Lua de Sangue
18 "Velozes E Românticos"
Notas iniciais
Besos♥
Capítulo 18 – “Velozes E Românticos”
Corremos que nem umas condenadas, feito dois pivetes fugindo da polícia. Passamos tão rápido pela porta do bar que um pouco mais, teríamos atravessado ela que nem fantasmas. Juan, que estava limpando uma taça de vinho com o guardanapo atrás do balcão, se assustou tanto que deixou cair o objeto que estava em suas mãos. Joseph veio correndo, dando um baita chute na porta, com uma arma empunhada e o rosto coberto de adrenalina, de dentro da “sala de treinamento”, pelo rebuliço que havíamos causado.
JOSEPH: Ah, são vocês! – suspirou e abaixou a arma vagarosamente – Podiam ter acabado com uma bala na cabeça!
EU: Hum tá cheiroso... – e ele é, tenho que admitir — Só porque tu queres! – me olhou com desdém e candura ao mesmo tempo, dando um sorrisinho retraído, olhando para baixo.
JUAN: ?Qué pasa? – perguntou não entendendo o porquê de nossa afobação.
DIANA: O assunto é sério! – falou ainda ofegante.
EU: Seríssimo... – olhei ao redor, com expressão de dúvida – Cadê o Shane?
SHANE: Tô aq... – ele apareceu do nada atrás de mim, me assustando, fazendo com que, num reflexo, eu desse um golpe de judô nele. Ele caiu de costas em cheio no chão, batendo a cabeça – Au! – bradou dolorosamente.
EU: MEU DEUS, SHANE! – me abaixei desesperadamente, ficando de joelhos ao lado dele – Desculpa, desculpa! Estás bem? – o ajudei a levantar. Ele tomou fôlego, tentando me responder.
SHANE: Isso que é pegada! – fez cara de dor, pondo a mão na cabeça.
JOSEPH: Isso que é reflexo! – disse contente. Não se contendo, riu da desgraça do irmão. Mas, realmente, foi engraçado!
JUAN: Bueno, pelo menos os treinos estão fazendo algum efeito afinal... – se segurando pra não rir do pobre coitado do Shane.
EU: Desculpa Shane, de verdade... – quis rir, mas apertei os lábios e prendi o riso. Diana me olhou fazendo a mesma coisa.
SHANE: Sem problema, eu mereci chegando aqui de supetão! Só não sabia que ia ser tão bem recepcionado assim... – deu um riso, mas isso fez ele levar a mão às costas, pela dor que sentia ao rir. Joseph se compadecendo das dores (literalmente falando) do irmão, puxou uma cadeira e a colocou próxima de Shane.
JOSEPH: Senta ai mano! – sorriu.
DIANA: Vou pegar arnica e gelo, aguenta ai Shane – ele fez, com certo esforço, sinal positivo com o polegar.
EU: Não quebraste nada? – o examinei minuciosamente.
SHANE: Não, eu... Eu tô bem. Pelo menos eu acho...
JOSEPH: Tá bem sim! – disse dando tapas no ombro do irmão, encorajando-o.
SHANE: Aah! – se queixou — Vai com calma aí garotão!
JOSEPH: Foi mal...
DIANA: Ok, onde tá doendo?
SHANE: É mais fácil perguntar onde NÃO tá doendo!
JUAN: Deixa de ser dramático...
SHANE: Um pouco mais de compreensão aqui, por favor! – balançou os punhos. Juan se escorou no balcão, ajeitando os cabelos. Shane disse pra Diana onde estava doendo e ela logo passou arnica e deu o gelo envolto em um pano, para ele colocar na cabeça.
DIANA: Prontinho, agora vai ficar bem melhor.
SHANE: Muchas Gracias – olhou para Juan, tirando com a cara dele. Juan se limitou a revirar os olhos.
EU: No more Drama! – Shane me mostrou a língua, devolvi o “nobre” gesto.
JUAN: Podemos ir ao que interessa? El motivo de vocês duas estarem tão agitadas?
DIANA: Miranda teve um sonho muito estranho, ainda mais estranho que o passado... – todos se entreolharam desconfiados.
SHANE: Podem começar contando, sabe... – quebrando o silêncio sarcasticamente – E não nos poupem dos detalhes sórdidos, pois eles podem ser importantes – ergueu uma das sobrancelhas.
JOSEPH: Ele tem razão... Qualquer detalhe pode fazer a diferença! – fiquei um pouco relutante em contar pra eles todos os detalhes, porque aquelas partes românticas iriam, sem sombra de dúvida, me constranger. Mas não posso fazer nada, isso é maior do que todos nós, e mais importante ainda, pode nos custar nossas próprias vidas. Contei tudo a eles, Shane deu risadinhas de algumas partes (as românticas, claro! ¬¬), mas relevei, afinal de contas é do Shane que estamos falando.
