Lua de Sangue

14 "Sánchez M.D."


Notas iniciais
Lá vai mais um galera!!! Espero que curtam, deixem reviews!!!!!!!!!!!!
Besos♥

Capítulo 14 – “Sánchez M.D."

Botei meu celular pra despertar bem cedinho, para não ocorrerem atrasos no meu primeiro dia no estágio. Dormi tão profundamente que quase não ouço meu celular tocando. Acordei, me levantei e fui direto pro banheiro, fiz o que tinha que fazer lá. Saindo do banho entro em um grande dilema: que roupa vestir? Não fazia a menor ideia do que eu ia vestir, minha nossa senhora me ajude, não posso dar vexame algum hoje e muito menos causar uma má impressão. Parei e pensei. Acho que ia com uma calça jeans, uma blusa branca meio social de botão e uma sapatilha bege, meio sem graça, mas pra médicos e afins tem que ser sem graça mesmo. Coloquei um colar de prata que havia ganhado dos meus quinze anos de um dos meus tios, eu adoro esse colar ele é lindo, tem um pingente de pedra roxa em formato de gota, é bem delicado e chique, simplesmente amo. Isso tudo pra meu visual não ficar tão sem sal assim, pra dar uma corzinha. Dei uma melhorada nas minhas madeixas e desci para tomar um café da manhã reforçado. Cheguei à cozinha e minha mãe havia caprichado no café.

EU: Ah, assim que eu gosto mamãezinha do meu core! – bati as mãos e as esfreguei, ela riu e foi pra sala assistir um pouco de televisão. Tinha suco de laranja da terra, bolo maconheiro (esse bolo não tem maconha, pelo amor de deus gente, ele é chamado assim porque te vicia e tu não consegues parar de comer, ok?! Haha), pão quente com queijo e peito de peru e iogurte de morango. Como eu ia comer tudo aquilo? Impossível, até porque raramente eu tomava alguma coisa pela manhã, e quando tomava era pouca coisa. Mas eu aproveitei já que tinha tempo de sobra pra comer com mais calma. Enchi o bucho, peguei minha bolsa, tirei meu mp4 da mesma e escutei. Caminhei em direção à parada de ônibus. Após uns dez minutos meu busão chegou, subi nele e fui curtindo com minha música o caminho todo. Escolhi um repertório especial pro dia: Maroon 5. Essa banda tem alguma coisa que me faz ficar extremamente feliz e em algumas vezes... Excitada (de todas as maneiras) sem falar no Adam, ah como eu amo ele! Uuuu! Hehehe. Quase uma hora depois chego ao meu tão aguardado destino. O IML é longe da minha casa, então demora pra chegar lá, ainda mais indo de ônibus. Mas eu não tava nem aqui nem ali pra isso, só o que me importava era tá lá. Tive que andar um pouquinho depois que desci do ônibus, já que não tinha nenhuma parada em frente do IML. Passo adiante do grande portão que dava acesso ao prédio principal. Paro em frente do mesmo e o fico admirando por alguns segundos, sorrindo que nem uma retardada. Decido entrar, uma porta de vidro se abre e eu entro com o pé direito. Respirei os ares de lá de dentro, essa era a primeira vez de muitas que eu estaria pisando naquele solo sagrado! Hahaha. Vou em direção à recepção.

EU: Bom dia! – digo com um sorriso de orelha a orelha. A moça me olha e com um sorriso e me responde o mesmo – Ah eu vim pro estágio...

