Luz e Escuridão

16 Garoto Alado, Extremante Complicado


Notas iniciais
Ai esta o capítulo 16, demorei séculos para postar, porque havia viajado para casa de minha best. Lá tinha net, mas acontece que eu não estava com o capítulo, e esqueci de postar.Então peço desculpas.Não culpem-me, culpem a Vitoria u.u kkkkk. Beijos anjos, boa leitura ^^

Ela o fitava ainda mais assustada, nunca havia visto Castiel, o arcanjo da paz e bondade, com um olhar daqueles. Aqueles olhos famintos por vingança ou por qualquer outro sentimento forte. Não combinavam com ele. Talvez com Enrique, mas não com Castiel.

“Por que eu deveria falar para vocês? Qual a importância de tudo isso?”

“Se não tem importância por que ainda esta chorando?”, disse Castiel, pegando em seus ombros e olhando diretamente nos seus olhos. Estavam calmos e felizes como sempre. Mas sua expressão era seria.

“Estou chorando porque... Estou chorando porque acumulei muitas lagrimas da glândula lagrimal, ou seja, lá o que for...”.

“Acho que o seu corpo não te obedece, não é mocinha? Sei do que tem medo... Mas se não se importa, por que tem medo? Por que esta aflita? Por que suas lagrimas te traem quando você precisa? Nada é tão sem importância, vai perceber ainda, mas é muito nova para chorar por um coisa dessas. Eu já chorei uma vez, há muito tempo atrás. Não é tão fácil explicar o que sente, mas não damos o valor total ate perder. Achamos que tudo vai ser as mil maravilhas para sempre...”.

“Ele esta em um lugar onde o céu é mais bonito à noite, onde tudo é seco e estranho, mas ao mesmo tempo é lindo. Só vou lhe falar isso...”, disse Sofia interrompendo Ariel.

“Obrigado querida, entendeu o que lhe disse... Castiel trate dos machucados dela, tenho que ir a um lugarzinho...”.

“Onde fica isso?”.

“É o lugar dele...”.

“Ótimo, esta trancando... Nem se me mandasse ir eu não iria conseguir falar com ele...”, disse ele com um sorriso calmo.

“Não acabou de me falar que era forte? Ah, talvez Enrique seja mais, não é?”, Ariel saiu pela porta resmungando mais algumas ofensas e provocações para Castiel, que parecia não se importar.

Ele fez sinal para que ela se sentasse em sua cama e sentou de frente para o lado da garota e começou a limpar os machucados com água boricada e um pedaço de algodão.

“Logo vai estar novinha em folha”, disse ele sorrindo.

“Por que Ariel falou que o lugar é o do Enrique e você falou que não consegue entrar...”.

“Ah, isso é simples. Cada um de nos tem um lugar especifico, um lugar que podemos ir para relaxar, como se fosse o nosso canto, nosso quarto. Já que não temos um quarto lá em cima...”.

“Mas por que você não pode entrar nesse ‘quarto’ dele?”.

“É complicado isso... Digamos que ele colocou um tipo de encantamento em que eu não posso entram...”.

“Então ninguém consegue entrar lá?”

“Quase isso... Ele deixa entrar quem ele quer, mas gasta um pouco de energia... Talvez ele esteja fraco, por isso acabou mostrando as assas...”.

“Sim, então para guardar as asas precisa de força? Espere como sabe que eu vi as asas dele?”

“Simples, não iria ficar assim só com um beijo. Eu sempre temi que isso acontecesse... Miles e Ariel também. Mas Enrique é o protegido do Ariel. O nosso querido Leão de Deus se sente culpado pelo Bad Boy e se vê em responsabilidade de se culpar pelos atos que Rick comete. Ele colocou ate uma espécie de coleira nele junto com o Tranqueira, para que conseguisse arrumar aquela atitude rebelde... Sinceramente, não sei porque forçam Ariel a cooperar contra Rick, nunca da certo...”.

“Enrique sempre foi assim?”

“Não, ele era pior... Bom, teve uma época que ele fazia tudo que pediam, mas fazia coisas sem pensar por causa do amor, que ele zela tanto. Mas depois de alguns acontecimentos ele acabou dando uma total reviravolta. Ariel fala que é por causa do próprio amor que ele sente, e que eu não entendo. Mas eu sei amar, eles que não sabem, acham que o amor é capaz de destruir as coisas, mas não é assim. Eles são, não o amor. Colocam culpa nos sentimentos para não colocar neles próprios. Um sentimento não levaria as pessoas para a própria cova... Concorda comigo?”

“Não sei ao certo Castiel. É complicado isso, talvez você esteja certo, e as pessoas não querem colocar a culpa neles e tacam para o sentimento, mas será que não é o que nos sentimos que nos força a tais ações? Nunca vou saber...”.

“Como nunca?”, disse o garoto se aproximando de Sofia. Ele estava sorridente, e seus olhos estavam curvos. Ela sabia o que aquilo significava, então colocou as mãos no peito do rapaz e o afastou. “Por que nunca deixa eu te beijar, e o Enrique conseguiu? Eu não entendo, ele fala que você gosta de mim, mas na verdade ele esta brincando com a minha cara”, dizia Castiel perplexo olhando para as mãos. ”Sinceramente, o que vê nele? O que ele tem que eu não tenho? Não entendo mais, Vitoria fala que você gosta de mim, para parar com a paranoia de que gosta de Enrique. Mas na verdade é mentira. Você gosta dele, não gosta?”, os olhos do anjo estavam melancólicos, parecia prestes a chorar, ela ficou o fitando sem saber o que responder e ele suspirou voltou a mão no quite de primeiros socorros e colocou um curativo em um lugar machucado do braço e deu um sorriso triste, que logo desapareceu.

