Luas de Sangue
1 Prelúdio: Lua Nova
Notas iniciais
Prelúdio: Lua Nova
O Sr. White observava o homem sentado à sua frente. Era difícil acreditar que um profissional tão experiente pudesse cair nas armadilhas de sua própria profissão. O Dr. Stevenson usava uma camisa-de-força e sua cabeça estava um pouco inclinada, indicando que o médico estava sob o efeito de tranqüilizantes.
O detetive dá um suspiro e olha na direção de um grande espelho, que ocupa a metade de uma das paredes da sala de interrogatórios. O espelho refletia apenas a palidez doentia das paredes brancas e os dois homens que estavam sentados em uma pequena mesa, um de frente para o outro.
- Como vocês esperam que esse zumbi possa dar alguma pista útil para o caso? – diz o detetive.
Vindo de lugar nenhum, ouve-se um ruído de estática e o microfone soa, acompanhado de uma voz fria e despreocupada que contrapõe:
- Não estamos interessados na sua opinião, Detetive White. Apenas faça seu trabalho.
Malditos homens de preto. Por que os agentes da CIA estão tão interessados nesse caso? – pensa o detetive White.
A vítima pertencia a uma família muito rica e influente, acionistas da PENTEX, um conglomerado de empresas com sede em várias partes do mundo. Curioso, o detetive pega uma pasta que estava sobre a mesa e faz um rápido exame:
Michele Miller. Caucasiana, 168 cm de altura, 60 kg, 16 anos de idade.
A Srta. Miller afirma ter sido possuída por algum tipo de espírito ou fera que eventualmente toma o controle de seu corpo e de suas ações. Também alega estar sendo vigiada por uma dessas criaturas, com a qual ela supostamente se comunica.
Diagnóstico:
- Transtorno de personalidade dissociativa (dupla personalidade)
- Distúrbios secundários de paranóia e surtos de violência.
Situação Atual:
Sem progressos no tratamento médico, a paciente agora apresenta novos sintomas. Possível causa: esquizofrenia. Sugestão de procedimento: Internação permanente.
Não há nada naquele arquivo que justifique o interesse da CIA. Tudo leva a crer que a jovem Miller fugiu da clínica, uma vez que não existem evidências que caracterizem um caso de seqüestro. O Dr. Stevenson alega que sua paciente foi levada, mas não foram encontrados indícios que comprovassem essa hipótese e nenhum pedido de resgate foi feito até o momento.
A garota está desaparecida há um mês e a única testemunha ocular do incidente é o médico responsável pelo acompanhamento clínico da vítima, que estava junto com a paciente quando ela foi vista pela última vez. As câmeras de segurança não registraram nenhuma alteração, foi como se a garota tivesse simplesmente evaporado.
Na ocasião, o Dr. Stevenson foi categórico em afirmar que uma enorme besta grande e peluda surgiu através do vidro protetor da sala de exames onde estava a paciente, atravessando-o sem deixar nenhum vestígio sequer de sua destruição e sumindo com a jovem Miller logo em seguida, da mesma forma. Inacreditável.
- Algum problema, detetive? – pergunta a mesma voz sem emoção de antes.
O policial apenas balança a cabeça em um sinal de negativa, ao mesmo tempo em que acende um cigarro e volta novamente a atenção para o médico. Os cabelos dele estão completamente assanhados e um fio esbranquiçado e espesso está escorrendo do canto esquerdo de sua boca. Esse vai ser um longo dia, conclui o detetive antes de finalmente iniciar seu interrogatório...
CONTINUA
N.A: Essa estória é diretamente inspirada no universo de Lobisomem: O Apocalipse, masnem todas as situações serão de acordo com as regras oficiais do jogo, que apenas me servirão de inspiração. É claro que algumas coisas não irão mudar (tipo a nomenclatura e alguns outros conceitos desse RPG), como o clássico fato de que os lobisomens precisam de uma superfície refletora para usar como passagem entre os mundos físico e espiritual (umbra).
A PENTEX é um conglomerado de empresas bastante famoso no Mundo das Trevas, particularmente em Lobisomem: O Apocalipse, e acredita-se que a maioria dos seus afiliados tem relações com a Wirm (vou explicar com maiores detalhes depois), sendo inimigos mortais dos lobisomens.
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