Notas iniciais
In my place, cantada por Coldplay terá um trecho no meio deste capítulo. Aqui para escuta-la: https://www.youtube.com/watch?v=gnIZ7RMuLpU

.:Dulce:.

Eu havia acabado de receber um sms de Poncho e estava ainda pensando sobre ele.

Havia passando alguns dias, desde o meu aniversário, eu não tive tempo para me arrepender de nada. Por que Poncho não me fazia esquecer, desde quando eu acordei em seu apartamento, algo mudou, o nosso ciclo mudou. De certa forma eu já estava me preparando para que quando aquela noite de entrega acabasse cada um seguiria seu caminho, não foi bem assim.

Acordei com um cheiro de café da manha dominando o ambiente e com Miau me olhando, após um espirro eu fiz uma carícia nela que depois de aceitá-la me virou as costas e saiu superior. Coloquei uma camisa qualquer de Poncho e fui seu encontro, ele estava feliz assobiava, me convenceu a tomar café ali falando que depois me levaria embora.

Parecíamos dois astrólogos por que o nosso assunto era Lua, estrelas, nuvens, Sol ou qualquer elemento do universo. Conversamos tanto sobre isso que o assunto sobreviveu até no carro enquanto ele me levava para casa.

“Às vezes é difícil alcançar as estrelas. – eu falei para ele o observando. Não estava preparada para o que ele diria a seguir.

:- Eu sei, mas eu quero a Lua. – ele falou me olhando.”

Depois não perdemos mais contato, Poncho se fazia presente de qualquer forma, me mandava sms, me ligava e se pudéssemos até nos encontrávamos rapidamente. Assim como hoje. Reli seu sms.

Sol: "Uma vez, ou outra quem sabe bem de manhã ou fim de tarde contar a todos o que já sabem que o carinho que sinto é
pela Lua do Céu." ps: Vamos no ver hoje. PonchoHD

Isso que estava fazendo o esperando aqui em Televisa, não sabia para onde ele me levaria, geralmente tomávamos um café e conversamos em algum lugar qualquer.

:- Hey, Ardilla. – ele me viu me chamou fazendo um sinal para eu fosse até ele. Quando cheguei ele me deu um abraço. – Como está?

:- Bem. E você? – ele apoiou sua mão em cima do meu ombro, senti uma familiaridade no ato. – Aonde vamos?

:- Estou bem. – ele respondeu sorrindo. – Vou te dar um presente.

Estranhei já que ele não tinha nada nas mãos. Estava vestido do jeito que ele gosta. Xadrez, jeans, all-star vermelho, melhor combinação para ele.

Fiquei confusa quando subimos todos os andares do prédio da Televisa e fomos parar na cobertura.

:- Aqui está seu presente. – ele disse desemperrando a porta enferrujada que dava acesso à cobertura.

E eu sorri por que provavelmente não poderíamos estar ali e o meu presente era inusitado.

:- Pode acrescentar um pôr-do-sol, na sua lista de presentes diferentes. – ele disse piscando e me puxando para sentarmos em algum lugar para ver o sol ir embora.

Agora tinha entendido o por quê dele pedir para que eu levasse óculos Ray ban. Anos e anos que trabalho para Televisa, nunca tinha estado ali.

Poncho estava apoiado numa espécie de muro que existia ali, ele fez com que eu sentasse entre suas pernas e me apoiasse nele. Se me dissesse hoje quando eu acordei que o dia seria assim eu não acreditaria. Eu e Poncho na cobertura de Televisa, vendo o meu pôr-do-sol, já que é meu presente, usando óculos Ray ban vermelhos iguais.

Não falávamos nada cada um nadando em um mar de pensamentos. Mais uma vez eu estava trancafiada no meu mundo, mais uma vez eu estava compartilhando ele com Poncho. Havia passado muito tempo até quando Poncho resolveu a falar.

:- Quer saber a história que eu ouvir sobre o Sol e a Lua? – Ele me perguntou, me abraçando pela cintura, apoiando o queixo no meu ombro.

Apenas assenti ainda olhando para o por do sol, lindo o sol se despedia daquele dia tingindo o céu azulado com vários tons de cores quentes.

:- Sol e a Lua eram perdidamente apaixonados um pelo outro, — estremeci quando ele começou, porque ultimamente Poncho e Eu nos referíamos como o Sol e a Lua um do outro. – O mundo não existia, Deus criou o brilho que foi dado ao Sol e a Lua, sendo que ficou decidido que o Sol iluminaria o dia e a Lua à noite.

Eu o ouvia atentamente imaginando a história.

:- A tristeza tomou conta deles, viveriam separados. Apesar do seu brilho a Lua vivia amargurada e o Sol mesmo com o título de Astro-rei, não estava feliz. – ele seguiu contando calmo, mas agora eu estava apoiada com a cabeça em seu peito e ele acariciava meus braços com suas mãos. – O Sol vendo o sofrimento de sua amada, pediu a Deus que ajudasse a ela superar sua solidão, então Deus bondoso criou as estrelas.

