Lucy In The Sky With Diamonds
1 Look for the girl with the sun in her eyes
Notas iniciais
Imagine-se em um barco num rio
Com árvores de tangerina e céus de marmelada
Alguém lhe chama, você responde lentamente
Uma garota com olhos de caleidoscópio
O sol brilhava no ponto mais alto do céu, mas mesmo assim, as folhas das árvores se balançavam com um vento fresco que vinha do sul. O vento se infiltrava nos cabelos ruivos de Lucy fazendo com que o cheiro de tangerina de seu shampoo invadisse minhas narinas sem pedir permissão. Merlin, por que ela tem que ser tão teimosa? A garota estava sentada ao meu lado emburrada por ser obrigada a conviver comigo todos os dias.
− Lucy, qual o seu problema em admitir a verdade? − retruquei também emburrado e ela virou-se para mim com seu mais ferino olhar naqueles olhos verdes de caleidoscópio que estavam sempre me espiando nos meus mais lindos sonhos, ou mesmo, nos meus piores pesadelos.
− Se você falar mais alguma idiotice eu acerto um soco bem dado no meio dessa sua cara pálida. − devolveu a garota esboçando um sorriso cínico que me fez tremer nas bases. Ok. Se tiver uma coisa que se precisa saber nessa história é que as garotas Weasley batem mais forte do que os batedores brutamontes da Lufa-Lufa. Desde Lily a Molly, todas elas têm pacto com a Fiona.
− LUCY, NÓS VAMOS NOS ATRASAR! − gritou uma voz ao longe e eu joguei todas as pragas que conhecia em quem quer que estivesse chamando Lucy justo naquele momento quando eu estava quase conseguindo alguma coisa ela. Ok. Talvez eu não estivesse conseguindo nada, mas, pelo menos, teria tido mais chance de tentar se não fosse pela maldita sombra humana Margaret Corner.
A ruiva apressou-se a arrumar seus pertences o mais rapidamente possível e saiu correndo sem nem dar tchau. Mal educada. Por um momento eu tivera esperança de que pudesse conquistar Lucy Weasley apenas com meu charme, mas aquela garota era mais difícil do que entender alguma coisa em História da Magia. O que nos leva a parte boa disso, foi assim que chegou o maravilhoso professor de História da Magia e pediu para que a melhor aluna do sexto ano ajudasse o pobre Oliver Goldstein que vinha tendo dificuldades com a matéria.
Perfeito. Perfeito.
Seria mesmo, se não fosse trágico.
Flores de celofane amarelas e verdes
Elevadas sobre a sua cabeça
Procure pela garota com o sol em seus olhos
E ela se foi
− Eu ainda não sei por que estou vindo no baile com você. − murmurou a garota enquanto dançávamos uma música lenta que o DJ havia sintonizado. Francamente, eu não estava nem ligando para o motivo daquilo, apenas para aquilo. Eu estava no baile com a garota mais insuportável de Hogwarts e suas bochechas estavam corando só porque eu estava sorrindo para ela (ou pelo menos, eu quis acreditar que esse era o motivo).
Por isso que dizem que a esperança é a última que morre.
− Eu acho que você finalmente percebeu o partidão que tem na sua frente. − provoquei e ela se limitou a girar os olhos rindo discretamente. Lembrei-me do tempo em que eu levaria um tapa devastador na cara que me deixaria de molho no quarto por alguns bons dias por vergonha de me expor a humilhação pública de todos saberem que eu fui praticamente açoitado por uma garota.
− Você deveria parar de ser metido, antes que eu te abandone aqui no meio do baile. − disse finalmente e apoiou a cabeça no meu ombro enquanto nos sacolejávamos para lá e para cá. Meu coração estava batendo como nunca e eu ficava envergonhado só de saber que ela estava escutando de camarote toda aquela festança lá dentro e deveria estar morrendo de rir internamente.
A música parou e os casais foram se retirando um a um da pista enquanto eu e Lucy nos encarávamos em silêncio. Eu realmente queria beijá-la. Ela tinha o sol nos olhos. E naquela noite, mais do que em todas as outras que viveríamos depois, ela estava magnificamente maravilhosa. Eu tinha impressão de que cada pessoa que passava por ela a olhava de cima a baixo e se impressionava com tamanha beleza. Ela estava calculadamente montada para mim.
Mas assim como nós dançamos em perfeita sincronia, ela se foi.
Em perfeita sincronia.
Siga-a abaixo em uma ponte através de uma fonte
Onde pessoas de balanço de cavalinho comem tortas de marshmallow
Todos sorriem enquanto você é levado através das flores
Que crescem tão inacreditavelmente alto
− Três palavras, você só precisa responder. Quer casar comigo?
