Lua de Sangue

12 Elementar, Meu Caro Watson


Notas iniciais
E lá vai mais um capítulo para vocês meus amados leitores! Espero que gostem e que me deixem reviews, né?! POR FAVOR! aiusohaiuahiushBeijos♥

Capítulo 12 – Elementar, Meu Caro Watson

Lá estava eu naquele friozinho, debaixo do edredom, no aconchego da minha cama, sonhando com Adam Levine (vocalista do Maroon 5) quando no melhor do sonho, minha mãe me acorda, me sacudindo como sempre. Cara, até parece que ela sabe quando o meu sonho vai ficar melhor, é sempre nessas partes que ela vem pra acabar com minha felicidade! Impressionante, velho. ¬¬

MÃE: Mirandaaa! Ei... Miranda acorda tua amiga tá aqui!

EU: Ah, mãe pera aí! Só mais um pouco... – me virei para o outro lado.

MÃE: Ela tá te esperando! Acorda logo!

EU: Que horas são?

MÃE: 10:30, bora, acorda logo!

EU: Aaah manda vir depois, oras! – ainda com os olhos fechados, meio que dormindo ainda.

MÃE: Vou mandar ela subir aqui, isso sim! – saiu do quarto. Continuei na cama.

DIANA: SABIA, vim numa má hora, né? – riu.

EU: Issssso ai! – sonolenta.

DIANA: Vim ver se estás bem...

EU: Ótima... – *pequena pausa pra uma soneca* até que me lembrei que ela estava machucada também – e tu, como estás? – abrindo com dificuldade os olhos.

DIANA: Tô bem melhor, mas meus ferimentos ainda doem – ela estava com uma camisa de mangas compridas, cobrindo seus vários curativos, além de que estava fazendo um frio “legal”.

EU: Normal, mas vai passar!

DIANA: É... ACORDAAA! – me sacudiu.

EU: Tá bom, mas não fica me sacudindo... – bocejei e esfreguei os olhos na tentativa de espantar aquela sonolência fatal – não é muito agradável!

DIANA: Só se tu acordar, bela adormecida.

EU: Ok. Mas não pareço com a Aurora.

DIANA: Eu sei, é só modo de falar!

EU: Eu sei, né?! Dããã – demos risadinhas.

DIANA: E quando começa teu estágio, hein? – se sentou ao meu lado na cama.

EU: Amanhã... – bocejei — de manhã.

DIANA: E os treinos?

EU: Vou falar com o Juan e dizer pra ele pra eu treinar de noite e no fim de semana eu treino de manhã.

DIANA: Ah bão. Bora ir ao shops pra comer alguma coisa, ir no cinema? Qualquer coisa!

EU: Tas louca? Ontem saímos para tomar um ar e tu viste o que nos aconteceu! – me levantando da cama cambaleando indo em direção ao banheiro – Quase que a gente fica sem ar pra sempre e vira lanche de sanguessuga! – peguei a escova de dente e comecei a escová-los.

DIANA: É eu sei, mas conhecendo esses vampiros de meia tigela como eu conheço, não vão atacar hoje de novo... Eles têm que bolar um plano melhor pra nos pegar. Sem falar que o shopping é um lugar público, tem muita gente de testemunha e essas coisas. Eles não vão se arriscar a esse ponto. Eu preciso espairecer minha mente um pouco. E sem mencionar que eu vim preparada.

EU: Preparada? – botei a cabeça para fora do banheiro ainda com a escova de dente na boca – Como assim preparada?

DIANA: Dá só uma olhadinha – abre a bolsa que carregava no ombro e tira de lá uma bolsinha, que me parecia uma daquelas de maquiagem.

EU: O que? Vais tá preparada pra te retocar no shopping?

DIANA: Não... – ela abre a bolsinha e pega um rímel.

EU: Um rímel? E? – ela destampa o rímel e num pequeno nevoeiro cinzento aquela tampa se transforma em uma espada, uma linda espada por sinal. Lâmina reluzente, sem nenhum arranhão, cravada nela havia escrituras e símbolos. Na outra parte, havia pedras roxas e verdes decorando a espada. A espada parecia ser de prata ou ouro branco, alguma coisa assim e parecia que tinha acabado de sair da fábrica de tão perfeita e conservada que era. Fiquei boquiaberta, babando naquela espada. Não estava acreditando que aquele rímel havia se transformado naquela arma majestosa – Co... Como? – fascinada.

