gororoba. Aqui, pegue essas panquecas.”

“E você querida? Ummm, norme?”, Sofia ficou sem entender nada, ate que o garoto de cabelos preto respondeu para a mulher:

“Ta comigo”

“Oh, então panquecas também. Bom almoço queridos”, disse ela sorrindo.

Sentaram em uma mesa próxima, enquanto Sofia tremia de frio, mas continua comendo para que o garoto não percebesse. Ele pegou o sobre tudo de couro que usava, mas que não estava molhado por causa do couro. E jogou nos ombros de Sofia que se sentiu aquecida pela pele de cordeiro que havia dentro, que a esquentou instantaneamente.

“Obrigada”

“Não precisa agradecer...”.

“Por que esta me ajudando tanto? Não esta com frio?”

“Porque somos amigos, oras. Não, já estou acostumado com o frio”.

“Ah, mas... gosta de gatos?”

“Prefiro gatas...”, disse ele rindo. Mas Sofia não mostrou nenhuma expressão, apenas de vergonha por ele ter anunciado a amizade deles, “Ok, eu entendo que essa piada foi horrível. Mas não precisa ser tão seria. Vamos, sorria”.

“Obrigado mesmo, na sala de aula, e agora, e na chuva, e de tudo...”.

“Por que perguntou dos gatos?”, perguntou ele passando a mão no cabelo e olhando para o lado, sua pele estava ruborizada.

“Tenho um, e queria mostrar ele para um amigo... mas nunca tive chance...”, ele sorriu e ela ficou mais vermelha ainda.

“Isso explica esse seu corte no rosto...”.

“Ai, você percebeu? Nossa que vergonha...”.

“Como aconteceu?”, ela expirou e ele continuou, “Deixamos para outra hora, acho bom, ir para o seu dormitório e tomar um banho e dormir um pouco. Se a chuva continuar do jeito que esta, amanha não haverá aula, pois ficaremos ilhados nos dormitórios...”, Sofia foi tirando o casaco e ele a interrompeu, “Não, fique com você, depois me devolva, na hora de sair puxe essa parte acima da cabeça para não me molhar mais, ate mais tarde”.

Ela sorriu pegou a bolsa e seguiu as instruções do garoto e saiu correndo para onde ele havia indicado. Era um prédio cinza e com uma aparência morta, como toda a escola. Havia estatuas de anjos lutando entre si, e de alguns olhando crianças rechonchudas em cima de nuvens, em quase todos os corredores. Ela olhou novamente a folha, que quase era ilegível pela falta de luz daquele dia, conseguiu identificar o numero 44, com a ajuda dos candelabros eu haviam sobre apoios nas paredes.

Já era a terceira escada que subia, ate que se deparou com a porta numero 44, parou em sua frente e rodou a maçaneta gelada.

Quando abriu a porta, deu de cara, com um papel de parede azul cheio de coraçõezinhos azul mais claro. Duas camas de madeira baixas, duas mesinhas dos lados das camas, também de madeiras e dois baús. Havia uma porta que parecia dar para um banheiro pequeno. Separando as duas camas havia uma porta de vidro que parecia dar para uma varanda.

Ela entrou no quarto e tirou os tênis e as roupas sujas de barro e tomou um banho quente. E foi ver se alguma roupa estava salva de estar molhada, mas não havia nada que não estivesse encharcado, ela pegou um vestido antigo que era da mãe que sempre usava quando era pequena, a única roupa que se mantinha apenas úmida.

Deitou na cama em que não havia um urso, do lado esquerdo do quarto. Cobriu-se e acabou dormindo, pois estava com muito frio. Horas depois ela acordou sobressaltada com uma garota de pele morena e cabelos cacheados presos em um rabo de cavalo, alto. Seus olhos eram castanhos e ela estava soltando um largo sorriso para Sofia.

“Ola, sou sua nova colega/amiga de quarto. Porque não quero ser uma colega, quero ser sua amiga. Você estava morrendo de febre então eu não quis te acordar. Então te emprestei minha coberta. Alias meu nome é Vitoria, é um prazer conhecê-la. Pelo que sei se chama Sofia, estou certa?”

“Oi, ah, obrigada por cuidar de mim. Sim, chamo Sofia, como sabe? Prazer conhecê-la Vitoria”.

“Ah, Sofi, me chama de Vi. Bom, um garoto passou aqui mais cedo, ele parecia assustador. Pergunto-me como alguém tão delicada consegue conversar com um garoto com olhos tão intimidadores e não sentir medo. Ele perguntou se você estava aqui, e te mandou essa carta. Ele disse que é sobre uma festinha, já foi anunciado que as aulas foram suspensas de amanha, muita chuva. Ele falou para tomar cuidado para não pegar um resfriado. Ele é seu namorado?”

