.:Poncho:.

“Eu me encontro em você sem querer e volto a me fechar nesta pequena cadeia que minha mente construiu para minhas travessas emoções.”

Cheguei no meu apartamento frustrado, suspirando, me sentindo um covarde por deixar ela sair com aquele cara alto que sequer sabia o nome. Quando eu fui à direção da minha geladeira quase esbarrando em Miau que passeava pela casa. A campainha tocou, não tinha ideia de quem poderia ser.

:- Dulce? – estava completamente surpreso. Veio em minha cabeça a cena dela com o cara alto. Afastei uma sombra ciumenta de mim. — O que faz aqui?

Ela me olhava não falava nada. Se aproximou fechando a minha porta atrás de si. De tão perto que ela ficou nossas respirações estava se trombando a minha agitada e a dela calma, tentava decifrar o que ela queria, apenas parado.

:- Você não me deu meu presente. – Após um suspiro baixo ela falou então, o roubou de mim.

Um beijo calmo. Que causou um choque térmico, ela estava fria e eu tão quente, movíamos nossos lábios sem pressa apesar do estremecimento inicial, colocamos nossos corpos inconscientes e necessitados da presença um do outro, esperando por mais. Ela comandava o beijo e começou a acelerá-lo, exigindo mais de mim. Correspondi até me dar conta no que aquilo nos levaria.

:- Espera. – falei ofegante, colando minha testa com a dela, me apoiando na sua cintura. – Você tem certeza disso?

:- Só quero mudar minha previsão. – ela falou sorrindo, arranhando sua mão na minha barba. – Era para essa noite ter sido diferente, — olhei em seus olhos quando ela disse minha frase. – estou fazendo ela diferente, estou no lugar onde desejo estar agora. Só agora? Me convenceu.

Tanto que não falei mais nada, só agi. Beijando sua boca, com toda a saudade e desejo que eu tinha. Ela suspirou se entregando a mim.

No caminho a minha cama. Caíram minha camisa laranja, a sua blusa acinzentada, os jeans foram abertos tirados com uma pressa desajeitada, tudo a meio um beijo ao contrário do anterior era acelerado, esperávamos e buscávamos tudo um do outro.

Intenso.

Estava ansioso para esquentá-la com meu corpo. Para depois juntos esfriarmos acalmando nossas respirações.

...

Assim como aconteceu, meu corpo estava trêmulo, suado e estranhamente voltando a ficar quente. Não é como se estivesse doente, só estava num estado de plenitude que há muito tempo não chegava. Olhei para ela do meu lado.

Estava menos ofegante, estava coberta com um lençol na altura dos seios, com o olhar distante de repente abriu um sorriso, talvez se dando conta de que eu a observava. Foi contagiante por que instantaneamente sorri subindo mais na cabeceira da cama colocando o braço atrás da cabeça, com a outra mão comecei um carinho com o indicador passando do seu braço para o seu ombro. Virando meu corpo para ela.:- Do que está rindo?:- Nada. — continuou sorrindo, às vezes fechava os olhos em intervalos enquanto eu a acariciava.

Sorri ao ver que a uma fresta da luz da lua entrava no quarto. Essas noites eu passei a observá-la mais, sempre me lembrou Dulce, mulher de fases assim como a Lua. Ainda, mais com esse fenômeno todo que está acontecendo com ela.

:- Quando Marisol, veio falar comigo me contou que você chegou antes delas, aonde você estava? – ela me perguntou de olhos fechados.

Demorei para responder. Como admitir? Essa era a pergunta que me fazia, me prometi que mudaria que tentaria. Ainda mais depois de refletir sobre algumas bobagens e erros que eu cometi antes, não quero isso de novo. Esse foi um conselho que Perla me disse antes de terminarmos e eu pretendo segui-lo.

:- Realmente eu cheguei muito antes delas, — comecei a contar a ela – mas, quando cheguei vi você junto ao cara alto, juntos. E por esse momento eu me senti um intruso, senti como não era para que eu estivesse ali. Senti ciúmes também por que aquele era justamente meu lugar. Não sei te explicar. – Escondi meu rosto no seu ombro, era difícil admitir o que eu sentia assim às claras, não assim, sem estar sob o domínio da raiva.

