Luna - INTERATIVA
6 Capítulo VI
Notas iniciais
Enquanto Massimiliano dava algumas voltas pelo Salão de Refeições, a fim de relaxar um pouco, decidiu falar com as garotas em algum lugar que não aquela mesinha de sempre, então começou a passar os olhos por todas as meninas, até que uma se destacou. Um par de olhos absurdamente azuis fez o príncipe se lembrar que ela fora uma das primeiras garotas a serem anunciadas, em parte por se lembrar dela (já que as que foram mais para o final ele nem prestou atenção), e em parte por seus memoráveis olhos. Se aproximou de Ingrid Rose Beaumont, que portava um vestido azul que destacava seus olhos brilhantes, e delicadamente colocou uma mão em suas costas, tomando cuidado para não a assustar, o que MAM aparentemente foi em vão, já que ela deu um pulo e quando se virou parecia prestes a dar-lhe um tapa. Quando viu quem a havia tocado, ela levou alguns segundos para lembrar de se conter e se acalmar.
— Perdão, perdão. Não foi minha intensão assustar a senhorita.
— Tudo bem, Vossa Alteza. – Pela sua cara não está nada bem.
— Bom, deixando isso de lado, a senhorita tem cinco minutos para conversarmos?
— Claro.
Ofereceu-lhe o braço, que ela hesitou, porém aceitou. Enquanto conduzia-a pelo Salão, perguntou:
— Então, senhorita, como é sua família?
Ela pareceu ficar tensa com a menção do assunto.
— É bem normal, nada demais. – Seu tom de vos expressava que o assunto havia acabado ali, então Mass tentou passar para outro lado da conversa.
— Hum, qual sua cor favorita? – Ingrid o olhou com curiosidade. Que tipo de pergunta era aquela? Mas ele ficou firme no que havia perguntado, e depois de longos, porém espantosamente confortáveis três segundos se encarando, a morena resolveu simplesmente responder.
— Cores nunca foram um problema, mas as minhas favoritas são azul e preto. E as suas?
Ele estava prestes a responder quando Ada brotou do nada e colocou a mão em seu ombro.
— Vossa Alteza, o tempo.
— Ah sim, claro – virou-se para Ingrid. – Acho que teremos que continuar depois – baixou a voz e a cabeça, a fim de ficar mais perto de sua orelha, e falou, como se fosse lgo extremamente pessoal: – É verde.
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Natalie Wounderworld também tinha impressionantes olhos azuis. Não tão impressionantes quanto os de Ingrid – na verdade, Mass não sabia se algum dia seria capaz de achar olhos como os da francesa –, porém impressionantes mesmo assim, e eles se encontravam em contraste com seu vestido vermelho. Decidiu continuar andando por aí com as selecionadas, então tomou-a pelo braço e decidiu fazer outro tipo de perguntas, já que com Ingrid havia funcionado tão bem.
—Porque a senhorita não me faz alguma pergunta? Tenho feito-as o dia todo. A senhorita se incomoda de mudar?
— De forma alguma. – Natalie pensou por alguns segundos. – Vossa Alteza tem algum animal de estimação? Digo, sem ser os vários cavalos e cabeças de gado que a Família Real deve ter.
O brilho que sempre aparecia no olhar de Mass quando falava de seus bichinhos se fez presente.
— Tenho sim. Três cachorros: Axel, Dukesse e Ebano. A senhorita gosta de cachorros?
— Não muito. Prefiro imensamente gatos.
— Meu irmão Vicento tem um.
—Deve ser lindo! Quero dizer, o gato, não seu irmão.
Eles riram.
— A senhorita gosta de música?
Foi a vez dos olhos dela se iluminaram.
— Sim! Amo cantar e dançar!
— Sério? Eu adoro tocar violão. Preciso ir falar com as outras selecionadas, mas qualquer dia espero ter a oportunidade de tocar com você.
— Eu também.
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Quando ficou com sede, voltou para sua mesa no canto para pegar o copo de suco que havia deixado ali, sentando-se por um momento para respirar, momento que não foi desperdiçado por Ada, que logo já foi chamando a próxima selecionada. Tenho que conversar com Ada sobre isso, já é a segunda vez que uma selecionada me vê tentando terminar logo o que tenho na boca.
Rebecca Allen Chermont usava um vestido tomara-que-caia, num degrade de branco e preto, com sandálias de salto também pretas. Depois de sentados, Rebecca foi a primeira a falar.