RECEPCIONISTA: Ah claro... – mexeu em uns papéis, olhou para os mesmos – Miranda Sanchéz Gomes? – fiz que sim – Sua identidade, por favor?! – dei pra ela minha identidade ela confirmou e digitou algumas coisas no computador – Você ficará na seção do Dr. Tippens, ele é o legista principal daqui, o mais experiente também e é ele quem está precisando de uma mãozinha – riu, devolvi com um riso também – Aqui, esse é seu crachá – ela sorriu e me deu. Eu tava tão orgulhosa de mim, que poderia chorar naquela hora quando vi meu nome estampado no crachá, com minha foto (que tava horrível por sinal, mas nem liguei) o símbolo do IML e tudo mais. Era muita emoção, ó meu bom Jesus Cristo, muito obrigada! – É só seguir pela esquerda e pegar o elevador para o segundo andar, é a sala que tem uma grande porta de ferro, lá você terá que falar com a secretária do Doutor pra apresentar seus documentos e o crachá pra ela fazer um cadastro oficial e essas coisas mais – disse ela para mim muito simpática e me orientando.

EU: Tá legal, muito obrigada!

RECEPCIONISTA: De nada – sorriu, às vezes aquele sorriso parecia um tanto que artificial e macabro, mas deixei pra lá. Me dirigi para o elevador, respirei fundo e apertei no segundo andar. Estava tão nervosa que nem sabia o que fazer direito. A porta do elevador se abriu. Fui em direção à grande porta de ferro que a recepcionista havia falado. A empurrei com um pouco de dificuldade, pois era mais pesada do que o normal. Adentrei na sala, havia apenas a mesa que deveria ser da secretária e alguns arquivadores. Sentada na cadeira estava uma moça que me parecia muito familiar. Estava com a cabeça baixa preenchendo uma papelada. Me aproximei da mesa.

EU: Com licença! – falei chamando a atenção da moça. Ela levantou a cabeça vagarosamente, ajeitou os óculos e me analisou.

SECRETÁRIA: Eu conheço você? – perguntou tentando se lembrar de algo. A olhei mais uma vez com mais atenção, até que me dei conta de que aquela moça era Lyn, que eu e Diana havíamos conhecido no cinema ontem mesmo. Só não a reconheci de primeira porque estava totalmente diferente, não levava aquela maquiagem pesada no rosto, estava usando umas roupas de cores neutras e um jaleco por cima das vestes, seu cabelo estava puxado pra trás num rabo de cavalo e usava óculos – Miriam? – fez uma expressão indecisa.

EU: Miranda, na verdade. Tu es a Lyn, né?

LYN: É! – abriu um largo sorriso – Nos conhecemos ontem, no cinema.

EU: Isso mesmo! – sorri.

LYN: O que estás fazendo aqui?

EU: Eu vim pro estágio com o Dr. Ti... Tippens! Tu es secretária dele?

LYN: Não acredito! – falou surpresa e feliz – Que legal, vamos nos ver todos os dias e sim eu sou secretária dele, né dã?! – fez uma cara engraçada.

EU: Disfarça é que eu não tava acreditando, hehe.

LYN: Preciso dos teus documentos – os dei pra ela que começou a preencher uns papéis e depois mexeu no computador – Prontinho! Agora é só ir lá se apresentar pro Dr. Tippens, ele vai te orientar direitinho, fica esperta porque ele não gosta de gente lerda, haha – rimos – Ah, e não te espanta com certas coisas que ele disser ou fazer, é uma pessoa com hábitos peculiares em relação à profissão que tem.

EU: Beleza valeu Lyn!

LYN: De nada, nova colega de trabalho! – me cumprimentou – é só virar pra direita, lá vais ver uma porta feita de inox, eu acho, algo assim... Pois é, é lá! – sorrimos. Andei até a porta de inox. No caminho ouvi algo que parecia vir de lá de dentro. Música. Música? Mas o que? Percebi que conhecia aquela música. “Hey You” do Pink Floyd, uma das minhas preferidas deles, por sinal. Cheguei à frente da porta e olhei através do vidro que havia na mesma. Havia um homem de costas para a porta, mexendo em algo em uma maca de inox. Podia o ouvir cantando empolgadamente junto com a música, era engraçado, de fato. Provavelmente era o Dr. Tippens. Tinha de ser. Abri a porta devagarinho, bati na mesma tentando chamar a atenção do homem. Mas ele não ouviu, estava tão entretido com sua música que nem sequer moveu um músculo.

