O reino de Acália era aquele típico reino de princesas, onde tudo era luz, verde, vivo e tudo mais. O Sr. e a Sra. Van der Bilt, eram um lindo casal de elfos. Ela tinha lindos olhos esverdeados e um cabelo louro bem claro, quase branco. Ele tinha um jeito formoso e cabelos brancos. Como se não bastasse serem um casal de elfos tão maravilhosos, eles também eram o Rei e Rainha de Acália. Apesar disso, eram simples e nada parecido com reis esnobes que só pensam em poder, como têm muitos por aí.
Os cidadãos eram muito próximos da realeza e vice-versa. Conheciam cada pessoa daquela cidade e não havia uma sequer pessoa que tivesse algo contra eles. Pelo menos era o que parecia. Todos admiravam a beleza da rainha, sua pele aveludada e rosada, como um pêssego. Seus longos cabelos ondulados que faziam sua orelha ficar ainda mais bonita. E o rei, apesar de ter aparência de magro e fraco, quando se tratava de lutar não era de brincar não.
Como toda doutrina da realeza, sempre tem que haver um herdeiro. Porque senão tiver um herdeiro, quem vai herdar aquele reino todo? Pergunta redundante mas vamos continuar o que eu ia dizendo... Os Van der Bilt eram muito clássicos, tradicionais e não pretendiam mudar tão cedo. Então, logicamente, logo a rainha ficou grávida. Ninguém nunca vira ela tão feliz na vida quanto agora. Independente da doutrina ou não, o sonho dela era ser mãe e ter uma linda princesa. Talvez o rei preferisse ter um filho, mas claro que ele não ficara mais feliz com a nova herdeirinha que estava por vir.
Foram os nove meses mais agitados no reino. As pessoas vinham visitar a rainha e traziam doces, salgados, receitas, mandingas, benção e tudo o que podem imaginar. O pior era o rei, que tinha que correr de lá prá cá acudindo todo mundo, cuidando de tudo, ajudando a rainha que às vezes tinha contrações e precisava de auxílio, comida, pessoas, zunidos, fala-fala, “AAAAAAH” – Gritou o rei de desespero. Estava perdido não sabia por onde começar, ajudar e tudo mais que estava acontecendo ao mesmo tempo. Teve que pedir reforços, mas não podia deixar que algum morador da cidade tivesse esses cuidados pessoais com a rainha. A única pessoa em quem ele conseguiu pensar que ainda estava vivo e era de confiança, era a mãe dela. No mesmo momento que terminou de mandar a mensagem para ela (havia mandando a mensagem pelos ventos), ela aparecera em suas costas com um sorriso cativante no rosto.

- Sabia que ia precisar de minha ajuda a qualquer momento – Ainda sorrindo ela o abraçava e percebeu o quão zonzo e cansado ele estava do corre-corre – Calma, estou aqui agora e vou te ajudar.
— Que bom que a senhora veio depressa. Poxa, ainda está em boa forma, hein? – Disse ele rindo e apertando a mão de sua sogra carinhosamente.
— E você ainda continua engraçadinho! Vamos, leve-me até ela porque a situação aqui está critica demais!

Subiram uma escadaria larga e com pelo menos uns 30 degraus. Sob ela, descia um lindo e magnífico tapete verde de veludo com as bordas azuis marinho. Quando terminaram de subir, perceberam que a situação tava pior do que lá embaixo. O corredor longo estava lotado de pessoas por todo o lado, conversando e esperando para que pudessem servir a rainha algo útil. O rei pensou “Nada disso é preciso, por que essas pessoas estão aqui? Não posso expulsá-las... Mas são tantas...” e Nahar, a sogra, percebeu o olhar de desespero dele e apenas disse:

- A única coisa que você vai fazer é manter a calma. Vou falar com minha família, atender a ela e te ajudo com todas essas pessoas aqui! – A cara do rei não mudou muito, mas pelo menos sabia que ia ter ajuda. Apontou a porta onde a rainha estava.
— Sim, sim! Eu já vou atendê-los. Peço a paciência de vocês, está um pouco corrido por aqui.

Disse o rei para alguns cidadãos que perguntavam se iriam poder oferecer suas coisas para a rainha. Quisera ele que o “pouco corrido” fosse verdade. Aquilo estava uma loucura, um verdadeiro formigueiro vivo... Um formigueiro infernal!

