Lucky I'm in love with my...best friend
1 Capítulo Único
Notas iniciais
‘Sortudo... Por estar voltando para casa’ sorriu e apertou o botão de enviar. Não via a hora de por os pés em Konoha, sua terra natal, e mais ainda não via à hora de vê-la. Sakura.
Quanto tempo havia se passado desde que estiveram realmente juntos? Uns 2 anos, talvez? Uma coisa era certa, fazia 5 anos que estivera fora. Fora obrigado a se mudar para Nova Orleans a fim de tomar a frente à empresa que herdaria de seu pai, e não pode negar devido a ‘obrigação’ e, claro, a paixão por robótica, e agora após resolver a maioria das coisas e deixar o resto a cargo de Itachi — seu irmão mais velho – poderia finalmente voltar para casa. Voltar para Ela.
Não sabia como e nem o que fizera para merecer alguém como Sakura, para ela permanecer ao seu lado mesmo com a distância entre ambos, apenas se sentia o cara mais sortudo do mundo por ter encontrado a mulher mais que perfeita, sua melhor amiga e por que não a mulher de sua vida? Queria que ela estivesse ali ao seu lado, ter ido a essa longa viagem com ele. Há tantas coisas que aprendeu e queria que ela também visse. Que compartilhassem a mesma experiência.
Por várias vezes pegava-se imaginando se ela poderia escutá-lo, mesmo que em pensamentos, em seus desejos e sonhos mais profundos, pois ele sim. Sentia-a próximo de si, em cada sonho que tinha em cada coisa bela que via pelas ruas o lembrava dela, principalmente quando andava pelo French Quarter e toda aquela arte esbanjando vida, não que de fato apreciasse, mas sim por Sakura sempre lhe explicar a essência por detrás dos quadros a maravilha oculta que o autor transmitia, que para ele não passavam de uma tela com rabiscos. Tudo o fazia se lembrar de sua amada, não estava se aguentando de saudade e mesmo agora que estava prestes a atravessar esse imenso oceano que o separava de sua felicidade essa sensação apenas aumentava.
Você me escuta? Estou falando com você
Através das águas, do outro lado do profundo oceano azul
Sob o céu aberto, oh, nossa, meu bem, estou tentando
Felicidade transbordava de si assim que recebeu a mensagem que mudaria seu dia, a mensagem que esperou por anos. “Ele está de volta”, pensou consigo mesma antes de se jogar nos braços de Ino que acabara de passar pelo corredor de sua sala “Ele está voltando Porquinha! Ele está voltando!” disse assim que esta conseguiu soltar-se de seu abraço de urso e saiu corredor a fora. Parecia que estava nas nuvens.
Foram 5 anos em que ele precisou morar fora do país. Lembrava-se de como ficou assim que ele anunciou sua ausência, foi uma semana tensa para ambos, porém feliz já que passaram cada minuto juntos aproveitando a companhia um do outro.
As primeiras semanas foram as mais difíceis, Sakura estava acostumada a dormir com ele ao seu lado ou mesmo ligar antes de dormir — o que se tornou difícil devido a fusos diferentes.
Tanto lugar para ir e fora justamente mandado a Londres? Não que detestasse esse lugar, muito pelo contrário, Londres era a cidade que mais lhe agradava, tinha planos futuros de passar uma temporada por lá. Tal cidade cheia de vida com sua arte diversificada era o que mais lhe chamava a atenção. Ouvia Sasuke falando ao telefone sobre os pontos turísticos e tentando lhe explicar tudo o que via, ficava atenta a cada detalhe das fotos que o mesmo mandava e lamentava não poder estar junto a ele, seu trabalho no Hospital Central de Konoha era puxado, ser a diretora geral não a deixava livre para relaxar e sim mais e mais trabalho.
Toda noite tentava imaginá-lo, sua mente o desenhava contando coisas rotineiras, o embaraço por ela estar próxima demais em lugares públicos e suas tentativas falhas de tentar afastá-la que sempre acabava em risos da parte dela e amava ainda mais a maneira possessiva como ele a olhava.
Às vezes podia jurar que escutava sua voz, poderia parecer loucura, mas ela o sentia, o mantinha ali em seus sonhos. Esses pensamentos a deixavam mais tranquila, suas mensagens ao amanhecer, mesmo que para ele esteja anoitecendo, a faziam levantar e suportar mais um dia sem sua presença.
