Lullaby.

1 .for you.


Notas iniciais
por favor, leia escutando: https://www.youtube.com/watch?v=PE5SuFFi1Ic

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Antes de dormir, Albus suspirou audivelmente, encolhido em sua cama, os olhos bem fechados...

Em um recanto de sua memória, encontrou-se diante de um palco escuro.

Com um baque, as holofotes acenderam-se, iluminando um grande e amedrontador piano.

Havia algo de errado, percebeu.

O piano transbordava negligência e frieza, a poeira manchava suas teclas pesadas.

Havia sido completamente esquecido.

Analisou ao redor, reconhecendo as paredes escuras e as cortinas vermelhas e sujas do palco de madeira negra.

Suspirou, passando a mão pelos fios pretos, bagunçando-os, impaciente.

Então, surgiram vozes.

"Meu avô ficará furioso" reclamava um garoto, sendo arrastado por outro.

Eles saíram dos limites das proteções das coxias vermelhas, sendo encarados pelo piano.

Albus agarrou o peito, instintivamente, porque o mesmo doí­a. Já sabia quem apareceria naquele palco ao ouvir a voz tão doce e familiar aos seus ouvidos.

"Por favor!" Insistiu o outro, agarrando-o pelo braço, gentilmente.

"Está bem, está bem." Rendeu-se, caminhando até o piano, que ganhou uma nova imagem.

Parecia limpo, quente, quase feliz. As teclas brilhavam pela limpeza e o reflexo dos dois garotos podia ser visto.

O mais alto sentou-se, esticou os dedos, fechando os olhos. Albus os analisou. O outro, o mais baixo, de cabelos pretos e olhos esmeralda sorria, encarando-o ansioso, apaixonado.

Uma melodia tomou a sala, cortando o silêncio que havia sido posto. Os dedos brancos e longos apertavam as teclas com paixão, as sobrancelhas unidas, como se o jovem rapaz fosse parte do piano.

Albus sentiu que logo começaria a chorar.

Quando o garoto finalizou a música, apertando a última tecla com suavidade, o outro aplaudiu, sorrindo e gritando elogios.

Albus não quis olhar, mas seus olhos caídos no chão não o impediram de ouvir.

"Você me disse que seu sonho é estudar música." O moreno comentou. "Já disse isso ao seu avô?"

"Já." O mais alto assentiu. "Mas ele não me deixa tocar. Diz que não me faz bem."

"Talvez eu possa tocar para você." O moreno corou. "Se você me ensinar..."

Albus não dormiu naquela noite porque assim que a memória afastou-se de sua mente, abriu os olhos, trocou de roupa e aparatou para um lugar que não visitava fazia tempo.

Estava tudo igual; as cortinas, o palco... O piano. Apertou suas mãos com força e caminhou até lá, subindo os três degraus que o levavam ao lugar que fazia seu coração bater mais rápido.

Sentou-se, ignorando os batimentos acelerados.

Fechou os olhos, e sussurrou:

"Para você."

Os dedos deslizaram sobre as teclas e a música mergulhou pelo ambiente. E as memórias, em sua mente...

"Albus, está se esquecendo das teclas pretas!" Reclamou o garoto de fios claros. "Lembra-se do que eu te falei?"

"Acho difícil lembrar das teclas pretas." Albus revirou os olhos. "E não, não lembro!"

O mais alto bufou.

"A vida é o piano. Teclas brancas são a felicidade e as pretas, a angústia. É muito mais fácil ter uma vida feliz, mas com o passar do tempo, você percebe que as teclas pretas formam música também." Disse, cruzando os braços. Albus não disse nada. "Agora venha, volte a tocar."

Seus dedos escorregavam pelas teclas com gentileza, o coração palpitando violentamente.

"Eu não nasci para isso, não sou você! Desisto!" Resmungou afastando-se do piano.

"Vamos, Albus. Se você ficar com raiva do piano, ele vai ficar com raiva de você também." Os olhos azuis acinzentados o analisaram. "Venha. Tente mais uma vez."

Suspirou e voltou-se a sentar.

Os olhos esmeraldas começaram a arder, ao que continuava a tocar a música que cortava seu coração.

Era um tolo.

Nunca deveria ter pedido para ele o ensinar a tocar.

Enganara-se, dizendo que apenas tinha interesse no piano e não no pianista.

Naquele maldito idiota que não podia se aproximar de um piano; porque Scorpius Malfoy de apaixonara pela música de tal forma, que tê-la em sua vida o enlouquecia.

Albus terminou de tocar, os lábios tremendo.

"Você melhorou." Ouviu aquela voz familiar, que nunca deixaria sua mente em paz.

Limpou as lágrimas com rapidez e virou-se no banco, vendo Scorpius parado, meio escondido, entre as coxias vermelhas.

"Obrigada." Corou, abrindo um sorriso tí­mido, sentindo-se um idiota. "Aprendi com o melhor."

Scorpius baixou a cabeça, ficou por ali por alguns segundos, porque sabia que Potter dedicara a música para ele, e se retirou.

Albus socou as pernas, as mãos fechadas em punhos e só se deixou chorar quando ouviu a porta dos fundos bater.

Porque Scorpius não o ensinara apenas a tocar piano, ensinara o significado de perder alguém também.

Notas finais
leia escutando: https://www.youtube.com/watch?v=PE5SuFFi1Ic

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