Luxúria, amor e desejo
15 Capítulo 15
Luke saiu do hospital comigo às 14:00 da tarde. O médico me deu o atestado para uma semana e eu precisava levar no meu trabalho. Mas o médico disse que eu precisava de repouso, e eu realmente me sentia exausta.
– Eu posso deixar você em casa arrumando as suas coisas e enquanto isso eu levo o seu atestado no seu trabalho.
Eu precisava pegar minhas roupas em casa e eu preferia fazer isso à tarde, porque sabia que desse jeito eu evitaria esbarrar em Percy.
– Eu agradeceria muito se você fizesse isso por mim.
– Eu já disse que estou aqui pra te ajudar.
Eu estava tentando ligar para Thalia pra perguntar se eu podia ficar lá por um tempo até achar um lugar pra morar, mas ela não me atendia. Tentei de novo, mas igual às outras seis vezes, a chamada caiu na secretária eletrônica.
– Que merda! – xinguei alto – A Thalia não me atende. Eu não quero ter que ficar na casa da minha mãe
– Por quê?
– Ela vai jogar na minha cara que ela me avisou que o Percy era um canalha, vai me fazer contar toda a história de novo e eu não estou a fim de relembrar tudo. Sem falar na questão da independência, não quero voltar a depender da minha mãe.
– Se você quiser, pode ficar na minha casa.
– Eu vou tentar falar com a Thalia até o final do dia, se ela não me responder, eu vou pra sua casa.
Chegamos em frente ao meu prédio, eu estava saindo do carro quando Luke me chamou.
– Que horas você quer que eu venha te pegar?
– Pode ser daqui uma hora e meia ou duas, eu te ligo.
– Ok, te vejo mais tarde.
Entrei no prédio e John o porteiro me cumprimentou:
– Boa tarde Sra. Jackson
– Boa tarde John
Não corrigi ele pois não valia a pena explicar toda a história pro porteiro. Entrei no elevador e apertei o botão para o meu andar. Eu estava apreensiva quanto à entrar no apartamento novamente. Mas eu teria que enfrentar isso mais cedo ou mais tarde, e quanto mais cedo melhor.
Abri a porta e como temia a memória da cena que eu havia presenciado estava nítida. Consegui ver o Percy com as calças abaixadas prestes a penetrar Calypso na mesa da cozinha.
Passei correndo por ali e fui até o meu antigo quarto. Pelo menos ali eu não tinha a imagem dos dois juntos.
Peguei todas as malas e comecei à arrumar.
Enquanto eu fazia isso minha mente começou a divagar. Há quanto tempo o Percy estava me traindo? Será que foi logo depois de eu dar a minha permissão para ele visitar ela ou demorou um pouco? Será que isso vinha de antes? Se eu dei “permissão” para ele vê-la, eu tinha uma parcela de culpa nisso? Eu poderia ter evitado se tivesse dito não?
Não, eu me recuso a pensar que eu era culpada também. Eu tinha confiado nele, e ele traiu totalmente essa confiança. Era tudo culpa dele e daquela vadia desqualificada.
Obriguei a minha mente a sair desse lugar obscuro e pensar em coisas boas. Imediatamente me vi pensando em Luke. Ele tem sido tão querido e compreensivo desde o começo e em nenhum momento me julgou. Estava sempre se oferecendo para me ajudar, e eu tinha que agradecer aos deuses por ter um amigo como ele.
Tentei ligar para Thalia, mas de novo caiu na secretária eletrônica. Pelo visto eu teria que ficar na casa de Luke. Liguei pra ele que atendeu no segundo toque.
– Oi, está pronta?
– Sim, tem certeza de que não tem problema eu ficar na sua casa? Tentei falar com a Thalia de novo, mas ela não me atendeu.
– Claro que não tem problema, eu tenho um quarto de hóspedes vazio.
– Obrigado, eu juro que assim que eu encontrar um lugar para morar eu saio de lá. Vou começar a procurar amanhã mesmo. Prometo não te incomodar por muito tempo.
– Annie, calma. Relaxa, não é incômodo nenhum pra mim. Você precisa descansar, tira essa semana de folga e depois eu te ajudo a procurar uma casa. Pode ser?
– Ai Luke... Você é um anjo que caiu do céu. Pode ser.
– Estou indo ai te buscar.
Desligando o telefone fui terminar de pegar as minhas coisas no banheiro. Eu vou sentir saudades desse lugar. Não vou mentir, eu vou sentir saudades da vida que eu tinha antes de tudo.
Tinha se passado duas horas desde que eu cheguei aqui. Meu celular apitou avisando que o Luke estava lá em baixo. Peguei as duas malas que eu tinha arrumado, elas estavam relativamente pesadas, mas não muito. Passei pela porta da frente evitando olhar para a cozinha. Estava terminando de fechar a porta quando escuto uma voz profunda e grossa vindo de trás de mim.
– Annie, o que você está fazendo? – Ah não, era o Percy. Eu não estou pronta pra lidar com ele, agora não. – Você está indo embora?
Sem querer olhar pra ele, ou conversar com ele peguei as malas e fui até o elevador que ainda estava aberto pela sua recente saída.