EU: E hoje, no estágio, esse medalhão tava no pescoço do doutor! E, aliás, se parece muito com o amuleto que a Di tem...
DIANA: Mas como ele poderia ter um medalhão como o meu?
JOSEPH: É difícil, mas não é impossível.
SHANE: Ele pode se dizer o que não é...
JUAN: Posible! Mas, quem ele seria?
DIANA: Ou O QUE? – pensei mais um pouco, franzi a testa, até que algo me surgiu na mente.
EU: Gente! – dei um “pulo”. Todos me olharam imediatamente – Ele pode ser um VAMPIRO!
JOSEPH: Vampiro?
JUAN: Pouco probável...
SHANE: É... Teu estágio não é de manhã? – assenti – Vampiros não podem andar sob a luz do sol... A não ser que queiram se matar! – o silêncio voltou a tomar conta de nós.
JOSEPH: O medalhão... É isso! – Joseph despertou de um aprofundado pensamento.
EU: O que tem o medalhão?
DIANA: Se for um medalhão que nem o meu...
SHANE: ELE PODE ARMAZENAR ENCANTAMENTOS! – fez uma expressão de “Eureka!”.
JUAN: Devo decir que esa es una hipótesis muy probável.
EU: Mas como ele conseguiu? Não são só as bruxas que tem isso? – eles concordaram – E que encantamentos são esses que ele poderia colocar no amuleto?
DIANA: Isso não é o mais importante agora. Quem é ele gente?
SHANE: Como disseste que é o nome dele mesmo? – se dirigiu a mim.
EU: Jacques Tippens.
JOSEPH: Só isso?
EU: Eu acho... Era o que tava no jaleco dele e no crachá.
JUAN: Se ele for um vampiro, tem que ter mais nombres... Nombres conocidos. Não há nenhum sobrenome de vampiros que eu não conheça... E esse, eu não conheço!
SHANE: Sanguessuga novo na áera?
DIANA: Não, ele é um vampiro antigo, muito antigo... Não sei como, mas sei. Algo me diz isso.
EU: God! – dei um suspiro — Mas ele não pode tá mascarando o nome pra que nós não descubramos?
JOSEPH: Pode ser... Mas antes que a gente faça alguma coisa, temos que ter certeza disso, pra agirmos com plena convicção. E não matar uma pessoa por engano, ele pode ser um humano que, quem sabe, achou o medalhão, ou coisa assim...
DIANA: E além do mais, se ele fosse hipoteticamente um vampiro mesmo, ele não deve ter más intenções com relação a ti Mi, se fosse assim ias sentir alguma coisa fora do normal... Por menor que fosse.
EU: É, mas... E aquele papo de ele não ser muito fã do sol e de que não morde e dos olhos vermelhos? Pra mim isso não tem nada de hipotético! – bem no fundo, eu estava torcendo pra ele ser um vampiro. Talvez pela minha paixão descabida por essa espécie, mesmo tendo sérias desavenças com alguns. Pois é, sou uma louca mesmo.
SHANE: Joseph tá certo, temos que ter certeza primeiro... – Diana olhou pra mim concordando com a cabeça como se dissesse “eles tem razão!”.
JUAN: Bueno, voy hacer una pesquisa detalhada e ver o que descubro. Aviso vocês, qualquer cosa! Mas vão tentando descobrir mais dessa história também. Treino suspenso por hoy! – quis dar um grito de felicidade, mas aquele clima tenso e misterioso cortou todas as minhas forças. Juan se retirou.
SHANE: Você é quem manda chefe! – bateu continência e sorriu.
EU: Então a gente tenta descobrir o que pudermos, a partir de agora?
DIANA: Parece que sim... Fica de olho nesse doutor ai!
SHANE: É... Olhos bem abertos, cuidado – me advertiu.
EU: Pode deixar, vou tomar cuidado!
JOSEPH/SHANE: Acho bom! – falaram ao mesmo tempo, depois se olharam um pouco assustados.
DIANA: Gente eu tenho que ir agora, tenho que cuidar de umas coisas... Sem falar que eu preciso de uma boa noite de sono! Tchau, vejo vocês amanhã! – deu um abraço em cada um de nós, ausentou-se do bar, e deixou nós três sozinhos.
EU: Bom... Eu acho... – fui interrompida por Shane.
