Lunático
12 Capítulo 12
Medo, era o que mais senti naquele momento. Lobisomens? Isso não existe. Tecnicamente, eu estava perante um. Como é que Zack e Jake poderiam o ser? Eles pareciam pessoas normais. Com sentimentos. Eles riam e falavam tal como eu. Mas eles eram monstros. Pelo que contam as lendas de lobisomens que sempre pensei que fossem apenas histórias para divertir as pessoas, eles são monstros. Lobos que são amaldiçoados pela lua. Que se transformam na lua cheia, e não têm como impedir de o fazer.
– Não tenhas medo, por favor — disse Zack olhando-me com preocupação.
– Acabas-te de me dizer que eras lobisomem! Queres que reaja normalmente, como se isso fosse normal?!
Dei por mim com lágrimas a virem-me aos olhos. Eu precisava de sair de ou pé dele. Eu não aguentava estar ali ou pé dele. Eu teria de pensar no que acabara de ouvir.
– Eu sou o mesmo Zack que conheces-te...
– Eu não quero falar contigo agora... — tentei ir-me embora mas Zack puxou-me pelo braço.
– Por favor, eu percebo que estejas confusa. Eu posso responder-te a todas as perguntas que precisares, mas por favor, não fujas de mim, não tenhas medo — disse Zack.
– Larga-me, deixa-me ir — disse com medo.
Ele largou-me e eu fui para casa o mais rápido que pude. Subi até ao meu quarto e deitei-me na cama.
Como seria possível existir essas criaturas? Como é que elas eram iguaizinhas a humanos? Como é que eu não consegui compreender que havia algo de diferente neles?
Muitas perguntas enchiam a minha cabeça. Comecei a sentir-me um bocado tonta. Parecia que a minha respiração estava cada vez mais lenta. Tirei o casaco para poder respirar melhor.
Ouvi a minha janela abrir-se violentamente. Era Zack.
– Já te disse para me deixares em pás!
Quando terminei de dizer isto não consegui voltar a respirar e a pouco e pouco os meia olhos foram fechando.
Zack aproximou-se de mim rapidamente e colocou-me ao colo dela, em cima da cama. Foi a última coisa que me lembrei antes de adormecer por completo.
Acordei sobressaltada. Zack abraçava-me, aconchegando-me ao seu corpo.
– Estás bem? — perguntou Zack.
Eu não respondi. Não sabia o que dizer nem o que fazer. Por um lado queria que ele sai-se dali, não queria vê-lo. Mas por outro, queria que ele fica-se exatamente onde estava. Ele acalmava-me brincando com o meu cabelo. Sabia bem estar ao colo dele.
– A minha mãe? E o meu irmão? — perguntei para ter a certeza de que eles não tinham dado pelo meu desmaio.
– Ainda não chegaram.
– Porque é que eu desmaiei? Porque é que não chamas-te uma ambulância? Eu podia não acordar.
– Eu sabia que irias acordar, eu senti que estavas bem — explicou Zack — quer dizer... fui eu que te fiz acordar.
– Como assim? — perguntei.
– Os lobisomens podem tirar alguma parte da dor que is humanos sentem. Eu tirei-te um pouco do teu nervosismo, e passado um pouco, acordas-te.
– Então, tu podes tirar a dor dos humanos?
– Não toda, posso aliviar um pouco a dor — respondeu Zack.
– Eu pensei que os lobisomens fossem só... pessoas que se transformassem nas luas cheias em lobos.
– Sim, eu só me transformo nas noites de lua cheia mas, também tenho dons que posso usar fora dessas noites — disse Zack.
– Qual é outro don teu? — perguntei.
– Posso ouvir ao longe, canso-me menos rápido de que um ser humano, consigo com pesos grandes quase sem esforço, consigo lançar qualquer coisa muito longe — disse Zack.
– Emily, cheguei! — gritou a minha mãe.
– Fica aqui, eu já venho — disse.
– OK, eu fico — respondeu Zack.
Desci as escadas e fui até à cozinha onde estava a minha mãe a começar a arrumar as compras.
– O Caleb? — perguntei.
– Foi dormir em casa de um amigo. Somos só nós as duas a jantar. Estava a pensar se não queres ir visitar o teu pai?
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