Lua de Sangue

8 Flash Back Sinistro


Notas iniciais
Esse capítulo dedico especialmente para minha mana "Diana" ;) espero que vocês gostem e que a "Diana" goste também! HahahaBeijos.

Capítulo 8 – Flash Back Sinistro

Muitas coisas se passaram pela minha cabeça quando Joseph deixou o quarto. Fiquei até com um pouco de medo, ele ficou tão preocupado e agoniado que me deixou com uma pulga, ou melhor, com um vampiro atrás das orelhas. Que reações um sonho poderia causar, né? Como eu não tinha nada pra fazer a respeito daquilo no presente momento, calcei meu tênis e sai pra caminhar. Segui minha rotina normal, tentando não pensar o máximo possível no acontecido, pois isso ia me prejudicar na aula, com certeza. Lá estava eu, assistindo aula com meus queridos amigos, contente e feliz, tá bom, não tava contente e feliz porque era umas das aulas mais chatas, leia-se professor e matéria são uma merda. Mas me mantive firme e forte como sempre, pois se eu quisesse me formar teria que fazer isso. Escrevia a explicação no meu caderno quando de repente alguma coisa apareceu escrita nele, me assustei. Dizia:

“Olha só quem está na porta! :)“.

Olhei para o vidro da porta da sala e lá estava Shane com uma cara insana hilária acenando pra mim, dei uma risada. Esse homem é louco mesmo, mas ao mesmo tempo consegue ser o auge da fofura. Me levantei e fui em direção a porta. Abri e dei de cara com Shane em pé na minha frente e Joseph sentado num banco (daqueles, tipo de praça) que tinha no lado da porta da minha sala.

EU: O que foi?

SHANE: Viemos ser homens “direitos”! – abriu um sorriso gracioso.

JOSEPH: Viemos te buscar pra aquela reuniãozinha – olhou pra Shane não muito contente com a piada.

EU: Mas eu tenho que pegar minhas coisas... – me virei de volta pra porta, mas Shane me interrompeu.

SHANE: Não precisa! – deu uma piscadela. Quando vi meus livros e caderno estavam na mão dele e minha bolsa em seu ombro – Hum, que tal estou? – deu uma voltinha. Joseph revirou os olhos.

EU: Para com isso seu bobo! – ri – me dá isso logo.

SHANE: Não senhora, sou um cavalheiro e tenho que agir como um! – insistiu para que carregasse minhas tralhas e eu que não sou besta nem nada, não reclamei.

JOSEPH: Vamos senhor cavalheiro, temos assuntos pra tratar – pôs a mão no ombro de Shane que segurou minha mão. Aquela sensação horrível e nauseante outra vez, tudo girando rapidamente e passando na velocidade da luz. Fechei os olhos pra não ficar pior e quando os abri, estávamos no bar onde Juan e Diana trabalham.

EU: Por que a gente veio pra cá? Não tá nem aberto ainda! – não havia ninguém no bar a não ser nós três.

SHANE: Por isso mesmo que estamos aqui, sigilo minha querida... Sigilo te esqueceu?

EU: Não, né? Se alguém pega a gente aqui, podem nos prender por invasão de propriedade!

SHANE: Isso que é menina “direita”!

JOSEPH: Shane perdeu a graça! – dando palmadinhas no ombro do irmão – Ninguém vai nos prender. Juan é o dono daqui.

EU: Ele é o que?

SHANE: O DONO DAQUI! – gritou.

EU: NÃO SOU SURDA PORRA!

SHANE: EU TAMBÉM NÃO!

JOSEPH: Já acabaram? – cruzou os braços. Nesse momento surgiu uma fumaça e de lá apareceram Juan e Diana. Pra ser sincera eu me assustei.

JUAN: Qual é a bronca?

SHANE: Miranda teve um sonho estranho – Juan ficou pensativo.

JUAN: Temos que conversar de guardião pra guardião só um momento, ok? – falou se virando pra mim e pra Diana.

DIANA: Tá bom – concordei com a cabeça. Juan puxou Joseph e Shane pra uma das mesas e lá eles se sentaram. Diana me puxou para o sofá que havia perto de nós.

EU: E ai Di, como estás?

DIANA: Bem flor e você? – assenti positivamente – E que sonho foi esse? – contei-lhe todo o sonho e ela pareceu não ter entendido muito bem como eu.

EU: Posso te perguntar uma coisa?

DIANA: Claro! – sorriu.

EU: Como tu conheceste o Juan e como tu recebeste a notícia? – curiosa.

