Lucky ?
5 Capítulo 4 - Stefan
Notas iniciais
Eu tive que dar meu relógio favorito em troca da bendita chave do “cativeiro” onde Katherine estava, mas se ela aceitasse me ajudar com o plano valeria à pena, pois o que estava em jogo era mais importante que um simples objeto.
Não sei o que me deu na hora em que a abracei, mas ver ela assim tão frágil e vulnerável me deu vontade de cuidar dela, de ser seu porto seguro ou sua ancora, ela parecia uma criança que necessitava de carinho e atenção e eu estaria disposto a dar tudo o que ela precisava. Droga e lá estava eu mais uma vez pensando bobagens, acho que estou ficando louco e a culpa disso tudo é de Katherine por ser tão bonita, se ela fosse gorda e cheia de espinhas seria mais fácil não ter esse tipo de pensamento.
Ela estava tão quieta e pensativa que já estava considerando a idéia de que iria recusar minha proposta. Apesar de que não poderia ser tão ruim assim me casar com ela, eu nunca mais precisaria gastar dinheiro com mulheres para satisfazer meus desejos, fora que era caro pagar o táxi e o suborno para que não saísse na mídia, eu iria economizar bastante.
–Eu topo. – Finalmente Katherine resolveu falar, seu tom de voz saiu firme e vi esperança em seus olhos.
–Perfeito! – minha vontade era sair por ai dando pulinhos de alegria e soltar fogos. – Enquanto estava aqui seus pais e os meus decidiram que o noivado vai ser daqui a uma semana, então o plano começa na noite do noivado.
–Ótimo, temos uma semana para pensarmos em como arruinar esse jantar. – disse ela com animação demais. Eu estava com medo de não der certo e ela ficar desapontada “pensamentos positivos Stefan” disse meu subconsciente.
–Enquanto o grande dia não chega mostramos ao público, o quanto um odeia o outro. – é lógico que eu não odeio ela, só que precisava fingir isso para ter minha liberdade de volta.
–Começamos amanhã então. Parceiros? – ela cuspiu na mão e estendeu a mesma para mim, não sei por que ainda me surpreendo com as atitudes dela.
–Parceiros. – cuspi também só para entrar no clima e apertei sua mão, a sensação era tão boa que por mim não soltaria mais, porém ela puxou a mão da minha com certa brutalidade.
–Acho melhor voltarmos para o castelo, já está bem tarde. – disse Katherine sem nem ao menos olhar nos meus olhos. Levantei-me e ela repetiu meu movimento, saímos do “cativeiro” voltando pela mata fechada, se não fosse por ela, não saberia o caminho de volta para o palácio.
Ficamos o caminho inteiro em silencio cada um perdido em seus próprios pensamentos, de vez em quando ela me olhava, mas era tão rápido que eu não sabia se era verdade ou só coisa da minha cabeça. Fomos para o terceiro andar do castelo, parando na frente de uma grande porta de madeira que tinha uma placa escrita “não perturbe”, era bem a cara dela mesmo ter esse tipo de coisa.
– Bom eu fico por aqui, o quarto de hospede é no segundo andar. – disse ela pela primeira vez ficando meio sem jeito, foi ai que eu percebi o quanto eu a afetava.
– Estava pensando em ficar por aqui mesmo, estou muito cansado para descer escadas. – dei meu sorriso torto que eu sabia que a mulherada adora, Katherine sorriu e abriu a porta, porém assim que entrou no quarto á fechou bem na minha cara.
– Não acho o chão do corredor confortável, mas se você gosta a vontade. – falou do outro lado.
– Mas que droga Katherine. Abre essa porta vai, temos que nos conhecer melhor oras. – o que eu disse era a mais pura verdade ué, se o plano não der certo temos que aprender a conviver um com o outro.
– Vai se foder Stefan. – sim ela gritou comigo, ninguém grita comigo, isso não vai ficar assim não.
– Só se você for junto. – dei uma risada marota e resolvi que era hora de ir vai que ela abria a porta com um escova de cabelo para acerta em mim. Segui as coordenadas que Katherine me deu e vi meu nome na porta, então constatei que era ali que eu passaria a noite. Tomei um banho rápido e cai na cama, cansado de todos os acontecimentos de hoje e logo apaguei.
Acordei com o sol forte iluminando todo o quarto, me levantei e fiz minha higiene matinal, achei minhas roupas dentro do guardar-roupa e escolhi um terno cinza, pois demonstrava que eu não estava de bom humor. Estava terminando de abotoar a blusa, quando entra Katherine sem ao menos bater na porta.
– Sério o que foi aquilo ontem na frente do meu... – ela parou de falar assim que me viu e me olhou de cima a baixo, percebi que sua bochecha ganhou uns tons de vermelho, então quer dizer que ela está envergonhada, gostei disso.
– Por favor, me diga quando terminar de olhar está começando a ficar frio. — disse dando um sorriso debochado. Só vi meu travesseiro voando acertando em cheio a minha cabeça. – Ai.
– Bem feito, isso é para você parar de ser convencido e inconveniente. -agora quem sorriu foi ela.
– Se você fosse discreta nada disso teria acontecido. – meu sorriso aumentou assim que vi ela corar.
– Pensei que ia ser difícil esculachar você para a mídia, mas agora vejo o quanto vai ser fácil. – ela da uma piscadinha. – O que vai fazer hoje?
– Não sei, mas tenho que conversar com meu pai sobre o acordo, enfim vou passar a tarde toda dentro deste quarto analisando o contrato. – deixo escapar um suspiro.
– Não vai nem tomar café da manhã? – era impressão minha ou ela estava preocupada comigo?
