Lua do Meio-Dia

1 1. Chegando A Forks


FAZIA CALOR NAQUELA TARDE EM minha cidade. O tempo parecia que estava feliz por eu sair de casa e não triste como minha mãe estava. Eu estava prestes a partir para bem longe de minha casa e de minha mãe. Estava prestes a ir morar com meu meio-irmão e meu pai. Eu nunca tinha me dado o trabalho de pensar nem neles e nem em minhas meias-irmãs como uma família. Para mim, minha família era apenas minha mãe, Mason (meu padrasto) e eu.

Seria a minha primeira viagem de avião para fora de Jacksonville, Florida e eu deixaria muitos para trás. Tinha meus colegas de minha escola — sem contar que eu estava dando adeus no meio do semestre —, meu quarto com todas as minhas coisas da minha maneira dentro e tinha a saudade que eu iria deixar de minha mãe. Eu sabia que ela me queria por perto, mas eu sabia o quanto ir com ela atrasando e atrapalhando as viagens que Mason planejava com ela a deixava desconfortável. Não que Mason e eu não nos déssemos bem, pois nós nos dávamos bem. Bem até demais. Tínhamos uma relação boa, como se fosse realmente companheiros, mas não pai e filho.

Então, por conta disso, eu resolvi morar com meu pai na pacata cidadezinha de Forks, Washington, e dizer adeus a todos.

Eu tinha me despedido da escola, arrumado minhas coisas — tudo o que poderia caber em três malas e duas mochilas —, e já estava pronto para dizer adeus à Jacksonville. Querendo ou não, eu estava indo para o bem, eu acho. Minha mãe teria, finalmente, seus momentos a sós com Mason sem ter a mim por perto para poder deixá-la não totalmente feliz. E eu também finalmente conheceria, melhor, meu meio-irmão e, talvez, minhas meias-irmãs e até meu pai, mas eu duvidava e, parte de mim, não queria se socializar com eles. Eles eram como estranhos para mim; como parentes bem distantes.

Bem, eu tinha conhecido meu pai quando ele veio ao meu aniversário, em outubro do ano passado, quando eu fazia quatorze anos. Estávamos no meio da pequena comemoração quando a campainha de minha casa tocou e mostrou um homem de pele avermelhada e cabelos longos e pretos em uma cadeira de rodas, e o jovem de pele também avermelhada com cabelos curtos e pretos empurrando a cadeira logo atrás. Billy Black, meu pai e Jacob Black, meu meio-irmão.

Para alguém que nunca tinha conhecido seu pai, eu tinha ficado completamente em choque em ver meu pai e meu meio-irmão, principalmente à diferença de etnia que tínhamos. Minha mãe e eu éramos dois branquelos e eles dois eram dois morenos incrivelmente bonitos. Bem, depois daquela chegada agradável, minha pequena comemoração tinha acabado.

De qualquer forma, estávamos no aeroporto e meu avião já estava prestes a partir quando minha mãe me deu um último abraço. Bem apertado, por sinal. Mas não durou muito tempo.

Ela me soltou e fitei a figura de cabelos tão pretos como os meus e olhos verde-esmeralda iguais aos meus também. Ela sorria, mas continha lágrimas em seus olhos. Mason, o ser alto e musculoso de cabelos castanhos e olhos castanhos e de pele amarelada, tinha uma das mãos em um ombro de minha mãe.

— Mãe, eu não vou estar tão longe assim — disse eu com meio sorriso.

Ela fungou e enxugou os olhos.

— Estará mais distante do que sua tia Maggie — disse-me ela.

— Mãe, tia Maggie vive no Canadá — lembrei-a. — Washington é mais perto.

— Você estará longe de qualquer maneira... — e ela voltou a chorar.

Revirei os olhos e dei-lhe um último abraço.

— Cuide bem dela, está bem? — disse eu a Mason com um sorriso de lado.

Mason pareceu ficar em posição de sentido e me olhou nos olhos sem sorrir.

— Eu prometo — disse ele sério.

O olhei com as sobrancelhas levantadas e ele riu logo em seguida. Ri com ele.

