Lucky
1 Capítulo único
Notas iniciais
Davi dormia. Depois do conturbado dia pelo qual havia passado, o moço, agora, ressonava tranquilamente em sua cama. O travesseiro ainda molhado pelas lágrimas que, mais cedo, derramara. E ela, atenta, observava em silêncio o amado adormecido. Ali, sentada, vez ou outra acarinhava-lhe a face, sorrindo involuntariamente ao passo que suas peles se tocavam. Oh, ela amava Davi. Incansável Megan.
O sol raiava ainda timidamente quando Davi despertou. As pálpebras lhe pareciam pesadas e a cabeça, latejava de leve. Suspirou para então virar-se na cama, quando se deparou com uma certa doidinha engraçada–o que lhe pegou de surpresa, fazendo-o alçar o corpo para colocar-se sentado. Megan bocejava e esfregava os olhos, nitidamente cansada. Ao vê-lo, finalmente, ela esboçou seu melhor sorriso, e a imagem fatigada que Davi há pouco vira, esvaiu-se num piscar. Ele não conseguia pensar, a cabeça começou-lhe a pesar o dobro. Foi espontaneamente que ele também sorriu.
– Bom dia, Davi. – o sorriso dele alargou-se e seus olhos brilharam quando ela reclinou-se para depositar um beijo em seu rosto – Dormiu bem?
– Megan. – o silêncio pairou e os dois se entreolharam por um longo momento. Engolindo em seco, ele retomou – Você dormiu aqui?
– Não dormi. – ela rapidamente refutou – Estive acordada por toda a noite. Não poderia dormir, fiquei preocupada com você.
– Não precisava... – ele sorriu só com os lábios. Davi media cautelosamente as palavras, talvez receoso dos rumos que aquele diálogo tomaria. Ou talvez, realmente, a doidinha engraçada o tenha surpreendido e lhe faltavam, assim, as palavras – Você tem que descansar. É melhor...
– Já estou indo, Davi – ela apressou-se em anunciar, sorrindo fraco em seguida –, só queria me certificar de que você acordaria bem. Well, você sabe onde me encontrar e que pode contar comigo pra tudo, também. A gente se vê. Bye.
Ele escutava calado. Precisava organizar suas ideias, curvou um pouco a cabeça e esta lhe pesou uma tonelada, o que o fez suspirar em frustração. Rapidamente se recompôs e viu Megan prestes a se levantar, quando segurou-lhe o braço e disse:
– Muito obrigado, Megan. Obrigado por se preocupar comigo. Você... Você tem se tornado bastante especial pra mim.
– Oh, really, Davi? – ela sorriu ternamente.
– Não vai agora, não. Fica aqui. – os olhos dela cintilaram. Ele molhou os lábios para continuar – Se você quiser ficar...
– Eu quero, Davi. Quero muito. – ela novamente pôs-se sentada, e a mão dele, que segurava-lhe o braço, desceu para apanhar a sua. Megan mirou os dedos entrelaçados e só pode sorrir.
Davi, enfim, conseguia pensar que deveria se permitir. Talvez tenha sido injusto com Megan por todo esse tempo, talvez tenha sido injusto até consigo mesmo, ao encerrar-se no seu mundo que julgava ideal mas que, irrefutavelmente, não era. E concluiu, assim, que tinha sorte, por ter alguém que não havia desistido dele, mesmo com todos os seus desacertos. Alguém que resistiu às suas mancadas e se fez presente quando seu universo veio a ruir, que lhe apoiou quando mais precisava. Talvez, depois de tudo, não a merecesse tanto assim, mas decidiu que faria por merecer. Talvez o ideal para ele sempre tenha sido Megan. Com certeza. Tudo, agora, era claro em seu pensamento.
– Megan, – ele chamou, fazendo-a levantar a mirada em sua direção – acho que ainda não to completamente bem.
– Oh, Davi, não fique assim, aquela nerdest...
– Não, Megan, não é sobre esse assunto. – ela sibilou um “ok”, ao passo que ele continuou – Minha cabeça dói. Poderia me ajudar com isso? – ele mordeu o lábio e ela riu.
– Com a cabeça? Oh, claro, baby boy.
Os dois riram e ele puxou-a para si, agarrando-lhe a nuca para iniciar um beijo intenso. Megan estava em transe. Sonhara várias vezes com esse dia. Deitaram-se, ainda com os lábios selados, para que ela, então, se aconchegasse no seu peito. Ele depositou-lhe um beijo no topo da cabeça e ela o abraçou, logo adormecendo. Davi ainda observou-a por algum tempo, mas acabou caindo no sono também. Despertaram horas mais tarde, sob os gritos eufóricos de Dante, que anunciava:
– Ô RITA, O FORNINHO CAIU!
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