- Oh, minha filha, como você está linda! Tão redondinha e radiante! – Nahar abraçou-a com delicadeza e terminou com um beijinho na testa dela.
— Graças, mamãe! Finalmente você apareceu por aqui. O que é que está havendo lá fora? Magus não me deixa sair do quarto de jeito nenhum e está uma barulheira só! – Lutie parecia um pouco nervosa.
— Calma, ficar nervosa não vai ajudar... Algumas pessoas vieram te receber com presentes e outros utensílios. Magus está tentando organizar tudo lá fora... Se não me chamasse aqui ele acabaria ficando louco. Mudando de assunto, como estão as dores?
— Estão razoáveis... Indo e vindo... Ouch! Como essa... – fez uma cara misturando risada com dor – Mas está suportável, mas só às vezes – Nahar colocou sob sua teste uma toalha umidificada para amenizar o estresse e calor da filha.
— Vou ajudar ele porque tenho certeza que ele está por um fio. Você está bem para receber as pessoas? – Virou-se para abrir as janelas para arejar o quarto.
— Estou sim, mas faça com que isso acabe logo, não sei quanto tempo eu consigo agüentar...
— Está bem.

Nahar se juntou a Magus no lado de fora e organizaram uma fila para entrar no quarto e só iriam entrar pessoas que estivessem trazendo alguma coisa. Pois as que não trouxeram nada, vieram para conversar com a rainha e fazer aquelas perguntas típicas que fazem para grávidas e não íamos perder tempo com o que já fora feito.
Horas e horas se passaram desde que as pessoas começaram a entrar uma por uma no quarto, há não ser quando eram da mesma família. Foram longas 15 horas até que todas as pessoas tivessem entregado seus presentes a ela. Mas só foi esse tempo porque Magus acelerou e muito... Sem muito “nhé nhé nhé” e “blá blá blá”. Era “Oi”, entrega o presente, “Deus salve a rainha” e tchau. Se ele que estava ali orientando as pessoas estava de saco cheio, imagine Lutie que tinha que ficar balançando a cabeça e agradecendo, deitada, sem nem poder levantar pra respirar ar puro.

Chegaram a conclusão de que 60% dos presentes eram roupas para o neném e as pessoas nem sabiam se era menina ou menino. Mas era uma menina. Pareceu um chá de bebê involuntário. Mas pelo menos não teria de se preocupar com roupinhas por muito tempo, fora outras coisas que ganharam como berços, mamadeiras, comidas especiais para bebês, ervas medicinais, brinquedinhos e entre outras coisas.

Finalmente! A hora havia chegado. Finalmente a pequena princesa iria nascer. Foram para o Centro Hospitalar da cidade o mais rápido possível e nem Magus e nem Nahar puderam entrar junto para olhar o nascimento da filha. Os médicos não disseram o porquê, mas pareciam preocupados com Lutie. Isso deixou os dois realmente muito preocupados, mas quando chegaram ela foi direto para a sala de parto então tiveram que aguardar impacientes.
Cinco horas depois, as enfermeiras saem com o bebe enrolado em uma manta, estava chorando um pouquinho. Entregaram-na para Magus que sorriu e brincou com ela. Se chamaria Lumier, Lumier Van der Bilt.

— Posso entrar para ver minha esposa? – Perguntou ele todo sorridente para uma das enfermeiras, mas agora o sorriso das enfermeiras se desmanchara e logo em seguida o médico atravessou a porta com uma cara nada feliz – O que foi doutor? Doutor...?
— Ela não agüentou, Sr. Van der Bilt... Sinto muito.
— Mas... Ela... – Os olhos de Magus nunca estiveram tão molhados, nem mesmo pela maior tempestade que já houveste, suas lágrimas tocaram a pele de Lumier que agora parara de chorar. Nahar pegou a bebê do colo de seu pai e ele se ajoelhou no chão com as mãos no rosto. As lágrimas caindo por entre os dedos. Não acreditava no que estava acontecendo. Tentou-se reerguer e caminhou lentamente com a mão na boca até sala adentro.

Notas finais
Bom, é uma história originada da minha personagem do RPG. Espero que gostem e espero agradá-los também. Críticas construtivas, sugestões, serão sempre bem vindas! Deixem seu review n_n
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.