Lucas

1 Lucas - Uma Noite Na Praia


Notas iniciais
O/

Lucas

- Uma Noite Na Praia -


Lucas estava na minha frente, falando apreensivo no telefone.

Cabelos castanhos estavam bagunçados, gotas de suor caiam por seu rosto branco e seus belos olhos azulados estavam tensos.

Meus braços estavam cruzados sobre meu peito e eu me encostava à parede gélida as minhas costas. Joguei a cabeça para trás, eu estava cansado...

Há exatos 10 minutos atrás e eu e meu melhor amigo estávamos numa animada partida de videogame na sala.

Ele estava morando em São Paulo e veio me visitar aqui no litoral, já que está nas férias da faculdade de Artes.

Lucas socava meu braço, brincando, para atrapalhar a corrida de carros e ria das minhas piadas sem graça, como o bom amigo que ele é.

Mas ai o telefone começou a tocar, de principio nós ignoramos, mas o ser do outro lado da linha parecia ser extremamente irritante e voltou a insistir nas ligações.

Levantei-me do sofá e fui atender.

Logo uma voz um pouco rouca pode ser ouvida e ela pediu para falar com Lucas, se não me engano era Lídia, tia dele.

E agora estamos aqui nesse ar pesado e clima de tensão.

Estava me deixando nervoso ver o rosto do Lucas daquele, dei um suspiro abafado e fui para a cozinha.

Procurei por alguma coisa doce a se comer nos armários e achei um pacote fechado de pão de mel, abri-o e voltei para a sala, começando a retirar um dos docinhos e o levando a boca, ficando com ele parado assim ao ver que o moreno abria as portas de vidro e se dirigia para fora da casa.

Ele foi para a varanda e se sentou na escada de madeira, segui-o.

Conforme fui me aproximando fui ouvindo o barulho baixo de seu choro.

O que tia Lídia veio a falar para ele naquela ligação?

Cheguei a passos leves e sentei ao seu lado na pequena escadaria.

Passei minha mão livre pelos fios negros da minha cabeça e ofereci o pacotinho de doces de mel a ele.

Não o encarei, não o pressionaria por algum tipo de resposta por seu choro repentino, mas não pude deixar de virar meus olhos verdinhos para ele, o olhando discretamente.

Sua cabeça estava baixa, entre seus joelhos, e ele soluçava.

Fiquei a olhar para frente.

O céu de começo de noite estava límpido, pouquíssimas nuvens visíveis e nenhuma estrela a vista.

As ondas do mar estavam calmas e lentas, fazendo um barulho gostoso de ouvir.

Eu suspirei cansado e logo depois senti um peso em meu ombro e nem precisei olhar para saber que era o Lucas.

O cheiro doce de seu perfume amadeirado era único e tão bom de sentir...

— Mamãe não poderá mais passar momentos bons com a gente... – Sua voz era triste e chorosa...

Tia Lúcia... Lucas está chorando, está visilmente muito triste e o que ele acabou de dizer... Sua mãe foi embora...

Ofereci novamente o pacote de doce para ele e o moreno lentamente pegou um doce mel, levando o a boca e pude ver seu rosto, agora avermelhado, por onde sôfregas lágrimas salgadas caiam.

— Obrigado... – Um sorriso triste se formou em seus lábios rosados e ele envolveu os braços ao redor de seu corpo. Frio?

O tempo estava frio e como não poderia e não queria simplesmente deixa-lo aqui sozinho e ir lá dentro pegar uma blusa, desencostei cuidadosamente sua cabeça de mim e retirei meu moletom preto, lhe entregando a roupa e deixando com que um sorriso de lado surgisse em minha boca.

— Eu estou aqui com você. – Tinha que tentar deixa-lo melhor falando essas palavras em um tom baixíssimo, perto de seu ouvido. Foram as mesmas que meu irmão mais velho disse para mim quando meus pais morreram num assalto, há 10 anos, eu tinha apenas oito na época...

Lucas voltou a recostar a cabeça em meu ombro, parecia estar melhor e não sentir mais frio.

— Eu sei Vitor... – Seu tom de voz foi aveludado, de aconchego...

Ele ficou a olhar para um ponto no mar, as velhas boias que iluminavam barcos pesqueiros.

— As ondas acalmam.

— Eu me sinto bem só de ouvi-las, lembra a mamãe. – Ele olhou para mim e me deu um meio sorriso, ainda tristonho. – Pensar nos bons momentos... Não é o que você diria?

— Sua mãe não gostaria de vê-lo triste... Vamos, me de um sorriso um pouco mais alegre.

Ele me olhou de forma doce e sorriu com eu pedi.

Levei meus braços ao redor do corpo de Lucas e o abracei fortemente de lado.