“Gosto de você, não gosto de Enrique...”.

“Não precisa mentir para me fazer bem, sou bem mais velho que possa imaginar... Não tem para onde fugir afinal, mas queria que você gostasse de mim, seria muito mais agradável assim...”.

“O que quer dizer com isso?”

“Você não escolhe nada, eles escolhem... Desculpe Sofia, mas nada é tão simples”.

“Eles quem?”

“Não esta claro? Eu te amo, quero que saiba disso. Não sei o que Enrique sente por você, e não posso dizer que o que eu sinto é mais forte... Mas o que sinto por você é tão intenso, nunca imaginei sentir isso por outra pessoa, e é comigo que esta destinada a ficar. Então me sinto bem por gostar tanto de você, e espero que seja bom para você sentir o mesmo por mim...”.

“Falam-me do meu destino a todo o momento, mas nem ao menos veio falar-me como vai ser este tal destino, acho que já estou crescidinha para fazer minhas próprias escolhas e...”.

“Não é assim que funciona bobinha. Você é realmente muito inocente”, disse ele rindo, “Amo isso em você, e deve tomar muito cuidado com isso, com o demônio te rondando. Sabe, o seu futuro e tudo que você faz e deixa de fazer já estava previsto muito antes de nascer, não tem para onde fugir...”.

“Diz que Enrique é um demônio, mas você parece-me muito mais com um do que ele!”.

“É porque ele deixou a parte suja comigo, a parte de te encantar e levar para um canto qualquer sujo e esquisito ele fez, dizer coisas melosas e falar dos sentimentos que ele guarda com tanto zero. Há, por favor, Sofia, você não é idiota. Ele é um Demônio, entendeu? Ele vai te iludir te enganar, vai te virar contra mim. Não caia na dele”.

“Não sei se posso confiar em você também, confiava em Enrique e olha o que me aconteceu”.

“Ele é um demônio! Quantas vezes vou ter que repetir? Eu sou um anjo, esta segura comigo e...”.

“Lúcifer também era um anjo...”, disse a garota erguendo a sobrancelha. Castiel estava vermelho, ela nunca tinha visto ele tão nervoso, mas também estava forçando o anjo a tal sentimento. Talvez pelo fato de estar cansada em ouvir ladainhas e ser tratada como boneca. Talvez ela não devesse confiar em tudo que escuta. Talvez ela não gostasse tanto de Castiel, ele era um cara legal, mas ela não se sentia a garota mais feliz do mundo com ele.

Castiel era do tipo que todas as garotas sonham, ate mesmo a própria Sofia sonhava. O galã de novela, loiro, bronzeado, dos olhos cor de mel, sorriso estonteante e sempre contente. O cara que ia levar ela para um passei romântico, a luz de velas, em um restaurante chique. Que iria rir de suas piadas idiotas, não porque achavam elas engraçadas, mas porque achava tudo que ela fazia um máximo. Que iria ficar horas com ela no telefone, não dizendo absolutamente nada, e mandaria alguma poesia com um rosa vermelha de dia dos namorados. O menino que ela teria orgulho de apresentar para o seu pai. E que toda garota sonharia entrar com ele na igreja, de véu e grinalda. Mas não era isso que ela queria, faltava alguma coisa. Mas não sabia o que era, ai estava toda a questão em querer e ao mesmo tempo não querer ficar com o rapaz. Ultimamente ela havia pensado bastante nisso, e achou que seria pura indecisão e frescura de sua parte, mas quando os lábios dele se aproximavam dos dela, ela sentia um desespero tremendo de se afastar o mais rápido possível, a ultima coisa que queria era beijar o rapaz. Mas gostava de estar com ele.

“É completamente diferente...”.

“Não é tão diferente assim, não sei ate que ponto posso confiar em alguém, não mais, cansei de ser tão ingênua como você mesmo disse. Eu me cansei de sofrer, não é por que você é um cara bacana que não esta me enganando, da ultima vez foi assim também e...”.

“Chega!!Não me compare com Enrique, estou farto disso!Minha vida toda eu fui comparado com aquele idiota!! E sabe que ganhei com isso?Nada, eu só perdi! Se eu ao menos alguém me enxergasse e parasse de me comparar a ele, mas é impossível! Ele faz merda, e todo mundo para de confiar em mim, porque acha que eu sou igual ele! Eu estou acostumado com isso há séculos, mas não esperava isso de você. Nunca...”, Castiel chorava, ele falava mais alto que o normal, mas logo sua voz foi ficando fraca como um sussurro mas Sofia pode ouvir um ultimo: ‘Eu o odeio, preferia que não tivesse feito aquilo por mim, eu o odeio’. Ela percebeu que a estória dos dois era antiga muito seria. Nunca havia visto o anjo chorar e não sabia o que fazer, ele ainda era seu amigo afinal, devia fazer algo. Ela se ajoelhou de frente a ele e limpou suas lagrimas. Ele estava com a cabeça entre as mãos e com os cotovelos apoiados entre as pernas. A olhou assustado e depois sorriu de leve, acompanhando o sorriso da garota. Os olhos dela o deixaram calmo, esse era o verdadeiro motivo dele gostar dela. Perto dela se sentia um cara melhor, mas ao mesmo tempo mais imundo, talvez fosse por isso que Enrique gostava tanto dela, o pensava.

“Odeio ele, odeio o fato dele ter conseguido te beijar e eu não, odeio isso...”, disse ele erguendo o rosto da garota para perto do dele. Pela primeira vez ela teve vontade de beija-lo. Suas mãos estavam sobre o peito do rapaz, mas pela primeira vez ela não o afastou, e sim aguardou ate o momento em que seus lábios se encontrassem. E o beijo do anjo era doce, como seu sorriso, e possessivo como seu ciúme.