Luna & Summer

3 Primeiro dia, não primeira vez


Notas iniciais
Vamos começar o POV Summer, espero que gostem!

Primeiro dia de aula, parece normal, e passar 5 horas fora de casa é simplesmente libertador, saio de fininho na esperança de não acordar meus pais, papai está dormindo na sala, como sempre desde os últimos meses, se eu fizer o mínimo ruído mamãe acorda, e já era minha paz e sossego.

Pego o elevador aliviada, espero que meu cachecol cubra as marcas das mordidas de Eric no meu pescoço, eu espero realmente que ele me ligue hoje, já fazem dois dias que ele não dá um sinal de vida. Uma voz em minha cabeça insiste em ressaltar que ele não vai ligar, assim como os outros. Bufo de frustração, prefiro minhas esperanças perdidas que a realidade.

Ajo normalmente no carro, não posso deixar que elas percebam sobre ele, não vou aguentar dessa vez, eu sei que elas querem ajudar, mas francamente, os "eu te avisei" não são um grande consolo, e a pior parte é sempre saber que elas estão certas.

Felizmente, a aula é interessante o suficiente para tirar meus problemas pessoais da cabeça, talvez em parte seja porque esse professor é extremamente atraente, que seja, o tempo passa rápido enquanto eu ouço sua voz melódica explicando sobre o corpo humano. A aula acaba em um piscar e logo uma aula fascinante de Química se inicia, tento captar cada detalhe da aula, mas infelizmente como tudo que é bom, dura pouco.

— Aula dupla de biologia, mais uma de química — Luna resmunga na saída da sala — Ensino fundamental, cadê você? — ela leva as mãos aos céus.

— Foi tudo tão fascinante! — eu cimento quase que emocionada. Que aulas incríveis foram essas?

— Eu sei — Giovanna concorda comigo, parece quase tão feliz quanto eu.

— Que tédio! — Carol sai da sala com as mãos fazendo sombra aos olhos — Oh, sol... Você ainda está aí? — ela exclama ainda com o teatrinho.

No caminho para a cantina Luna esbarra em um garoto que me parece muito suspeito. Ele tem um cabelo bem preto e na altura do ombro, os olhos inchados como se não houvesse dormido direito, e a barba por fazer que só ressalta a expressão de desleixo. O que mais me assusta é essa cara de babona que a Luna está dirigindo a ele, será que está tudo bem com ela? Minha pergunta é respondida minutos depois quando ela admite que gostou dele, bom gosto? Cadê você?

Sentamos na mesa dos veteranos e eu não consigo parar de olhar a tela maldita, mas não há nada, eu sei que não há, porém nada me impede de olhar a maldirá a cada cinco minutos. Eu quero tanto que ele me ligue, quero tanto que dessa vez dê certo, mas nada, nem as ondas eletromagnéticas que eu irradio para o meu celular parecem fazer efeito, mas não estou pronta pra desistir, de maneira nenhuma, ou eu não me chamo Summer Cohen.

— Com licença? — um garoto atrapalha minhas meditações.

— Oi — respondo sem olhar pra ele.

— Sou o Henrique — ele me diz, minha vontade é de me virar e mandar uma resposta bem mau criada, mas minha boa educação me isenta disso, por isso me viro, sorrio e estendo a mão.

— Oi Henrique — respondo com meu melhor e mais simpático sorriso — Eu sou a Summer.

— Está tudo bem com você? — ele pergunta quando começo a considerar se seria seguro ligar pra ele. Pareceria muito desespero?

— Sim, por que a pergunta? — Retruco sem dar o mínimo de atenção a conversa.

— Você está olhando o celular como se quisesse engoli-lo — ele exclama com uma risada. Não tinha percebido isso, que droga, espero que as meninas não tenham visto, elas irão recomeçar com as perguntas sem fim.

— Não é nada não — me forço a tirar os olhos da tela do celular e dou uma boa olhada para o garoto intrometido. Preciso distrai-lo e me distrair para que ninguém perceba o celular silencioso.

Ele é realmente bem bonito, não posso negar, seus cabelos são castanhos e parecem quase loiros nas pontas se você ver contra o sol, sua pele é bem branquinha e livre de acne, o que por si só já é uma benção, seus olhos por trás dos óculos são castanho claros, e eu tenho que admitir, a camisa dele faz um belo volume nos braços, mas ele não se compara a Eric. Ninguém se compara.

Volto para a sala de aula, Eric continua em meus pensamentos, quero entender o que fiz de errado, eu dei um encontro perfeito, tenho certeza, quando ele sugeriu ir para sua casa eu fui, fiz tudo o que ele quis, lágrimas queimam em meus olhos, mas minhas amigas iriam perceber, e o interrogatório seria interminável.

Volto minha atenção para a aula, isso leva meus pensamentos, realmente, eu sou uma CDF, tudo na escola me parece tão incrível, tão inspirador, não só o ambiente, mas também os educadores. Sempre tive uma paixão inexplicável pelo saber, conhecer novas línguas, novas culturas, saber da história dos povos e de seu desenvolvimento, ter consciência da geografia, tudo isso sempre fez parte de mim.