DIANA: Eu vou ter mesmo que contar? Me bateu uma preguiçinha – riu.

EU: Vai ter que contar sim eu tô querendo muito saber isso, por favor? – fiz carinha de cachorro abandonado.

DIANA: Ah, tem um outro jeito de tu te contar essa história, bem melhor... Como é bom ser uma bruxa! – suspirou.

EU: Que jeito? – Diana pôs uma de suas mãos em minha cabeça e imagens começaram a rodopiar em minha mente até que se estabilizou. Parecia que eu estava no cinema. Espectadora, da minha própria mente.

*Diana Flash Back On*

Caminhei até o final do beco e tentei abrir a única porta que havia no local, mas estava trancada, logo notei que aquele estranho me seguira até ali.

Apavorada, sem saber o que fazer, tento pegar o telefone no meu bolso e chamar a polícia. Mas estava fora de área. Maravilha! Quando mais se precisa de um celular eles falham.

Ele se aproximou, junto com a neblina noturna. Me olhando nos olhos, sem piscar. E com voz doce tentando me acalmar, começou dizendo:

JUAN: Fique calma Diana! Meu nome é Juan, e eu tenho uma coisa muito importante pra te dizer. Mas preciso que você fique calma, o que vou te dizer, é de extrema seriedade. Isso pode deixar você um pouco confusa no inicio, mas logo você entendera o porquê das coisas estranhas que vem acontecendo com você.

DIANA: Estranhas? Como sabe o que esta acontecendo comigo? Você é um estranho, fica me seguindo por ai, ja vi você me observando do lado de fora do meu apartamento. O que você quer de mim afinal.

JUAN: Diana! Ha algo sobre você que está oculto, e somente eu posso ajudá-la a revelar isso. Venha comigo este lugar não é seguro.

Ele estende a mão em minha direção, por algum motivo sinistro, que não podia entender, eu estendi minha mão também ate tocar seus dedos. Eu não entendia porque, mas aos poucos meu medo se ia. Acompanhei ele ate uma garagem abandonada.

La ele falou sobre todos os sonhos que eu havia tido até aquela noite, e que jamais entendi o porquê tinha sonhos tão estranhos e tão reais.

JUAN: Esses sonhos que você tem, são mais do que apenas sonhos. São lembranças da sua vida. Você pode não entender tudo agora, mas vai entender melhor com o tempo. Existe um mundo paralelo, desconhecido pelos humanos normais. Você faz parte desse mundo. Você é uma bruxa Diana, com poderes extraordinários, e isso faz de você uma ameaça pra alguns seres inferiores. Estes seres, são como a escória da nossa raça, são bruxos que se tornaram maus, matando seus familiares e até seus próprios guardiões. Traindo seus consanguíneos, e sua historia. Eles se aliaram a lobos, vampiros e outras criaturas. E nosso trabalho é evitar que eles machuquem os humanos. Por isso suas lembranças, você não é espiritualmente um ser deste lugar. Você ocupa um lugar importantíssimo no topo da cadeia de bruxas. Assim como você existem mais 12 bruxas com poderes particulares. Cada bruxa tem um guardião, para guiá-las no caminho certo, protegê-las e ensiná-las como usar seus poderes, sem serem corrompidas pelos mesmos. Ou seja, se você não aprender a controlar sua força, pode acabar sendo dominada por ela. E isso levará você até o outro lado. Que é o lado ruim dessa história. Eu sou seu guardião, por isso sigo e observo você há algum tempo. Precisava saber quando você estaria pronta para aceitar o que você é.

DIANA: Espera ai, muita informação... Eu tenho poderes? é isso? E bruxas e lobisomens são reais?

Isso é loucura. Você é psicótico, eu não deveria ter vindo até aqui, não sei o que me deu. Você até pode saber sobre algumas coisas e eu não sei como explicar isso, mas deve ter uma razão lógica e sensata pra definir isso. Eu não sou uma bruxa. Eu não quero isso. Caçar vampiros e essas coisas que você disse, se elas realmente forem reais. Isso é de mais pra mim, eu só quero viver a minha vida, como uma garota comum, normal. Me deixa em paz.

JUAN: Isso não é discutível Diana! – falou nervoso — Você não pode dar as costas para o que você é. Se fizer isso, poderá se tornar um deles, e será caçada também. Precisa me deixar ensinar a você, o que tem que a ser ensinado. Você necessita de ajuda para isso. Entenda preciso que você compreenda e aceite, será mais fácil pra nós dois. Eu não posso te mostrar como é ainda, a menos que você me permita te mostrar algo antes.