Garoto, eu te escuto em meus sonhos
Eu sinto você sussurrar através do mar
Eu mantenho você comigo em meu coração
Você torna mais fácil quando a vida fica difícil
Olhando pela pequena janela do avião sua mente o levou para o dia em que a chamou para conversar no parque próximo a saída da cidade, naquele banco que ela sempre dizia ser o ponto da felicidade de ambos, ele na verdade não achava lá essas coisas, era um banco de cimento simples que dava vista para uma pequena mata fechada e atrás desse tinha uma árvore com folhas em um tom rosado com leves toques alaranjados, mas o vê-la relembrava o dia em que finalmente se declararam, não podia deixar de sentir certo apreço pelo lugar. Sorriu consigo mesmo ao ver a imagem de Sakura exatamente como estava naquele dia; linda com suas madeixas rosa em um coque frouxo com fios pendendo ao lado emoldurando seu rosto, que estava com um leve rubor por causa do vento frio que passava por ali fazendo a visão ficar mais fascinante ainda. O embaraço mútuo fez da situação a mais constrangedora possível, uma coisa ridícula para ele já que se conheciam desde a infância. Toda aquela tensão tinha uma explicação que se devia ao fato de Sakura – sem querer — ter dito que o amava uma semana antes enquanto estavam na festa de seu melhor amigo – Naruto — ela estava meio solta por causa das bebidas, mas ainda em sã consciência para sair correndo assim que disse em voz alta para que Ino a escutasse e justo nesse exato momento as caixas de som pifaram fazendo os que estavam por perto olhá-la de forma surpresa e um tanto divertida. Uma semana havia se passado e ele não conseguia falar com ela — não por falta de tentativa – pois Sakura sempre dava um desculpa, mas foi só até aquele dia quando disse que estaria a esperando e que não sairia de lá até que a mesma aparecesse, tinha certeza que iria já que uma coisa que ela sabia muito bem era que Sasuke sempre cumpria o que dizia, conseguia ser persuasivo quando queria e não deu outra, ela realmente foi.
Inicialmente não conseguiam dizer nada e no momento seguinte ele se viu dizendo que também a amava, em segredo, pois tinha medo de não ser recíproco e que assim que ouviu a ‘declaração’, mesmo que em um momento um tanto inusitado, não pensou em mais nada, apenas no quanto feliz e estático ficara na hora. Teve que ser chamado de volta à realidade por Naruto e Ino que o fizeram sair correndo em busca de Sakura, porém não a encontrou e assim ficaram por uma semana inteira. Lembra-se das exatas palavras que disse quando ela relutara em aceitar essa verdade tentando se justificar dizendo-lhe que isso iria estragar a amizade que construíram “Não há por que escondermos o que sentimos Sakura. Isso é certo, e como é certo. Não ligo se isso mudar algo em nossa amizade e, sinceramente, não acho que vá. Ao contrário, isso torna tudo mais real ainda, crescemos juntos, sempre estivemos juntos descobrindo o mundo, em cada uma das fases da vida até aqui nós permanecemos lado a lado e durante esse tempo o sentimento que ambos nutríamos foi se solidificando, e se algum dia isso não der certo, eu permanecerei aqui, ao seu lado, pois acima de qualquer coisa que venha a acontecer nós somos e seremos amigos. Sempre” memorizou cada expressão dela naquele dia, até que por fim ela havia sussurrado “Você é louco, Sasuke-kun... Não, nós somos loucos” corrigiu-se e então sorriu “Isso parece loucura. Estou apaixonada pelo meu melhor amigo”. E bem apesar de alguns constrangimentos e brincadeiras da sua parte, Sasuke sentiu que era ela, sempre foi Sakura a quem ele amava e levaram tempo para descobrir isso, passaram por todo o colegial sem perceber, mas sempre estiveram lado a lado um do outro e depois daquele ‘deslize’ não havia como negar que sempre foram um do outro.
