Luminar

16 Capítulo 16 - Céu cinza


O céu estava plúmbeo quando aportaram, indicando uma tempestade vindoura. Ao menos, estariam mais seguros ali do que em alto-mar. Ainda lembrava das histórias sobre navios naufragados, tesouros e monstros marinhos – mas para alguém urbano como ele, não passavam de mitos.

O vento açoitava seu casaco enquanto caminhava, fazendo com que mantivesse a folha amassada com a lista de compras amarrotada nas mãos, temendo perdê-la: a vida da clériga estava em jogo.

Havia uma feira nas docas, com inúmeros produtos, desde mercadorias finas às quinquilharias para turistas. Não se preocupou em barganhar, apenas em ser rápido: havia recebido indicações no barco sobre alguns mercadores confiáveis, encaminhando-se direto a eles. Focava-se apenas no que devia fazer, de forma que demorou a perceber que não estava sozinho. De canto de olho, notou a movimentação: guardas. Seus reflexos treinados já buscavam becos e brechas que pudesse utilizar, mas dessa vez o nervosismo o traiu:

— Ei, você! Pare onde está!

Obedecer, fingir que não era com ele ou correr? As três opções passavam rápido pela sua cabeça, mas seu corpo não respondeu na velocidade suficiente. Quando as pernas resolveram se mexer, o guarda já estava próximo. Sua última visão foi do chão das docas.