Luminus

2 Perseguida, Apelido? e... Por favor! Caminhar é Horrível!


Notas iniciais
Décadas depois eu apareço aqui, né... Mas fazer o quê. Boa Leitura :3

Floresta de Saelos. Reino de Elos.

Dia 21 de Junho.

Andei durante toda a madrugada. Não acredito que demorei quase 4horas para atravessar a Floresta de Luzir, e mais 1h30min para chegar a Floresta de Saelos. Para chegar à capital de Elos são mais dois dias de caminhada. Eu tenho que dormir. A preocupação com meus pequenos me deixou com uma terrível dor de cabeça. Provavelmente chegarei ao Vilarejo de Santrol ao inicio da noite. Uma vez, Austin me contou que Santrol possuía a maior feira de armas de Elos. Preciso de facas de arremesso novas, pois esqueci as minhas no piso falso do meu quarto no castelo.

Esse sol forte esta me matando. Minha garganta esta seca demais, mas não irei parar em outro lago, não depois de quase ser pega por dois soldados que voltavam à Luminus. Havia parado para encher meu cantil em uma pequena nascente, no meio de uma clareira, quando aqueles dois se aproximaram. Minha sorte é tão legal comigo que, quando os dois se aproximaram do lago, uma brisa soprou meu capuz para trás, revelando meu rosto. Ao me verem, ambos arregalaram os olhos e correram para perto de mim, e, é claro, eu fugi em disparada de volta à floresta. Os dois me perseguiam, gritando meu nome e pedindo para que parasse e voltasse com eles para Luminus.

– Princesa! Por favor, espere! – O homem moreno de armadura gritava.

– Por favor, Alteza! Pare! – O ruivo juntava sua voz a do moreno.

Despistá-los foi fácil. Depois de alguns minutos de corrida, escalei uma árvore e fiquei em silêncio. Logo ambos passaram, e eu, como sempre uma garota que gosta de arrumar encrenca, os segui, passando silenciosamente de árvore em árvore. Passadas meia hora que eu os observava, uma jovem garota, de aproximadamente dezenove anos, passou correndo.

– Por favor, guardas! Ajudem-me! – A moça de cabelos loiros parecia desesperada. Suas roupas estavam sujas e ela ofegava, devido ao esforço.

– O que ouve, senhorita? – O ruivo perguntou.

– Um ladrão! Atacou minha carroça e roubou minhas jóias! – Ela começou a chorar desesperadamente – Aquele era o dote que ganhei da família do meu noivo! Por favor, me ajudem!

Desci alguns galhos para ouvir melhor. Era um risco, claro, eles poderiam me ver, mas aquela moça parecia prestes a ter um ataque.

– Onde este ladrão a atacou? E como ele era? – O moreno deu um pouco de água para ela.

– Na estrada. Ele usava uma capa preta e um capuz. – Ela chorava compulsivamente – Ele levou tudo! Pegou minha carroça e ameaçou matar-me se tentasse impedi-lo.

Cerrei os dentes. Maldito ladrão, como ousa roubar uma dama e ameaçá-la de morte? Enquanto os soldados tentavam acalmá-la, prometendo que pegariam o ladrão, eu rumei pelos galhos mais altos até a estrada, onde baixei meu capuz e deixei exposto meu colar de rubis. Uma jovem andando sozinha pela floresta, com uma jóia caríssima era o alvo perfeito. Corri um pouco e, ao passar por uma carroça abandonada na estrada tive certeza que estava perto. Continuei caminhando e, sinceramente, já estava ficando cansada. Eram quase 19horas e o maldito ladrão não aparecia. Eu confesso que quase desistir, até ouvir passos atrás de mim. Sorri discretamente. Idiota. Meu sorriso se desmanchou quando ouvi mais passos. Dois à frente e mais três atrás. Aquela garota não havia dito que era uma quadrilha de assaltantes.