Já do lado de fora, Carol dá uma olhada no celular.

— Seguinte meninas — ela começa após olhar a tela do telefone — hoje o almoço é na casa da vovó, então não vai rolar carona na volta.

— Tudo bem, eu pego um ônibus — elucido sem muita empolgação que droga, e se Eric me ligar quando eu estiver no ônibus? Como eu vou falar com ele?

— Alguém falou em carona? — Aquele garoto com quem eu conversei no intervalo aparece arrumando a mochila nas costas — eu estou com a moto, posso levar alguém — ele propõe, como é mesmo o nome dele? João, Mateus? Roberto, algo assim.

— Pode ir Luna — não vou pegar carona com um cara que eu nem sei o nome, além do mais, Luna vai fazer muito melhor proveito da viajem que eu — não sou muito fã de motos — prossigo, o que é verdade

— Eu te levo — Henrique se oferece, ótimo, o carinha intrometido quer me dar uma carona — Estou com o carro do meu pai — ele dá uma risada, ah, por favor, não me diga que ele está corando.

— Você me faria esse favor? — reúno o que resta da minha boa educação e jogo nessa frase.

— Claro — responde, pare de corar cara, não é nada másculo — Vamos?— ele me pergunta.

— Claro — abraço Luna — use o capacete — sussurro para ela, só eu sei o quanto essa garota é propensa a acidentes — e você cuide dela — cerro os olhos apontando para o peito de Lucas, eu sei o quanto um cara pode aprontar, ainda mais um cara como Lucas parece ser.

Entramos no estacionamento e eu procuro por um fusca, ou quem sabe um Santana, ele me guia até um jipe vermelho vivo novinho em folha. Paro por um segundo para admirar o carro, aqui entre nós, eu sempre tive vontade de andar em um jipe, simplesmente me parece o tipo de aventura que você tem que ter na vida antes de morrer.

— Cala a boca que você veio dirigindo isso?! — Estou pasma.

— Por que, não gostou? — Ele parece meio preocupado.

— Isso é incrível — exclamo incrédula.

— Ah, obrigada — ele responde por fim, parecendo até aliviado, não vou olhar para ele porque se ele estiver corando vou sacudi-lo.

— Deve ser incrível dirigir isso — estou de boca aberta, não entendo nada de carros, mas de uma coisa eu sei, jipes são incríveis.

— Na estrada — ele responde abrindo a porta pra mim, as pessoas ainda fazem isso? Tanto faz, entro no carro, mas é impossível afivelar o cinto — Na cidade é honestamente uma droga — ele continua entrando no banco do motorista — principalmente quando chove — ele sorri para mim enquanto aperta meu cinto, não consigo evitar sorrir de volta, ele parece um cara legal.

— Então, o que você pretende fazer na faculdade? — pergunto enquanto saímos do estacionamento.

— Engenharia — ele responde olhando o espelho retrovisor — e você? — agora ele está me encarando.

— Eu estou inclinada as relações internacionais, porém, as exatas tem um poder sobre mim, como se elas quisessem me chamar para o lado sombrio da força, mas eu também me sinto muito tentada a fazer algo pelo meio ambiente, no entanto estou no primeiro ano, tudo pode acontecer — respondo com uma risada.

— Uau — Henrique parece impressionado — muita coisa passa pela sua cabeça, é meio constrangedor quando eu penso no meu primeiro ano.

— O que você queria ser no seu primeiro ano? — pergunto me virando para ele.

— Um desenvolvedor de jogos eletrônicos — Henrique responde prontamente.

— E por que desistiu? — talvez eu esteja ligeiramente curiosa.

— Porque eu descobri que gosto mais de jogar os jogos que de desenvolve-los — ele parece meio encabulado — então escolhi uma profissão que me deixe apreciar o trabalho dessas pessoas que tem algum talento para o ramo — Conclui com uma risada.

— Isso foi muito sábio da sua parte — lhe digo também sorrindo.

— Você é uma fã das exatas? — ele me pergunta com a sobrancelha arqueada, sem tirar os olhos da rua.

— Uma entre muito poucos — respondo com orgulho.

— Eu também — ele responde também orgulhoso.

— Me abrace — eu pergunto com os braços estendidos em uma falsa emoção.

— Eu até aceitaria — ele responde —, mas preciso manter as duas mãos aqui se nos quiser vivos.

— Mais um exemplo da sua sabedoria — eu novamente rio.

— Chegamos — ele exclama para a minha surpresa, como essa viajem passou rápido.

— Muito obrigada mesmo Henrique — lhe agradeço enquanto ele tira meu cinto.

— Sempre que precisar — ele oferece com um sorriso.

— Vou usar e abusar do seu pedido — eu digo apertando a mão dele.

— Eu espero — responde enquanto eu saio do carro. Não posso evitar um ultimo sorriso em sua direção.

Notas finais
O que acharam? Honestamente eu não sei porque não está aparecendo a margem, estou perdida, e isso tá me dando nos nervos, porque no meu pc tá com margem :