Eles não sabem quanto tempo leva
Esperar por um amor como esse
Todas as vezes em que dizemos adeus
Eu desejo que tenhamos mais um beijo
Olhava para o relógio a cada minuto. Estava nessa desde cedo assim que chegou ao hospital e por conta disso ficou dispersa a maior parte do tempo. Agora estava em seu carro indo para casa, não via à hora de vê-lo, de tocá-lo e sentir seu perfume, a mistura agridoce que tanto a deixava embriagada. No silêncio que fazia, decidiu ligar o rádio. A melodia que se seguiu a fez sorrir em surpresa, não havia como não se lembrar daquele passeio de fim de ano da faculdade. A voz de Jack Johnson a transportava para aquela época e foi ao som de ‘Better Together’ que se lembrou daquele momento mágico onde Sasuke a levou para uma parte reservada da praia longe do olhar dos outros amigos. Assim que se acomodaram entre as pedras que davam completa e ampla visão para o mar ele parou a sua frente e calmamente, como se estivesse pensando no que iria fazer, retirou uma flor que estava em seu bolso e a colocou em seus cabelos, prendendo a franja que insistia em cair sobre sua face e foi ali que a música de suas vidas foi cantada. Com um violão ele iniciou uma lenta melodia e logo em seguida a completou com sua voz rouca, uma combinação um tanto engraçada e no momento não pode evitar a pequena risada que escapou de seus lábios. Os olhares fixos um no outro, o som do mar quando as ondas se chocavam contra as pedras, o vento que teimava em bagunçar seus cabelos e a voz de Sasuke eram o que faziam o momento, ela não pode evitar as lágrimas que caíram logo em seguida após ele finalizar a canção e se aproximar somente para tocar-lhe a face e sussurrar próximo a seu ouvido “não há nenhuma música que eu poderia cantar, e não há uma combinação de palavras que eu poderia dizer, mas eu ainda vou te falar uma coisa: Somos melhores juntos...” reconheceu de imediato um trecho do refrão da música que acabara de cantar.
Suspirou e sorriu assim que teve sinal verde para seguir o trânsito, aquele momento teria sido finalizado com um simples, mas intenso e significativo beijo e algumas palavras entre ambos se não fosse por Naruto ter chegado gritando para que Sasuke o ajudasse a montar as barracas antes que ficasse tarde. Rindo consigo mesma, seguiu o trajeto até sua casa.
Para uma ilha aonde vamos nos encontrar
Você vai ouvir a música, sentir o ar
Eu colocarei uma flor em seu cabelo
Ao chegar em casa a primeira coisa que fez foi correr para seu quarto, o lado ‘adolescente boba e apaixonada do colegial’ falou mais alto, e no momento apenas queria decidir qual roupa vestiria para encontrá-lo. A cabeça estava a mil, sentia seu estômago revirando a todo momento e não se culpava ou se achava infantil por tal, aliás havia se passado 5 anos poxa! Com pouco contato físico apenas mensagens e ligações, então era de se esperar todo esse afobamento de sua parte.
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O relógio marcava 20h45min de acordo com o fuso horário e com a grande tela que indicava os horários de cada voo, ele chegaria às 21h10min. Nesse tempo ocioso se dedicou a responder emails e atender chamadas urgentes do hospital. Ficou tão focada que nem se deu conta do tempo passando e quando caiu em si já eram 21h30min. Olho ao redor e viu que os bancos estavam cheios e acalmou a si mesma, lembrando de que estava no lugar certo e de que as pessoas ali também esperavam o mesmo avião. Ponderou se tentaria ligar para ele ou se iria ao balcão pedir informações, optou pela segunda opção visto que a primeira seria impossível dada à situação em que Sasuke se encontrava — em pleno voo onde era proibido o uso de celular, até porque não possuía área.
Um dos atendentes lhe informou que em Osaka estava tendo uma leve tempestade e que para a segurança de todos a bordo foi sugerido que pousasse no aeroporto da região e aguardasse o tempo se estabilizar. Isso poderia levar de três a cinco horas, então lhe indicou que fosse para casa e assim que a situação se normalizasse seria dever do estabelecimento entrar em contato com os que aguardavam. Sendo assim, ela deixou seu contato e mesmo assim aguardou por uns 40 minutos até Sasuke mandar-lhe uma mensagem a mandando ir descansar que assim que ele estivesse chegando lhe ligaria. E assim foi feito, rumou para seu apartamento e aproveitou para tirar um cochilo.