“Não!”, disse ela ficando vermelha, “Acho que somos amigos, mas mal o conheço... festa? nunca fui a uma...”.

“Ótima oportunidade para ir a uma, não acha?”

“Não sei...”

“Vamos abre a carta, vamos ver o que ele escreveu”.

Sofia abriu o envelope preto escrito com uma caneta prateada e tirou o pedaço de papel que pertencia a um caderno. Estava tudo escrito com a mesma cor de caneta azul, que ele usou nos bilhetes de sala. Sua letra era elegante e parecia desenhada, muito diferente da letra de Sofia.

“Ola, gostaria de vir em uma festinha que vai ter no meu quarto hoje? Não se preocupe com a aula amanha não ira ter, pois choveu de mais. E não se preocupe com meu colega de quarto, pois não possuo um. Meu quarto é o numero 46, fica no fim do corredor do seu quarto mesmo, o quarto da porta escura.

Não esquece o meu casaco... :p

Espero-te”

“Ai que tudo, ele não é seu namorado mas ta na cara que ta de olho em você. Que estória é essa de casaco?”

“Não esta de olho em mim, ate porque ninguém nem fala comigo”, falou Sofia apontando para o casaco em cima do baú que ficava aos pés da cama ate perceber que não havia nada ali, “Onde esta o casaco de couro que estava ali??”

“Ah, você estava morrendo de frio então eu pensei, se ela tem um sobre tudo desse, por que não colou, ai eu te dei, é esse que esta usando?”

Sofia ficou assustada quando olhou o sobre tudo de couro que estava usando, lembrou que foi dormir morrendo de frio e que agora se sentia tão aquecida, ela puxou o sobre tudo,tampando seu rosto envergonhado. Não podia ser, ela acabara de dormir com uma roupa que não era sua e não queria tira-la, estava morrendo de vergonha ate que sentiu o cheiro não muito doce que o pelo de carneiro que estava dentro do casaco e se acalmou. Com uma sensação nostálgica, de quando seu gato a abraçava, ou quando o seu pai a abraça. Que saudade ela estava de casa, do pai, do seu único amigo, seu gatinho. E agora ela pensava que não tinha ninguém, mas ela tinha amigos, um pouco estranhos talvez, ela tinha uma festa para ir.

“Já vai”, gritou Vitoria, que foi abrir a porta onde alguém havia batido, ela estava sem entender nada, em quando Sofia se escondia na blusa. Pensava se havia feito errado em entregar a blusa quando ela te pediu variando, mas ela estava com frio, e pensou que a blusa era da garota, mesmo não combinando com o estilo dela. “Ah, oi. Pode entrar...”

“Não precisa, queria saber se ela esta melhor...”, Sofia ouviu uma voz rouca, que parecia angustiada vindo da porta, e levantou o olho da blusa vendo uma pessoa vestida de preto, e se escondeu dentro da blusa novamente

“Sim claro, o remédio que você deu funcionou muito bem, obrigada. Eu não sabia o que fazer quando veio aqui, desculpe se te assustei com a estória do remédio...”

“Não foi nada, ainda bem que inventei essa festa. Falando em festa, vocês vão??”

“Não sei, ela ainda não esta muito bem, então...”

“Posso entrar?”

“Ah, melhor não, ela esta cochilando...”

“Prometo não acordar”

“Não, espere”, disse Vitoria empurrando a porta atrás dela, como se fechando o quarto, “Não é uma boa hora...”

“Tudo bem eu vou embora...Qualquer coisa me chama”

“Pode deixar”, disse ela com uma risadinha sem graça. Fechou a porta e se voltou a Sofia. “Sofi, a coisa ta feia. Desculpe por ter colocado em você a blusa”

“Não foi nada, e alias, obrigada por não falar que eu estava acordada...”

“Sabia que estava escondendo alguma coisa”,disse uma figura sorridente encostada na porta.

“Ora, falei que não era para entrar, e você disse que ia embora...”

Ele riu

“Queria saber como ela estava...”, disse ele sentando na cama de Sofia. “Como esta?”

Sofia se escondeu na blusa novamente, deixando apenas suas mãos para fora da blusa, à cima da cabeça.

“Gostou da minha blusa foi?”, disse ele rindo

“Ah, eu só estava com frio e...”, disse ela se sentando na cama e tirando o casaco.

“Tudo bem, pode ficar. Depois me devolve. Ate mais tarde, ok”, disse ele colocando a blusa de volta nela e beijou sua testa delicadamente. E sorriu para ela. Seus lábios eram macios e vermelhos. E quando ela o olhou, ficou vermelha e deitou novamente na cama e se cobriu com a blusa.