— Eu prometo, parceiro — disse ele. — Ela é a minha vida e eu cuido bem da minha vida.

— É bom ouvir isso — disse eu.

E nós nos abraçamos também.

No segundo seguinte, a voz de uma mulher disse que era a última chamada para Washington e eu tinha que embarcar se eu quisesse mesmo ir para a pacata cidade de Forks. E eu tinha que ir.

— O.K., eu tenho que ir — disse eu e coloquei uma de minhas mochilas pendurada no ombro e segurei a outra com a mão. — Tchau, mãe.

— Tchau, meu bebê — disse ela e voltou a chorar.

Mason a puxou para seus braços e me olhou.

— Tchau, parceiro — disse ele e sorriu de lado, um pouco triste.

Eu também não queria dizer adeus para Mason.

— Tchau, parceiro — disse eu, também um pouco triste.

Assim que disse aquilo, virei-me de costa e fui embarcar em meu avião para Washington.

A viagem tinha sido completamente entediante e chata.

Eu dei graças a Deus quando o avião posou em Washington, pois eu não aguentava mais ficar a toa em um avião quase vazio e ouvindo minhas músicas em meu celular repetidas vezes. No aeroporto de Washington, eu tive que esperar por meu pai vir me buscar, o que demorou um bocado. Mas eu não reclamei.

Quando as figuras de Billy e Jacob apareceram em meu campo de visão, eu pude ver o sorriso de Billy de orelha a orelha de longe e Jacob tinha um sorriso de lado no rosto. Os dois pareciam os mesmos desde a última vez em que eu tinha os visto. Jacob continuava com o cabelo curto e aparência de 23 anos e Billy com a cara de um cinquentão. Mas eu também não me dei o trabalho de ficar reparando muito.

Assim que adentramos no carro que Billy tinha, ele deu partida assim que se assegurou de que Jacob e eu tínhamos entrado. Reparando do banco de trás, aquele carro era totalmente pequeno para Jacob. Ele era bastante corpulento e fazia muito frio para ele apenas estar de regata. Estranho, mas eu, como sempre, não me atrevi a falar alguma coisa.

Billy dirigiu por horas e o carro estava completamente em silêncio. Eu não tinha intimidade para com eles para dizer alguma coisa, eu só os tinha visto uma vez na vida e foi em uma idade que eu tinha aprendido a não ter pai e irmão, somente mãe e padrasto. Jacob falava alguma coisa a respeito de um sujeito chamado Sam com Billy, mas Billy bufava e dizia que Sam não tinha nada a ver com a gente, sendo que Jacob já tinha seu grupo.

De início, eu pensei que Jacob fazia parte de uma gangue e até parecia por conta de seu tamanho e braços, mas eu desconfiava que aquela cara de ainda adolescente e não jovem como ele aparentava ser poderia fazer parte de uma gangue. Billy também fazia do tipo que não admitiria isso. De qualquer modo, eu comecei a pensar que eles eram loucos, mas, como sempre, mantive a boca fechada.

Finalmente, quase duas horas depois, chegamos a tal Forks. Era pequena, era notável e o tempo ali estava completamente frio e chuvoso. Quando eu tinha perguntado se ali fazia sol, Jacob tinha me dito que raramente o sol aparecia. Que ótimo. Cidade pequena, frio e sem sol. Eu não podia pedir por mais. Mas não ficamos ali. Eles seguiram para perto das reservas de Forks e li uma placa que dizia “Bem Vindo a La Push”. Quando eu perguntei o porquê que iríamos para La Push, Billy disse que era onde eles moravam.

La Push era um pequeno vilarejo ao lado de Forks. Era coberto de árvores e mais árvores, formando uma floresta bem grande e uma praia que era completamente vazia e que só de olhar já sabíamos que as águas eram completamente geladas.

Andando mais um pouco, Jacob parou o caro. Jacob foi o primeiro ao sair do carro quando adentramos mais em Forks e fomos à direção das reservas da cidade. Ele saiu do carro e foi em direção ao banco de Billy, onde já tinha a cadeira de rodas preparada, e o colocou lá. Ele foi para trás do carro e tirou duas das três malas. Eu aproveitei que a mala estava aberta e saí do carro em direção a ela. Ele, Jacob, tinha deixado as duas malas no chão e estava pronto para pegar a terceira, mas eu o impedi pegando ela mais rápido que ele.

