Luz do Dia e da Noite
2 Coração Abandonado
I
Desde que eu a vi nos meus sonhos
Nunca mais saiu da minha memória.
E foram embora os dias tristonhos
Quando tu apareceu para minha alegria.
( Rod. Arcadia)
II
Sua singela lágrima brotou
Em mim o fogo da paixão,
Anjo dos meus desejos que voou
Trazendo em mim seu doce coração.
Eu ainda suspiro secretamente
Formosa majestade das noites infinitas,
Amor que soprou eternamente
O grito que desmoronou as casamatas.
Nesse fogo que grita
Tu é a flor que desflora.
Mar que agita
O ser que chora.
Coração despedaçado,
Frio e apaixonado.
Alma triste e abandonada,
Carente e apaixonada.
Eu ainda estou aqui majestade,
No escuro te amando
Como um coringa eloqüente
De olhos alegres coloridos.
Mas ainda estou aqui majestade,
No escuro completamente confuso
Um coringa coberto de ansiedade
Bruscamente ansioso.
Meu ser habita seus sonhos,
Fogo da paixão que em mim nasceu,
Coringa dos risos risonhos,
Flor que renasceu.
Mar que agita
O ser que chora
Nesse amor que grita
O grito que desflora.
Meu ser habita seu corpo,
Formosa mulata.
Eu espero seu beijo majestoso
De ébano, cor infinita.
Coração despedaçado,
Frio e abandonado.
Alma poética e abandonada,
Carente e apaixonada.
Eu ainda estou aqui majestade,
No escuro te amando
Como um coringa eloqüente
De olhos alegres coloridos.
Mas ainda estou aqui majestade,
No escuro completamente confuso
Um coringa coberto de ansiedade
Gemendo ansioso.
( Rod. Arcadia)
III
Coração despedaçado,
Frio e apaixonado.
Alma triste e abandonada,
Carente e apaixonada.
Sonho dos meus sonhos,
Alma que agita
Olhos tristonhos
Que chora e grita.
Tu pousou seus olhos em mim
Majestade, como eu queria
Tu perto, oh! Serafim
De ébano, senhora das maresias.
Eu sou o cisne negro
Majestade, sou seu pássaro poeta
Asas abertas que abro
Tu, senhora mulata.
Enquanto rodopias no seu bonito balé
Venero as nuances de corpo de volúpia,
Mande embora a ralé!
Majestade, eu sei que diria.
Que sou o coringa
Ansioso no escuro.
Majestade, quero que diga,
Qual é amor que procuro?
Mar que grita,
Flor que desflora,
Alma que agita
Flor que chora.
Meu ser chora por esse momento
O perfume da flor que dominou
Tão dolorido é o pranto
A paixão que jamais clamou.
Eu ainda estou aqui majestade,
No escuro te amando
Como um coringa cheio de ansiedade
Olhos alegres coloridos.
( Rod. Arcadia)
IV
Terminou. Recuso-me voltar.
Senhora, digo adeus, por hora.
Não chama-me, o que eu tenho a acatar?
( Rod. Arcadia)
V
Meu simbolismo senhora,
Não é mais do que a arte
A poesia criada, embora,
Sendo o tema mais triste.
No escuro, há um fio de alegria
Que ri de paixão.
Esse é dia
Senhora, da solidão.
Cisne negro, ave doravante.
Asas de ébano que agita a alma.
Cisne negro, tu majestade!
Sonho dos meus sonhos,
Alma que agita,
Olhos tristonhos,
Ave de ébano que grita.
( Rod. Arcadia)
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