Lupin
10 Cap. 8 – Despedidas
Lupin levantou na manha de sábado no mesmo horário de sempre, já estavam no mês de novembro e o ar já começava a esfriar e se preparar para o mês de dezembro. Ela levantou com o sol já iluminando todo o quarto, tomou um banho demorado e optou pela primeira vez em uma roupa mais colorida, estava se sentindo feliz.
Desceu para frente do lago negro onde encontrou a matilha, Remo, os Potter’s e os Weasley’s conversando animadamente. Sentou-se ao lado de Carlinhos na grama.
– bom dia. – disse ele dando o sorriso radiante que ela tanto amava.
– bom dia.
Ela se inclinou para lhe dar um selinho que logo ele intensificou para um beijo calmo e suave.
– já disse que eu adoro seus beijos. – disse ele.
– já disse que adoro seu sorriso. – disse ela.
Uma arara azul surgiu no céu branco pelas nuvens, ela bateu as asas uma vez e planou no ar até parar em frente à Lupin com um pequeno pergaminho amarrado na perna.
Ela se levantou pegando o pergaminho e a arara levantou vôo sem esperar resposta. Ela o desdobrou e leu;
“Os sócios de Nova York chegam hoje às cinco horas no hall de entrada da CPL.
O portal sairá do portão principal.
Dr. Allan Santos”
– Seth, Leah, Jack, Damon. – E sem falar nada deu as costas a todos junto com a matilha que leu o mesmo bilhete.
– teremos que voltar. – disse Jack.
– Quanto tempo? – perguntou Damon.
– não sei, a ultima vez ficamos presos lá por dois anos. – disse Lupin.
Sempre que os sócios iam ate o centro de pesquisa era porque haviam descoberto mais alguma coisa sobre as pesquisas de Licantropia. Em meio a testes, novas transformações, e treinamentos, eles ficaram dois anos trancados no centro de pesquisa.
Eles não gostam de contar realmente o que fazem lá, mas é simples. Eles transformam pessoas que querem ser, caçam lobisomens infringentes da lei, lobisomens mulheres, trouxas, qualquer um e os pesquisam os treinam, foi assim que ela descobriu tanto sobre eles.
– não queria voltar. – lamentou Seth. – tudo é mais legal aqui. Até você mamãe.
– eu sei querido. Mas preciso de vocês lá.
– sempre estaremos com você. – disse Jack.
Eles já haviam chegado à porta de seus respectivos quartos.
– se arrumem, sairemos daqui direto para o Hall.
E assim todos entraram para se trocar.
Ela não queria ir, sua cabeça martelava tentando lembrá-la de que aquela era sua responsabilidade, sua vida. Mas seu coração a obrigava a se lembrar que indo estaria deixando seu amor, seu companheiro.
Como ela queria levá-lo junto, mas essa não era a vida dele, ela o conheceu o suficiente para saber que nunca conseguiria convencê-lo a se acostumar com a vida dos Lupin’s no Brasil.
Uma coruja entrou pela janela entre aberta deixando cair um bilhete na cama.
“Srta Lupin, recebi um recado do ministro dizendo que você foi solicitada para voltar. Fique a vontade, eu mesmo resolverei o problema com suas aulas.
Alvo Dumbledore.”
Ela trancou sua mala e a diminuiu colocando-a em uma pequena bolsinha. Direcionou-se a banheira onde ela ficou por quase meia hora pensando, antes de sair ela respirou fundo e afundou.
Colou uma roupa apropriada para seus sócios, um vestido social e um salto, prendeu o cabelo e pegou sua bolsinha. Ao se olhar no espelho não se reconheceu, há dias não precisava usar essas roupas, estava tão acostumada com os coturnos.
O pessoal já a esperava na saída do salão comunal.
Dirigiram-se até a saída do portão principal e encontraram todos os esperando.
– Alvo nos avisou. – disse Potter.
– sentiremos saudades. – disse Arthur.
– venham para o natal. – disse Sra. Weasley abraçando carinhosamente cada um deles.
Eles se entreolharam e suspiraram.
– não estão indo para uma missão? – perguntou Nimphadora.
– não, alguns sócios do centro de pesquisa estão indo para lá. – disse Lupin. – sentiremos saudades.
– Adeus filhote, venha me visitar. – disse Remo.
Ela o olhou e permitiu uma lagrima solitária.
– não suma de novo pai.
– não vou. – disse ele a abraçando.
Eles ficaram uns tempos assim só abraçados em silencio. Sesoltaram depois de um tempo indeterminado e Remo voltou para o lado de Nimphadora e Teddy.
– adeus. – disseram todos.
– adeus. – disse a matilha.
Ela estava feliz em não ter que se despedir de Carlinhos, seria difícil dizer adeus a ele. Mas essa “felicidade” acabou rápido.
– Laura. – chamou ele. – não vá.
– não tenho escolha. – disse ela se virando para encará-lo.
Ele estava com os cabelos bagunçados, e com suas costumeiras roupas pretos e coturno surrados. Ele a olhou de cima a baixo com a boca levemente aberta, mas com um olhar confuso.
– me deixe ir com você. – disse ele finalmente.
– aquilo não é para você. – disse ela rapidamente.
E tinha razão, o centro não era para ele, estudos e mais estudos, cientistas andando para todo lado e varias reuniões ao dia. Ele foi livre com seus dragões a vida toda para ficar trancado lá dentro.
– o que quer dizer? – perguntou ele. – que não sou bom o bastante para seus sócios?
– não é isso. – disse ela rapidamente tentando se aproximar, mas ele deu um passo para trás. – um dia você me disse que não suportaria uma vida presa, uma vida cheia de reuniões e ter que viver sob expectativas de pessoas com poder.
– e não suportaria mesmo, gosto da vida simples. – disse ele. – não nasci para fingir ser superior a ninguém.
– esse é o problema. – disse ela. – nós somos assim no Brasil, sempre fomos. Nossa vida é essa, roupas formais, entrevistas, primeira página em jornais, reuniões com sócios. Sinto muito se passei uma imagem minha aqui relaxada, mas é porque você me fez bem, me mostrou que posso ser assim, mas lá... Lá eu não posso ser dessa forma Carlinhos, lá eu sou a matriarca dos Lupin’s, a chefe de auror’s, e dona de empresas. – ela dizia isso implorando para que ele entendesse.
– então volte para essa vida. Já que a presa tanto. – disse ele.
Ela deixou algumas lagrimas rolarem pela suas bochechas até o canto da boca. O portal já estava se abrindo e a fumaça já começava a se aproximar da matilha.
– minha felicidade sempre estará aqui, com você. – disse ela. – eu te amo... Meu companheiro.
Ele a olhou incrédulo, ele não sabia disso, nunca soube. Antes que pudesse falar alguma coisa a fumaça a cobriu a fazendo desaparecer.
– Srta. Lupin. – disse um homem alto e loiro, de ombros largos e braços fortes. Mesmo de terno a marca dos lobos era visível, um circulo com dois lobos frente a frente.
Lupin desfez o feitiço de desilusão da matilha deixando visível a mesma marca deles.
– Dr. Allan. – disse ela.
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