Luce
3 Árvores
Notas iniciais
Boa leitura!!!
A música soava baixa e calma através dos fones de ouvido de Luce. A música que tocava era Stop and Stare da banda One Republic. Esta era uma das bandas favoritas de Luce, sempre que ela se sentia triste ou intrigada ela recorria à música.
E na última semana ela estava muito intrigada.
Já havia se passado uma semana desde a cena de terror que se passara no porão, e Luce não conseguia fazer encaixar em sua cabeça a conversa que tivera com os pais esta manhã. Como eles poderiam fazer isso?
Luce mudou de música enquanto repassava de novo a conversa. Ela via o rosto doce de sua mãe dizendo que ela e seu pai teriam de viajar a negócios.
- Como assim viajar? – ela começou a falar sozinha. – Como eles podem me deixar aqui sozinha com o Pedro? E se...
Luce se interrompeu no meio da frase. Ela tentava não pensar na possibilidade de aquilo voltar. Pedro com certeza não poderia ajudá-la.
Ele não conseguia ver.
Aquilo estava de frente para ele e ele não viu nada. Como é possível?
Luce olhou para frente. Nada estava fora do normal. Ela estava sentada no banco que havia em sua escola, em frente à mata que rodeava o Colégio West.
- Você não devia se isolar em pleno recreio.
Uma voz conhecida. A voz de seu melhor amigo: Lucas.
- Oi Lucas. – Luce sorriu.
Ele se sentou ao seu lado e olhou para as árvores.
- O que está ouvindo? – Lucas perguntou.
- The Reason. – ela respondeu dando a ele um fone.
Ele pôs o fone no ouvido e fez uma cara de indignação.
- Seus gostos musicais são discutíveis – ele balançou a cabeça, – você só ouve música de fossa.
- Não é música de fossa – ela sorriu – é música boa.
- Hoobastank?
- É uma banda boa...
- Igual a Marron5, Lifehouse, Jesse McCartney e One Republic?
- Eugosto dessas bandas.
- Seugosto é estranho...
Eles riram juntos.
Ficar perto de Lucas fazia bem à Luce. Era como se ele tirasse todo o peso das costas dela. Todas as preocupações, todos os medos. Tudo desaparecia e tudo o que restava era apenas a Luce.
- Lucas – ela disse, forçando as palavras a saírem de sua boca. – Eu não confio em mais ninguém para contar o que esta acontecendo comigo. Eu...
Lágrimas cobriram os olhos de Luce. A música que eles estavam ouvindo também não ajudava: All for Love do Michael Bolton. Não é a música certa para se ouvir numa hora dessas.
- Bem... – ela pensou nas palavras certas para dizer. – Eu estou vendo coisas. Coisas que só eu vejo. Eu não sei o que é, e eu não quero ver essas coisas. Lucas, eu estou com medo. Eu tenho medo de olhar para frente e ver de novo o que eu vi.
- O que você viu?
- Uma criatura. Eu não sei o que era, mas na hora eu senti como se nunca fosse mais ser feliz ou ver minha família.
- Luce – ele disse calmo. – Eu não sei o que você viu, mas quero que saiba que pode contar comigo para o que der e vier. Eu sou seu amigo.
- Obrigado por acreditar em mim.
Ele sorriu.
O sinal do fim do intervalo tocou e eles se apressaram para não se atrasar para a aula.
Mais tarde, Luce estava voltando para sua casa a pé. Não era uma longa caminhada, eram apenas uns três quarteirões de sua casa até a escola. Ela caminhava na calçada, de um lado a rua e do outro as árvores. Começara a chover forte, e ela apertara o passo.
Foi quando ela ouviu um ruído.
- Lucinda... – uma voz desconhecida a chamou.
Ela olhou a sua volta. Não havia nada. Nenhum carro, nem mesmo pássaros nas árvores.
Nada.
Então seu pior pesadelo se tornou realidade. Do outro lado da rua ela viu a criatura que estava no porão. Desta vez ela estava mais assustadora que nunca.
Ela veio andando em sua direção, bem calmamente. Luce começou a correr. Ela corria mais do que suas pernas eram capazes. Sua casa ainda estava longe, e não adiantaria correr pela rua, então ela decidiu correr para a floresta. As árvores eram densas e ela poderia se esconder lá.
Luce perdeu as contas do tempo que correu, mas de repente ela escorregou em um barranco. A chuva ficava mais forte a cada segundo e seu cabelo e suas roupas estavam encharcadas. Ela se espremeu entre uma pedra pensando que estava bem escondida.
Luce ligou para Lucas.
- Alô? – ele disse.
- Lucas – Lucinda disse rapidamente. – Eu estou na floresta perto da escola, por favor, me ajude, aquilo está atrás de mim!
- Luce, se acalma, eu estou indo aí.
Mas ao invés de Lucas ouvir qualquer resposta de Luce, ele ouviu uma voz aterrorizante dizer: “Não adianta se esconder Luce.”
Lucas ouviu Luce gritar de puro terror e então o telefone ficou mudo.
Notas finais
Continuem acompanhando a história...
Deixem rewiews, um comentário é sempre bom, não importa se é bom ou ruim. OK?
Beijinhos da autora...
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