Ela permanecia em silêncio me escutando séria, ela tinha a consciência que raramente eu admitia algo assim.

:- Então decidi ir embora por mais que quisesse ficar fui para meu carro e fiquei lá. Perdi as contas de quantas vezes dei a partida, mas não saía. Até que desisti de ir embora e decidi entrar, fiquei enrolando mais um tempo no estacionamento até Ivalu me ver ali, conversamos e ela me falou de forma sutil dela para que eu entrasse de uma vez.

:- Desde quando estão tão próximos?

:- Ivalu e eu?

:- Sim.

:- Não estamos tão próximos, apenas deixamos algumas diferenças de lado. Uma trégua indeterminada, talvez. – dei os ombros.

:- Ela não me contou sobre essa trégua.

:- Era necessário? – Perguntei.

:- Talvez não.

Ambos ficamos em silêncio. Até que eu não aguentei, precisava saber, tinha que saber.

:- Por que veio para o meu apartamento? – comecei incerto – Afinal eu pensei que ficaria com o cara alto.

Ela riu do que eu falei.

:- O nome dele é Lucas, Poncho. – virou para o rosto para o meu. “Que seja” eu pensei. – E ele me levaria para casa, já que estava sem carro e pronto, nada demais.

Levantei a sobrancelha em descrença. Sabia que eles tinham algo.

:- Já ficamos sim, mas ele sempre soube que eu não queria namorar. Nada sério, somos amigos. Além do mais não entendo o que você quer insinuar?

Me controlei para não responde-la rispidamente. Sabia que dependendo do que responderia influenciaria nos meus planos e a última coisa que queria naquele momento era brigar com ela.

:- Não estou insinuando nada. Apenas perguntei. – respondi tentando manter a calma, o meu foco.

:- Sei. – foi à vez dela de levantar a sobrancelha em descrença.

:- Talvez não deva saber, mas eu e Perla ...

:- Terminaram. Eu sei. – ela me cortou e eu fiquei surpreso, por que não fazia muito tempo que terminamos.

:- Como sabe?

:- Luisillo me contou depois de ouvir uma conversa entre Marisol e Melissa, em Televisa você sabe.

:- Entendi tudo. – me lembrei da conversa que tivemos eu e ele.

Após um momento nos olhando ela se aproximou me abraçando deitando a cabeça no meu peito enrolando alguns pelos com o dedo, por um momento eu pensei que ela estivesse cansada e quisesse dormir.

:- Poncho – ela bocejou – Por que a carta que me entregou terminava com uma vírgula? – a voz era mansa ela estava batalhando para ficar acordada.

:- Por que não gosto de pontos finais. Mesmo não gostando vamos conversar ainda, resolver assuntos pendentes.

Ela entendeu o que quis dizer, por que demorou a me responder mesmo tonta de sono.

:- Não sei se quero conversar, nem sei se vale a pena. – Sabia que os seus olhos estavam fechados que rapidamente adormeceria.

:- Mas, sabe que é necessário. – comentei ajeitando ela no meu peito, nos cobrindo e começando a fazer carinho nos cabelos castanhos dela.

Ela não respondeu, porém sei que ouviu por que suspirou pesadamente, antes de adormecer.

Eu demorei a dormir e continuei fazendo aquilo que mais fazia desde que voltei do Brasil, refletir. Sobre tudo, o que eu desejava fazer da minha vida, agora? Suspirei olhando para ela que dormia profundamente com uma respiração calma que batia sobre mim. Abracei o seu corpo apertando contra meu, eu queria ela.

Por que as coisas tinham que ser tão complicadas. Me lembrei de quando me disseram que era difícil alcançar as estrelas, o que fazer quando eu desejo alcançar a Lua?

Minha cabeça estava começando a doer de tantos alertas que me oferecia, mas eu estava decidido. Dulce mudou sua previsão, eu mudaria a nossa.