Luffy-ya
25 Aokiji
Barba Negra colocou as mãos nos olhos que ardiam como nunca.
Laffitte que acabara de pousar onde antes estava Trafalgar olhava frustrado ao redor, depois de ver que era tarde demais e que eles haviam perdido os Chapéus de Palha, ele suspirou e sorriu.
“Belo tiro, Auger! Foi fatal?”
Auger andava calmamente, serrando os olhos tentando enxergar um pouco melhor e com a voz rouca disse: “Não sei...mal consigo ver, eu atirei no vulto e sei que acertei, mas não sei aonde.”
“Huuum...vamos torcer que tenha sido, então!”
Doc Q foi em direção a Barba Negra, segurando sua cabeça e forçando-o a abrir os olhos. O que seria algo normal, logo virou uma situação estranha, quando as ações de Doc Q – nada delicadas – acabaram por causar dor em Barba Negra, que ao invés de agir como sempre agia, pegou o médico pela roupa e o arremessou longe.
“O que pensa que está fazendo!”
Doc Q deu umas tossidas.
“Se não quer atendimento médico é só dizer...”
Laffitte que já estava chutando Burgess na tentativa de acorda-lo parou ao ver a situação.
“Pare ai!”
Doc e Barba Negra olharam para ele, um em dúvida o outro bravo.
“Como é que é?” Barba Negra disse se levantando, em uma de suas mãos o poder da Gura Gura já podia ser visto.
Laffitte ignorou o Yonkou e voou em direção a Munsell que fugia lentamente, porem ao passar perto de Barba Negra, este o pegou pelo pé e jogou no chão.
Doc percebeu do que se tratava mas o velho já estava longe e para piorar o navio deles já podia ser visto chegando no horizonte. Aquilo enfureceu ainda mais Barba Negra, que ainda segurando Laffitte pelo pé o arrastou e levantou, o deixando de ponta cabeça.
“Então é isso?! Vai me trair? Um complô contra mim!?”
Laffitte só cerrou os olhos, se recusando a responder. Falar qualquer coisa só deixaria a situação ainda pior.
Munsell estava a fugir mas notou uma sombra e olhando para trás viu Shiryu.
“Onde pensa que vai?”
“Embora.”
“Acho que não. Não sei o que fez com nosso capitão, mas você vai trazê-lo de volta ao normal.”
Munsell já era velho, sabia-se lá quantos anos ele ainda teria, e depois de realizar o seu sonho –encontrar o submarino que ele idealizou e ajudou a construir, todos os ali presentes estavam a destruí-lo.
“E você vai fazer oque? Me deixar nervoso não é uma boa ideia.”
Foi Munsell dizer isso que o submarino começou a tremer e ambos viram Barba Negra furioso enquanto Laffitte tentava se afastar.
Munsell se ajoelhou no chão tocando o mesmo como se fosse um bichinho de estimação, Shiryu olhou rapidamente para ele como se ele fosse louco e correu em direção aos outros – dane-se o velho!
O submarino estava cada vez mais instável, Munsell sabia que não havia muito o que fazer, os danos eram demais para suportar. A parte danificada iria afundar e arrastar a parte inteira. Fazia tempo que ele não sentia tamanha dor.
Depois de tantos anos sem saber o que aconteceu, ele chegou lá só para saber que os seus companheiros estavam mortos, e o pior, seu querido projeto havia sido esquecido e agora não poderia mais navegar.
Ele tinha um sonho, uma vontade; e por mais egoísta que fosse esse sonho não era encontrar o seus companheiros, isso era uma consequência, mas sim encontrar o seu submarino.
Ele iria encontra-lo e traze-lo de volta.
Mas agora era tarde demais, ele era velho, sabe-se lá quanto tempo ainda lhe restava. Se o destino queria que ele encontrasse o seu submarino somente para afundar junto dele que assim seja.
Em meio ao caos, até mesmo a fúria de Barba Negra parecia ter diminuído. Eles tinham que fazer algo ou todos iriam afundar com o submarino. O navio deles estava lá, mas ainda assim estava muito longe.
O submarino inclinava e inclinava, a agua avançava pelos buracos no casco fazendo com que um lado ficasse cada vez mais pesado. Todos correram para direção oposta – os Chapéus de Palha já não eram mais sua preocupação, todos tentavam ganhar tempo de alguma forma.