E eu mal conseguia ouvir sua voz porque era como se fogos de artifícios estivessem estourando em toda parte. Ela pulou em mim sem fazer cerimônia e eu senti o cheiro de shampoo de tangerina e torta de marshmallow invadindo o meu sistema respiratório. Era inacreditável como só ela conseguia possuir aquela fragrância tão estranha e continuar sendo a minha Lucy de olhos de caleidoscópio e cabelos cor de fogo.
− Eu amo você. Isso é tudo o que precisa ouvir. − sussurrou e me tascou um beijo ali mesmo, no meio da cozinha dos Weasley com todos os seus primos, irmã, pais, avós, agregados e sabe-se-lá mais quem estivesse filando bóia por ali naquela noite tão maravilhosa de Natal. E como se fosse a primeira vez parecia que meu coração ia sair pela boca a qualquer instante.
Nós tivemos um Natal maravilhoso, cheio de parabéns, biscoitos e uma torta especial de marshmallow feita por Lucy, mas ela estava tão dura que nós não comemos, então, ela quis brigar comigo por ser tão insensível, mas logo caiu na gargalhada porque a torta estava realmente horrível e entre todas as inúmeras qualidades de Lucy, a culinária não era uma destas.
Táxis de jornal aparecem à margem do rio
Esperando pra te levar
Suba na traseira com sua cabeça nas nuvens
E você se foi
− Esse lugar parece incrivelmente mágico! − Ela suspirou do alto da Torre Eiffel observando o céu azulado que se apresentava em toda a sua beleza. Eu mal podia conter o riso enquanto fitava a sua expressão especialmente maravilhada com tudo aquilo ao seu redor.
− Não mais mágico do que você. − retruquei e seu rosto tingiu-se de vermelho fazendo-a soltar várias gargalhadas que chamavam atenção de todos ao nosso redor. Lucy nunca soube ser discreta, afinal de contas, onde quer que ela vá precisa ser o centro das atenções porque ela foi criada para isso.
Descemos da torre e comemos uns biscoitinhos coloridos em uma confeitaria qualquer, como ela mesma dissera, aquilo realmente parecia mágico. Não os biscoitos, claro. Estar ali em Paris curtindo a nossa Lua de Mel quando aproximadamente cinco anos atrás ela me odiava e, diga-se de passagem, eu também a odiava por isso queria fazê-la sofrer caindo nas minhas armadilhas.
O feitiço virou contra o feiticeiro − literalmente.
Hoje sou eu o bobo apaixonado.
Imagine você mesmo em um trem numa estação
Com porteiros de massa-de-modelar com gravatas de espelho
De repente, alguém está lá na catraca
A garota com olhos de caleidoscópio
Fazia tempo que o primeiro de setembro não era tão movimentado em casa. As memórias dos meus tempos de colégio passavam como um flash pelos meus olhos enquanto eu ajeitava a Rede de Flu para a nossa viagem. Roupas, penas e livros voavam para todo lado enquanto Lucy tentava ajudar Jude a arrumar suas coisas para seu primeiro ano letivo em Hogwarts.
As duas chegaram correndo com os cabelos vermelhos voando libertos e os mesmos olhos verdes de caleidoscópio pintados na figura da mulher e da pequena garotinha que parecia um tanto intimidada pela idéia de passar um ano fora de casa. Sem mais delongas, nos transportamos com o pó de flu e nos deparamos com uma Estação de Trem realmente abarrotada.
Algumas cabeças ruivas circulavam para lá e para cá, mas não tínhamos tempo de cumprimentar os familiares, Jude estava atrasada. Em uma correria desenfreada nos embrenhamos pelos vários passageiros a fim de chegar de uma vez no ponto de partida. Hagrid estava ali sorrindo para nós (Merlin, quantos anos essa criatura tem?), os dois atrasadinhos.
Depositei um beijo na testa de Jude e Lucy fez o mesmo.
− Alguma pergunta de última hora? Fique longe de garotos! − exclamei ofegante encarando os olhos de caleidoscópio daquela miniatura da minha esposa.
Jude apenas girou os olhos e sorriu.
− Eu vou ficar bem, paspalhos! − exclamou e saiu correndo para embarcar no Expresso de Hogwarts.
Eu e Lucy nos encaramos, surpresos, e então rimos porque algumas coisas realmente nunca mudam.
− O tempo passa tão rápido. − suspirou ao meu lado acenando para nossa filha na janela do trem.
Sorri observando-a de cima abaixo, as pequenas rugas começavam a se formar gradativamente e ela já não tinha a mesma energia de sempre, mas os olhos...
Ela era a garota dos olhos de caleidoscópio.
Notas finais
Mentira, nem gosto, mas enfim...
Eu amo reviews. *-*
Beijo!
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