Luxúria, amor e desejo
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Pov Percy
Fui atrás da Annie no meu carro, segui ela até uma esquina onde ela desapareceu e eu não tinha mais nenhum sinal dela, encostei o carro e tentei ligar pra ela mas a ligação caiu na caixa postal, uma garoa fraca começou a cair embaçando o vidro fazendo com que a tarefa de enxergar nitidamente através dele se tornasse impossível. Me encostei contra o banco, batendo várias vezes com força a cabeça nos encosto.
No que eu estava pensando? Eu sou um cabeça de algas mesmo... A minha vida estava perfeita até ela aparecer e virar tudo de cabeça para baixo. Eu estava feliz com a Annie, nós íamos ter... Quer dizer, vamos ter um filho e do nada e ela chegou como um furacão e destruiu tudo. Eu sei que a Annie não vai querer nem olhar pra minha cara de novo, e ela vai embora da minha vida junto com o meu filho e eu não posso culpa-la, o que eu fiz com ela foi de um cafajestismo estremo, a luxúria e o desejo me deixaram cego e não me deixaram enxergar que o resultado das minhas ações seria a perda do meu amor.
Mas agora era tarde demais, eu não poderia reparar o meu erro agora, ela já tinha ido embora e eu não sabia quando ela ia voltar, nem se ia voltar. Comecei a congelar dentro do carro, o ar condicionado estava no máximo, mas eu tinha uma leve impressão de que o frio era psicológico, o frio da perda do meu amor, como se um pedaço de mim estivesse faltando, mas era por que realmente estava, sempre foi eu e Annabeth, nós sempre estivemos juntos e agora por causa de um erro meu nós estávamos separados, talvez pra sempre.
Percebi que eu ainda estava com o carro encostado na esquina, liguei o carro e o limpador de para-brisas e me dirigi para o meu apartamento, não adiantava nada eu ficar me lamentando no meio da rua ainda correndo risco de ser assaltado, isso não faria com que Annie voltasse para mim. Durante o trajeto pra casa a chuva ficou mais forte dificultando a minha volta. Chegando em casa percebi que Calypso já tinha ido embora, pelo menos aquela vadia teve a decência de sair daqui depois de ver toda a merda que ela ajudou a causar sem que eu precisa-se expulsa-la.
Sentei no sofá e fiquei ali alternando o olhar entre a porta e a tela do meu celular pra ver se tinha algum sinal da Annie, não sei quando tempo se passou até que eu adormeci ali mesmo. Sonhei com um lugar muito branco, as luzes eram fortes fazendo com que meu olhos doessem ao tentar abri-los, todas as pessoas ali sem vestiam com camisetas e calças muito largas, uns de cores azuis e outros verdes, eles tinham máscaras também, pareciam médicos mas eu não conseguia identificar muito bem. Um dos médicos chegou perto de mim e negou com a cabeça quando um barulho muito estridente tocou.
Acordei em um pulo, estava meio grogue que demorei para perceber que o barulho vinha do meu celular, ele se tornava cada vez mais insistente, olhando para o visor vi que era Thalia que estava me ligando. O que ela queria comigo á essa hora? Era uma hora da madruga... Com um certo atraso percebi que ela podia ter notícias da Annie, ela pode ter ido atrás de Thalia em busca de abrigo. Atendi o telefone e o levei até a orelha.
– Oi Thalia.
– Onde você está Perseu? – Perguntou em um tom zangado, impaciente e... Nervoso? É isso mesmo? Só pelo fato de ela ter me chamado de Perseu eu vi que a merda era grande,
– Eu estou em casa...
– E você pode me dizer por que está ai e ainda não veio para o hospital?
– Ho-hospital? Por que eu iria pro hospital? – Deuses, o que será que houve?
– TALVEZ VOCÊ DEVESSE VIR PELO FATO DA SUA MULHER TER SOFRIDO UM ACIDENTE DE CARRO! EU ACHO QUE ESSA É UMA BOA RAZÃO!
– O que? A An-annie sofreu um... Ah meus deuses Thalia eu não sabia de nada, eu estou indo para ai agora.
Meu coração afundou, desliguei o telefone e fui correndo pro meu carro, eu não podia acreditar que isso tinha acontecido. Tudo isso era a minha culpa, se eu não tivesse feito o que eu tinha feito ela não teria saído de casa dirigindo daquele jeito. Como será que ela ta? E... Ah não, meu filho, será que ele está bem? Eu não conseguiria suportar se alguma coisa acontecesse com um deles. Eu estava com dificuldade de respirar, meu peito subia e descia freneticamente e lágrimas escorriam pelos meus olhos durante todo o trajeto até o hospital. Chegando lá fui até a recepcionista e perguntei.
– Annabeth Chase Jackson, ela sofreu um acidente de carro. – Ela pesquisou no computador por um instante até que respondeu
– Sim Senhor, ela está no quarto andar.
Peguei o elevador e fiquei esperando até que ele deu um barulhinho indicando que eu tinha chegado, entrei no quarto andar e tudo lá era branco e tinha médicos de verde e azul passando por mim igual ao meu sonho, na sala de espera avistei Thalia e Nico sentados, fui até eles.
– Thalia o que está acontecendo?
– Eu não sei, eles ainda não falaram nada.
– E como você ficou sabendo que ela estava aqui?
– Eles me ligaram, disseram que eles perguntaram pra ela se tinha alguém pra ela ligar e ela deu meu número, mas não falaram mais nada, o que eu não entendi foi o por que de ela não ter dito o seu número pra eles.