EU: DR. TIPPNES?! – gritei – DR. TIPPENS! – gritei mais forte. O homem se virou com um coração na mão todo ensanguentado, pingando sangue no chão. Pouco espantado por me ver ali. Fez gesto para que eu entrasse – Pink Floyd? – perguntei.

DR.: É – me olhou dos pés a cabeça e falou com a voz abafada por conta da máscara descartável que usava – Eles são porrada e essa música também! – voltou a fazer o que estava fazendo. Fiquei um pouco surpresa pelo palavreado dele, mas Lyn tinha me avisado, ele é uma pessoa peculiar nessa área – Pode ir se trocando enquanto eu termino esse aqui – falou se referindo ao homem morto que estava na maca. Olhei para o cadáver, todo aberto e revirado. Pensei que iria ser moleza olhar pra aquilo, mas sempre na primeira vez não é tão tranquilo assim. Peguei o jaleco e a roupa. Me dirigi para o modesto banheiro que tinha lá. Me troquei – Coloca isso – estendeu o braço e me deu uma máscara, uma touca e luvas, tudo descartável – Sabe, pessoalmente não gosto muito de usar essas frescuras, mas tenho que obedecer as regras do regulamento e você também – desligou o aparelho de som.

EU: Claro, tudo bem. Gostei do som! – disse com um sorriso tímido no rosto.

DR.: Então você tem muito bom gosto – falou enquanto eu colocava o que ele me dera – Gostei do cabelo! – apontou e deu um riso.

EU: Ah, muito obrigada – meio sem graça.

DR.: Tudo pronto? – fiz um gesto positivo com o dedo – Então mãos na massa! Como hoje é teu primeiro dia, vou te dar um apanhado geral de tudo. Nos dias seguintes vamos aprendendo aos poucos, conforme o trabalho for chegando pra nós, ok? – fiz que sim – Beleza, se tiver qualquer dúvida, pode perguntar. Preciso de uma ótima assistente pra me ajudar, já que pouca gente quer trabalhar nessa área, muito menos dissecando mortos e essas coisas. Pensei que pudesse contar com minha “humilde” secretária, mas ela não leva nenhum jeito pra isso, desmaiou só de ver umas amostras de sangue – riu – Vou logo passando o papo que já tens um ponto comigo só por estar aqui! – sorriu amigavelmente.

EU: Que bom. Eu realmente gosto disso tudo aqui mesmo, sempre quis trabalhar com coisas do gênero.

DR.: Ah, sem falar do bom gosto musical – rimos. Dr. Tippens é uma pessoa muito gente boa e sabe como deixar alguém à vontade, nem parecia que ele era o “poderoso chefão” dos legistas, parecia mais um dos rapazes. Isso me motivou ainda mais e me deixou bem menos nervosa, com certeza. Começamos com ele me mostrando alguns aparelhos que se usam pra “torturar os mortos”, como ele mesmo disse, me falando como usá-los e pra que eles serviam. Logo depois me explicando uma série de coisas, muitas coisas. Nunca poderia imaginar que receberia esse tanto de informação. Mas o Doutor disse para não me preocupar, porque íamos ver tudo aquilo na prática e na teoria todo santo dia e que ia me acostumar. É incrível a atenção e paciência que ele tem. Um profissional muito competente e dedicado, não é nenhuma surpresa ele ser o “todo poderoso”. Agora entendo perfeitamente. Ele me disse que hoje não iríamos abrir ninguém, porque ele não queria me espantar logo no primeiro dia, mas que iríamos ter muitas oportunidades para isso. Fiquei sabendo de tantas coisas que nem acreditava no conhecimento que estava recebendo, impressionante. Estava me divertindo tanto que as horas passaram rápido. Quando me espantei já era hora de eu ir embora. Coloquei minha roupa de volta, sai do banheiro e o Dr. Tippens ainda estava lá arrumando umas coisas estranhas – Já vai?