Eu esperarei por você eu prometo a você, eu vou
Parecia até que o destino estava interferindo em sua chegada. Foram exatas 3 horas de espera e não mandou qualquer outra mensagem ou ligou para Sakura, preferiu deixá-la descansando, sabia de sua vida corrida devido ao hospital e outros afazeres. Sakura era sempre ligada nos 220. Se ele reclamava disso? Nem um pouco. Eram um o oposto do outro, duas peças distintas, mas quando juntos se encaixavam perfeitamente como um quebra-cabeça e isso o deixava completo e imensamente feliz. Amava o jeito dela, a atenção que dava a coisas bobas, a maneira como cuidava de todos ao seu redor e de como ela conseguia agitar sua vida antes monótona.
Pegou em suas mãos o embrulho que levava consigo, levou dias até fazer aquilo e não via a hora de entregá-lo. Inicialmente, pensou se isso não seria bizarro, ridículo ou até demais para o real sentido do presente, mas no fim concluiu que seria perfeito. As partes de cada um unidas em uma só. Aproveitou para regular a bateria, estava nervoso, com medo de que falhasse na hora e ao mesmo tempo tinha a certeza de que tudo daria certo, aliás Uchiha Sasuke era bom no que fazia.
Mais alguns minutos de espera e os passageiros foram instruídos a voltarem para o avião que logo em seguida seguiria o trajeto.
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Exatamente às 02 horas da manhã se encontrava em frente a portaria do pequeno apartamento em Konoha. Olhou a sua volta e sentiu a nostalgia lhe atingir com afinco, pôde observar mais a frente a casa em tons alaranjados de Naruto. Mesmos depois de anos seu amigo não largou a preferência por tal cor e não o repreendia, já que ele mesmo nunca se absteve de ter consigo algo na cor azul, seja na gravata ou em um simples pingente que carregava no anel preso a corrente em seu pescoço. Certas coisas não mudariam nunca.
Olhou mais além e se deu conta do quanto a floricultura dos Yamanaka cresceu, viu assim que saiu do aeroporto um pequeno e discreto estabelecimento de flores e após se aproximar viu a quem pertencia. Realmente as coisas haviam evoluído por aqui, pois na rua em que se encontrava, antes era repleta de árvores e parquinhos e por agora já via um grande comércio, e mesmo assim, a paisagem natural ainda podia ser apreciada. Um belo trabalho visando a sustentabilidade notou.
Desviou de suas observações quando ouviu o barulho de trancas sendo destravadas, olhou para cima e viu que as luzes permaneciam desligadas e logo em seguida uma figura conhecida veio através das grades.
“Ora ora se não é o jovem Uchiha” foi recebido com um leve sorriso “Senhor Orochimaru” cumprimentou ao velho porteiro e não pode deixar de reparar o quanto jovial esse parecia, era como se tivesse rejuvenescido o que era uma besteira, pensou consigo mesmo. Orochimaru trabalhava ali desde que Sasuke terminou o ensino médio, e claro, visitava muito o lugar devido a Sakura, portanto possuíam certa familiaridade. “Faz bastante tempo não é mesmo pequeno Uchiha?” questionou ao outro com o olhar um tanto peculiar. Em certa época, Sasuke o achava extremamente estranho, pois o tratava de forma meio duvidosa e se não fosse por tempos mais tarde ele casar-se com Ayane, uma bela jovem — bem exótica na verdade — dona de uma linda pele negra, cabelos com uma espécie de tranças e traços bem marcantes de nacionalidade brasileira, chegaria ao ponto de duvidar seriamente de sua sexualidade. “Realmente senhor, tive que deixar o país, negócios da família” respondeu cordialmente. “Ah sim, espero que tenha tido sucesso e bem, suponho que esteja ansioso para reencontrar a Sakura-chan não é mesmo?” O Uchiha apenas concordou com um leve aceno de cabeça. “Vá. Não perca tempo por aqui. Ela ficará bem feliz com essa surpresa. Seja bem vindo de volta, pequeno” Fez uma leve reverência ao moreno e voltou a seus afazeres no balcão.
Sasuke apenas entrou no elevador e começou a pensar no que faria a seguir. Orochimaru acabou por lhe dar uma dica… ‘surpresa’... Bem olhando por esse lado seria uma ótima ideia já que possuía a chave do apartamento.
Enquanto o mundo continua girando
Você me abraça aqui, nesse instante.