– Annie, você não pode ir embora assim, nós temos que conversar.
Apertei o botão do térreo e o de fechar as portas antes que ele pudesse me seguir. Só esperto que ele não fosse pelas escadas. Parecia uma eternidade, o elevador descia devagar enquanto eu esperava ansiosa por sua chegada. Quando as portas se abriram eu saltei pra fora encontrando um Luke sorridente à minha frente, ao perceber o quanto eu estava transtornada ele fechou a cara e veio até mim preocupado.
– Posso te ajudar? – perguntou ele estendendo as mãos para as malas, entreguei-as de bom grado. Segui apressada para a porta do edifício quando ouvi a porta de emergência, com uma olhada para trás minhas suspeitas foram confirmadas. Percy estava lá, vindo em nossa direção, peguei Luke pelo braço e o arrastei pra fora. Ele olhou pra trás e vi a compreensão passando pelo seu rosto. Ele apertou o passo, passando as duas malas para uma só mão e abrindo o carro.
– Annie! Me escuta, vamos conversar! – ouvi ele gritar enquanto eu entrava no banco do passageiro. Vi Pecy lançar um olhar furioso de ciúmes para Luke, mas ele não tinha direito nenhum sobre isso. A porta do motorista bateu e no momento seguinte Luke já estava arrancando com o carro. Percy ficou lá com de cachorro que acabou de perder a dona. O que não deixa de ser verdade.
– Obrigada por estar lá – disse à Luke .
– Não hà de que. Mas o que aconteceu pra você ficar tão transtornada?
– Ele queria conversar.
Sua expressão ficou pensativa por um instante antes de falar.
– Annie, sem querer ser chato, mas em algum momento vocês vão er que conversar.
– Eu sei Luke – ele deve ter percebido que eu não queria falar sobre o assunto, pois não disse mais nada. – Conseguiu entregar o atestado lá na empresa?
– Aham, ta tudo certo, seus colegas mandaram melhoras.
– Own, eles são uns amores.
– Eu estava pensando em passar no mercado pra comprar algumas coisas pra gente comer, eu não tenho nada em casa.
– Ah, tudo bem.
– Você não quer que eu te deixe lá primeiro? Pra que você possa descansar.
– Não, eu vou com você. O que tem em mente para o jantar?
– Minha especialidade é pizza congelada. O que acha?
Não pude deixar de rir ao ouvir isso.
– Eca! Ninguém merece comer isso. Eu vou fazer uma massa ao molho branco com frango a cubo que você não vai conseguir esquecer.
– Nossa, já estou com água na boca, mas o que você tem contra as pizzas congeladas?
– Nada – disse rindo – é que depois de comer comida de hospital durante um dia me deu vontade de comer esse prato.
– Você só comeu o café e o almoço deles – observou Luke.
– Mesmo assim foi horrível
Luke estacionou o carro e entramos, a compra foi rápida. Peguei o frango, a massa e os outros ingredientes que eram necessários. No trajeto para o caixa peguei uma barra de suflair e Luke pegou um sorvete para a sobremesa. Chegamos ao caixa para pagar e eu fui logo abrindo a minha bolsa e Luke pegando a sua carteira.
– Annie, eu pago – disse ele.
– Não, eu pago – retruquei.
– Até parece pode ir guardando isso ai.
A atendente do caixa ficava olhando de um pra outro como se fosse uma partida de tênis.
– Luke, eu me recuso a deixar você pagar.
– Eu só estou fazendo o meu papel de cavalheiro – uma fila se formava atrás de nós.
– Cavalheirismo morreu, eu já vou ficar na sua casa de favor. Deixa eu pelo menos pagar a conta do supermercado.
– Quem vai ser? – perguntou a balconista, entreguei o meu cartão e dessa vez ele não me impediu.
– Só quero que você saiba que você não está lá de favor. Sou apenas um amigo que acolheu uma amiga em um momento difícil – disse ele.
– Eu sei disso, e eu só tenho à agradecer.
Digitei a senha e poucos minutos depois estávamos no carro indo para a sua casa. Luke estava calado, acho que ele não gostou muito do que aconteceu no supermercado.
– Desculpa pela cena de antes, eu não tinha a intenção de constrangê-lo.
– Eu não estou constrangido. Na verdade eu não sei o que estou sentindo. Eu só queria ter pago as compras.
– Eu sei que as suas intenções eram das melhores, mas você já fez muito coisa por mim. Eu só queria retribuir o favor.
– Vendo por esse lado eu até entendo... Desculpa ter ficado tão bravo.
– Imagina, todo mundo perde a cabeça em algum momento – Meu celular apitou avisando sobre a chegada de uma mensagem, era de Percy. Meu coração falhou uma batida, abri e li:
“Por que você correu de mim daquele jeito? Você sabe que nós vamos ter que conversar uma hora, então pra que adiar?
Ontem quando me deitei para dormir, senti sua falta, minha cama nunca esteve tão fria.
Por favor Annie, me de outra chance de me explicar. Dê outra chance pro nosso amor, Eu tenho um monte de coisa pra te falar, mas seria melhor pessoalmente. Podemos nos encontrar? Eu continuo te amando. P”
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