SHANE: Tô indo galera, preciso... – procurou pensar em alguma coisa pra falar – Preciso ver minha novela! – sinceramente, o Shane é terrível pra inventar esses tipos de coisa, ele não é nenhum pouco sutil, diga-se de passagem! – Então... É isso ai, é... Pode ficar com o carro mano, eu vou de outro jeito... Se é que vocês me entendem!
EU: Entendo perfeitamente... – sorri pra ele e ele devolveu com um sorriso bobo. E como num passe de mágica a névoa cinzenta surgiu levando Shane para longe dali. Aquele silêncio constrangedor permaneceu durante alguns segundos – Pois é... Eu já vou indo – que pleonasmo, mas tudo bem.
JOSEPH: Eu te levo, é perigoso ires sozinha há essa hora e já que não sabes usar o feitiço de tele transporte... Acho que é bem conveniente!
EU: Ah, com certeza! Acho que tenho que aprender esse feitiço logo, assim não tenho que ficar pedindo carona por aí! — sorri.
JOSEPH: Não te preocupa, além do mais, sou teu guardião... Tenho que te proteger, e uma simples carona é o mínimo que eu posso fazer – deu um sorriso de canto da boca.
EU: Tá bom então, se tu tá dizendo... Quem sou eu pra discordar, não é?
JOSEPH: É! Bora... — caminhou até a porta do bar e a abriu para que eu passasse primeiro.
EU: Ah, muito obrigada! – já lá do lado de fora – Muito gentil de sua parte!
JOSEPH: Não há de que! Sou gentil todo o tempo, se você não percebeu... – o olhei com uma cara de “finjo que acredito!” – É sério, não adianta me olhar assim!
EU: Tá bom... Eu acredito!
JOSEPH: Deixa de graça e bora logo... – balancei os braços como quem diz “tá não precisa me bater!” e ele só fez rir. Entramos no carro. Joseph pôs as mãos no volante e olhou pro painel do carro pensativo – Por que vocês duas não vieram pelo tele transporte? – estranhou.
EU: Que?
JOSEPH: Por que vocês não vieram por tele transporte ao invés de correr?
EU: Aaah! Sabe que eu nem tinha me tocado disso ainda? – botei a mão no queixo surpresa por não ter pensando nisso antes – Deve ter sido por causa de todo nosso desespero que nem tivemos tempo de raciocinar direito!
JOSEPH: Duas loucas mesmo... – o fuzilei com os olhos, ele desviou o olhar do meu e girou a chave na ignição. O motor rugiu feito um leão feroz, aquele som era muito irado.
EU: Isso que é motor! – Joseph olhou pra mim e deu um sorriso concordando, logo depois ligou o som do carro, que estava tocando “Smells Like A Teen Spirit” do Nirvana.
JOSEPH: Isso porque ainda não vistes nada! – me olhou com uma cara de criança que tá pra aprontar alguma.
EU: O que tu quer dizer? Co... – nesse momento ele arrancou tão bruscamente com o carro que eu fui pra trás com muita força, ficando colada no banco do carona, segurando no “puta merda” (pra quem não sabe, é aquela espécie de alça que fica próxima da janela do carro pra nós nos segurarmos) – Joseph? – ele me olhou com um sorriso insano no rosto e soltou um riso louco, porém engraçado.
JOSEPH: Sente só a ADRENALINAAA! – acelerou mais e mais, acho que daqui a pouco o velocímetro estourava.
EU: PELO AMOR DE DEUS JOSEPH, CUIDADO COM OS CARROS! – por mais que houvesse poucos carros na rua, qualquer coisa que em nós batêssemos iria fazer um estrago legal, a julgar pela velocidade em que estávamos... Tanto no carro, quanto em nós dois! – JESUS, MARIA... JOSEEEEEPH! – tiramos fino de um carro que estava estacionado na esquina, quase que eu morro nessa hora.
JOSEPH: UHUUU! – nunca havia visto Joseph daquela maneira, tão louco de pedra! Mas tenho que admitir que estava me divertindo com esse lado dele, mesmo ele quase me matando do coração. Pra ter uma noção o carro tava indo tão rápido que em quinze minutos chegamos a minha casa, coisa que demora pelo menos uma meia hora do bar pra lá. Ele estacionou bem em frente. Eu estava branca, mais branca ainda. Soltei um suspiro de alívio.
EU: Tu tá ficando doido por um acaso? Tá comendo merda? – olhei para Joseph bufando – Se tá querendo me matar, fala logo! Eras... – soltei o “puta merda”.