Ele puxa uma pequena faca de dentro do casaco preto que usava. E passando a lamina na palma de uma das mãos, caminha até mim. Isso me deixou apavorada, e tive vontade de correr, mas fiquei mais uma vez paralisada sem saber por que meu corpo não podia se mover, era como uma força dentro de mim que me impedia de sair do lugar. Logo ele segurou minha mão, fazendo também um pequeno corte nela, já com nossas mãos unidas. Começo a sentir uma dor estranha, mas não muito forte, e não vinha do ferimento aberto. Era como se aquela dor viesse de dentro de mim, do meu peito, senti meu rosto queimar, como se estivesse em chamas. Quando olhei Juan nos olhos, eles agora estavam brancos e minhas veias agora estavam se movendo, como num fluxo forte, de uma corrente que seguia por todo meu corpo. Ate que finalmente a dor parou, e minhas pernas amoleceram me fazendo quase desmaiar, Juan me segurou para que eu não tocasse no chão. Ainda apavorada, olhei-o nos olhos e não levou muito tempo até que tudo voltasse ao normal. Vi seu corte se fechar, e ao olhar para minha mão, notei que meu ferimento também se cicatrizava com rapidez até que não restasse nenhum vestígio de corte.

DIANA: O que você fez comigo? O que é isso, porque não consigo me mexer quando você está perto de mim?

JUAN: Tudo que eu disse antes, e o que você precisa saber. Isso, sela nossa ligação final. Agora eu recebo parte daquilo que você é e você sente o que eu sentir, e vice-versa. Não ha nenhum lugar onde você vá, que eu não saiba agora. Não ha nada que você sinta que eu não sinta também. Se algo ruim acontecer a você, eu sentirei, e mais do que isso, se você perder sua força vital, eu também perderei a minha. Essa ligação é nosso pacto de vida aqui deste lado do paralelo, se eu perder você, meu corpo não terá mais serventia nem razão de viver. Minha força espiritual se volta para nosso universo existencial, e meu corpo aqui, morre. Restando apenas minha alma, do outro lado do paralelo, ela ficara guardada, até que você renasça em outro corpo.

DIANA: Não... Eu não quero nada disso... Eu não sou uma bruxa, não... Eu não posso... Isso é loucura... Desfaça isso... Eu ordeno que você desfaça...

JUAN: Diana entenda o que está feito, está feito, não ha como voltar atrás. Aceite seu dom, agora é oficial. Sou seu guardião. E devo começar logo minha missão, que é ensinar a você como usar seus poderes. Você tem que aceitar, ou seus poderes dominarão você e sabes o que vai acontecer.

DIANA: Isso é uma maldição, e não um dom. Você me amaldiçoou. Preciso ficar sozinha. Não consigo pensar direito com você aqui. Eu vou embora, e você não deve me seguir. Preciso pensar sobre isso. Não sei o que fazer. Me deixa sozinha!

Saí de lá um pouco zonza com tudo aquilo, minhas veias ainda bombeavam sangue como uma corrente de um rio que busca a descida de uma cachoeira. Eu podia senti-lo pulsando dentro de mim. E senti um desconforto estranho, mas uma força mais estranha ainda e incomum. Juan concordou em me dar um tempo pra pensar sobre tudo. Mas no fundo eu sabia, que eu não poderia mais voltar atrás. Eu agora era definitivamente uma bruxa. E mais do que isso, uma caçadora.

*Diana Flash Back Off*

Tudo voltou a rodopiar mais uma vez e quando abri os olhos estava no sofá com Diana.

EU: Co... Como tu fizeste isso? – catatônica.

DIANA: Um truque de bruxa! – piscou se achando.

EU: Eu quero saber fazer isso!

DIANA: Mas primeiro tens que treinar teus poderes e habilidades.

EU: Eu sei... Mas o que foi isso?

DIANA: Eu simplesmente transmiti uma de minhas memórias pra ti, assim tu pudeste ver tudo o que aconteceu no dia em que conheci Juan e como descobri a verdade sobre mim mesma.

EU: Cabuloso! Tenho que começar a treinar logo, tô vendo que esse lance de ser bruxa é sinistro – entusiasmada.

DIANA: É, mas vai com calma guria! – rimos. No mesmo momento os rapazes se levantaram e caminharam até nós. As expressões em seus rostos não eram das melhores. Qual será a opinião deles sobre aquele meu sonho doido? Pelo visto não eram boas notícias.