Luz e Escuridão

22 Bônus. Começo de Tudo.


Notas iniciais
Esta ai o novo capitulo, desculpem pela demora. Feliz natal e ano novo. Espero que gostem, boa leitura! Ate as notas finais!!

Em pensar que tudo começou porque meu irmão era teimoso demais, e nunca aceitava o que lhe mandavam fazer. Sempre fazendo o contrario de tudo.

As pessoas são cruéis, sempre faziam comentários que ate certa idade eu não compreendia, mas que depois pude ver como eram maldosos. Coisas como “Como podem ser tão diferentes e terem nascido do mesmo ventre, e a quase há mesma hora?”. Naquela época tudo era simples demais, e acho que não sabiam como educar os filhos. Não mudou muito nos dias de hoje, mas pelo menos agora eles tentam resolver sozinhos e não levam para os anciões. Ah, malditos anciões, se não fosse eles...

Tudo começou quando estava pastoreando as ovelhas, e meu irmão que em vez de fazer a tarefa, que fora mandado, estava andando e conversando com pessoas mais velhas, gastando todo o dinheiro, que não tínhamos, com luxurias. Pensei que seria um dia comum, mas o mar nunca fica calmo por muito tempo...

O menino que às vezes vinha fofocar sobre o que meu irmão havia feito, para mim, veio correndo. Sabia que não seria boa coisa, da ultima vez que nos vimos, lhe disse que só viesse fazer uma de suas ‘visitas’ se meu irmão tivesse enrascado. Como dito, meus pais haviam levado ele para os anciões, e sua sentença havia sido morte por apedrejamento. Não conseguia e não consigo entender, como nossos pais foram capazes de fazer isso. Larguei tudo e fui correndo para onde seria feito todo o processo. E meu irmão estava desesperado. Quando me viu quis bancar a pose de irmão mais velho. Ele forçou um sorriso e sussurrou: ”Tudo vai ficar bem, você é meu irmãozinho, pare de fazer tudo que eles mandam, se divirta, não viva só no que eles esperam que você faça”.

Lindas palavras, mas nunca as segui. Devia tê-las seguido... Não sei o que se passou pela minha cabeça naquela hora, só sabia que não podia deixar meu irmão morrer, pelo menos, não sozinho...

“Se querem mata-lo, vão ter que me matar também”.

A expressão de todos, inclusive meu irmão, foi à mesma, surpresa. Depois de muitos sussurros entre os anciões, eles resolveram o que iam fazer. E foi assim que eu morri pela primeira vez.

...

Não me lembro de muito bem o que aconteceu, eu lembro que senti muita dor, mas depois tudo ficou turvo, e depois escuro, e depois com uma luz muito forte, mas ela não adia os olhos, era bom olhar para aquilo. Olhei para o lado e meu irmão estava ajoelhado, com um olhar assustado, ele não estava sangrando nem machucado, ele estava bem, e eu também. Nossas roupas estavam brancas e parecíamos limpos. Uma voz forte e suave veio da luz:

“Meus filhos, vocês provaram ser corajosos, e não foi isso que eu havia tentado pregar para as pessoas, elas entenderam tudo errado, acho que lhes darei uma chance, pois um salvou o outro. E esse foi um ato digno e corajoso!”

“Corajoso? Acho que estou tremendo ate agora.”, disse.

“Se estava com tanto medo, por que entrou na frente de seu irmão?”, perguntou a luz.

“Se eu não fizesse isso, quem ia fazer? Eu não sei o que eu quero para mim, não sei o que quero fazer, só sei que quero viver, ser feliz e sem ele, não sei se ia ser possível. Eu sabia que quando tudo isso acabasse ia ficar tudo bem.”

“Então você foi corajoso, porque mesmo com medo, você tomou uma decisão, e a seguiu. Cassiel”. Disse a voz com um tom bondoso.

“Desculpe-me, mas esse não é o meu nome...”.

“Então qual é o seu nome filho?”

“Eu não sei”, estava confuso, olhei para meu irmão e percebi que ele não fazia ideia do seu nome, muito menos do meu. Olhei para a luz novamente e ela parecia radiante e se dirigia ao meu irmão.

“Raziel, o Príncipe dos mistérios e da originalidade. Protege a humanidade para que todos se sintam positivos e prósperos. Trazem paz e bondade as pessoas e é o guardião da sabedoria e da criatividade...”.

“Deve estar me confundido, não sei se ele é meu nome, muito menos faço ideia disso, só sei que não tenho nada de príncipe, ou com qualquer coisa relacionada a guardião de sabedoria. Se fosse realmente não tinha me colocado nessa nem ao meu irmão...”, disse meu irmão com um sorriso descontraído, mas sua voz dizia o contrario.

