Luxúria, amor e desejo
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Senti as lágrimas inundarem meus olhos e tentei, sem muito esforço não deixar escorrer. Virei para a janela para que Luke não visse. Sequei elas discretamente.
―Luke, eu não estou me sentindo bem. Da pra ir mais rápido?
―Claro. O que houve?
―Somente um mal-estar.
Luke dirigiu em silencio e não forçou perguntas. Ele parou em frente a um majestoso prédio do Upper West Side. Eu me sentia tonta e com as pernas bambas. Luke apoiou meu cotovelo e me levou até o seu apartamento que era na cobertura. Não consegui prestar atenção na decoração, só vi que tudo era em tons de preto, cinza e branco.
―Onde é o meu quarto Luke?
―É lá em cima.
Ele me levou até o segundo andar e parou na frente da segunda porta à direita.
―Vou ficar te devendo o jantar. Tem problema?
―Claro que não. Posso te ajudar em alguma coisa?
―Não, eu preciso ficar sozinha.
Entrei no quarto e fechei a porta, a cama de casal era grande e confortável. Me joguei nela, enfiei a cabeça no travesseiro e me permiti chorar.
XxxX
Quando consegui me recompor já eram seis horas. Fui pro banheiro tomar um banho, liguei a torneira para encher a banheira que era branca e tinha os pés em formato de garra. Tinha uns sais de banho com fragrância de rosas que eu despejei na água, e quase instantaneamente começou a fazer espuma.
Me enfiei na água até o pescoço e encostei a cabeça na borda da banheira. Eu não tinha me olhado no espelho, mas eu tinha uma ideia de como estava minha aparência: rosto inchado, olhos vermelhos e cabelo escabelado.
Meu celular estava na pia ao meu alcance, peguei ele e liguei para Thalia, deixando no viva voz. Depois do quarto toque ela atendeu meio ofegante.
―Oi Annie.
―Graças a Deus você me atendeu, onde você está?
―Eu? Eu to... em casa. ―Ela soltou um gemido e atrás eu consegui ouvir uma voz masculina abafada.
―Você está transando com o Nico enquanto eu falo com você? – Perguntei um pouco incrédula
―Você se importa? Achei que fosse importante, vi suas chamadas e não tive tempo de retornar, se é que me entende. E agora quando vi que era você eu resolvi atender. O Nico não se importa... O que aconteceu?
Nem preciso falar que ela falou tudo isso arfando né? Comecei a falar e antes que eu pudesse me conter eu já estava chorando.
―Eu não... eu não consigo falar por aqui. Eu estava te ligando pra ver se eu podia dormir ai, mas você não me atendeu, e aconteceu tanta coisa, e eu estou tão confusa.
―Pera ai, você está chorando? (Só um pouquinho Nico) ― essa parte ela falou com a mão no telefone e eu tive que me esforçar para ouvir, consegui ouvir também que ela se levantou da cama―Onde você está?
―Eu estou na casa do Luke, mas eu não quero ficar aqui Thalia. Eu não consigo.
―Calma baby, eu vou ai te pegar. Chego ai em meia hora.
Depois de finalizar a ligação, mergulhei por completo na água e fiquei lá até meus pulmões começarem a arder. Sai da água e respirei fundo. Me vesti e sequei meu cabelo. Thalia mandou uma mensagem dizendo que cinco minutos mais tarde ela estaria ali.
Peguei minhas malas e desci as escadas. Luke estava sentado assistindo TV, ele ficou surpreso ao me ver.
―O que aconteceu?
―Thalia me atendeu, ela está me esperando lá embaixo.
―Não entendo... Você disse que ia ficar aqui, o que eu fiz de errado?
―Não é você, eu não posso fazer isso ― o abracei e falei no seu ouvido ―Obrigado por tudo, nunca vou me esquecer do que você fez por mim. Mas eu preciso ir.
Fiz o meu caminho até o saguão do prédio e depois até o carro de Thalia, guardei minhas malas e entrei no lado do passageiro.
―Pode começar a falar ― disse Thalia, contei tudo o que aconteceu desde que eu sai do hospital até a mensagem do Percy ― Ele mandou o que?!
―Exatamente o que eu te falei... Thalia, eu fui ao chão ao ler isso. Será que ele não percebe o quanto isso me magoa?
―Ele disse “de outra chance pro nosso amor”?
―Disse.
