Luz da Lua

3 O começo de uma longa jornada


Notas iniciais
Se gostarem continuo a postar ^^

Segui Henry pela cidade até perdemos de vista qualquer tipo de sinal de civilização. Estar no meio do nada com Henry, não era exatamente o sonho de minha vida, mas não reclamei. Ainda estava espantada com aqueles três mendigos.

Ele olhava para trás constantemente. Achei que ele poderia achar que eu iria fugir, ou que fui comida por algum monstro invisível ou estar preocupado com algum intruso que estaria supostamente nos seguindo.

–Está tudo bem? –Perguntou enfim.

Eu devia estar de cara amarrada, pois ele parecia um tanto preocupado.

–O que você acha? –Fui um pouco rude demais.

Ele pareceu entender o tom em minha voz que dizia “Não quero conversar”. O sol se pôs no horizonte e eu não tinha comido nada desde que sai de casa. Meu estomago começou a reclamar. Alto até demais.

–O que foi isso? –Perguntou ele olhando para os lados.

–Estou com fome. –Respondi dando de ombros.

–Ah entendo... O sol se pôs.

–O que tem o sol haver com meu estomago roncar? Eu estou com fome por falta de comida. –Rosnei.

Ele pareceu não entender.

–Por que não se alimentou com os raios do sol? – Questionou meu mal habito de não aproveitar o sol, como ele.

–Ah! É, mesmo! Como eu sou idiota! –Ganhei o troféu de ironia do ano.

–Não, não. Eu jamais diria isso! Não quis lhe chamar de tal coisa.

Bati com a mão na testa.

Tentei segurar ao máximo meu tom de voz para parecer educada. Ou pelo menos chegar perto disso.

–Eu sou uma humana. Eu como CO-MI-DA. Sabe... Você poderia arranjar umas frutas para mim. –Sorri por fim como um pedido de porfavorzinho.

–Hm... Claro. –Ele pensou um pouco para digerir minhas palavras. – Perdoe-me. Mas não podemos parar.

–Não parar?! Não vamos dormir?!

–Ainda não... Logo. Mas devemos andar mais.

Ah, esquece. Eu vou arranjar minha comida sozinha. Ele é louco. Não sei nem o que estou fazendo. Virei às costas para ele e corri dentre a floresta.

Não ouvi passos atrás de mim a não ser os de Luke, quase imperceptíveis, mas era inevitável não olhar para trás. Nada, além de folhas secas no chão e arvores enormes que quase não deixavam a luz da lua me guiar.

Esbarrei em algo duro e cai de costas no chão. Olhei para cima e um ogro gordão estava me encarando. Não me lembrava de ter estudado sobre ogros na fauna de florestas. Ele era enorme, sua cabeça verde e feiosa era cinco vezes maior do que a minha. Sua boca não tinha mais de sete dentes moles. Não que ele precisasse com aquelas mãos gigantes ele podia esmagar o que quisesse.

Arrastei-me pelo chão para levantar o mais rápido que pude. Eu só queria comer! Não queria um ogro.

–Henry! –Chamei.

O ogro riu.

–Hehe! Hehe! Henry. Nome gozado.

–Gozada é sua cara feia. –Deixei escapar.

A expressão idiota sumiu do rosto do grandão e ele ficou sério. “É hora de correr” Pensei.

Corri de volta para onde acabara de “fugir” e esbarrei novamente com alguém, mas dessa vez foi com Henry.

Com meu corpo cobrindo o dele balbuciei:

–Um... Um...

Ele girou me deixando em baixo dele. E seu corpo foi lançado para trás. O ogro o pegou e o jogou em uma arvore.

Henry ficou de joelhos encarando o chão. Quando levantou a cabeça, seus olhos estavam totalmente brancos. O vento começou a soprar forte, meus cabelos e os dele começaram a balançar por conta do vento, descontroladamente. Ouvi uivos não muito distantes e em questão de segundos estávamos cercados por lobos brancos. Peguei Luke rapidamente.