— Pode terminar o seu suco, se quiser.
Mass ficou tanto impressionado como envergonhado. Ela havia percebido?
— Não, tudo bem. Está servida?
— Não, obrigada.
— Conte-me um pouco sobre você, senhorita.
— Bom, eu sou a mais velha de três irmãos, como você, se não me engano. – O príncipe assentiu com a cabeça, portando um sorriso. – Meu pai morreu quando eu tinha onze anos, e agora somos só eu, minha mãe e meus irmãos, Emily e Daniel.
— Meus pêsames.
— Obrigada, mas eu meio que já me acostumei. Quero dizer, lógico que sinto muita, mas muita falta dele, mas a gente aprende a viver sem a presença física.
— Sei o que quer dizer. – Mass nunca havia perdido nenhum de seus pais, mas já havia perdido muitos cachorros, e imaginou que partindo daí podia imaginar. – A senhorita tem algum hobbie ou algo do tipo?
— Amo de paixão fotografia!
— É fotografa?
— Não, estou cursando psicologia. Fotografia é uma paixão a parte.
— Bom, se quiser, pode pedir que coloquem o equipamento que quiser no seu quarto.
— Agradeço, mas já trouxe minha câmera.
— Perfeito! Qualquer dia, você pode tirar fotos do melhor modelo em todo o mundo.
— E quem é esse tal modelo, posso saber?
— Eu! Lógico! Não sabia? – Disse com ironia.
Os dois riram, e infelizmente Ada o olhou do jeito que ele não aguentava mais. Ele havia gostado de Rebecca.
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Mass nunca entendera nada de roupas, mas sabia que amarelo havia sido uma boa escolha para o vestido de Spencer Allora Keller. A cor fazia lindo contraste com seus olhos e cabelos castanhos, que eram ainda mais lindos. Feitas todas as formalidades, Mass pediu:
— Conte-me um pouco sobre você, Spencer.
— Tenho dezenove anos, vim de Sidney, mas isso você já deve saber. Trabalho na lanchonete de meus pais e adoro lá.
— E o que você faz na lanchonete?
— Cuido da administração e sou garçonete, mas fico lá principalmente por poder conhecer pessoas diferentes.
— Como é sua família?
— Somos eu, minha mãe, meu pai e meu irmão.
— Irmão mais velho?
— Mais novo. Quatro meses mais novo. – Massimiliano parou por um momento para pensar como aquilo era possível. – Fui prematura, sei que está pensando como diabos alguém pode ser quatro meses mais velho que o irmão. Pois é, todo mundo pensa.
O sorriso de Spencer era tão cativante que Mass teve que lembrar a si mesmo para se concentrar umas três vezes.
— E vocês se dão bem?
— Sim. Na verdade, ele até está aqui.
— Perdão?
— Ele é guarda. Pediram alguém da União Oceânica, e ele se voluntariou. – Spencer apontou para um ponto atrás da cabeça de Mass, e ele se virou. Um guarda alto e moreno estava ali parado, e encontrou o olhar da selecionada. Quando o príncipe se voltou para ela, Spencer estava dando um “tchauzinho” para ele.
— Imagino o desastre que seria o meu irmão como guarda. – Spencer riu, e ele a acompanhou. – Sinto muito, mas terei que acabar nossa conversa por agora. Na primeira oportunidade continuaremos, prometo.
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Quando Vicento se sentou na frende do príncipe herdeiro de Luna, Mass o encarou com certo olhar brincalhão.
— Virou selecionada?
— Na verdade, vim falar com você sobre isso. Ouvi algumas meninas cochichando sobre você ter pedido para elas ficarem depois de todas as outras. Vai usar a técnica do tio Max?
— Não é técnica nenhuma. Mas sim, fazer o que.
— Enfim, elas não são de todo ruim, acha que posso conversar com elas?
— Entre na fila.
— Ah, quem pediu antes? Stefano? Sabe que se elas tiverem que escolher entre eu e ele com certeza escolherão eu.
— Ah, é? E porque isso?
— Simples: eu sou Vicento, o cara mais boa-pinta de todo o mundo.
Mass o encarou com uma sobrancelha levantada, e então começou a rir, e seu irmão o acompanhou. Talvez estivessem rindo alto demais, já que várias pessoas começaram a olhar.
— Você ainda está bravo comigo? – Vicento perguntou, quando se recuperaram
— Vou pensar no seu caso. Agora sai daqui, eu ainda tenho que falar com várias garotas.
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