— Pode deixar — disse eu. — Eu pego.

— Não, eu consigo... — disse ele tentando pegar a mala de mim.

Eu segurei a mala com firmeza e o olhei.

— Sério, pode deixar que eu a levo — falei.

Ele me olhou e assentiu para mim.

Jacob e eu só tínhamos nos visto uma vez na vida e essa era a segunda. Não tínhamos papo e eu achava melhor assim. Eu não me via sendo amigo dele naquela época e acredito que dali por diante não seria nem um pouco diferente, eu sentia isso. Ele podia ser um cara legal, mas era totalmente estranho para mim; eu nunca cogitei a ideia de ter irmãos, principalmente mais velhos. Para mim, isso ainda era muito estranho.

Andando um pouco, avistei uma pequena casa. Ela parecia ser pequena por dentro também. Mas era boa para abrigar duas pessoas no máximo, mas, como agora nós éramos três, eu duvidava bastante de que aquela casa poderia caber todos nós. A casa era vermelha e tinha apenas um andar, e tinha um pequeno lago atrás e a floresta logo em seguida e eu podia jurar ter ouvido um uivo de lobo. Quando olhei incrédulo para eles dois, eles pareceram não se importar e até fingiram que não escutaram nada; como se aquilo fosse normal.

Bem, para alguém como eu, de Jacksonville, Florida, aquilo não era exatamente bem comum. E eu tinha certeza que não iria conseguir dormir direito, sabendo que lobos viviam bem no meu futuro quintal.

— Ahn, sem querer ofender — olhei para Billy, que estava mais próximo de mim —, mas vocês têm certeza que vamos caber aí dentro? — perguntei.

Billy bufou e riu logo em seguida. Levantei uma sobrancelha para ele.

— De forma alguma — disse ele.

— Mal cabia eu ali dentro — disse Jacob rindo e se aproximando de nós com as malas. Era muito peso para alguém, mesmo ele com aqueles braços musculosos, carregar, mas ele parecia estar completamente confortável. Estranho. — Meu quarto era completamente apertado.

— Ainda mais com Rachel aqui — disse Billy.

— Ela está aqui? — perguntei um tanto curioso, indicando a casa de Billy com o dedo indicador.

Bem, eu nunca tinha conhecido minha meia-irmã. Eu estava curioso para saber como ela era. Se ela era uma pessoa simpática ou antissocial. Se ela se parecia como eles dois — com aquela pele avermelhada de me causar inveja e desejar tê-la —, ou se era uma pessoa alta como Jacob ou baixa como Billy. Se ela tinha cabelos longos ou curtos. Enfim, eu queria conhecê-la.

— Está — disse Billy. — Porém está na cidade. Foi fazer uma pequena visita ao supermercado. Jacob aqui come por três de mim.

Jacob fechou a cara, totalmente desconfortável.

— Obrigado, pai — resmungou, ele.

Billy sorriu e deu uma piscadela para ele.

— Conte comigo sempre, filho — disse Billy.

Segurei a risada que se formou em minha garganta.

— Mas e Rebecca? — perguntei pela gêmea de Rachel.

— Bem, ela é casada — disse Jacob. — Está no Havaí com o marido.

Jacob revirou os olhos, mas apenas assenti para ele.

— Você não vai ficar aqui — disse meu pai me olhando e sorrindo, como se aquilo fosse bastante óbvio.

— Ele mora com Rachel — disse Jacob indicando Billy com a cabeça. — Você e eu iremos para outra casa.

Franzi a testa para aquilo. Morar sozinho com Jacob não estava nos planos. A gente mal se falava!

— Pensei que iria ficar com o senhor — disse eu a Billy ainda com a testa franzida.

— Bem — ele deu de ombros —, mudança de planos.

Um tanto irritado, assenti para aquilo.