Ao entrar foi tomado pelo cheiro adocicado que emanava do local, as luzes estavam apagadas, porém o ambiente encontrava-se iluminado pela luz da lua, as cortinas balançavam livremente devido à forte brisa que adentrava pelas janelas. A arrumação permanecia a mesma da qual se lembrava, mantinha as cores em tons mais escuros, com objetos que para ele eram bem chamativos, porém ela sempre dizia que era para quebrar a neutralidade do lugar. Bem no centro da sala ficava uma pequena mesa quadrada, que seria bem discreta se não fosse por sua cor ser de um rosa que ofuscava a vista. Sorriu consigo mesmo ao ver que o apartamento em si possuía um tanto de cada um. Não que ele se importasse de fato com isso, mas Sakura fez questão de que o lugar houvesse a personalidade de ambos.
Que estava louco para vê-la era um fato, e em todas as possibilidades se via correndo para o quarto somente para vê-la dormindo e apreciar a visão que lhe fez falta por infinitas noites, entretanto se segurou ao máximo para não fazer tal ato. Acabou de se instalar por ali mesmo e pensou no que faria a seguir. Instantaneamente se sentiu nervoso ao pensar no que estava prestes a fazer, oras ele podia possuir toda aquela pose de durão diante a todos, mas quando se tratava de Sakura ele era apenas um moleque bobo e apaixonado e por mais que tivesse a certeza de que nada sairia errado ainda sim não pode evitar pensar na negativa. Parou de pensar e começou a agir, aliás ela poderia acordar a qualquer momento. Retirou o embrulho que tanto mantinha guardado e pôs-se a montá-lo. Levou somente alguns minutos e logo em seguida ouviu um barulho vindo do quarto, se apressou e por fim adentrou o quarto. A visão que teve o acertou em cheio, Sakura dormia agarrada a uma almofada e bem ao seu lado da cama. Seus cabelos agora batiam no meio de suas costas, como ele amava esses fios róseos e só de pensar em passar seus dedos por entre eles seu sorriso se alargava. Observou-a um pouco mais e olhou ao redor notando que a decoração do quarto também era a mesma. A iluminação exagerada com lâmpadas embutidas tanto no teto quanto na entrada do guarda-roupa, e esse era feito de madeira com espelhos na porta o que acabava por conferir mais luz ao ambiente e obviamente refletir tudo no pequeno quarto e pelo reflexo olhou mais uma vez o rosto sereno de sua amada. Sakura era a imagem mais bela já vista por ele, toda a beleza que ela atribuía aos quadros ou paisagens naturais nada se comparava ao que ele via nela. Sakura era seu tudo. Seu mundo.
Sortudo por estar apaixonado pela minha melhor amiga
Sortudo por ter estado onde estive
Lentamente aproximou-se da cama e tocou-lhe a face, primeiramente acariciou a bochecha, que possuía um leve rubor devido à friagem, e observando mais profundamente encontrava as pequenas sardas que ali tinha. Eram marquinhas tão fracas que somente era possível ver se chegasse perto o suficiente. O ar quente de sua respiração chegou a sua face e não pode evitar o suspiro que saiu de seus lábios. E logo em seguida não se absteve em encostar seus lábios, um simples roçar apenas para sentir a maciez daquela boca que tanto conhecia, mas toda vez que se tocavam era de uma intensidade sem igual, como se fosse a primeira vez e isso aumentava gradativamente. Com esse contato, Sakura despertou primeiramente desorientada, e então, automaticamente deu um leve empurrão no corpo a sua frente e após segundos a compreensão a atingiu como um todo. Agarrou-se firmemente a blusa de Sasuke e ali, na curva de seu pescoço ficou inspirando e sentido a presença daquele cuja falta a castigava. Balbuciando palavras de carinho e distribuindo beijos por toda face de Sasuke, Sakura finalmente chorou. Apenas uma fina camada de lágrimas descia por seu rosto e nestas se encontrava uma junção de sentimentos, saudade, ansiedade, surpresa, tristeza, alegria e principalmente ternura e paixão. Sasuke a segurou firme, enlaçando sua fina cintura em um aperto que demonstrava, também, todo seu sentimento reprimido.
Afastou-a apenas o suficiente para mirá-la. Seus orbes verdes se abriram e Sasuke se perguntava internamente como é que ela conseguia sorrir só com os olhos. Os verdes encontrados ali eram de um tom iniimaginável. A pupila completamente dilatada e com uma ferocidade no olhar, não duvidava que ela visse o mesmo em seus olhos, porém em tons infinitamente mais escuro. Nada precisava ser dito no momento, apenas o fato de contemplar a presença um do outro já era mais que suficiente. E assim permaneceram, abraçados, por minutos.