JOSEPH: De maneira alguma, só quero seu bem! – ele tava tirando com a minha cara? Era isso mesmo? Ah mas que insolência! ¬¬
EU: Fico muito grata meu querido! – devolvi a gracinha, fazendo uma cara nojenta. Tirei o cinto de segurança – Ah, meus livros por gentileza! – pedi para que ele me desse meus livros que estavam no banco de trás.
JOSEPH: Com muito prazer! – se virou e os pegou me entregando – Não quer ajuda com eles?
EU: Não, não é necessário! – sorri falsamente.
JOSEPH: Como quiser!
EU: Acordou com o bozo hoje? O que te aconteceu, hein? Tá todo... Sei lá! – ele só me deu um sorriso doce.
JOSEPH: Nada, eu sou assim. Tu que não percebe! – eu disse com os olhos “tá, não nasci ontem!” – Tu que hoje tá muito desconfiada...
EU: E com tudo que tá acontecendo tu querias que eu ficasse como?
JOSEPH: Tá ok. Sem mais bate-bocas!
EU: Brigada Joseph – falei sério – Boa noite! – quando eu ponho minha mão na maçaneta da porta para abri-la, só sinto as mãos de Joseph me segurando pelo braço. Viro devagar minha cabeça o olhando com o canto do olho.
JOSEPH: Não achas que eu mereço de uma recompensa por te trazer aqui? – sorriu maliciosamente, fazendo graça. Esse homem tava que tava hoje, vou te contar!
EU: Como é que é? Te manca rapá! – ri – É tua obrigação, tu mesmo disseste... Mas se não tivesse quase me MATADO do coração, até que eu consideraria a hipótese de uma recompensa... – ergui as sobrancelhas.
JOSEPH: Podia fazer um pequeno esforço, né?! – agora tocava “Last Kiss” do Pearl Jam, música fofa. Tudo conspirando pra alguma coisa a mais acontecer é ralado! Como se Joseph fosse querer algo a mais comigo.
EU: O que tu queres? Quanto? – me dei por vencida.
JOSEPH: Eu não quero dinheiro sua doida! – riu.
EU: Então o que? – ele humedeceu os lábios e olhou pra baixo, como sempre fazia – O que? – tipo “Bora meu filho, fala logo! Acha que eu tenho todo o tempo do mundo?”.
JOSEPH: Ah... – fiz um gesto com as mãos como quem diz “Prossiga!” – Um beijo!
EU: Tá bom! – eu ingênua, pensando que era um simples beijo de amigos na bochecha. Como sou idiota! Joseph até me olhou surpreso. Pus minha mão em seu rosto e o beijei, na bochecha. Senti o perfume dele, ah que cheiro ótimo. Quando o toque de meus lábios cessou de sua pele nossos olhares se encontraram. Ficamos nos encarando por alguns segundos. Até que eu desviei o olhar, envergonhada. Ele continuou com os olhos fixos em mim – O que foi? Não foi tão bom quanto você esperava? – tinha que falar alguma merda.
JOSEPH: Não, foi ótimo... Mas tem como ser bem melhor!
EU: Isso seria uma insinuação para minha pessoa?
JOSEPH: Interprete como quiser...
EU: Interpreto assim.
JOSEPH: Nesse caso, eu te digo que posso fazer melhor que tu.
EU: Essa eu quero ver, senhor bonzão! – me olhou profundamente nos olhos, pôs a mão em minha nuca, com meu cabelo entre seus dedos. Senti um arrepio percorrer meu corpo. Aproximou sua boca de minha bochecha e a beijou.
JOSEPH: Eu disse que podia fazer melhor.
EU: Eu acho... Que poderia ser melhor sabe?! – Joseph entendeu meu recado perfeitamente. Ainda me segurando pela nuca, tocou meus lábios com os seus. Meu coração acelerou, pude sentir o sangue bombeando em minhas veias (como tava calor ali, hein?!). Beijo delicado, mas quente ao mesmo tempo. Melhor ainda que quando ficamos naquela noite no pub. Tinha algo a mais naquele beijo, estava diferente, mil vezes melhor. Não sei por que. Poderia ficar ali a noite toda beijando ele – Agora sim, realmente fizeste melhor! – ele sorriu encantadoramente.
JOSEPH: Boa noite! – com aquela carinha fofa e aquele olhar extremamente doce.
EU: Boa noite! – com uma leve vergonha. Sai do carro, abri a porta, fechei a mesma e dei um tchauzinho para Joseph, ele buzinou respondendo. O sorriso instantaneamente surgiu em meu rosto, ali ficando até eu me deitar pra dormir. Se duvidar eu ainda dormi sorrindo!
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