— Vem, vamos deixar suas coisas na casa nova — disse Jacob e seguiu caminho em direção à floresta.

Mas eu não me mexi. Jacob notou a ausência de meus passos e parou de andar. Virou-se para trás e me olhou com a testa franzida.

— Vamos? — disse ele.

O olhei incrédulo.

— Mas você está indo na direção da floresta — falei incrédulo.

— E daí? — ele franziu a testa para mim.

— Como “e daí?”? Ficou louco?

— E porque eu estaria?

— T-tem... tem lobos lá — tentei fazer o possível para que minha voz ficasse firme, mas eu vi que não adiantou. — E você ainda quer ir para lá? Está fora de si?

Jacob riu.

— Eles não irão fazer nada — disse ele em meio ao pequeno riso que ele tinha soltado. — Eles são... criaturas inofensivas.

— Quem garante? — rebati.

— Eu — disse ele firme. — Vamos?

Engoli em seco e o segui (com uma mochila nas costas, uma na mão e uma mala na outra) em direção à floresta.

Jacob me levou para mais à dentro da floresta, onde andamos por vinte minutos.

A floresta, a cada vez que adentrávamos nela, estava ficando mais fria e raios e trovões começaram a surgir no céu, juntamente com algumas gotículas de chuva. Era de se esperar chuva naquele local frio e de tempo nublado. Jacob disse para eu não me assustar logo assim que ele viu minha cara quando vi outro raio estourar no céu. Ele tinha dito que eu iria me acostumar com aquilo, já que Forks era uma cidade que chovia, em média, 330 dias e só fazia 35 dias de sol. Aquilo me fez gemer baixinho, pois eu sabia que iria sentir saudades do calor de Jacksonville.

Eu já estava ficando cansado de levar tanto peso comigo, mas ele parecia que estava totalmente tranquilo, pois não tinha parado nem uma vezinha para descansar. Eu o invejei por isso, mas eu deixei para lá.

De qualquer forma, Jacob parou de andar quando ficamos diante de uma casa de pedra. Bem, era um chalé, na verdade, mas eu preferiria chamar de casa a chamar de chalé. Ao menos eu não gostaria de chamar aquilo de chalé, pois era onde eu moraria, mas que seja! Chalé ou casa, aquilo seria o meu lar de agora em diante.

A casa era feita de pedra, como eu tinha dito. Na frente, havia um pequeno caminho de pedra que ia até a porta de madeira maciça e um jardim, totalmente perfeito e com flores bonitas. A casa não era de dois andares, mas era incrivelmente larga e alta, e poderia caber muito mais do que apenas Billy, Jacob, Rachel e a mim. Nos fundos, ao menos de onde eu estava, dava para ver que a casa tinha um gramado como quintal nos fundos, onde se ligava para a floresta da reserva de Forks. Tinha uma chaminé no teto da casa e estava acesa, pois saia fumaça de lá.

— Incrível — disse eu diante a porta.

Pelo canto do olho, vi Jacob sorrir.

— Que bom que gostou — disse-me ele.

O olhei.

— Está brincando? — disse eu e voltei a olhar para a casa. — Essa casa é incrível.

Ouvi sua pequena risadinha.

— Bem, vamos entrar...

Assim que ele disse aquilo, ele soltou uma das malas no chão e abriu a porta.

O interior era ainda mais surpreendente.

O chão era totalmente de madeira, o que eu achei meio esquisito, mas, de alguma forma, aquilo deixou a casa ser bonita e única. A sala era o primeiro cômodo a se ver e tinha dois sofás espaçosos em frente para uma lareira de mármore acesa. A tevê estava em um canto que fazia com que quem estivesse no sofá, poderia vê-la sem problemas. Tinha uma estante, grande e larga, à minha esquerda e estava repleta de livros, e tinha espaço o suficiente para por os meus. E atrás da tevê tinha uma pequena prateleira repleta de DVDs e com alguns vasos com plantas para enfeitar a sala.

Adentrei mais na casa e continuei a minha turnê por ela.