“Parece que alguém dormiu demais” comentou Sasuke causando arrepios por todo o corpo da rosada. “Parece que alguém se esqueceu de ligar” sussurrou próximo ao ouvido do homem, sorrindo feliz ao notar que causara o mesmo efeito nele. Ao som de uma leve risada soltou-se do abraço e se acomodou em seu colo, apenas para unir seus lábios. Inicialmente uma carícia de leve e logo era possível ouvir respirações mais pesadas. Sakura não se conteve em seus toques, passando suas mãos por todo rosto masculino sentindo o calor, a firmeza e a suave aspereza da pele, sorvendo o leve cheiro de loção pós-barba com um singelo toque cítrico. Carícias sôfregas, toques afobados de ambas as partes. Entregando tudo de si naquele pequeno contato. Línguas afoitas pedindo passagem e conseguindo, explorando cada canto que podiam, tomando tudo um do outro. “Antes de você continuar me atacando dessa forma, tenho algo para te dar” Sasuke arfou sorrindo assim que se separaram em busca de ar. “É melhor que seja algo muito bom, Uchiha, para você quebrar o momento.”. “Na verdade isso vai depender somente de você” afagou-lhe a bochecha diante de sua expressão desafiadora, dando uma olhadela para o lado incitando-a a seguir seu olhar. Sobre a mesinha perto da cama, ao lado do abajur havia uma caixa preta, relativamente grande, com um laço rosa. Sakura esticou-se já com um sorriso no rosto e pegou o objeto espantando-se assim que sentiu o peso e poderia ser loucura, mas jurava ter ouvido algo vindo da caixa e assim levou o embrulho a seu ouvido. Sasuke sorriu escorando as mãos na cama atrás de si, aguardando que ela abrisse. Sorriu ainda mais quando a viu arregalando um pouco os olhos assim que realmente ouviu um ‘tic tac’ vindo de dentro da caixa.
Delicadamente, ela soltou o laço, saindo de seu colo e sentando-se na beira da cama. Fez um pequeno suspense, sentindo o peito acelerar sem ao menos imaginar o que ele teria feito, só sentia que aquele barulhinho vinha de algo feito pelas mãos dele, e isso por si só já era de tamanho valor.
“Sasuke...” ela ergueu os olhos com a tampa por abrir.
“Abra” ele se aproximou erguendo as sobrancelhas em encorajamento.
Ela então o fez e seu sorriso foi automático, quando um bonequinho metálico envolto de um estetoscópio ergueu a cabeça e abaixou novamente fazendo o tic tac. Ele permanecia com as pequenas mãos e forma de concha sobre o aparelho médico que estava posicionado no lado esquerdo do peito.
Em surpresa, olhou para Sasuke que apenas acenou com a cabeça. “Sasuke...is-isso é lindo.” ela sussurrou fazendo menção de levantar-se, mas ele a barrou ajoelhando-se a sua frente para mostrar-lhe o que mais ele fazia.
“Está vendo este sensor? Chegue perto dele e diga ‘Sim ’”.
Sakura sorriu ainda mais e o fez, instantaneamente a cabecinha do pequeno robô se levantou e permaneceu como se a admirasse, Sakura o encarou maravilhada. Então, uma de suas mãozinhas levantou-se tirando o estetoscópio do lugar que hipoteticamente seria o coração e colocou a outra no espaço formado pela retirada do objeto e lentamente lhe esticou a mãozinha, agora não mais vazia. Ali no meio da palma repousava um lindo anel com uma solitária e bonita pedra.
Sakura engoliu o suspiro, não sabia o que pensar. Sasuke, ajoelhado a sua frente retirou o anel e fez o mesmo que seu pequeno robô, a olhou com todo o amor e admiração que sentia por aquela mulher.
Os olhos verdes marejaram, o bonequinho foi levado ao peito, como se pudesse segurar o coração que queria saltar pra fora. Sasuke puxou um meio sorriso e sua voz saiu mais rouca que o normal por conta de seu nervosismo camuflado.
“Pra ele você já disse sim, e pra mim?” Pegou a mão dela e apertou contra seu peito “Sakura quer se casar comigo?”.
Sortudo por estarmos apaixonados de todas as maneiras
Sortudo por termos ficado onde ficamos
Sortudo por está voltando para casa novamente.
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