Lugar estranho
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Eram onze horas da noite quando acordei em um ambiente estranho. Haviam árvores, muitas árvores e o clima era muito quente. Apesar de todo o verde a minha volta eu me sentia como se estivesse no deserto, por isso tirei meu casaco de couro sintético e o amarrei na cintura. Eu pensei em amarrar os meus longos cabelos, procurei nos bolsos da minha calça alguma coisa para prendê-lo, não encontrei. Também não tinha nada no meu braço. Então aproveitando o ambiente peguei um galho partido do chão mesmo. Já me acostumei a usar canetas para prender o cabelo, então não foi difícil.
Segui em frente, meu pai sempre me disse que quando se está em um lugar estranho, deve-se seguir em frente até conseguir ajuda, se você andar em linha reta é mais difícil se perder. Então segui a lógica do meu pai, indo sempre em linha reta por aquele lugar estranho em meio à escuridão.
Eu estava sozinha à noite, dentro de uma floresta. Minha tia ia amar esse lugar, ela tinha verdadeira adoração por explorar o desconhecido. Vivia viajando por tudo quanto é lugar, papai sempre se preocupava e a alertava que um dia alguma dessas explorações iria matá-la. No final das contas ela morreu no conforto do próprio lar devido a um ataque fulminante durante o banho.
Eu perdida em uma floresta escura e sinistra, pensando em minha tia. Ironicamente eu me sinto mais segura aqui que na minha própria casa, mas eu tenho uma irmã que precisa de mim. Desde que minha tia faleceu, papai não é mais o mesmo. Ele nos batia sempre que bebia, e bebia constantemente então...
Durante minha longa e exaustiva caminhada pela floresta, eu consegui ralar meus joelhos deslizando para sabe-se lá aonde. É, foi-se pro brejo a ideia de seguir em linha reta. Limpei-me o máximo que pude e continuei caminhando. A vida é assim, cair e levantar. Segui em frente como sempre fiz, mas dessa vez eu precisava de muito mais do que apenas pôr um sorriso no rosto e dizer eu vou ficar bem. A cada passo eu me feria mais, não eram só as constantes quedas, muitas vezes eram galhos que me raspavam.
‘Ah! Ótimo, um galho acertou meu pescoço. Não é profundo, mas preciso dar um jeito.’
Vi um pé de babosa, minha tia tinha uma estufa inteira dessa planta, dizia que ela era ótima para curar e cicatrizar feridas. Peguei uma pedra e usei para cortar uma das folhas. Usei a mesma pedra para abrir parte dela ao meio e usei a gosma branca que tem dentro dela nos meus ferimentos. Eu pensei em levá-la comigo, mas não tinha onde colocá-la e também achei que me atrapalharia durante o caminho.
Mais ou menos uma hora depois eu parei. Havia um urso bem na minha frente, e ele não parecia estar muito feliz de me ver. Lembra do ursinho pooh, ou dos ursinhos carinhosos? Então... esqueçam eles. Esse urso não era nada fofinho e estava me encarando com olhos famintos. E eu? Eu estava desarmada, não havia nada ali pra me ajudar.
Eu poderia correr, mas isso não seria inteligente só o atiçaria mais e eu também não tinha altura suficiente pra usar a técnica de se ficar maior que ele.
O animal aproximou-se com uma calma assustadora, ele não tinha porque ter pressa, eu era uma presa fácil e tenho certeza de que ele via nos meus olhos que eu não fugiria. Eu não tinha motivo algum pra fugir, eu havia perdido a esperança. Quando estava perto o suficiente ele me golpeou com suas garras e eu bati com as costas em uma das muitas árvores que havia ali. A lua estava cheia, enorme e tão solitária quanto eu, não havia estrelas no céu quando os dentes daquela besta selvagem estraçalharam meu pescoço e perdi a consciência.
Eram onze horas da noite quando acordei em um ambiente estranho...
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