Lunático
5 Capitulo 5
– Tenho mesmo de me ir embora – disse Lauren levantando-se.
– Bem, eu também vou – disse.– Até amanhã – disse Jake.– Até amanhã – disse.Fui para casa, limpei a maquilhagem e tomei banho. Vesti o meu pijama e fui ver televisão para a sala. Passado um pouco a minha mãe e o meu pai entraram com comida chinesa pela porta a dentro e sentaram-se no sofá, pousando a comida em cima da mesa de centro.– Caleb, jantar – chamou a minha mãe.– Olá filha – disse John dando-me um beijinho.Eu retrocedi-lhe o beijinho e ajudei-o a tirar as bebidas do saco. Caleb não demorou a juntar-se a nós e começamos a comer. – Tiras-te o dia de folga? – perguntei.– Sim, há muito que não estávamos todos juntos em casa e então tirei hoje o dia de folga para poder estar convosco um pouco. Ultimamente não tenho tido tempo para vocês, há muito trabalho no hospital.A comida estava muito boa. Soube bem aquele pequeno momento, há muito que não jantávamos todos juntos. Depois de comer-mos ajudei a minha mãe a limpar a mesa de centro enquanto Caleb e John escolhiam um filme para vermos.Depois de chegarmos a um acordo, começamos a ver o filme. Depois do pouco do sol que se manteve durante o dia, à noite começou a chover. Ouvia-se da sala a chuva a bater no telhado e nas precianas das janelas.Quando o filme acabou, lavei os dentes e fui para a cama. Novamente ao ir dormir Zack preencheu os meus pensamentos, mas desta vez não demorei tanto para adormecer. Na manhã seguinte acordei com alguém a gritar lá de baixo. Era a minha mãe e o meu pai. Desci as escadas rapidamente e entrei na cozinha onde eles estavam.– Que se passa? – perguntei.– Nada filha, desculpa se te acordamos, ainda tens tempo de ir dormir um pouco, volta para a cama – disse Amy.Subi as escadas e tentei ficar lá a ouvir o que estavam a dizer, mas agora eles falavam baixo para eu não ouvir. – O que é que se passa? – perguntou Caleb atrás de mim com ar ensonado.– Nada, volta para a cama.Caleb voltou a caminhar para a sua cama como se fosse uma múmia. Eu voltei para a minha também, mas não consegui voltar a dormir. Quando já estava na hora de me levantar, arranjei-me e tomei o pequeno-almoço. O meu pai desceu as escadas, pegou numa banana da fruteira e disse:– Vou trabalhar, até logo.Eu sentia que algo estava errado, o meu pai não era assim. Talvez fosse o excesso de trabalho, ele estava cada vez com ar mais velho. Mas talvez houvesse outra coisa por detrás do seu cansaço. Mandei uma mensagem a Lauren a dizer, «Hoje não vou à escola». Saí depois do meu pai e andei sorrateiramente atrás dele. Ele entrou no hospital, onde trabalha. Eu entrei também, por momentos pensei que estava tudo bem pois ele estava a ir na direção do seu escritório, talvez fosse mesmo trabalhar. Mas depois, ele não entrou no seu escritório, ele continuou a andar até um consultório.Como não estava ninguém ao pé, encostei o ouvido na porta para tentar ouvir, mas não conseguia. Passado um pouco ouvi uma cadeira a arrastar-se, o meu pai iria sair. Escondi-me para ele não me ver e depois segui-o novamente. Ele foi para a rua, andou calmamente por umas ruas onde eu raramente ia e acabou por entrar num bar. Eu esperei por ele cá fora. Não demorou muito para ele sair do bar com uma garrafa cheia de álcool e sentar-se na borda do passeio a bebe-la.Golo por golo, a garrafa ia despejando. Nunca o tinha visto beber. Em casa ele só bebe água. O que terá acontecido para ele estar assim? Porque é que ele não foi trabalhar, terá sido despedido? Porque é que o está a esconder? Olhei para o meu telemóvel, havia uma mensagem da Lauren, «O que se passa?».«Depois conto-te», respondi.Deixei o meu pai ali e sem ele ver vim me embora. Voltei para casa, a minha mãe já devia estar a trabalhar e o meu irmão na escola. Subi as escadas para o meu quarto e deitei-me na cama. Fiquei lá o resto do dia. Não sabia o que haveria de pensar. Não sabia o que fazer. Não sabia explicar o que vi.
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