– Ora, ora, ora. Uma senhorita tão jovem não deveria andar sozinha pela floresta, especialmente em uma floresta tão perigosa, ainda mais carregando tão preciosa jóia em seu pescoço. – A voz estridente horrorosa soou na estrada, logo em seguida, um homem velho, com dentes podres e roupas estranhas pulou na estrada, seguido de outros quatros homens, igualmente horrorosos.

– Não sabe que nesta floresta há ladrões perigosos? – Apesar de estar cerca de vinte passos atrás de mim, seu hálito era sentido há distância. Ri ironicamente.

– Passei por uma jovem que disse que viu um ladrão horroroso, com um hálito de cão e feio como as criaturas do inferno. – Meu riso e a falsa descrição deixou-os irritados.

– Ora sua... – Um deles grunhiu e tentou me atacar.

Meu riso apenas aumentou ao ver a cara de espanto dos companheiros do homem que me atacou, quando viram que este já estava inconsciente, pois, em segundos, eu já havia o atingido com minha espada katana.

– Sua maldita! – Ladrou outro, que rapidamente foi derrubado por uma estocada.

– Eu vou matar todos vocês, lixos. – Disse friamente. – Eu odeio aqueles que ferem pessoas que não podem se defender.

Com um movimento rápido, derrubei outros dois e feri o último no ombro, quando este tentou fugir.

– Por favor, não me mate. Por favor, por favor. – Ele se arrastava, segurando o ombro ferido, implorando por sua vida.

– Onde está, seu lixo? – A frieza em minha voz era tão cortante quanto à lâmina da espada. – Onde estão as jóias que roubou da jovem, hoje à tarde?

– Nunca direi! Nasci um ladrão e morrerei um ladrão! – Ele cuspiu essas palavras, mas de repente, virou-se para trás. Ele havia batido as costas em uma árvore, deixando-o encurralado entre mim e a árvore. Ele não teve tempo de praguejar, pois em um movimento, pressionei o salto de minha bota em seu ombro. Apesar de ser um salto curto, num machucado desses deve doer muito. Ele grunhiu de dor. Irônico uma garota de doze anos ser mais forte e habilidosa que um homem adulto, não?

– Diga. Onde. Estão. As. Jóias. AGORA! – Disse, pressionando seu ferimento mais e mais a cada pausa. Ao ouvir a raiva em minha voz, o pânico pareceu tomar conta daquele homem.

– Alguns metros á frente, com um companheiro. Ele está nos esperando. – Ele disse, o medo em sua voz era evidente.

Acertei-o com o cabo da minha katana, subi meu capuz, cobrindo novamente meu rosto. Deixando o homem inconsciente para trás, segui andando até avistar a carroça, com um homem sentado à frente, este parecia estar dormindo, então não sofreu muito quando perfurei seu coração com minha espada. Peguei as jóias da mulher, que estavam em um saco vermelho, e fiz com que os cavalos ficassem quietos, escondidos no meio dos arbustos. Voltei novamente pelas árvores, ao chegar no local onde estavam os ladrões, os guardas estavam chocados, ao verem os corpos estirados no chão. A mulher começou a chorar novamente. O homem com ombro ferido ainda estava vivo, porém inconsciente. Dependurada em um galho perto no chão, chamei discretamente pela mulher. Ao me ver, ela pareceu assustada, já que, de repente, viu uma garota de cabelos vermelho-fogo, aparecer presa pelo pé em um galho, com uma longa capa preta tocando o chão. Ela pôs as mãos na boca quando fiz sinal de silêncio. Com um movimento de mãos, pedi que ela se aproximasse, e, relutante, ela andou devagar, enquanto os guardas tentavam acordar o ladrão.

– Encontrei algo que talvez possa pertencer à senhorita. – Entreguei-lhe o saco. Ao ver suas jóias, ela sorriu. – Por favor, não faça barulho. Não desejo que os guardas me vejam. Poderia me dizer se há algum vilarejo antes de Santrol?

Ela sacudiu a cabeça, afirmando.

