Lua de Sangue
4 O Que Tá Acontecendo?
Notas iniciais
Beijos.
Capítulo 4 – O Que Tá Acontecendo?
Depois do episódio deplorável da minha mãe me acordando na melhor parte do meu lindo sonho, fui almoçar puta da vida com ela, mesmo eu sabendo que ela não sabia que eu tava indo pras maiores saliências e pras melhores partes também. Comi e fui direto tomar meu banho, afinal se eu não me espertasse ia chegar atrasada de novo na aula daquela megera da Neide e sabe lá o que ela ia fazer comigo dessa vez. Tomei meu banho, me arrumei e fui pra parada de ônibus. Na minha cabeça só tinha espaço pro sonho que eu tive, aahh! Foi tão lindo, mesmo que eu tenha sido interrompida. Agora vai demorar pra eu ter um sonho desses de novo, mas tudo bem porque esse já valeu por um mês inteiro. A cada suspiro que eu dava pensando no Bruce, fechava os olhos e sorria que nem uma retardada, abri os olhos...
EU: EI VOLTA AQUI!!! – gritei balançando os braços freneticamente – FILHO DE UMA PUTA PRENHA E ARROMBADA! – uma velinha me olhou assustada, mas não liguei... Adivinhem? Perdi o ônibus, lindo isso né? Muito bom Miranda, muito bom, palmas pra você que vai chegar atrasada e levar mais um sarrafo da professora. Depois de uns 20 minutos outro ônibus apareceu e dessa vez eu não perdi. Subi no ônibus paguei a taxa e me sentei lá pra trás no lado da janela. Tirei o mp4 da bolsa e coloquei os fones, minha “playlist” de hoje ia ser “Iron Maiden”, claro, em homenagem ao meu Bruce! (*-*) Abri a janela pra sentir o vento e me pus a olhar através dela, num certo trecho da rota avistei um homem no outro lado da calçada olhando na minha direção, ele estava vestido com uma calça jeans escura, blusa verde musgo com capuz e um casaco de couro marrom que ia até sua coxa, não dava pra ver direito seu rosto, uma vez que, estava encapuzado. Ele me encarava interruptamente, me subiu um frio na espinha. Quando pisquei ele puf! Sumiu, como assim? Acho que eu tô ficando doida, sério, preciso me tratar urgentemente. Será que eu tinha voltado a ver espíritos? Por que eu via antigamente, mas isso fazia um tempinho já, um pequeno detalhe. Cheguei à universidade, atrasada, nem fui pra aula daquela jararaca, já tinha perdido quase toda a aula mesmo e eu não ia ouvir bronca de graça. Aproveitei o tempo que tinha e fui pra central de atendimento pedir um estágio no IML ou no Centro De Perícias Forenses de Bilnóis (nome escroto, mas deixa pra lá) os únicos lugares que eu pensava em seguir uma carreira na minha cidade e os únicos que me agradavam. Me dirigi ao balcão e falei com a atendente, ela me explicou que poderia demorar mais do que o esperado pro pessoal dar uma resposta e que isso era normal de acontecer, iam me informar se eu havia ou não conseguido o estágio por e-mail. Saí de lá e fui para a lanchonete esperar meus amigos. Tirei proveito da minha espera e continuei lendo meu livro, um dos meus favoritos, “Entrevista Com O Vampiro” (que por sinal eu já estava lendo pela terceira vez, mas isso é irrelevante). Não demorou muito e lá estavam eles, justo quando ia chegar na minha parte favorita do livro (=/).
BETO: Hum... Acho que alguém chegou atrasada hoje e não quis assistir aula e nem levar mais uma esculhambação da nossa amada professora – falou sarcástico e num tom engraçado.
EU: Oh, quem será essa pessoa tão irresponsável? – falei botando a mão na testa, continuando com a graça – E falando em pessoa irresponsável, cadê o Júlio?
YURI: Adivinha?
EU: Não precisa nem falar... Faltou! – falei com um ar de “Já sabia!”.
BETO: GANHOU ARRÁÊ! GANHOU 1 MILHÃO DE REAIS! – falou imitando o Silvio Santos, com direito ao bracinho e tudo – ÔE, ÔE, ÔE! – o acompanhei na dancinha, ficou uma coisa hilária. Todos riram, mas depois pediram para que parássemos porque todo mundo que passava nos olhava com uma cara de “Quem deixou eles fugirem do hospício?”. Pegamos a comida e nos sentamos na mesa.
YURI: Ei, escuta essa! Conta pra ela Beto...
BETO: Contar o que? – ficou pensativo e fez uma cara de quem acabou de se lembrar de uma coisa muito importante – Vou abrir uma casa noturna!
ANA: Disque... – falou com um ar de desdém.
EU: O que? – falei não acreditando nele.
FLÁVIA: É um puteiro, isso sim!
YURI: Melhor ainda! – falou igualzinho ao Joey do “Friends”.
LAÍS: Credo gente!
BETO: Não é sério...
EU: Vai ser um puteiro? – falei surpresa e indignada.
BETO: Não, não! Se bem que é uma boa ideia... Mas não, vai ser uma boate, mas uma boate diferente de todas aqui em Bilnóis – falou estendendo o dedo indicador no ar como se tivesse descoberto o fogo.
YURI: Mas o melhor é o nome que ele quer dar! – rindo. Beto ficou com uma cara de “Lá vem ele de novo!”.
EU: Qual? – falei curiosa.
YURI: CEBOLA E SALSA! – zombou e começou a gargalhar.
EU: Como é que é? – falei prendendo o riso.
BETO: Ah, não falo mais nada pra vocês, só fazem ficar rindo da minha cara! – cruzou os braços.