:- Então, quando triste a Lua recorre às estrelas para consolá-la, mas elas não conseguem, e o Sol seguia fingindo felicidade ambos seguindo o seu destino cruel. Deus comovido pelo amor inalcançável deles, criou o Eclipse.

Ele parou um tempo de contar e ficou apenas me acariciando. Talvez ele pensasse na semelhança entre a história deles com a nossa, em como nosso eclipse ali acontecia.

:- Eclipse, são os momentos raros que Sol e Lua esperam ansiosos para que aconteçam e quando acontecem. Eles se amam, tanto que o brilho do êxtase deles é tão grande que não é recomendado olhar, por que pode cegar ao ver tanto amor.

♫…In my place, in my place
Were lines that I couldn't change
I was lost, oh yeah
I was lost, I was lost
Crossed lines I shouldn't have crossed
I was lost, oh yeah…♫

Ele terminou de contar e ficamos em silêncio. Fiquei comovida com a história deles, era tão intensa e triste. Tão eu e Poncho.

Suspirando Poncho se afastou um pouco para pegar algo no seu bolso, tirou duas pulseiras artesanais uma laranja e outra azul. Uma tinha o sol e a outra a Lua, nas duas tinha o Sol e a Lua como completando um ao outro. Ele amarrou a azul no meu pulso e eu a laranja na dele. Ficamos em silêncio nessa declaração sem palavras.

Ele tirou o seu óculos e tirou o meu do meu rosto. Deixou do nosso lado e virou o corpo para que ficasse de frente para mim.

:- Eu sinto muita vontade de te bei... – ele não completou por que eu o beijei antes.

Fechei o seu rosto com minhas pequenas mãos e o beijei sem pensar em mais nada. Minhas mãos estavam geladas pelo meu nervosismo, meu coração festejava, essa semana ele havia ganhado todas as minhas batalhas internas. Veio em minha mente, uma imagem minha representando meu lado racional, eu segurava uma placa dizendo. “Desisto. Se vira depois.”

Logo senti todas minhas barreiras serem abaixadas nesse momento e me entreguei ao calor que ele me fazia senti, me aquecendo com sua língua se entregando para mim. Aprofundei o beijo, ele colocou sua mão atrás da minha orelha me puxando com a outra em minha cintura fazendo meus seios encostassem nele, ele pode senti meu coração enlouquecido pelo ato.

Acabamos o beijo com um selinho demorado. Bocas avermelhadas, olhos fechados, respiração ofegante, mãos trêmulas e cada vez mais sensações o beijo nos causou.

:- Eu tive medo. – ele falou e abri os olhos para olhá-lo, ele também abriu e vi o seu incômodo ao falar, engoliu saliva como se ganhasse coragem. – Eu tive medo de ter perder, tanto medo que me conformei antes mesmo de ter acontecido. – Mais um suspiro. – Por isso me afastei, por isso ignorei, por isso me forcei a tentar ser feliz no amor com outras pessoas. Mas, que felicidade é essa se eu não tenho você? – ele me olhou meio desesperado, transtornado pelas suas emoções.

Se dando conta que é tão dependente de mim, quanto eu dele e dizer isso em voz alta, o assustava.

Eu acariciei sua bochecha, lhe dando apoio, respeitando o seu momento, naquele momento ele sabia como eu me senti várias vezes com relação a nós dois. Perdida.

:- Agora sabe como eu me sinto, quando admito o que sinto por você. – falei e ele me olhou confuso.

:- O que fazemos com isso?

:- Passei anos tentando responder essa pergunta. Eu não sei. – confessei encantada olhando para ele.

Estávamos tão envolvidos no momento de certa forma mágico ali, que não percebemos estava anoitecendo, o Sol já tinha ido embora e a Lua já chegava, e mais uma vez cheia eu pude comprovar ao vê-la.

:- Tenho uma proposta para você. – ele falou sussurrando se aproximou beijando meu queixo, acariciando meu cabelo. – Podemos mudar o nosso ciclo ou adaptá-lo.

:- Como? – perguntei curiosa e estranhamente contente.

:- Shiu. Fala baixo. – ele passou o dedo nos meus lábios. – Eles podem atrapalhar nossos planos se escutarem, fala baixo. – continuava sussurrando.

Apenas sorri para ele.

:- Podemos viver o hoje sem pensar no amanhã. – ele falou mais baixo.

:- E quando o amanhã chegar? – perguntei baixinho, sentindo suas carícias e olhando nos seus olhos.

:- Quando o amanhã chegar será o hoje, então viveremos sem pensar na chegada do outro amanhã. – ele comentou sorrindo.

:- Estou me interessando por isso, será que daria certo na prática?

:- Também não sei temos que praticar para ver, creio que deve pensar com carinho na minha proposta afinal hoje é dia 18 – ele comentou rindo, jogando pesado para me convencer- Vamos viver no subentendido?

Fiquei olhando para ele, desviei o olhar para a Lua, relembrando de alguns momentos meu e dele, de toda nossa história desde quando o dia 18 de dezembro passou a ser significativo para ambos. Estávamos perdidos os dois desde o beijo roubado havíamos cruzados linhas que não poderiam ser mudadas.

Por isso eu o beijei, esperava que ele subentendesse a minha resposta.

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