Lua de Sangue
50 Capítulo 4
Notas iniciais
PDV Jane
– Minha o quê?- Falei tentando me segurar para não pular e arrancar a cabeça dela fora
– É, Jane. Sou sua amiga, por isso eu não vou deixar que estrague seu futuro dessa maneira- Respirei fundo.
– Jane, Melissa nos contou que você está namorando escondido.
– Eu... Não sei...do que ela está falando.- Ele se irritou
– Se fosse com um rapaz rico e de boa família... Mas não!- Minha mãe colocou a mão no braço do meu pai.
– Pai, vai acreditar nessa maluca?- Ele, foi até a mesinha de centro ,pegou um envelope e me entregou. Dentro continha algumas fotos, todas de eu e Grego nos beijando.
– Eu pesquisei sobre ele Jane! Esse garoto vem de uma favela, no Brasil! Ele já foi preso! E isso é inaceitável Eu disse que tenho casamento para você... Eu jamais permitirei que você namore um marginal.- Senti as lágrimas se formando enquanto ele falava.
– Não fale assim dele!
– Calada.. Escute, eu irei falar com ele agora, nunca mais você vai ve-lo- Eu me virei, minha visão estava turva, depois que eu limpei o rosto, eu olhei na direção de Melissa. Eu sentia tanto ódio dela.
– Você.. Diz ser minha amiga... Sua.. Você acabou com minha vida.. Sempre me atrapalhou..
– Ela sim é sua amiga Jane... Ela se preocupa com o seu futuro..
– Pai, você não sabe de nada...- Eu olhei para Melissa sem dizer nada, desejando poder fura-la com o olhar. Mas o que me surpreendeu, foi a expressão dela, antes de deboche, foi se transaformando, ela caiu no chão se contorcendo e gritando de dor, meus pais correram até ela. Mas o que está acontecendo? Eu aproveitei para analisar minhas chances de escapar, assim que desviei os olhos de Melissa, ela parou de se contorcer e gritar.
– Você é um monstro Jane.- Ela gritou se levantando.
– Eu? Mas eu não fiz nada. Você é louca garota..- Ela se levantou e saiu correndo pela porta.
Espera, eu fiz isso? Não é possível. Ela só podia estar fingindo. Mas ela parecia estar sentindo a pior dor da vida dela. Eu sorri com a lembrança. Gente, o que hove comigo? Eu nunca fui uma pessoa maldosa assim.
– Venha Jane! Vamos atrás desse garoto, como é mesmo o nome dele?- Ignorei a pergunta e me dirigi para o carro. Quando as portas do elevador se abriram, eu corri na frente e bati na porta dele
– Grego!- Ele abriu e eu o abracei forte, ele retribuiu o abraço.
– Que foi Jane? Ei, minha lorinha?- Eu não conseguia parar de chorar, nesse momento meus pais entraram.
– Tire as mãos da minha filha- Ele levantou o rosto e suspirou. Ele tentou se afastar mas eu não deixei. Ele olhou para mim, e se soltou dos meu braços.
– Você é Gregório Brenner Mourão?
– Sim, sou eu.
– Escute aqui garoto, você vai se afastar dela entendeu? Eu não sei como, minha filha deu chance a um favelado como você, entenda você não é bom o bastante para ela. Então, se afaste- Grego apenas assentiu.
– Não Grego você vai.. Aceitar isso- Ele olhou para mim, os olhos tristes
– Vou. Eu não posso fazer nada.
– Eu pensei...Pensei que você me...Amava Grego
–E eu amo...É por isso que vou aceitar..Seu pai tem razão...Eu... Não mereço você.- Eu chorei mais ainda
– Não fala assim...Você sabe que não é verdade.
– Pelo menos você foi digno de reconhecer a verdade- Olhei para meu pai — Deixe-me falar com ele a sós,por favor
– Não
– Ela tem esse direito- Minha mãe se manisfestou pela primeira vez, ele concordou e saiu. Eu olhei para Grego
– O que você fez para ser preso.. E por que você nunca me disse isso?- Ele deixou escapar uma lágrima, limpou, se aproximou e segurou minhas mãos e me fez olhar para ele.
– Jane, eu não te contei, porque eu não achei importante.. E eu já paguei pelo que eu fiz de errado.. Isso não é justo, ficou no meu passado, eu já pageui, e... Não vai acontecer de novo..- Ele também chorava agora.
– O que você fez?
– Foi em defesa... Eu juro, Jane eu não tive culpa..
– O que foi que você fez?- Eu deixei a voz mais firme agora
– Era o assaltante... Ou minha Tia, a única que cuidou de mim quando... Minha mãe não queria nem me ver...- Eu fiquei incrédula
– Você... Matou uma pessoa... Eu não acredito... Você...- Eu não tinha coragem de olhar para ele. Grego pareceu adivinhar, pegou meu rosto e me fez olhar para ele.