LAÍS: Mas com esse nome, só dá pra gente rir mesmo Beto!
BETO: Sim, mas... – Yuri o interrompeu.
YURI: Cara, isso é nome de sabor de salgadinho!
ANA: Pior! – todos se abriram de rir.
BETO: Vocês podem parar de rir agora? Nem me deixam explicar o porquê do nome... – coitadinho do Beto, a cara dele era de dar dó.
EU: Tá, explica!
BETO: Só se vocês não rirem mais! – fez biquinho.
ANA: Tá, tá prometemos.
BETO: Bom, primeiramente é porque eu gosto desse nome – deu um olhar de repulsa pra Yuri — e segundo: pelo motivo de ser uma boate de salsa e outras danças como a rumba, flamenco, tango, merengue essas coisas... E não fala mal porque eu gosto do salgadinho que tem esse sabor!
ANA: Ah, tendi.
EU: Mas como tu vais abrir uma boate?
LAÍS: Ela não vai surgir do nada!
FLÁVIA: Ou por acaso tu pensou que ia ser uma “gozadinha” e puf? – falou fazendo aquele gesto de, ah masturbação com as mãos e depois o de alguma coisa explodindo.
YURI: Não dá pra conversar contigo Flá. – fez uma cara de quem estava com dor de barriga.
BETO: Eu já vi com meu pai e ele já até comprou um terreno – o Beto é de família rica, sabe? O pai é dono da maior e mais famosa construtora da cidade e a mãe é dona da enorme rede de restaurantes e churrascarias “Don Bertho”, ou seja, são podres de rico. Mas o Beto não é daqueles riquinhos esnobes, metidos à besta, nem de longe, mas como todo filho de rico é mimado – A papelada tá toda certa, só falta começar a construção, que segundo meu pai vai demorar uns dois meses.
ANA: Dois meses? – disse boquiaberta.
LAÍS: Não é pouco tempo?
BETO: Vocês já viram meu pai brincar em serviço? – se vangloriando.
YURI: Tá legal “The Flash”!
EU: O quanto mais rápido melhor, oras! Já tô super ansiosa!
BETO: É esse o pensamento que eu quero. Uhul! – me abraçou e ficamos dando pulinhos juntos.
EU: Tá parou!
LAÍS: Olha a hora gente! – apontou para o relógio.
ANA: O professor já deve tá na sala...
YURI: Ulha, é mesmo.
FLÁVIA: Ele que se foda – fazendo pouco caso.
BETO: Umbora cambada!
FLÁVIA: Vão indo, vou fumar um cigarrinho – fomos pra sala, tomamos nossos devidos lugares. A aula teve início. Tudo na sua perfeita normalidade, o professor tagarelando sobre a as condições e os sujeitos da ação, Laís anotando tudo, até o peido que o professor dava, eu prestando atenção e copiando o que conseguia o Yuri com a cabeça apoiada na mão quase dormindo, Ana desenhando no fichário e Beto morrendo de tédio. De repente começo a sentir como se meus olhos queimassem, meu pescoço ardia fortemente como se tivessem jogado ácido cianídrico nele. Me levantei e corri para o banheiro, cheguei lá e me deparei com pequenas veias escuras brotando de meu pescoço, tava pálida que nem um defunto (mais branquela do que eu já sou normalmente) e meus olhos ardiam cada vez mais.
EU: Meu Deus do céu! O que é isso? PELO AMOR DE DÁDÁ! – tava entrando em pânico. Fui até a pia e joguei água em cima, uma fumacinha saiu, como se eu tivesse jogado água em alguma coisa queimando. Peguei mais água na mão e esfreguei contra meu pescoço, fiz isso repetidas vezes, até que aquela sensação estranha foi sumindo paulatinamente, junto com as estranhas veias – Agora é oficial: endoidei! – voltei pra sala de aula e nada de estranho aconteceu, pra minha surpresa. Precisava desabafar com alguém o que tinha acabado de acontecer, pessoalmente. Saí antes mesmo que acabasse a aula e fui pro bar em que minha amiga Diana trabalha, ela é uma velha amiga mais antiga ainda que as meninas do colégio. Estudamos juntas até a terceira série na minha primeira escola, mesmo depois eu indo para outra instituição continuamos a nos falar, até o dia em que ela teve que viajar pra outra cidade por problemas familiares, onde ficou morando até o começo desse ano, depois ela acabou retornando a Bilnóis, pra minha alegria. Ela é a pessoa mais próxima, literalmente (ela trabalha praticamente do lado da universidade), de mim nesse momento, então decidi recorrer a ela. Peguei minhas coisas e fui andando até o bar. Entrei e me sentei no balcão.
BARMAN: Vai querer o que?
EU: Ah, nada não eu só queria falar com a Diana.
BARMAN: Ela tá lá atrás se arrumando pra apresentação, quer que eu chame?
EU: Quero sim, obrigada – enquanto eu a esperava analisei o lugar. Não era dos piores, bem arrumadinho até, mas um pouco pequeno. Tinha um balcão em forma de U onde eu estava, o palco e umas mesas, olhei para as mesmas, havia um casal se beijando em uma, uns homens se embebedando com uma torre de chopp no centro da mesa em outra, alguns alunos gazeteiros lá da universidade se empanturrando de besteiras em mais outra e numa mesa mais deslocada havia um homem de boné (o que me impediu de ver seu rosto com clareza), não estava comendo ou bebendo nada, estava apenas sentado ali, como se vigiasse alguém ou coisa parecida, senti o mesmo arrepio na espinha de quando vira aquele homem na calçada de dentro do ônibus. O que será que tá acontecendo? As coisas ultimamente andam tão estranhas pra mim e eu nem sequer faço ideia do por que.
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