“Se não lembra seu nome, por que não fica com esse? Eu lhes disse que daria uma oportunidade a vocês, pois pagam por crimes que não são seus, regras colocadas por mim, mas que foram mal interpretadas!”.

Meu irmão sorriu e agradeceu, seus olhos brilhavam, e isso me fez sentir-me melhor. A Luz chamou por ‘Cassiel’, e na mesma hora eu me virei de frente para Ela.

“Acho que já se conformou com o novo nome”

“Não é isso, mas, se para meu irmão estava bom. Sinto que ira dar certo daqui para frente”, disse sorrindo. E a Luz brilhou com tom de aprovação.

Passaram-se meses, ou ate mesmo anos. Estranhamos-nos os primeiros dias. Raziel usava roupas claras e ficava o dia todo conversando com outras pessoas. Enquanto eu optava por roupas mais escuras e ficava o dia todo ouvindo orações e pedidos. Em tempos livres ficava deitado em nuvens observando o que se passava na terra.

Presenciei mudanças inacreditáveis. Não só o sentido de que a tecnologia e os costumes mudaram como também o jeito do homem conviver com sociedade, o caráter. Tudo que ele deixou em segundo plano, o que devia estar em primeiro. O que o homem fazia com os próximos e com a natureza, me deixava cada vez mais triste. Mas acreditava que no futuro tudo iria dar certo, tudo iria se ajeitar. Ariel, meu amigo e companheiro de conversas, muito mais velho que eu, falava que tinha pensamentos adultos demais para mim, que deveria aprendem a curtir mais igual meu irmão.

Ariel era um cara legal, era o maior anjo da guarda que alguém poderia pensar. Ele cuidava de todos, e dava uma atenção especial para os ‘grandes’, como chamavam as pessoas que iriam marcar a estória. Ele parecia um pai para mim e para Raziel, mesmo o arcanjo não gostando muito da ideia. Ariel dizia que ele tinha uma espécie de ciúme de mim, que eu não entendia o que ele achava incrível. Quando me disse isso apenas ri, não fazia do fetiche de meu irmão essas coisas, ainda mais de mim, alguém completamente sem graça.

‘ Casado com as roupas escuras e meu olhar frio’, era o que todos diziam, falavam que estava sempre parecendo entediado, que eu não sabia como sorrir. Isso era mentira! Uma vez fiquei o dia todo praticando, e caramba talvez eles estivessem certos, eu era tão sem graça como minhas roupas. Ate que um dia, todos foram convocados para uma reunião, menos eu. Por quê? Porque a pessoa que havia pedido essa reunião Sra. Miles, e o mulherzinha chata, ela não era com a minha cara, mas gostava do meu irmão. Qual era o motivo da reunião ‘super urgente’? A filha que ela havia tido, algo como uma profecia havia saído. O pai da garota? Um homem trabalhador, mas não iria viver muitos anos por causa de alguma doença. Eles então convocaram a reunião para discutir o futuro da garotinha. Coitada...

Foi quando Ariel me chamou, e disse para ficar de olho da menina, enquanto ele ia à reunião. E eu olhei a garota por uma semana, foi então que eu me apaixonei. Era um pouco estranho uma pessoa como eu, velha, mas com aparecia de adolescente apaixonado por uma menininha. E ela era linda. Seus cabelos desciam em cascatas loiras, e seus olhos eram de um azul tão lindo, eles pareciam sorrir para mim, acho que quando ela olhou para meus olhos, quando pareceu que ela sabia que estava sendo observada, ela olhou para mim e sorriu. E com a voizinha doce disse algo como “Anjinho da guarda, proteja o papai, e faça as pessoas da escola falarem comigo”.

Eu fiquei realmente triste, e sem permição de Ariel, eu comecei a observa-la de perto. E ela era maltratada na escola, e eu fiquei com raiva deles. Eu fui descobrindo outros tipos de sentimentos, que não eram puros, ou sentimentos que um arcanjo deveria ter. Eu colocava roupas a paisana, e ficava observando ela de perto, não passava disso, ate que um dia eu comecei a defendê-la.

Tudo foi por água abaixo, aquele sentimento que eu parecia brilhar por dentro, eu disfarçava fazendo o meu serviço e mais ainda em reuniões. Era difícil conter o sorriso e prestar atenção nos outros. um dia ela agradeceu por ter um rapaz tão bonzinho na vida dela. Ariel ficou desconfiado, e Miles também, e começaram a nos observar, eu não sabia de nada, e fui pego, mas eles mantiveram segredo.

