Lust For Blood
2 Lágrimas de Sangue
Notas iniciais
aí está o 2º capítulo o/
boa leitura!
O reino possuía um conselho que decidia sobre coisas que estavam além do poder de decisão do rei. Depois que o pai de Kei foi morto por um vampiro, o conselho se uniu para que fosse decidido o destino da região.
Não era de conhecimento público, mas, cerca de 47% dos habitantes eram vampiros. Para manter o controle, os vampiros foram isolados e convidados a trabalhar para o bem da região, criando armas, produtos triviais e diversas outras coisas que levariam séculos para serem descobertos sem a ajuda daqueles seres de capacidade muito maior que a humana. Recebendo do governo, os vampiros viviam de forma pacata, escondendo-se do resto da população ao amanhecer ou trabalhando durante o dia nos laboratórios subterrâneos.
Eles sem dúvida eram poderosos. Se sua raça tomasse o poder, traria o caos e a rebelião dos vampiros que se sentem oprimidos com a situação. Mas, se o conselho se opusesse ao tal vampiro, sem dúvida perderiam suas vidas em um instante, o que resultaria na posse do mesmo, ou seja, haviam duas alternativas, mas, apenas um destino.
O novo rei foi aceito como suposto parente do rei anterior e teria assumido no lugar do herdeiro Kei que com tão pouca idade não teria condições para governar. Isto foi dito à população. Alguns hesitaram, mas, aceitaram e, com o passar do tempo, tudo ia se modificando.
O jovem Kei foi tratado como membro da família real, como deveria. Tinha aulas particulares, uma babá, tudo a seu favor. O novo rei possuía um filho. Yoshida tinha tantas regalias quanto Kei, porém, não podia sair do castelo enquanto não escurecesse.
Kei aprendeu a lutar, assim como Yoshida. Yoshida tinha uma babá só dele, Kei sentia falta da sua querida e amável Alice. Aliás, perguntava-se o que teria acontecido à Alice. Na época em que perdeu o pai, Alice desapareceu. Ninguém explicou ao menino o que lhe acontecera.
Mesmo depois da morte do antigo rei, a opressão não cessou. Apenas, mudou de inimigo. Muitos humanos que eram condenados eram pegos para experiências feitas ao comando do rei. Em suas mãos, os humanos eram reles brinquedos, seres desprezíveis que mereciam pagar por tudo o que fizeram os vampiros sofrerem.
Não demorou até Kei perceber o que o rei intitulado \"Arashi\"[1] estava fazendo. Descobriu as farsas envolvidas e motivado por seu ódio e decepção tentou contra a vida do rei. Antes que fosse condenado, Arashi mandou que o garoto fosse jogado em um lugar distante e que nunca mais voltasse àquele lugar. Ele, por outro lado, prometeu que voltaria e que tomaria o reino de seu pai de volta.
O filho verdadeiro discordara da decisão do pai. Fora dirigir-se a ele:
- Mestre, por que não o descartamos?
- Não, não há necessidade — disse calmamente.
- Mas, se continuar assim, ele ficará mais forte e ameaçará teu governo!! Ele precisa ser detido, rápido. Deixe que eu faça isso.
- Yoshida, não se precipite.
- Mas, pai!
- Não se precipite.
- Anos depois -
- Eu descobri o motivo por não querer que matemos o Kei.
Silêncio. O rei ordenou que deixassem os dois a sós.
- Aquela pessoa... É seu filho.
O rei fica surpreso.
- Qual a minha ligação com você, de verdade?
- Você é meu filho também.
O vampiro mais novo se aproxima do rei rapidamente.
- Você está ficando fraco, velho.
- Eu só queria que vampiros pudessem viver dignamente... E um dia, meu filho voltaria aos meus braços e se juntaria à nós, como vampiro. Nós seremos uma família, filho.
- Ham, como se eu fosse acreditar...
Yoshida mostrou suas garras na mão direita e atacou-o com toda força, arrancando seu coração. O vampiro só morreria depois que o coração fosse destruído.
- Sabia que não acreditaria nisso, por isso, queria mostrar à você. Veja, filho, nosso futuro brilhante — O homem apontava cegamente, delirava com a perda de sangue.
O garoto riu.
- Adeus, pai. Como filho, farei o favor de continuar seu trabalho.
Ele esmagou o coração com todas as suas forças, no mesmo momento em que o homem à sua frente, soltava seu único grito de dor.
Yoshida chamou todos de volta. Se orgulhando do sangue em suas mãos, ele declarou em alta voz:
- Ouçam todos! Eu sou filho deste homem e de acordo com as normas deste reino, tenho o direito e o dever de governar em seu lugar. Aqueles que se opuserem à mim ou me traírem, terão o mesmo fim que meu pai.
Kei sobreviveu. Continuou seu treinamento, sua convicção, contando com a ajuda de todos que conseguia. Seu destino o levou até uma casa de sabão[2]. Segundo a indicação, havia uma fonte de informações naquele lugar.
A casa possuía luxuosos móveis, muitas bebidas exóticas, música e decoração festiva. Os casais diversificavam-se, entre homens jovens, até homens de certa idade, mas, que eram clientes favoritos do lugar por pagar sempre muito bem. As moças eram sempre as mesmas, moças jovens e habilidosas que possuíam muita beleza e mistério, o que fascinava de maneira lasciva aos presentes. Havia, inclusive, córregos em pontos estratégicos que transbordavam um líquido rubro em meio a pétalas de rosas vermelhas, isto chamou a atenção Kei e Mitsuki, sua seguidora, mas, nada comentaram, apenas seguiram a senhora que explicava a situação aos dois:
- A fonte não é visitada por qualquer um, espero que possa confiar nos senhores.