―Eu vou quebrar esse Perseu! Ele não tem noção das coisas. Annie, não se preocupa... Eu vou marcar um encontro com ele e vou resolver isso.
―Não! Tu ta louca? ― eu não podia deixar ela fazer isso, simplesmente não podia ― Eu não quero que tu faça isso, eu vou pensar no que eu vou fazer.
XxxX
2 meses depois.
Dois meses se passaram e agora eu já estou morando em um apartamento meu. Thalia me ajudou a procurar um, enquanto eu estava morando com ela. Sendo assim, eu só precisei ficar lá o tempo do meu atestado.
Quando voltei trabalhar, todos me receberam de maneira calorosa mas muito profissional.
Meus dias se passavam de maneira mecânica, minha rotina era simples: Acordar às 5:00, me arrumar, ir trabalhar, voltar para casa, comer algo, banho e cama.
Durante esses dois meses eu não vi nem Percy e nem Luke. Eu me sinto culpada de ter saído do apartamento de Luke sem dar explicações depois de tudo o que ele fez por mim.
Eu estava preparando um lanche pra mim quando o meu celular tocou, na tela mostrava que era Thalia quem estava ligando.
―Hoje nós vamos à uma festa ― disse ela antes que eu pudesse falar alguma coisa ― to chegando ai em 10 minutos pra gente se arrumar.
―Não, Thalia. Eu não vou à festa nenhuma.
―Nem pense em dizer não, sua vida tá muito parada, você tá parecendo uma velha de 80 anos em vez de uma jovem de 25. Faz quanto tempo desde a última vez que você fez sexo?
―Ai Thalia! Pelo amor dos deuses! Eu tenho trabalho amanhã e estou muito bem sem sexo, não estou sentindo falta.
―Conta essa mentira pra outra queridinha, safada do jeito que tu é... Vamos achar um homem bem gostoso pra você. To chegando ai, beijos. ― E desligou.
O único problema da Thalia é que ela não aceita não como resposta e ela consegue ser bem irritante quando ela quer. Eu não ia conseguir escapar.
Cinco minutos depois Thalia estava entrando no apartamento, ela tinha a chave e o porteiro conhecia ela.
― Cheguei meu povo.
―Thalia, eu não posso ir, eu tenho que trabalhar.
―Annie, olha bem no fundo dos meus olhos... Você vai e eu não vou aceitar nenhuma desculpa. Vai se vestir.
―Onde nós vamos? ― Perguntei
―Ao Bourbon.
―Uma boate?!
―Sim, eu quero me divertir.
Uma hora depois, Thalia e eu já estávamos dentro do carro.
―Eu quero estar de volta em casa cedo.
―Cala boca Annie, te permite. Tu nunca esteve solteira na pista. E tu vai aproveitar.
A boate estava com uma fila enorme, mas Thalia é cliente Vip, então entramos direto.
―Vamos beber! ― disse Thalia.
Sentamos em um cantinho reservado, Thalia chamou o garçom e pediu nossas bebidas.
POV Luke
Fazia dois meses que eu não via a Annie, que eu fiquei surpreso em encontra-la no Bourbon. Ela estava linda, como sempre, suas pernas estavam maravilhosas com aquela roupa.
Me aproximei dela calmamente, estava com receio de que ela não quisesse falar comigo. Mas eu estava com saudades e precisava ouvir a sua voz.
Chegando perto, dava pra ver que ela estava dançando com um homem e estava claramente bêbada. E o homem se aproveitava de seu estado de embriaguez para passar a mão pelo corpo dela. Cheguei por trás do cara e o puxei pelo braço.
―Qual o teu problema cara?! ― perguntou ele.
―Ela ta comigo, então pro seu próprio bem, tira as mãos dela e sai daqui. ― Ele saiu bufando e pisando duro. ― Annie, o que você estava fazendo com esse cara?
―Que cara? Quem é você?
―Annie, sou eu, Luke.
―Luke? Que Lu... Ah ta, Luke, oi.
―Annie, o que você bebeu?
―Alguma coisa que a Thalia me deu... De onde eu te conheço?
Eu não conseguia entender por que ela estava tão fora do ar.
―Annie, eu vou te levar pra casa, você não tem condições de ficar aqui.
Peguei ela pelo braço e segurei-a firme junto ao meu corpo, caso contrario ela teria caído.
―Ei Luke, me larga. Eu quero ficar lá.
―Não Annie, eu não posso te deixar lá.
Abri a porta do passageiro botei o cinto nela e entrei pra dirigir.
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