– Tenho mesmo de me ir embora – disse Lauren levantando-se.

– Bem, eu também vou – disse.

– Até amanhã – disse Jake.

– Até amanhã – disse.

Fui para casa, limpei a maquilhagem e tomei banho. Vesti o meu pijama e fui ver televisão para a sala. Passado um pouco a minha mãe e o meu pai entraram com comida chinesa pela porta a dentro e sentaram-se no sofá, pousando a comida em cima da mesa de centro.

– Caleb, jantar – chamou a minha mãe.

– Olá filha – disse John dando-me um beijinho.

Eu retrocedi-lhe o beijinho e ajudei-o a tirar as bebidas do saco. Caleb não demorou a juntar-se a nós e começamos a comer.

– Tiras-te o dia de folga? – perguntei.

– Sim, há muito que não estávamos todos juntos em casa e então tirei hoje o dia de folga para poder estar convosco um pouco. Ultimamente não tenho tido tempo para vocês, há muito trabalho no hospital.

A comida estava muito boa. Soube bem aquele pequeno momento, há muito que não jantávamos todos juntos. Depois de comer-mos ajudei a minha mãe a limpar a mesa de centro enquanto Caleb e John escolhiam um filme para vermos.

Depois de chegarmos a um acordo, começamos a ver o filme. Depois do pouco do sol que se manteve durante o dia, à noite começou a chover. Ouvia-se da sala a chuva a bater no telhado e nas precianas das janelas.

Quando o filme acabou, lavei os dentes e fui para a cama. Novamente ao ir dormir Zack preencheu os meus pensamentos, mas desta vez não demorei tanto para adormecer.

Na manhã seguinte acordei com alguém a gritar lá de baixo. Era a minha mãe e o meu pai. Desci as escadas rapidamente e entrei na cozinha onde eles estavam.

– Que se passa? – perguntei.

– Nada filha, desculpa se te acordamos, ainda tens tempo de ir dormir um pouco, volta para a cama – disse Amy.

Subi as escadas e tentei ficar lá a ouvir o que estavam a dizer, mas agora eles falavam baixo para eu não ouvir.

– O que é que se passa? – perguntou Caleb atrás de mim com ar ensonado.

– Nada, volta para a cama.

Caleb voltou a caminhar para a sua cama como se fosse uma múmia. Eu voltei para a minha também, mas não consegui voltar a dormir.

Quando já estava na hora de me levantar, arranjei-me e tomei o pequeno-almoço. O meu pai desceu as escadas, pegou numa banana da fruteira e disse:

– Vou trabalhar, até logo.

Eu sentia que algo estava errado, o meu pai não era assim. Talvez fosse o excesso de trabalho, ele estava cada vez com ar mais velho. Mas talvez houvesse outra coisa por detrás do seu cansaço.

Mandei uma mensagem a Lauren a dizer, «Hoje não vou à escola». Saí depois do meu pai e andei sorrateiramente atrás dele. Ele entrou no hospital, onde trabalha. Eu entrei também, por momentos pensei que estava tudo bem pois ele estava a ir na direção do seu escritório, talvez fosse mesmo trabalhar. Mas depois, ele não entrou no seu escritório, ele continuou a andar até um consultório.

Como não estava ninguém ao pé, encostei o ouvido na porta para tentar ouvir, mas não conseguia. Passado um pouco ouvi uma cadeira a arrastar-se, o meu pai iria sair. Escondi-me para ele não me ver e depois segui-o novamente. Ele foi para a rua, andou calmamente por umas ruas onde eu raramente ia e acabou por entrar num bar.

Eu esperei por ele cá fora. Não demorou muito para ele sair do bar com uma garrafa cheia de álcool e sentar-se na borda do passeio a bebe-la.

Golo por golo, a garrafa ia despejando. Nunca o tinha visto beber. Em casa ele só bebe água. O que terá acontecido para ele estar assim? Porque é que ele não foi trabalhar, terá sido despedido? Porque é que o está a esconder?

Olhei para o meu telemóvel, havia uma mensagem da Lauren, «O que se passa?».«Depois conto-te», respondi.

Deixei o meu pai ali e sem ele ver vim me embora. Voltei para casa, a minha mãe já devia estar a trabalhar e o meu irmão na escola. Subi as escadas para o meu quarto e deitei-me na cama.

Fiquei lá o resto do dia. Não sabia o que haveria de pensar. Não sabia o que fazer. Não sabia explicar o que vi.