– È só seguir pela estrada. Muito obrigada. – Ela sorriu, com os olhos marejados de emoção. – Você é a Princesa Alais, não é? – Hesitante, assenti com a cabeça – Os guardas contaram-me que procuravam Sua Alteza Alais Whinterheart.

– Eu não quero ser chamada de Alteza, por favor. Eu quero permanecer como uma pessoa qualquer. Me chame apenas de Alais. – Ela assentiu. – Sabe se há alguma pousada ou hotel nesta vila?

– Não, mas insisto que fique em minha casa, como sinal de gratidão. – Ela sorriu mais ainda. – Irei despistar os guardas para que você vá na frente.

Como se fosse uma deixa, os guardas viraram-se e rapidamente subi na árvore, me escondendo atrás dela.

– Vocês viram? – Ela perguntou aos guardas, que a olharam confusos – O anjo de cabelos cor-de-fogo. Era uma linda garota, com a pele pálida e uma longa capa.

– Você viu a Princesa Alais? – Ambos perguntaram, perplexos.

– Sim! Um anjo em terra! – Ela respondeu sonhadora. – E olhem! Ela trouxe minhas jóias! – Ela sacudiu o saco.

– Mas para onde ela foi? – O desespero dos guardas era óbvio.

– Foi para a floresta. Acho que em direção da clareira. – Ela apontou para a direção de onde tinham vindo.

– Perdoe-nos senhorita, mas temos que ir. – O ruivo puxou o moreno, que carregava o ladrão inconsciente.

Logo após os guardas irem embora, a mulher loira começou a andar, olhando em volta. Confesso que tive vontade de rir quando ela quase gritou, quando pulei de um galho alto e cai a sua frente. A guiei até a carroça dos ladrões e ela, cujo nome era Nelly, contou-me que aqueles eram todos tesouros roubados de seu vilarejo. Com o capuz sobre a cabeça e uma máscara que cobria metade de meu rosto, pedi que ela me chamasse de qualquer outro nome, pois não queria que alguém me reconhece-se.

– Então... – Ela pensou um pouco. – Red Princess Alais? – Ela fez um sinal como se o apelido que ela pôs fosse a coisa mais legal do mundo.

– Hnm... – Pensando bem, é melhor do que ser chamada de Alteza. – Por mim tudo bem, afinal, Alais é um nome comum, mas Red Princess...?

– Bem, seu sobrenome é Whinterheart, não é? Seria um contraste para Princesa Vermelha.

– Sua lógica é estranha... E Red Princess me lembra algum livro...

A casa de Nelly era pequena, porém limpa e arrumada. Recebi muitos agradecimentos dos moradores daquele pequeno vilarejo por tem acabado de uma vez por todas com os ladrões. A mãe de Nelly, uma senhora já idosa chamada Durve, ficou muito agradecida por ter salvado sua filha, e mesmo preocupada com uma garota de doze anos que derrotou uma quadrilha em minutos (coisa que tentavam fazer há semanas), garantiu-me que, se qualquer um que perguntasse quem havia matado os ladrões e recuperado o tesouro dos moradores, diria que foi um anjo vermelho (que Nelly fez questão de corrigir e dizer Red Princess).

Eu descansei o suficiente. Tenho que voltar para a estrada. Agora são quase seis da manhã. Quando estava indo embora, Nelly apareceu na sala e me deu um saco com comida e água. Disse que eu precisaria disso, já que teria que caminhar o dia inteiro para chegar á Santrol. Ela se despediu e disse que eu podia voltar quando quisesse e principalmente (ela me fez jurar) que iria a seu casamento.

Pois é. Mais um dia de caminhada. Com um suspiro, fui andando pela longa, extremamente longa e terrivelmente tediosa estrada que levava a Santrol.

Eu ainda vou morrer se ficar caminhando assim, todo dia.

Notas finais
Gostaram deste capítulo? Comentem, dêem criticas, sugestões, todas as opiniões são bem-vindas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.