Três lobos pularam em cima do ogro. Um deles foi partido no meio o outro estava pendurado com seus dentes cravados no pescoço do ogro de quatro metros e o terceiro tinha cravado os dentes na perna do bicho. Enfim quando mais três lobos pularam na cabeça do monstro ele caiu de joelhos enquanto balançava os braços, tentado fazer com que os animais brancos caíssem.

As folhas começaram a girar envolta do monstro e um pequeno vendaval o desfez na mesma fumaça de antes.

Olhei para Henry e seus olhos ainda estavam brancos. Os lobos estavam sumindo. Quando o ultimo se foi. Ele abaixou a cabeça novamente e seus olhos voltaram ao normal.

Corri até ele.

–Tudo bem?

–Não faça mais isso. –Disse roucamente. –Não fuja de mim. Eu tenho que levá-la.

–Eu estou com fome. –Murmurei.

Henry colocou a mão em uma arvore e uma maçã caiu desta.

–Vamos dormir aqui.

Comi umas cinco maçãs e ajudei Henry a fazer um acampamento improvisado. Tirei de minha mochila, três sacos de dormir e três garrafas de água.

–Minha irmã colocou tudo em três. Será que... Ela vai se juntar a nós? –Perguntei.

Henry estava sentando num saco encostado em uma árvore.

–Claro que não. O cheiro dela é muito forte. Ela é uma feiticeira.

Fingi que era obvio e balancei a cabeça positivamente.

–E aqueles monstros. Foi você que... Chamou os lobos e fez aquele vento todo? –Perguntei sem querer parecer idiota.

–Sim. Sou o Senhor da Natureza.

–Como um príncipe? –Abracei os joelhos estava começando a esfriar. Muito.

–Como um rei.

–Você é casado?

–Não.

–Então é um príncipe.

Ele deu de ombros.

–Isso não é importante.

–Mas... Se você pode utilizar poderes da natureza, por que não resolve seus problemas com eles.

Ele começou a parecer incomodado com tantas perguntas.

–Meus poderes não funcionam contra meus irmãos. Meu pai não nos deu para lutarmos entre nós.

–Hm... –Precisava mudar de assunto. –Então será por que ela mandou o terceiro saco?

–Para Luke. Ele não é um gato.

Olhei para Luke instantaneamente.

–Sim ele é.

–Melanie. Não vou discutir novamente com você. Ele é provavelmente um guardião mandado por sua mãe. – Explicou passando a mão no rosto.

Tentei imaginar o que Luke era.

–Que forma ele tem?

–Uma forma humana. –Forçou-se a responder.

–Ele pode se transformar quando quiser?

–Sim, Melanie! Durma.

–Estou com frio. –Resmunguei.

Henry levantou e quebrou com certa facilidade alguns galhos de árvores baixas. E os amontoou no chão. Esfregou uma mão na outra e olhou para o céu. Virou a palma das mãos com os braços esticados para os ganhos, virou lentamente as costas da mão para o chão e à medida que o fazia o fogo ia subindo, formando uma fogueira.

Observei boquiaberta.

Ele estreitou os olhos e sorriu.

–Agora durma. Isso me deixa cansado... –Disse-me. –E Luke, a primeira guarda é sua. –Disse agora a Luke.

Meu gato, um humano?! Tá bom. Ajeitei-me no saco de dormir e coloquei Luke deitado confortavelmente do meu lado.

Meu sonho foi mais ou menos assim.

Mamãe estava sentada na beira de um rio de água cristalina quando a cena mudou e tudo escureceu envolta de mim e a escuridão começou a se aproximar dela. Tentei correr para ajuda-la, mas não fui rápida o suficiente.

O cenário mudou e não estávamos mais num belo lugar com lindas cascatas naturais que teria sido tomado pela escuridão. Estávamos num lugar úmido e escuro. Ela foi jogada numa espécie de calabouço junto com um belo anjo afro-americano acorrentado por correntes reluzentes que se fundiam ao seu brilho natural.

Notas finais
E...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.