Depois da sala, subia dois degraus e ali tinha uma mesa, também de madeira, mas com um vidro retangular no meio, com seis cadeiras — o que era curioso, já que éramos apenas Jacob e eu ali. À esquerda tinha um caminho e à direita outro. Segui para a esquerda.

Seguindo aquele pequeno corredor, eu pude ver um lavabo — onde tinha uma pia grande e um vaso preto polido — e dois quartos, que supus ser meu e de Jacob. Entrei no primeiro quarto que estava mais próximo de mim e me surpreendi.

O quarto era enorme também. Tinha uma cama de casal que parecia surpreendente confortável com um dossel incrível de metal e um ventilador de teto. À minha direita no quarto, se via um banheiro e uma janela perto da cama, onde tinha um sofá ligado à janela. Tinha um criado-mudo à direita da cama e tinha um abajur ali. E também tinha uma mesa com uma pequena estante, também com livros e espaço para os meus e continha um notebook, e um guarda-roupa bem grande ao lado. À minha esquerda, logo ao lado da porta, tinha um aquecedor também perto da porta e agradeci, pois ali dentro estava mais frio do que na sala.

— Incrível — foi só o que consegui dizer.

— Gostou? — perguntou a voz de Jacob atrás de mim.

— Achei um máximo — falei admirado.

— Esse é o seu quarto.

Ele adentrou no quarto e deixou minhas malas ao pé da cama.

— É realmente incrível — disse eu ainda admirando. — Meu quarto era bem menor do que esse em Jacksonville.

— Verdade? — perguntou ele.

O olhei e ele estava com a testa franzida. Assenti para ele.

— Venha, venha ver o meu — ele chamou com um aceno de mão. — O meu é bem mais bacana que o seu, é claro.

Bufei e ri.

— Acho impossível — disse eu.

Ele bufou e riu.

— Venha só ver.

— O.K..

E saí do meu quarto, segui o corredor e adentrei no quarto do fim do corredor. E me surpreendi também.

O quarto dele parecia ser bem maior que o meu. Tinha um guarda-roupa bem maior que o meu e já tinha roupas nele — muitas regatas, shorts jeans e algumas roupas a mais —, e uma cama que parecia ser bem mais confortável que a minha. Não tinha aquecedor ali e ele também não tinha um sofá à janela. Mas seu banheiro era absurdamente grande, bem maior que o meu. Era possível andar de patins em seu quarto e eu não estou brincado. Tinha uma tevê enorme de 52 polegadas na parede, de frente para sua cama e tinha um ventilador de teto como em meu quarto. Sua janela tinha cortinas com blackout e ficava bem direto para o quintal e a floresta. Seu quarto realmente era mais incrível que o meu. Mas eu ainda preferia o meu, é claro.

— Ainda prefiro o meu — murmurei.

Ele bufou.

— Não prefere, não.

— Prefiro sim — disse eu com firmeza.

— O.K. — disse ele assentindo com a cabeça, como se soubesse que se continuasse a me contrariar, iríamos discutir até amanhã. — Venha ver a cozinha.

Nós dois saímos de seu quarto, seguimos o corredor em linha reta e formos para o corredor do outro lado da casa.

A cozinha parecia ter o tamanho do quarto dele. A pia era de mármore e os armários eram de madeira e com a dispensa completamente cheia. O fogão era em uma bancada de frente para a pia, juntamente com o forno e tinha um treco em cima do fogão para sugar a fumaça que as panelas iriam fazer. Tinha uma lava-louça ao lado da bancada e tinha duas geladeiras e um freezer — de acordo com meu pai, Jacob comia bastante, mas a ponto de ter duas geladeiras? O.K., eu também comia bastante, mas duas geladeiras? Ainda não acreditei naquilo. A cozinha era incrível e eu iria me dar muito bem ali, já que, de acordo com minha mãe e Mason, eu cozinhava muito bem.

Andando um pouco mais, descendo dois degraus, ali tinha outra mesa retangular de madeira com vidro no meio e presumi que ali seria onde Jacob e eu iríamos jantar. Ou não, pois eu sabia que ele poderia querer jantar na sala por conta da tevê. Mas não me importei. Mais a frente, tinha uma porta nos fundos dali que dava direto para o quintal com gramado aparado e com uma árvore grande e bonita.