Ouve outra reunião, o assunto dessa, mais uma vez o futuro de Sofia, era esse o nome dela, e mais uma vez não fui chamado. Mas ao contrario da outra vez que eu não me importava, dessa vez eu me importava, e muito. No outro dia eu fiquei sabendo o motivo da reunião. Para a má profecia ser evitada, ela devia ficar com um bom arcanjo para lhe orienta-la, assim, ela iria para a escola onde ficam todos os nefilim e arcanjos, um lugar bacana, tem boas arvores. Passava boa parte do tempo nos campos da escola, e algumas vezes assistia às aulas para me mantém informado da educação dos tempos atuais. O sortudo que fora escolhido para ficar com ela? Meu irmão mais velho, Raziel.

Souberam de tudo, fui restritamente proibido de vê-la. Mas eu queria visitá-la, e explicar tudo, mas não podia. Peguei-me no outro dia na arvore da escola onde ela estudava. Estava triste e com a cabeça baixa, usava uma blusa social azul marinha, com uma calça jeans cheia de fivelas e coturno, uma combinação um tanto quanto estranha. E ela sentou do meu lado e me perguntou o que eu tinha, e eu lhe disse que estava muito triste pois não podia ficar com a garota que amava, porque ela era de outro cara, que tudo já tinha um destino e que eu não poderia mudar nada, pois tudo estava escrito e só aguardava a hora de se realizar, e que eu não fazia parte da vida dela. Então ela me respondeu, com as mãozinhas na cintura ‘Quem disse que você não pode fazer parte da vida dela? Se não esta escrito no destino, escreva você mesmo’ e beijou minha bochecha, eu assustei, e parei de chorar, então eu pela primeira vez dei um sorriso sincero.

Foi então que resolvi seguir o conselho de meu irmão. E fazer pelo menos uma vez o que eu tinha vontade, isso era egoísta, e fazia as coisas que deviam estar em primeiro plano, ficarem em segundo. Então eu virei um demônio. Ariel ficou horrorizado, ele meu irmão e Meu Pai, foi então que Ariel decidiu fazer um trato com Lúcifer, e me colocaram uma espécie de coleira, pois eu não era um demônio comum, e apesar de quererem ‘meu bem’ eles sabiam que algo grande os aguardava se eu ficasse daquele lado, o equilíbrio entre bem e mal iria ser quebrado. A coleira só poderia ser tirada quando eu resolvesse que lado ficaria, com toda certeza. O que ela fazia? Travava os meus poderes.

Minhas assas não eram como as de demônios comuns que ficavam apenas carcaça ossaria. E sim pareciam mais as asas de um corvo. E elas doíam, e o processo ao qual elas se passavam para a mudança, era doloroso. Resolvi observar Sofia de perto, já que agora não tinha mais nada a perder. Eu já havia morrido como anjo. Foi minha segunda morte. Mas de certa maneira estava feliz por isso. Virei um gato e fiquei perto dela, com a ajuda de Ariel, ele dava leite para o pai dela todos os dias, e me entregou um dia, prometendo ao pai dela que eu iria cuidar dela mesmo depois da morte dele, que não estava distante.

Sabia que não iria conseguir ficar com ela, mas queria tentar. Queria poder tê-la em meus braços e dizer para ela o tanto que eu lhe amava, o quanto ela era importante para mim, o tanto que eu abri mão por ela, e quanto eu ainda iria abrir. Ela foi capaz de me ensinar a sorrir, a ser feliz, eu queria retribuir. Queria rir com ela, fazê-la feliz quanto tudo parecia estar perdido. Era egoísta esse tipo de sentimento, claro, mas eu não me importava. Pois se ainda existia luz nesse ser das trevas era por sua causa. Ela era minha luz, ela me guiava, eu queria ser feliz, e fazer tudo que queria.

Iria sofrer?

Claro

Iria fazê-la sofrer?

Sim, apesar de não querer.

Mas estaria com ela, pois eu a amava.

Eu iria protegê-la, e estava disposto em fazer tudo pelo meu amor.

Por ela. Não importava o que, nem os sacrifícios.

Pois quem me salvou foi ela, na verdade o anjo o tempo todo, sempre foi e sempre vai ser...

Ela.

Notas finais
E é assim que a estória chega ao seu fim, muito obrigado a todos que leram, acompanharam, comentaram e etc. Muito mesmo, de coração. Em Fevereiro estarei postando minha nova estória que se não houver mudanças se chamara "Almas Acorrentadas" .Então se quiserem deem uma olhada. Até mais. Muito obrigado pela força e incentivo para que essa estória chegasse ate o fim.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!