- Tenha toda certeza, Kawada-sama — afoita, Mitsuki tentava preencher as expectativas da mulher à sua frente.
Kei continuava incerto do que encontraria e se aquilo resolveria seu problema. O que estava lhe esperando? Uma fonte inanimada que mostraria o caminho? Um velho charlatão?Uma emboscada? Ele não possuía escolha, já que já estava ali, bem próximo à porta.
Kawada continuava a ditar as regras em voz baixa, muito calmamente.
- Não se aproximem demais e se a fonte citar \"ele\" peço que por favor digam \"ele voltará logo\".
- É alguma senha? — Mitsuki indagou.
- Não. Mas, ela perde o controle quando lhe dizem o contrário, então por favor, tentem não causar problemas.
- Sem problemas, não é, Kei?
- Hum — sua maneira de dizer \"sim, eu acho\".
A mulher encaminhou-lhes até uma sala ao fundo da casa. O lugar era desprovido de luz, pouco iluminado por lanternas tradicionais que se encontravam do outro lado da porta de papel. Assim que chegaram perto, os dois surpreenderam-se. A sombra da tal \"fonte\" era de uma pessoa.
- Sabia... Um charlatão — Kei resmungou à Mitsuki — Vamos.
- Espere! Se estamos aqui, temos que tentar — sussurrou.
A mulher os deixou sozinhos.
- Quem é? — a voz feminina se fez soar.
- Nem ao menos consegue saber o meu nome... Acho que a senhora lá fora esqueceu de avisá-la — resmungou mais uma vez, agora um tanto sarcástico.
Mitsuki fez sinal para que Kei se calasse.
- Este é Kei, o verdadeiro herdeiro do trono e eu, sua seguidora. Precisamos saber de informações sobre o rei.
- Aproximem-se — sua voz permanecia doce e convidativa.
Os dois hesitaram por um instante. Uma das condições era não se aproximar da \"fonte\". De qualquer modo, ela os convidara a entrar na sala, estariam livres da culpa e apenas atendendo a seu pedido.
A silhueta pertencia a uma gueixa, aparentemente. Seu rosto não podia ser visto, pois, estava de costas aos dois forasteiros.
- Kei? — disse a gueixa de forma carinhosa.
- Sim? — tentava conter as primeiras impressões.
- Onde ele está?
- Ele?
- Ah, ele voltará logo! — Mitsuki sorriu desajeitada, entendendo do que se tratava.
- Entendo — fez uma breve pausa — Está demorando não é?
Silêncio.
- Kei?
- Sim?
- Ele vai voltar?
Mais uma vez, ele nada respondeu. Desta vez, ficou surpreso por sua insistente pergunta. \"Talvez tenha problemas de memória\" concluiu, sem perder a ironia.
- Ele vai voltar??
Perguntou mais uma vez, agora virando-se para o convidado. Mitsuki apavorou-se. Tapou a boca com as mãos para abafar o suspiro de horror.
A jovem gueixa, possuía olhos negros e rosto pálido, mas o que mais destacavam-se eram as escleróticas[3] totalmente rubras.
- Sim, ele voltará logo — disse firmemente.
- Tem certeza?
- Absoluta.
Voltou então a sua posição inicial. Despedaçava as rosas e jogava-as no córrego próximo a seu corpo. Fechou os olhos.
- Está querendo saber do rei.
- Isso.
- Está morto — colocava as flores nas palmas das mãos e as olhava — Teu irmão — apertou-as, fechando as mãos com força — Esmagou-lhe o coração.
- O-o quê? Eu não tenho irmão e meu pai não deve ter morrido assim! E... Eu falava do outro rei.
- O outro? — largou as flores — Não acreditas? Teu irmão o matou.
- Eu não tenho irmão. Isso não é possível.
- És o verdadeiro herdeiro do trono.
- Eu sei!!
- Calma, Kei! — Mitsuki tentava contê-lo.
- Ela diz coisas sem sentido.
- Também está morto...
- Quem?
- O outro.
Silêncio.
- Como?
- Uma luta contra teu pai.
- Isso não é possível!!
- Kei, calma!
- Não está confundindo? O rei a morrer primeiro era meu pai!!
- Não — continuava a jogar as flores no córrego.
- Sim, era!!
- Não. O outro...
- O... Outro?? — Mitsuki tentava entender.
- Já chega, vamos sair daqui! — Se dirigia até a porta.
- Espera, Ke..!
- O que me fez isto — colocou as mãos sobre os olhos e suas lágrimas de sangue rolavam por entre os dedos.
Os dois pararam perante o choro da moça.
- O que disse?
Notas finais
[2]"Casa de sabão": Termo antes utilizado para "prostíbulo". Dizia-se isso pois o lugar era muito bem perfumado e as mulheres "cheiravam a sabão".
É, eu sei, é baixo -_-
[3]Escleróticas: Esclerótica é a parte branca dos olhos. Acho que é a fic onde eu poderei usar mais da minha criatividade XD Sei que viajei muito ao escrever até aqui ^^" mas espero que gostem o/
Explicação:
Deve estar um pouco confuso isso de ir pro futuro e voltar ao passado e depois ir pro meio e o futuro de novo.... Mas, acho que as coisas vão se explicando bem dessa maneira.
Se fizesse no tempo cronológico dos fatos, acho que iam acabar esquecendo de coisas importantes de capítulos anteriores e o texto não faria muito sentido. Por isso, resolvi escrever dessa forma.
Próximo capítulo vai demorar. É muita fic pra dar conta ^^"
Mas tentarei manter um ritmo e não esquecer desta fic, ok?Então, acompanhem!ò.ó
por favor XD
kkkkkkkkkkk
beijos e obrigada
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