Aquela casa era incrivelmente sensacional.

— Incrível, não é? — perguntou ele e sorriu assim que me virei para olhá-lo.

— Demais — admiti.

Ele sorriu de lado.

— Mas essa casa é grande demais para nós, não acha? — disse eu.

Ele concordou com a cabeça.

— Mas é melhor assim — disse ele. — Não me sinto com espaço assim há muito tempo. Só quando eu...

Mas ele não completou a frase, pois fechou a boca no mesmo instante. Franzi a testa para ele.

— Só quando você o quê? — perguntei.

Ele chacoalhou a cabeça.

— Deixa para lá — falou ele.

Dei de ombros.

Bem, para dois irmãos que nunca tinham conversado direito, Jacob e eu estávamos começando a ter alguma amizade ou algo do tipo. Ele não parecia ser um estranho assim, afinal de contas, como ele realmente poderia ser? Ele era meu irmão (meio-irmão, mas... que seja!). Ele era uma pessoa legal, afinal de contas.

Outro uivo chegou a nossos ouvidos e olhei para a floresta no segundo seguinte e pude jurar ter visto uma criatura enorme que muito se parecia com um lobo branco. Virei-me para Jacob completamente assustado, mas me recompus e o olhei normalmente.

— E você disse que eles eram “criaturas inofensivas” — falei abrindo aspas no ar. — O que estava lá fora parecia um lobo, mas era absurdamente enorme!

Jacob não pareceu demonstrar reação nenhum a não ser franzi a testa para o chão. Ele começou a tremer de uma maneira estranha e me aproximei dele. Era curioso, confesso, pois eu não sabia se Jacob tinha epilepsia ou coisa do tipo. Mas a tremedeira dele era totalmente visível e ele nem fazia menção em parar ou esconder.

— Jacob? — disse eu me aproximando ainda mais. — Você está bem? — toquei sua pele, mas tirei na mesma hora. — Você está pelando — pus a mão em sua testa. — Jacob você está ardendo em febre!

Pus a mão em sua testa de novo, mas ele, com as mãos trêmulas, tirou minhas mãos de sua testa no segundo seguinte e se afasto de mim.

— Fique afastado de mim, Blake — disse ele.

O olhei incrédulo.

— Mas por quê? — perguntei franzindo a testa. — A gente devia chamar o Billy — disse eu. — Você não me ouviu? Você está ardendo em febre, Jacob. Vou a casa dele e o cha...

Suas mãos agarram meu braço direito com força, o que me fez virar para olhá-lo.

— Não... — foi só o que ele disse com certa raiva.

— Está me machucando... — reclamei, pois ele apertou ainda mais suas mãos em mim.

Ele tirou as mãos de mim.

— Desculpe — disse ele e se afastou mais de mim.

— Jacob...

— Vá para a casa de Billy — cortou-me ele. — Eu vou... — ele olhou para a floresta. — Eu vou ver o quão perto dessa casa aquelas criaturas estão.

E ele começou a seguir para as portas dos fundos.

Mas eu me pus a sua frente com rapidez.

— Ficou louco? — perguntei ponto à mão em seu peito e parecia que eu tinha colocado minha mão ao fogo. — Quer morrer?

— Eles não me farão mal — disse ele e seu corpo começou a tremer.

— Eles? — repeti franzindo a testa. — Jacob, você fic...

— Eu já volto — cortou-me ele. Ele afastou meu braço com certa agressividade, passou pela porta dos fundos e correu em direção à floresta, adentrando nela.

Eu não sabia o que fazer. Eu não queria ir para a casa do meu pai com um lobo enorme a solta. Eu não era idiota para arriscar a minha vida para ir apenas a casa de Billy e dizer que tinha visto um lobo gigante e que Jacob foi atrás dele... bem, pensando melhor, eu era sim.

Ignorando as malas em meu quarto e as mochilas, segui para a porta da frente de minha nova casa e, correndo, segui para a casa de Billy sem saber exatamente o que iria dizer a meu pai.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.