EU: Sim, tenho aula mais tarde e o senhor?

DR.: Primeiro: senhor está no céu minha querida! – riu enquanto tirava as luvas – Segundo: ainda vou ficar aqui até o começo da noite, tenho que resolver outras coisas por aqui ainda, depois me mando! – tirou a toquinha e logo depois a máscara. UAU! Com aquela parafernália toda cobrindo o rosto não dava pra ver o quanto bonito ele é. Minha nossa! Tirei a sorte grande. Ele é lindo. Cabelo castanho claro liso, bem aparado com um leve topete, incríveis olhos verdes escuros, barba bem rala, boca e nariz sensacionais. Não pude deixar de reparar na cicatriz que começava no meio da testa e depois seguia até a bochecha, passando bem rente do olho esquerdo dele. É algo muito parecido com a cicatriz que Anakim Skywalker tem (de Star Wars, pra quem não sabe), se não, igual. Fiquei imaginando de onde ele poderia ter ganhado aquela cicatriz, mas deixei pra lá. Pra dizer a verdade essa cicatriz só o deixava mais charmoso ainda, em minha opinião. Sem falar do ar misterioso que ela criava. Sua pele estava levemente pálida, deveria ser por causa da temperatura da sala ou até mesmo pela fome, já que passava do meio dia. Fiquei sem palavras e notei uma sensação estranha ao olhá-lo, devia ser o nervosismo de sempre, de se estar diante de um homem daqueles. O achei novo demais pra estar no cargo que ocupa, deve ter entre 28 e 33 anos, presumo. Agora Joseph tinha um concorrente de homem mais bonito que eu já vira pessoalmente! Hahaha. Mas devo dizer que não tem como escolher entre os dois. Belezas totalmente diferentes e delirantes. Onde estavam esses homens todo esse tempo? Se escondendo de mim em algum lugar, só se for. Fiquei babando mentalmente. Tentei não transparecer isso.

EU: Ah... Bom, se é assim... – estendi a mão, olhei para o bordado no jaleco dele – muito prazer Dr. Jacques Tippens?! – confesso que achei um pouco estranho e engraçado esse nome, parece “Jaque Laclair” daquela novela das sete! (kkk) Queria rir, mas não dava pra fazer isso.

JACQUES: É, eu sei que esse nome é meio... Inusitado, não se vê todo dia por ai! Tenho que dizer que nem eu mesmo gosto tanto dele – sorriu. Que sorriso!

EU: Ah, é diferente mesmo, é até engraçado, mas não é feio é legal até! – segurando o riso.

JACQUES: Pode ser, mas continuo não muito contente com ele – soltou um riso curto – Pelo menos seu nome é mais bonito que o meu – olhou para meu crachá – Srta. Miranda Sánchez! Um nome bem diferente...

EU: Que é isso, seu nome é um nome de classe! Obrigada pelo elogio do meu nome, mas eu tenho que ir agora, moro “um pouco” longe daqui e ainda por cima vou de ônibus, então...

JACQUES: Se eu fosse sair agora daqui poderia até te dar uma carona, moro longe daqui também, mas meu expediente de hoje só acaba mais tarde. Então nos vemos amanhã?! Na mesma bat hora, no mesmo bat lugar? – fez graça, aliás, uma coisa muito típica dele pude começar a notar.

EU: Claro Dr. Bruce Wayne – devolvi a graça – Tchau, até amanhã!

JACQUES: Tchau Robin – cara gaiato vou te contar! Hahaha Eu estava começando a gostar do meu chefe, coisa que muitas pessoas não podem se permitir dizer, ainda bem que não sou uma dessas pessoas. É o que espero. Saí da sala, passei por Lyn e me despedi dela.