Luminar
23 Capítulo 23 - Elefante branco
O trono de alabastro brilhava sob o sol, ocupando um espaço gigantesco na praça, apenas para funções protocolares. Um verdadeiro elefante branco. Ele caminhava de maneira altiva, se controlando para não afastar suas roupas das mãos sujas daquele povo, mantendo o sorriso falso no rosto. A plebe reagia de forma rude, com gritos de seu nome, assovios e tentativas de tumultuar a procissão, e os guardas agiam de acordo, abrindo o caminho do rei. Poderia dizer que era um milagre não terem lhe atirado coisas podres, mas não era o milagre: era a fome. Pigarreou, pronto a dizer o velho discurso decorado, quando o cordão de segurança estou, é um grito sobrepujou a balbúrdia da multidão.
— Impostor!
Sua primeira reação foi um olhar raivoso, direcionado inicialmente aos guardas por não executarem adequadamente suas atribuições. Ele esperava a interrupção, mas achava que a cleriga seria a responsável, não mais um plebeu qualquer. Se a herege aparecesse seria um bônus, já que teria como agraciar o público com um espetáculo que sacaria sua sede de violência e daria um assunto sobre o qual falarem por um bom tempo. Poderia, inclusive justificar as mazelas do reino por conta da bruxa. Isso seria maravilhoso!
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