–Vou pedir para servirem aqui no quarto mesmo, não quero perder tempo com bobagem. – eu não estava nem um pouco a fim de ficar estudando todo o contrato.
– Que chato. — ela fez uma carinha de tédio tão fofa que me deu vontade de apertar suas bochechas.
“Céus Stefan, como você ta gay” disse meu subconsciente
– Não tive a mesma sorte que você Alteza. – me deu uma pontada de inveja, ela ficaria o dia inteiro sem fazer nada, enquanto eu teria que estudar todo o contrato da aliança entre os dois reinos.
– Ok já estou saindo, não precisa ficar nervozinho. — levantou as mãos em sinal de rendição e foi embora.
Depois de comer um reforçado café da manhã, meu pai pediu a uma das criadas para que me entregasse o contrato, pois disse estar resolvendo alguns assuntos com o rei Clarkson.
Passei a manhã toda trancado naquele quarto, lendo e relendo todo o contrato antes de assiná-lo. Depois tive que terminar os relatórios esquecidos de ontem à tarde, estava na hora do almoço, porem optei por comer no quarto, pois estava com muita dor de cabeça.
Fui até a sacada tirar uma foto daquela vista maravilhosa, que em breve viraria um belo quadro e a vi ali deitada na grama, parecia estar dormindo, ela tornou tudo mais bonito e real. Resolvi ir até lá só um pouquinho, depois eu voltava para os papeis.
Deitei-me de um jeito que deixava nossos rostos bem pertos um do outro, porem ela continuava de olhos fechados, apoiei meu cotovelo na grama e soprei de leve seu rosto, fazendo com que ela abrisse os olhos.
– 1 milhão por seus pensamentos. – falei baixinho, pois qualquer coisa fazia minha cabeça latejar.
– Nem por todo dinheiro desse mundo. – gritou sem necessidade, pois estávamos pertos o suficiente. Grunhi de dor e passei a mão na têmpora.
– Fale baixo Katherine. Céus minha cabeça vai explodir. – fechei os olhos e deitei a cabeça na grama, percebi seu olhar em mim.
– Desculpa. – passou a mão na minha testa bem devagar, fazendo movimentos circulares, aquele simples me deu um baita sono.
– Se continuar vou acabar dormindo. – abri os olhos vendo aquela imensidão preta, me aproximei mais de seu rosto avançando todos os limites, passei minha mão pelo seu rosto parando apenas na forma de seus lábios, eu estava louco para prová-los.
– Pensei que passaria o dia todo trancafiado naquele quarto. – aquelas palavras me deram um choque de realidade, tirei minha mão de seu rosto.
– Eu já estou voltando para lá, apenas dei um breve intervalo. – me levantei em um pulo.
– Isso só vai piorar sua dor, que tal darmos uma volta? Quero te mostrar um lugar. – segurou minha mão me puxando para baixo.
– Bem que eu queria, mas infelizmente não posso. Queria por apenas um dia,ficar de bobeira por ai. – eu não estava mentindo, precisava de uma folga urgentemente.
– Vamos fazer um acordo, você passa um dia inteiro só de bobeira e eu passo um te ajudando a fazer esses relatórios. O que você acha? – fez uma carinha de cachorro que caiu da mudança e não tive como negar.
– Certo. O que vamos fazer? – perguntei, ajudando Katherine a levantar, só agora reparei que ela estava de jeans preto e uma jaqueta preta, parecia uma garota comum.
– Primeiro vamos conseguir roupas normais para você e o resto é surpresa. Agora venha comigo. –segurou minha mão e me puxou para dentro do palácio, fomos para uma salinha pequena que para mim devia ser onde as criadas faziam as roupas da realeza. –preciso de jeans masculinos e moletom. O mais rápido possível.
Depois de me trocar e colocar roupas “normais” fomos para o celeiro onde pegamos nossos cavalos e seguimos em direção ao pequeno bosque que tinha ali dentro do terreno. Parecia que não chegávamos a lugar nenhum, e eu já estava começando a ficar impaciente.
– Estamos indo para China e você nem me contou. – falei com a voz carregada de ironia.
– Pronto, chegamos. – desceu do cavalo e começou a procurar entre os arbustos alguma coisa, tava tentando entender porque estávamos ali, era um lugar legal mais nada de mais.
– Hmm... Certo o que viemos fazer aqui? – Olhei para o grande muro que demarcava que ali era o ponto final.
– Achei. –tirou de um dos arbustos uma mochila preta, dela tirou dois óculos e dois bonés, e estendeu um para mim. – Coloque isto e faça o mesmo que eu.
Fiz o que ela mandou e depois a vi fazer o mesmo, começou a escalar à parede de pedras, encaixando o pé nas pedras.
– Desce daí sua louca. –gritei quando ela chegou ao topo e se sentou.
– Vem logo, ou você ta com medinho? –odeio quando me chamam de medroso.
Escalei o muro e quando cheguei ao topo me sentei do seu lado, o muro era bem alto e se eu caísse dali a queda seria feia.
– Bom garoto. Ta vendo aquela árvore ali? – apontou para uma grande árvore, que ficava bem perto do muro. Assenti – Pula e segura no galho maior.
Essa garota só podia ser louca, assim que ela terminou de falar pulou e logo em seguida agarrou um galho da árvore, quando já estava no chão me chamou com a mão. Imitei seus movimentos anteriores porem sem muito jeito, mas consegui chegar inteiro no chão.
Caminhamos por uma estradinha de pedras, mas a frente avistou o que parecia ser o centro do reino de Frenesi e parei não acreditando no que estava ali.
– O meu deus! – foi à única coisa que consegui falar.
– Bem vindo ao meu mundo.
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