Todos menos Munsell que ficou sentado esperando, até a agua quase tocar nele.
Mas antes que tocasse toda a agua em volta congelou e o submarino que estava afundando parou de afundar, agora estava preso em meio a grossa camada de gelo.
Todos estavam aliviados, mas Munsell soltou um ar de desapontamento.
Andando no gelo chegou Aokiji.
“Vocês me chamaram e eu achando que era por outro motivo e não para salvar vocês.”
Aokiji olhou e viu como Barba Negra estava alterado, não dando tempo para ele fazer qualquer coisa ele congelou suas pernas o prendendo ao chão. Enquanto Doc aproveitou a situação para seda-lo.
O Ex-Almirante caminhou calmamente até o velho cabisbaixo e de joelhos no chão.
“Poderia liberar o meu aliado da sua influencia?”
Munsell nem se mexeu, olhando para o chão ele respondeu.
“Pronto.”
Nenhuma outra palavra foi dita, todos os demais se usaram do caminho feito com gelo para caminharem até o navio, ficando somente Aokiji e Munsell no submarino.
“Então esse é o projeto fantasma?”
“Fantasma?” Aquilo parecia ter chamado a atenção de Munsell.
“É. Eu nunca ouvi falar muito dele, só sei que ele existiu e depois nada, nenhuma palavra a respeito.”
“Então foi isso que eu virei para a Marinha, um nada? Um fantasma?”
“Tudo o que pode causar constrangimento a Marinha ou ao governo é convenientemente esquecido.”
Os dois se entreolharam, a idade podia ser diferente, mas os olhos de ambos eram velhos.
“Hehehe” O velho riu. “Quando foi que você acordou para a verdade?”
Aokiji parou e pensou em suas memórias o extermínio de Ohara era tão claro como se tivesse acabado de acontecer.
“Quando eu era Vice-Almirante, um acontecimento não só me acordou como também me abriu os olhos. Mas entre acordar e de fato fazer alguma coisa demorou anos.”
“Conforto e poder?”
“Não. Eu achava que tinha poder para mudar algo...”
“E agora você tem? Se unindo a ele?”
“Você também fez o mesmo...” Munsell chegou a abrir a boca, mas antes que dissesse algo Aokiji continuou a falar.
“Não quero que ele vença, mas também não quero que as coisas continuem do jeito que estão. Eu preciso de uma alavanca, eu preciso estar no centro da tempestade, e ele pode me proporcionar isso.”
O silencio pairou entre eles.
E depois de um tempo Aokiji falou novamente.
“Vamos, esse gelo não vai durar para sempre.”
“Eu não vou.”
“Tem certeza? Esse lugar ira afundar”
“Sim, eu tenho. Esse é o meu projeto, meu sonho, ele nunca vai afundar e se afundar eu irei com ele.”
Aokiji olhou ao redor, não havia nada naquele lugar, mais ninguém além deles e um esqueleto jogado ao longe. Vendo o velho e o que restara de tudo o que ele fez em vida, ele concordou com a cabeça.
Se essa era a vontade do senhor, que assim seja.
Ele já estava andando quando ouviu o velho falar pela ultima vez.
“Você pode achar esse gesto patético, mas quanto tempo ainda me resta? Você não sabe meu nome nem mesmo o nome desse projeto ou das pessoas envolvidas. Todos nós morremos décadas atrás, que diferença faz?”
Aokiji não respondeu, o velho tinha razão.
Não importava o quão importante aquilo havia sido, o quão valiosas as pessoas que lá estiveram um dia foram. No momento que eles se tornaram uma mancha da Marinha, um incomodo para o Governo, eles passaram a serem nada.
Da mesma forma que ele hoje os achou, a Marinha podia muito bem ter os achados anos atrás.
Eles foram abandonados, deixados para trás e esquecido. E aquele infeliz que ficou para trás também foi enterrado com eles.
Aquilo não era vida, viver vagando e se remoendo em dúvida e culpa. Se o velho queria passar seus momentos finais ali, ele iria deixar.
Ali eles partiram caminhos, Munsell ficou com o seu desejado projeto, Aokiji foi embora com Barba Negra.
Todos tiveram muita sorte no dia de hoje e por isso ele iria estender essa sorte para os Chapéus de Palha – mesmo tendo visto o navio deles, ele não atacaria.
O Chapéu de Palha é realmente um rapaz de muita sorte – ou ele está ficando mole com a idade.
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