Lucky Ones

1 Lucky Ones - capítulo único


Notas iniciais
Com a música da Lana Linda Del Rey... Ah, a fic é um BIG spoiler de A Casa de Hades, então...

Lucky Ones

“I got so scared, I thought no one could save me

You came along, scooped me up like a baby

Every now and then the stars align

Boy and girl meet by the great design

Could it be that you and me are the lucky ones?”

–Voltarei para você, Calipso — disse ele ao vento da noite. — Juro pelo Rio Estige.

A jangada deslizou pela água cristalina afastando-o de Ogígia, na ilha a garota de cabelos caramelos não aguentou mais segurar as lágrimas deixando-as deslizar pelo rosto. Nunca era fácil, vê-los partir herói após herói sempre voltando para seus lares, amigos e familiares e ela sendo deixada para trás.

Calipso caiu de joelhos na areia não mais suportando o peso de sua própria tristeza. Estava cansada de sempre ser deixada para trás, cansada de sempre se apaixonar para em poucos dias ter seu coração partido, de novo, de novo e de novo...

Respirou fundo e limpou as lágrimas. Era seu destino, sua sina. Escolhera-o quando decidiu apoiar o pai na guerra contra os olimpianos, mas não podia negar, depois de três mil anos ficava cada vez mais difícil ver seus heróis, seus destemidos irem embora.

Não queria se apaixonar por Leo, tentou a todo custo não se apaixonar por ele. Fora rude, arrogante e insuportavelmente chata, tentara ao máximo manter-se afastada, mas como sempre foi impossível.

As covinhas em seu rosto quando sorria, os cabelos desgrenhados e o olhar determinado em seu rosto quando teimava em fazer algo...Deuses! Como poderia não se apaixonar por ele?!

E dessa vez, quando ele teve que partir (afinal eles sempre tinham!) fora a pior de todas. Um milhão de vezes pior.

O que mais a afligia era a promessa que ele havia feito, uma promessa muito perigosa. Nenhum homem poderia encontrar Ogígia duas vezes e Calipso sabia que com Leo não seria diferente, por isso seu juramento era tão perigoso, os deuses sempre cobravam um juramento feito em nome do Estige.

Deuses! As Parcas eram cruéis.

Calipso observou o horizonte onde a jangada de Leo havia desaparecido ansiando para que as ondas o trouxessem de volta...mas, ele não voltou. O sol se pôs e por mais um par de horas ela ficou ali sentada na areia, esperando...

–x-

Muito tempo passou desde o dia em que Leo teve de partir, Calipso não sabia dizer quantos dias, parara de contá-los ao ver que isso a levaria à loucura, as vezes se pegava observando o horizonte ficava horas parada olhando para o nada e pensando em tudo...Era nesses momentos em que desejava nunca ter apoiado o pai, se não tivesse ficado ao seu lado não seria amaldiçoada, sua vida teria sido bem diferente..mas, as vezes ela pensava que, se não tivesse sido largada naquela ilha não teria conhecido todos os homens que conhecera, principalmente Leo, nunca teria conhecido-o, não saberia quem ele era. Era nesses momentos que Calipso chegava à conclusão de que uma vida de liberdade não teria valido a pena se não o tivesse conhecido.

Com os joelhos enfiados na terra, a garota cuidava de seu precioso jardim. Era a única coisa que tinha, a única coisa que lhe distraia os pensamentos. Quando cuidava de seu jardim Calipso esquecia de todo o sofrimento nem que fosse por apenas algumas horas, estava tão compenetrada que não notou o homem de camiseta e bermuda parado ao seu lado.

– Esse jardim está cada dia mais bonito –disse ele.

– Hermes! –Resfolegou ela recuperando-se do susto que levara. – Não pode anunciar sua chegada? Você sempre me assusta. –reclamou ela.

– Me desculpe! –desculpou-se ele sem arrepender-se de verdade. –Mas, o que você queria? Fogos de artifícios e trombetas?

Calipsou bufou e manteve-se quieta.

– Você estava tão compenetrada ferindo a terra com sua pá de jardinagem que não quis estragar o momento. –ele zombou. –Era quase poético, tanta fúria e determinação a cada enterrada que você dava na areia...

– Isso, continue zombando –disse ela –Vocês deuses adoram deliciar-se à custa do sofrimento alheio, não? Para vocês tudo não se passa de uma peça teatral, uma tragédia grega que nunca termina. –sua voz era raivosa e melancólica, seu olhar triste nunca deixava seu rosto. Hermes suspirou, gostava de Calipso apesar de tudo, não achava o destino da garota muito justo, ela já tivera sua cota de maldição...