– Sei.. Que deve estar me odiando agora.. Mas nunca se esqueça... Eu te amo.. Muito... Eu vou sair da sua vida, ele tem razão, eu não presto e não sou bom o bastante pra você... Só vou esperar até a formatura e depois eu... Vou voltar para casa, vou pro Brasil, voltar para Paraisópolis... De onde eu não devia ter saído... Eu te amo..- Eu tirei as mãos dele do meu rosto e abri a porta,olhei para ele, estava com lágrimas escorrendo pelo rosto como eu, suspirei e saí dali.
– Vamos?- Perguntei a eles que assentiram e seguiram na frente....
PDV Grego
Que ótimo, eu queria pular daqui de cima agora, mas eu tenho amor a vida.
Os preparativos na Universidade para a formatura, estavam prontos. Era hoje, eu só pegaria o diploma e depois voltaria para casa, arrumaria as malas e pronto depois é só partir para o Brasil.
Quando eu estava me arrumando eu não conseguia parar de pensar na minha loirinha. Eu não sabia como iria olhar pra ela de novo, olhei no relógio e vi que eu não podia mais adiar esse momento.
Quando cheguei eu logo vi o carro dela se destacando.
Entrei no ginásio e estavam todos ali, alunos e suas famílias, uma pena eu não ter uma família para vir na minha formatura. Eu me sentei em um canto e observei todos eufóricos de um lado para o outro. Não demorou para eu encontrar Ela, linda, perfeita como sempre. O vestido longo e rosa vivo, caia bem em sua pele clara, ela não me viu, mas ao meu julgar, não parecia muito feliz. Desviei o olhar dela para o chão.
Fiquei ali parado sem olhar para ninguém até que chamaram os alunos, me posicionei na fila, com aquela beca horrível, pelo menos não era amarela e sim preta, ela ficava atrás de mim pela ordem alfabética. Depois do discurso, eles começaram a falar os nomes.
– Fernado Hayes Wichester- Ouvi os aplausos e gritos, claro filho do professor de Educação Física. Mal me dei conta, eu era o próximo.
– Greório Benner Mourão- Abaixei a cabeça, caminhei até a Direrora, ouvindo apenas os aplausos por educação das pessoas, peguei o diploma e rapidamente dei uma olhada na família dela, o pai tinha os olhos estreitos e a mãe um olhar de compaixão. Jane aplaudiu forte, eu segurei o sorriso. Desci dali e esperei em outra fila assim como todos.
– Jane Scarllet Volturi- Enquanto ela ia até a diretora, os aplausos e assovios eram ensurdecedores. Depois de jogaram os chapéus de formatura para o auto. Percebi que era hora de ir embora, eu ainda tinha que terminar de arrumar minhas coisas. Em meio a muitos "Parabéns", eu fui abrindo caminho até a porta. Saí lá fora e tirei aquela beca. Olhei para a chuva que caía forte, soltei um suspiro frustrado.
Senti alguém tocar meu braço, me virei
– Parabéns- Jane falou sorrindo para mim não pude evitar sorrir também
– Parabéns- Eu falei de volta.
– Está Feliz?- Ela perguntou olhando em meus olhos
– Sim- Eu falei sorrindo para ela
– Você sorri.. Mas isso não chega a seus olhos... Você não está feliz.- Eu suspirei
– Bom... Eu achei que estaria feliz quando isso acontecesse, pra mim significaria o..inicio da minha luta para me formar.. Mas agora tanto faz...Significa o fim...Esquece.
Olha parabéns...Agora volte para lá, antes que seu pai...- Eu só senti a boca dela na minha, eu tentei afasta-la, mas eu não tinha força suficiente para isso...
– Jane?- Ela nem se abalou, fingiu não ouvir a amiga chamar, continuamos a nos beijar.
– Jane? Não está escutando não?- Ela se separou de mim relutante e se virou.
– Que foi?
– É que...Seu pai está..Te procurando.- Elas tentavam segurar o riso. Uma delas soltou uma risadinha.
– Diga a ele que estou bem... E que estou ocupada agora- Ela mal terminou e se virou para mim, passando os braços em volta do meu pescoço, fiz o mesmo em sua cincura e sussurrei em seu ouvido
– É melhor você ir... Adeus- Ela gemeu em protesto, me beijou e se foi com as garotas.
A chuva tinha diminuido então, saí andando e quando cheguei em casa estava encharcado. Troquei de roupa e arrumei as malas, estava tudo pronto.
PDV Jane
Eu voltei para dentro do ginásio e procurei saber o que meu pai queria. E adivinha? Só encher minha paciência.
O baile estava horrível então,esperei as pessoas se distrairem e saí para fora. Fui até a rua e peguei um taxi...
O elevador parecia demorar mais, e quando as portas se abriram, eu corri, e bati na porta, assim que ele abriu eu não lhe deu tempo, nem para dizer oi. Já o beijei, ele não recusou, pelo contrário, ele me agarrou com força. Fomos sem nos separar até o quarto e quando passei pela porta, bati a mão no interruptor apagando a luz.....
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