- Me perdoe... Por não te contar antes...


- Vai ficar tudo bem. Agora você tem que voltar.


- Como?


- Tem que voltar para o Olimpo –ele ignorou as peças de ouro que se umedeciam rapidamente- e o sol deve voltar a nascer.


- Por favor...


- Você se denunciou a Ares, não posso te proteger e trazer problemas para o Santuário. Vá embora.


- Saga...


Mas o ruído da corte solar se aproximando do Santuário eestacando a chuva distraiu a atenção dos dois.


- ATENA!


A voz de Apolo ecoou pelas fronteiras do Santuário, alarmando a todos e fazendo as amazonas e os cavaleiros de bronze se reunirem na décima quarta casa.


Shaka desceu até a terceira casa, impassível.


- Se decidiram?


- Ela vai voltar.


Shaka abriu os olhos e encarou o terceiro guardião. Com certeza Saga não podia estar tão seguro.


Aurora o fitou, suplicante, porem se Saga tomara a decisão, ninguém poderia o dissuadir, nem mesmo o sexto guardião.


- Então vamos. –Shaka murmurou, contrariado, até ver Aiolos e Astréia entrando na casa.


- Atena não terá com o que se preocupar –os olhos de Aiolos se estreitaram ao ver a esposa depositar as mãos sobre os ombros de seu antigo discípulo- Nós cuidaremos de tudo. Aiolos...


- Sim querida?


- Pare de se distrair com bobagens e avise Saori que eu e Shaka resolveremos tudo.


- Está bem.


- Eu vou com vocês, tenho que falar com meu irmão.


- Só com ele?


Astréia resmungou. Decididamente não compreendia os signos de ar.


E conviver com quatro cavaleiros desse signo não ajudava o seu humor, no que freqüentemente ela chamava de racionalidade irracional.


E como virginiana irreparável, encontrava e analisava tudo na impulsividade de fogo e na instabilidade emocional de água, só não entendia o abandono dos sentimentos por uma “causa maior”.


A segurança e a sinceridade de terra não deixaram lhe escapar o comentário.


- Astréia, a decisão já está tomada.


- Isso eu já entendi Shaka.


Ela não percebia que era tão racional quanto eles...


Caminharam até a primeira casa em silencio. A luz que Apolo criava por onde passava feriu os olhos dos já acostumados a cinco dias de frio e escuridão.


- Astréia, onde está sua discípula?


- Atena já não é minha a muito tempo, ela segue com as próprias pernas e você sabe disso Apolo.


- Que seja. Nós juramos não mais invadir este Santuário, porem ela está interferindo onde não deve.


- Aqui está quem vieram buscar.


Astréia quis matar o indiano. Queria ganhar tempo, mostrar a Saga o que aquilo significava, o que ele estava jogando fora. Mas agora ela já estava no meio do cortejo solar e fora da proteção dos limites do Santuário.


Uma ventania terrível cegou a todos por alguns instantes. Era Astreu.


- Vejo que acharam minha esposa fugitiva.


Ele tinha a voz carregada de cinismo, e Aurora deu alguns passos para trás.


- Apolo... –ela fez sua ultima tentativa, apelando para quem podia- Eu nunca mais saio de suas cocheiras, por favor, não me deixe com ele.


- É seu marido. Eu não posso interferir, de qualquer forma, esse é o campo de Hera.


- Ah, ainda não. Não sem eu provar que é ela mesma.


Ele a puxou em um beijo forçado que ela repeliu, acertando um chute no meio do peito do marido, que foi rasgado pelo salto de sua sandália.


- É, -ele riu- é ela mesma.


- Jamais serei sua!


- Não preciso de seu amor, me basta o seu corpo. –disse, sorrindo maliciosamente.


- Já chega.


Shaka fez menção de deter o outro, mas Astréia entrou em sua frente.


- Ah, esse é seu novo amante? Não se lembra o que aconteceu com o outro? –ameaçou, a puxando.


- Solte ela.


- Ora Gemini, você não tem honra para me ordenar nada.


O soco de Saga o fez largar a mulher e cambalear.


- Eu estava pedindo. Agora estou ordenando.


- Saga, não pode lutar contra ele assim!


Se referiu ao fato de nenhuma das armaduras terem sido devolvidas, e a possibilidade dele lutar de peito aberto.


- A armadura não faz um cavaleiro, Aurora. Eu não permitirei que ninguém trate uma dama assim em minha frente. Seja ela quem for. –ele sublinhou as ultimas palavras.


- Está vendo querida? Ele não te quer mais, está cumprindo a obrigação de ser cavalheiro apenas.


- Cale a boca Astreu, se tem alguém sem honra aqui esse alguém é você.


Apolo resolveu interferir ao sentir os cosmos se inflamarem.


- Acalmem-se vocês dois. Cavaleiro de Gêmeos, não está em condições de enfrentar ninguém, e nem pode. E você Astreu, procure se entender com sua mulher em casa. Vamos Aurora.


- É, vamos. –reforçou Astreu, a arrastando para longe.


Ela se desvencilhou dele e se jogou nos braços de Saga.


- Por favor Saga, me perdoe...


Saga a encarou por um momento e a deixou ser levada por Apolo, que a levou embora.


Saga voltou ao Santuário, ignorando o olhar chocado de Astréia diante de tudo aquilo.


Shaka fora informar a Atena o desfecho da história.


Mas o soco que Kanon lhe deu ele não pode ignorar.


- O que pensa que está fazendo?!


- Idiota! Deixou ela ir embora assim?


- Vai sentir falta dela?


- Quer parar com isso? A questão não sou eu, é você! Você vai sentir falta dela.


- Não seja ridículo.


- O que pensa que Astreu vai fazer com ela?


- Isso não é problema meu.


- Como pode ser tão idiota? Não vê que ela te ama?


- Não, não ama não.


- Ama sim Saga.


- A...Atena?!


- Não adianta fugir disso, você também a ama.


- Acho que é o suficiente Aiolos. –Astréia dedicou um sorriso ao marido, só por seu comentário- Vamos deixá-lo pensar.


- O pior cego é aquele que não quer ver irmão.


- Ótimo, um complô.


- Pense bem, e talvez tenha uma segunda chance amanhã. –todos olharam para Astréia surpresos- Não pensaram que deusas desistem fácil, pensaram?


Riu, puxando Aiolos pelo colarinho, em direção a própria casa.


Antes disso lançou um breve olhar a Shaka, que captou a mensagem.