– Calipso...eu sinto muito. –disse ele.

– Pelo que, Hermes? Pela maldição que me foi imposta por apoiar minha família? Ou por todas as vezes que tive meu coração partido vendo meus heróis irem embora? Pelo o que você sente muito, exatamente??

Hermes admirava a sinceridade dela, ela não se intimidava na presença dele, nem de Hefesto ou qualquer outro deus que viesse visitá-la (não que os outros viessem...). Ela era forte, destemida e de certa forma intimidadora, por trás da eterna tristeza...uma espécie de fogo escondido no íntimo de seu olhar.

– Por tudo...-ele falou baixo, não encarando-a.

– O que você quer afinal? –perguntou ela, seu humor não estava dos melhores.

– Bem, você sabe quais as minhas funções para com os deuses não é? –perguntou ele mais animado.

– Roubar? –ela respondeu azeda, recebendo um olhar de censura.

– Calipso...-ela a repreendeu e viu um traço de arrependimento passar por seus olhos castanhos – Sou o mensageiro dos deuses, Calipso.

– E você por acaso tem alguma mensagem para mim? –perguntou ela, enquanto plantava mudas de enlaces lunares na terra recém-mexida.

– Na verdade...tenho algo melhor. –ele falou.

Calipso encarou-o sem entender o que ele estava insinuando, esperava por uma resposta mais esclarecedora.

– Eu realmente desejo que você seja feliz! -ele sorriu olhando para o mar, em direção ao horizonte antes de simplesmente desaparecer.

Calipso olhou para o mesmo lugar em que minutos antes Hermes olhava, um barco se aproximava da praia.

Ah não! Pensou ela, de novo não. Mal se recuperara da partida de Leo, e as Parcas já estavam lhe mandando outro herói, outro por quem ela estava fadada a se apaixonar para depois ter seu coração partido. Ela sentia uma onda de raiva subir-lhe pela garganta e estava prestes a começar a praguejar contra os deuses quando reparou no rapaz que comandava o barco, sua silhueta estava recortada contra o por do sol, mas ela podia reconhecer os cabelos rebeldes do jovem...

– Impossível — ela sussurrou deixando cair a pá que estava em sua mão.

O barco aproximou-se da praia a cabeça de um dragão chiava na proa, um pequeno bote foi baixado até a água carregando o garoto com ele, Calipso podia jurar que estava delirando, talvez o sol quente estivesse lhe causando algumas alucinações, ele desceu do bote e olhou para ambos os lados, o sol refletia em seus cabelos castanhos.

– Calipso!!!! –ele gritou a plenos pulmões chamando por ela, foi só então que ela percebeu, não estava delirando. Ele estava ali, Leo estava ali.

Ela correu, desceu a colina correndo descalça pela grama mal sentindo o momento que ela tornou-se areia, Leo sorria abertamente enquanto ela ia de encontro a ele, ela diminuiu o ritmo até estarem frente a frente, ofegava por causa da corrida, mal acreditando em seus olhos. Ele estava ali, Leo estava ali, em Ogígia uma secunda vez...

– Como...-ela não terminou de falar, antes que pudesse pensar no final da frase, Leo segurou-a pela cintura trazendo-a mais para perto. O beijo foi intenso, como um fogo que queima tudo o que está ao seu redor ela deixou-se ser consumida por aquele sentimento que emanava dele, paixão, desejo, amor...

– Eu prometi que voltaria não foi? –ele falou sorrindo para ela. –Eu sempre cumpro uma promessa. –ele sussurrou seus lábios contra os dela.

– Sim, você prometeu.

– E por você, eu cumpriria qualquer promessa. Eu atravessaria o Tártaro para resgatá-la se os deuses tivessem me pedido.

– Leo...

– Shhhh –ele falou colocando um dedo sobre os lábios dela. –Não diga mais nada, ok?! Apenas vamos para casa. –ele disse segurando sua mão e sorrindo, o sorriso mais lindo que ela já vira.

– Para casa?!

– É, para casa...

“Every now and then the stars align

Boy and girl meet by the great design

Could it be that you and me are the lucky ones?

Everybody told me love was blind

Then I saw your face and you blew my mind

Finally, you and me are the lucky ones this time

Feels like, feels like, you know it feels like

Falling in love for the first time

Feels like, you know it feels like

Falling in love

Every now and then the stars align

Boy and girl meet by the great design

Could it be that you and me are the lucky ones?

Everybody told me love was blind

Then I saw your face and you blew my mind

Finally, you and me are the lucky ones this time”

Notas finais
Então, o que acharam?? Acho essa música linda e combinou perfeitinho com a história :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!