Lucky ?
2 Capítulo 1 - Katherine
Notas iniciais
Essa semana foi bem agitada devido aos preparativos para minha festa de aniversário, o palácio estava um caos, todos estavam trabalhando animados. Eu estava adorando essa agitação, pois aqui é um lugar tão silencioso que parecia que só morava eu e vovó, era bom saber que conheceria pessoas diferentes no grande dia, a maioria das pessoas que eu conhecia eram empregados, pois as pessoas da realeza eu nunca tive nenhum contato. O rei não me achava digna de participar das festas que eles dão para a realeza de outros países pois disse que eu não me comporto como uma dama, ele que vá a merda com todos esses povo mesquinho que só sabe olhar para o próprio umbigo.
Minha mãe sempre me chamou de ingrata, vivia dizendo que muitas garotas morreriam para viver minha vida, mais que vida é essa em que você só pode sair se for cheia de guardas ou disfarçada e não pode fazer absolutamente nada por que é considerado perigoso ? Eu me faço essa pergunta todos os dias, e daria tudo que eu tenho para ter apenas um dia como uma garota normal, eu odeio essa vida , isso não é pra mim e sim para a Elena ela nasceu preparada para essa vida louca.
Desci as escadas em alta velocidade e acabei tropeçando no degrau e cai de bunda no chão. Ouvi uma gargalhada exagerada e olhei na direção do som, dando de cara com Damon.
–Cunhadinha tem que tomar mais cuidado, qualquer dia desses você vai acabar ficando sem bunda. — disse com aquela voz irônica que tanto odeio.
Desci as escadas em alta velocidade e acabei tropeçando no degrau e cai de bunda no chão. Ouvi uma gargalhada exagerada e olhei na direção do som, dando de cara com Damon.
–Cunhadinha tem que tomar mais cuidado, qualquer dia desses você vai acabar ficando sem bunda. — disse com aquela voz irônica que tanto odeio.
–Não devia estar aqui Damon, a festa só começa as nove. E cuide da sua vida e me deixa em paz. — levantei lançando um olhar mortal na direção dele. Ele por sua vez apenas deu risada e saiu andando em direção ao escritório provavelmente atrás da Elena.
Damon tem olhos de um azul penetrante que faz com que qualquer uma tenha um crush por ele, seus cabelos tem um tom de castanho escuro quase preto, hoje ele veste um belo terno preto que deve custar o olho da cara. Ele e Elena vão se casar daqui a algumas semanas, não ela não teve escolha o meu pai praticamente a obrigou a fazer isso, se fosse comigo eu diria mil vezes não e o chamaria de louco, sim Damon é bonito porém é irônico de mais e irritante, sinceramente não sei como a coitada vai aguentar ficar com esse ser o resto da sua vida.
Quando finalmente cheguei ao jardim, olhei bem ao redor para ver se não tinha nenhum guarda atrás de mim, como sempre essa parte estava vazia, continuei caminhando até chegar perto do velho muro que marcava que ali era o que separava o castelo do bosque. Procurei entre os arbustos minha mochila, lá tinha tudo que eu precisava para dar uma volta pela cidade. Depois de colocar uma calça jeans preta, uma jaqueta azul escuro e boné, o muro que era de pedras grandes dava para encaixar o pé o que facilitava muito a escalada, minha sorte era que eu nunca tive medo de altura, viu a palavra sorte nunca sai do meu vocabulário.
O que me ajudava a descer era a minha querida árvore que tinha bem perto do muro, pulei do muro indo de encontro a ela e agarrei em seus galhos com agilidade, eu já estava acostumada a fazer isso pelo menos uma vez por mês. Por fim coloquei meu óculos escuro e sai por uma estradinha que me levaria bem no centro da cidade.
O sol se fazia presente tornando o dia ainda mais bonito, o céu parecia cada vez mais azul e o vento mostrava que estava no outono. Fui andando indo parar em uma cafeteria que eu ia com frequência, lá serviam o melhor chocolate quente, sentei em um banquinho de frente para o balcão. Lucy uma senhorinha gordinha de cabelos grisalhos e olhos cansados sorriu para mim.
–Boa tarde moça, o que vai querer ? — disse ela com um sorriso simpático. Lucy era mulher do dono da cafeteria mas nunca deixou de pegar no batente.
–Boa tarde Lucy, vou querer um chocolate quente e donuts — se minha mãe soubesse que eu estava comendo doce me deixaria um dia inteirinho sem comer, mas como eu não sou Elena não preciso seguir regras.
Presa na parede uma televisão pequena passava um programa de fofoca, onde falavam da Elena e o quanto ela era graciosa.
–Justine você não acha que a princesa Katherine deveria estar noiva também ? — olhei espantada para a TV, e passei a prestar atenção no que a mulher loira de farmácia dizia.
–Com toda certeza, mas cá entre nós que ninguém suportaria a princesa. Ela nunca é vista e quando aparece na TV nem se parece com uma dama e se vesti muito mal. — respondeu a tal de Justine uma ruiva tão sem sal.
–Elena será uma ótima rainha, imagine só se Katherine assumisse o trono o que seria da população de Frenesi? Estaríamos todos arruinados e com grandes problemas de moda. — riu a vadia loira do cabelo de palha. Como esse povo é fútil, depois eu que sou mal educada por ter mandando todos tomarem no cú ? Me poupe né gente.
Minha vontade era de socar a cara dessas duas sem sal, minha raiva era tanta que senti meu rosto queimando. Lucy trouxe meu pedido e me analisou, olhou para a tv e depois de novo para mim, estava começando a ficar com medo de ela perceber quem eu sou.