– Talvez eu saiba o por que. – Expliquei pra ela tudo o que tinha acontecido, eu estava morrendo de vergonha, tinha dito pra ela que eu não ia trair a Annie, ela tinha me ajudado e lá estava eu contando para ela sobre o meu relacionamento extraconjugal e eu não tinha coragem de encara-la por que sabia que se eu o fizesse não conseguiria seguir em frente com os meus relatos. Depois que eu terminei finalmente levantei meu olhos para ela, seu rosto estava vermelho de raiva e ela me lançava um olhar paralisante, mortal até, fazendo com que eu me sentisse pior do que eu já estava. E pra piorar ela me deu um tapa bem, repito, beeem forte no meu rosto.
– Eu não acredito que você fez isso Perseu? Você me disse que não iria trair ela, a culpa de ela estar aqui nesse hospital é sua e somente sua! Seu... Seu cafajeste! Você não vale o chão que pisa!
– E você acha que eu não sei disso Thalia! Eu estou morrendo por dentro com toda essa culpa, eu sei que tudo isso aconteceu por minha causa, mas eu não preciso que você jogue isso na minha cara ta bom?!
– Percy... – Começou Nico que até então tinha permanecido em silêncio, eu e Thalia viramos para encara-lo – Eu disse pra você contar pra ela antes que ela descobrisse de outro jeito, você brincou com a sorte meu amigo e agora não adianta ficar gritando com a Thalia por causa de merda que você fez.
Eu estava prestes a falar pra ele que eu tinha tentado falar com ela mas não tinha conseguido quando um médico entrou.
– Annabeth Chase Jackson, qual de vocês é o parente mais próximo?
Me levantei e ele veio em minha direção, eu estava com medo de perguntar, mas eu tinha que fazer a pergunta.
– E então doutor, como ela está?
– Ela está bem, vai se recuperar. Ela bateu a cabeça mas não ficou com nenhuma sequela, ela não perdeu a memória só vai ficar com uma dor de cabeça incomoda por alguns dias. Ela quebrou o braço mas daqui um mês, dois talvez vai estar curado.
– Ufa, doutor... Isso são ótimas notícias.
– Mas o mesmo eu não posso dizer do bebê que ela estava esperando, por ser uma gravidez recente os riscos de perda eram muito grandes e com o impacto o bebê não resistiu, Ela perdeu uma quantidade razoavelmente grande de sangue mas como disse ela vai ficar bem. Presumo que você seja o marido – Eu estava em choque, mas fiz um movimento quase imperceptível com a cabeça afirmando a sua suposição – Eu sinto muito pelo sua perda, ela está acordada a visita pode ser feita com duas pessoas por vez. O quarto é o 224.
Dito isso ele saiu da sala, eu continuava em choque, mas podia sentir as lágrimas escorrendo pelo canto do olho, meu filho está morto, ela nunca vai me perdoar por isso... Eu nunca vou me perdoar por isso. Mas eu preciso tentar, preciso vê-la e pedir o seu perdão e é isso que eu vou fazer.
– Eu vou vê-la – Anunciei pra Thalia e Nico enquanto me dirigia para a porta
– Espera Percy – Virei e vi Thalia com lágrimas nos olhos, sua mão segurava o meu pulso onde ela tinha pego para que eu parasse, sua expressão era de súplica – Eu não sei se ela vai querer vê-lo.
– Ah não Thalia... Você não vai me proibir de ir ver a Annie.
–Eu sei que você vai de qualquer jeito então eu vou com você, o médico disse que pode ir dois.
– Tudo bem – Eu não queria discutir, a única coisa que eu queria era entrar naquele quarto, e foi o que eu fiz, ela estava com o rosto virado para o lado contrário da porta, havia um curativo em volta da sua cabeça e o seu braço esquerdo estava engessado. Mesmo nesse estado ela continuava linda. Thalia fechou a porta atrás de si que emitiu um ruído de click ao ser fechada. Annie virou em nossa direção e quando seu olhar cruzou com o meu o que eu vi foi puro ódio, ódio de mim.
– O que você está fazendo aqui?! – Ela perguntou
– Eu vim te ver Annie.
– Não me chama de Annie! É Annabeth pra você agora, não acredito que você teve a cara de pau de aparecer aqui sabendo que tudo isso é culpa sua! Thalia, por favor, tira ele daqui. Eu não quero ver ele na minha frente!
– Percy... – Começou Thalia
– Não Thalia, me deixa... Anni... Annabeth, olha só, eu sei que isso tudo é culpa minha mas vamos conversar por favor, me deixa explicar.
– Explicar o que Perseu? Que você é um canalha?! Isso eu já sei, e descobri isso da pior forma possível. Por sua culpa o meu filho está morto. Eu não quero mais ver você na minha frente, eu quero que você saia da minha vida! E Thalia pelo amor dos deuses, tira ele daqui por que se não eu juro pelo estige, eu me levanto daqui e eu mesma boto ele pra fora.
Dito isso Thalia me puxou e dessa vez eu me deixei ser levado, era isso... Acabou, eu tinha perdido o amor da minha vida. Sai do hospital de cabeça baixa, a Annie tinha toda a razão de me tratar daquele jeito. Mas eu não ia deixar a nossa história acabar assim, eu vou reconquista-la, ou eu não me chamo Perseu Jackson.
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