O corpo dele nunca fora frágil, mas agora parecia estar. Ele estava lembrando meu gato, parece estar carente por carinho e atenção.

Fiquei um bom tempo naquela posição aconchegante até recuar minha mão e levar a sua cabeça, começando a afagar seus cabelos da forma mais carinhosa que pude.

Apenas com o Lucas eu conseguia ser desse jeito, gentil e atencioso.

— Que cafuné bom... – Um riso nasal, abafado, e sincero passou por seus lábios.

Ele passou a manga do meu moletom sobre as lágrimas, a fim de enxuga-las. Espero que não volte a chorar...

Pensei logo nas músicas favorita dele, ‘Free as a Bird’ é de certa forma romântica demais pra situação, então... Claro que ‘Don´t Worry Be Happy era uma se adequava perfeitamente a todos os tipos de situação tanto boas como ruins por qual nós passávamos:

— ‘In every life we have some trouble
But when you worry you make it double
Don't worry, be happy

Logo senti um beijo silencioso em minha bochecha e olhei para Lucas com um sorriso maroto no rosto. Incrível como essas coisas eu só o via fazer comigo... Acho que ele gostou da minha tentava de cantar como o Bobby McFerrin.

— Quer entrar ou continuar a observar a lua?

— Eu sei que está frio e você está sem blusa, mas... Seria muito pedir para ficar aqui comigo por mais um bom tempo? – Como eu havia dito, um gato carente.

— Sem problemas, aliás, nem vou trabalhar amanhã...

— Vai passar a quarta inteira me consolando?

— Se precisar, até a semana inteira, mas já vi que você não vai ficar chorando por ai. Então, sem problemas...

Ele sorriu. Seu habitual sorriso encantador.

Lucas se aproximou mais de mim e pude sentir seu hálito quente de menta batendo contra minhas bochechas.

— Posso? – Virei meu rosto, ficando frente a frente com ele e lendo em seus olhar o significado de suas palavras.

Eu nada disse, fiquei apenas com meus olhos focados nos azuis do moreno.

Então ele lentamente se aproximou um pouco mais e calmamente encostou os lábios no meu, ficando assim por alguns segundo até eu sentir um sorriso se formar em sua boca e ele se afastar.

Acabei por tendo uma vontade incontrolável e trouxe Lucas novamente para perto, fazendo-o o encostar-se a meu tórax e levei minha cabeça até a dele, onde fiquei por repousar meu queixo.

Ficamos um bom tempo naquela posição carinhosa e também a eu voltar a fazer carinho em seus tão macios fios de cabelo castanho claro.

Mas aí eu ouvi passos no piso de madeira da varanda e a voz rouca de meu irmão:

— Estou colocando jantar na mesa...

Eu virei a cabeça um pouco para trás e vi Guilherme com ambas mãos na cintura e vestindo um avental com desenhos infantis de ursinhos. Não pude deixar de soltar um riso abafado.

Ele sorriu e ficou olhando de um jeito bobo para mim e para Lucas como um gato aninhado e abraçando meu corpo.

Então ele moveu os lábios e disse sem soltar palavras: “Eu vi o beijo...”, então saiu rindo de volta a casa.

Baguncei os cabelos do moreno e me levantei calmamente, levando Lucas comigo para dentro num caloroso abraço de lado.

— Melhor? – Perguntei um pouco preocupado, ainda na varanda.

— Não há por que ficar triste ou chorar. Mamãe gostaria que eu sorrisse... Que eu estivesse alegre... Não é?

— Eu me sinto melhor com você assim. – Ele sorriu e se agarrou mais forte no abraço.

— Sabe, minha mãe sempre falou que se um dia eu te beijasse e dissesse que te amo eu poderia ter certeza que você sente o mesmo por mim. Espero que de onde seja que ela está agora, ela possa estar ouvindo isso...

— Eu acho que ela está certa...

— É uma declaração?

— Dona Lúcia deve saber. – Ele sorriu e parece ter entendido o que eu quis dizer, pois me roubou mais um beijo, dessa vez demorado.

— Obrigado por estar sempre aqui comigo...

— Não há o que agradecer... – Ele sorriu de volta, já sabia minha resposta...

— Free As A Bird. Happy... – Ele repetiu a letra de suas canções favoritas.

— Jantar Pronto! – Gritou meu irmão Guilherme da cozinha.

Voltei as escadas e peguei o pacote vazio de pão de mel.

Nós sorrimos e entramos em casa.

...

Notas finais
Ooooi! o/ ;D
Eu estou pensando em fazer uma continuação ;)
Então, se gostou, deixe um review! o/ Se não gostou, também deixa um dizendo o motivo ^_^
É isso, até mais o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!