–Esses programas de TV não valem nada, nem perco o meu tempo assistindo a essas besteiras. Pois sei que a princesa não é nada disso que essas duas disseram. — disse Lucy com um sorriso de adoração estampado no rosto.
–Como sabe que a princesa não tudo o que elas disseram? — perguntei com um certo medo do que ela pudesse falar.
–Na verdade não sei nada sobre essa princesa, por isso não julgo ela, para se julgar antes tem que conhecer. — disse colocando um ponto final na conversa e dando uma piscadinha para mim.
Passei a tarde inteira na cafeteria com a Lucy, conversamos bastante mas não tocamos mas no assunto das duas sem sal, fiquei aliviada não estava a fim de ficar falando de mim e também com medo de que ela descobrisse quem eu realmente sou.
Sai de lá já era a noitinha, teria que ser rápida porque nesse período era reforçada a vigilância do castelo. Consegui fazer o caminho em tempo recorde, tirei o boné e o óculos pois seria estranho entrar em casa vestida dessa forma.
Estava prestes a abrir a porta do meu quarto quando escuto a voz que menos me agrada nesse lugar.
–Onde passou a tarde inteira? — disse a rainha Amberly, uma mulher arrogante e elegante ao mesmo tempo.
–Estava cavalgando pelo jardim. — olhei bem para minha mãe e percebi o quanto o tempo só lhe fez bem, seu rosto impecável tinha uma maquiagem leve e seus cabelos castanhos caiam como cascata por seu ombro, o vestido era meia manga vermelho que ia até os joelhos e para terminar nos pés um salto bico fino preto, a tiara em sua cabeça deixava mais poderosa do que já era.
–Perguntei aos guardas e nenhum deles viu você. Volto a repetir onde passou a tarde inteira ? — Disse com um olhar reprovador.
–Eles são cegos então, porque eu passei a tarde inteira no jardim. — mentir era comigo mesmo, nasci com esse dom.
–Tinha tanta coisa para você fazer, mas como sempre não fez absolutamente nada. Espero que se comporte na festa, receberemos convidados importantes. — ela me olhou dos pés a cabeça, balançando a cabeça em negação, olhei para minhas roupas e estavam péssimas toda sujas de capim e terra.
–Fique tranquila alteza, não faço questão de conhecer seus convidados. — agora falei a verdade eu odiava os "amigos" da rainha.
–Já chega, vá se arrumar não quero ninguém mal vestida e atrasada. — ela simplesmente virou as costas e foi embora, mostrei o dedo do meio assim que ela virou em corredor, ela tinha o prazer de me insultar.
Entrei em meu quarto dando de cara com Celeste, uma morena alta de olhos azuis, ela se diz minha dama de companhia porém eu a considero minha única amiga.
–Céus Katherine, onde esteve todo esse tempo sua louca ? A megera da sua mãe me infernizou o dia todo por não ter achado você. — ela começou a me sacudir e eu ri da sua cara de nojo ao falar da minha mãe.
–Eu estava por ai, acabei de falar com ela e não foi nem um pouco agradável. — falei torcendo o nariz ao lembrar do jeito que ela me olhava.
–Por ai ? Ah não me diz que saiu do castelo de novo. — era parecer uma pergunta mais foi em tom de afirmação, dei um sorriso sem mostrar os dentes. — Katherine, você é uma completa maluca. Se sequestram você nem sei o que seria de mim.
–Quanto drama, sempre fiz isso e até agora ninguém descobriu e quem eles querem é a minha querida irmã Elena. — disse fazendo cara de paisagem.
–Não adianta você é teimosa de mais. Agora vá tomar banho se não vai se atrasar. — e mais uma vez me olharam como se eu fosse um bicho de sete cabeças.
–Ok mamãe. — sorri da sua cara de tédio.
Tomei um banho rápido, coloquei meu roupão e voltei para o quarto onde Celeste me aguardava pronta para a festa, ela usava um vestido cinza tomara que caia de decote estilo coração, tinha detalhes de flores e seu cabelo estava preso em um coque impecável.
Celeste me ajudou com o cabelo e optamos em deixa-lo solto com cachos escuros, a maquiagem era bem leve dando um certo destaque aos meus olhos escuros, mas o que chamaria mesmo a atenção seria o vestido, lógico que não fui eu que escolhi e nem me interessei deixei tudo por conta da Celeste confiava a minha vida a ela. O vestido preto tinha o comprimento longo com uma supercauda e uma leve transparência, era todo bordado e nas costas com um decote nas costas, era perfeito. Me neguei a usar tiara sempre odiei porque caiam da minha cabeça sempre que eu abaixava, olhei no espelho me deparando com uma garota que agora tinha 18 anos e vi meu futuro bem ali, respirei fundo e coloquei meu salto preto, estava pronta.
–Katherine, você está maravilhosa, a rainha má vai ficar de queixo caído quando te ver. E antes de me esquecer, parabéns finalmente 18 anos espero que o seu sonho se realiza minha querida amiga.- dei um abraço apertado em Celeste, ela foi a única a me desejar parabéns e o dela era o também o único que seria verdadeiro.
–Obrigado por tudo.- disse me afastando e sorrindo.
–Agora vamos, não queremos levar bronca. — saímos do meu quarto, do corredor já dava para ouvir a música alta que vinha do grande salão de festas. Como eu preverá o salão estava repleto de pessoas de todos os lugares do mundo e quando todos os olhares se direcionaram a mim, me senti pequena e só, olhei para o lado e vi que Celeste continuou lá e me incentivou a continuar com um simples sorriso. Assim que avistei minha vó, caminhei em sua direção e em todo o trajeto distribui sorrisos, pois hoje nada e nem ninguém vai estragar o meu momento e muito menos os meus planos de convencer o rei a me libertar desse castelo que mais parece uma prisão.
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