DIANA: Um feitiço pra “maquiar” as coisas, entendeu o trocadilho? – começou a rir. Sozinha, por sinal ¬¬

EU: Essa é tua arma, cadê a minha? Sou eu quem mais preciso dessas coisas!

DIANA: Não senhora, essa é tua!

EU: Minha? – em choque e feliz ao mesmo tempo.

DIANA: É... Tua! A minha é esse batom – abriu o batom e ele se transformou de maneira igual, só que não era uma espada e sim uma adaga. Muito bonita e charmosa. Era toda dourada, com desenhos trabalhados, muito bonitos e pedras vermelhas – Tua espada é feita de prata, coisa que os vampiros e os lobisomens são alérgicos, isso já é uma boa vantagem, essas pedras nela são lágrima índigo e esmeralda, pedras mágicas.

EU: Nossa! – estava bestinha com tudo aquilo, pasma – Mas, um vampiro não morre só com estacas no peito e quando exposto ao sol, né?

DIANA: Tipo isso, na verdade não existe só um tipo de vampiro.

EU: Como assim?

DIANA: Existem aqueles mais poderosos e os menos poderosos, consequentemente os irracionais, parecem uma sub-raça dos vampiros, aqueles menos evoluídos, aberrações que ao serem transmutadas deram errado, esses morrem de qualquer forma, mas nem por isso deixam de ser ágeis e fortes também. Os mais fortes são, geralmente, aqueles de longas linhagens, com aquela árvore genealógica surpreendente, de famílias antigas e respeitadas, ou até mesmo os mestiços.

EU: Mestiços?

DIANA: É, quando certa espécie contrai os genes vampíricos.

EU: Exemplos, por favor.

DIANA: Hum... – pôs a mão no queixo e pensou por um instante – Por exemplo, se um vampiro me morder eu vou ser uma mestiça, existe também a possibilidade de eu ter um filho com um vampiro, mas isso é muito difícil. Na verdade essas duas possibilidades são muito raras de acontecer, até porque quando um vampiro morde alguém de outra espécie é infrequente que o “mordido” sobreviva.

EU: Mas por quê? – fiz uma cara de desalento.

DIANA: Porque já existem genes poderosos e se juntando com mais genes poderosos dos vampiros, isso causa um grande conflito de genes. Às vezes eles destroem um ao outro, como forma de defesa do corpo contra corpos estranhos e todas essas baboseiras, outras vezes o indivíduo não aguenta tanta pressão e dor no próprio corpo que acaba se matando. Por isso que existem pouquíssimos mestiços perambulando por ai.

EU: Mas ainda existem...

DIANA: Aham, só que é bem inusitado, diga-se. Mas também eles são admiravelmente fortes, por causa disso muitos os temem.

EU: Também, se não temessem! Hehe Mas, como faz pra matar os vampiros fortes, sem serem os mestiços?

DIANA: Hum, eles só morrem se cortarmos suas cabeças, se pormos fogo neles até virar cinza e colocar em uma urna especial, enfeitiçada e pelo o que eu vi ontem, lhes arrancando o coração como tu fizeste, acho que essa deve ser a terceira e última forma de se matar um vampiro desses, que até então era um pouco desconhecida, mesmo que falassem que ela existia. Mas isso serve pros mestiços também, só que é muito mais difícil de conseguir matá-los, por seus incríveis poderes.

EU: Então quer dizer que eu descobri essa misteriosa forma assim do nada? Simplesmente “PUF”?

DIANA: É, pelo visto...

EU: Mas como? Eu nem sequer sabia da existência disso, eu ainda tô aprendendo as coisas!

DIANA: É eu sei, mas algumas vezes nossa força interior é tão forte que, espontaneamente, realizamos essas coisas inesperadas, que nem sabemos como fizemos. Mesmo não tendo aprendido sobre. Simplesmente eclode de nossa essência.

EU: Ah, fiquei mais tranquila com isso. Mas alguma coisa do tipo já aconteceu contigo?

DIANA: Não, mas Juan me falou um pouco sobre.

EU: Ah bom... Mas como tu fez isso? Esse feitiço pra esconder essas armas? É incrível!

DIANA: Ah, isso é um feitiço antigo. Como temos que “trabalhar” em sigilo, existem esses feitiços, encantamentos e essas outras coisas pra nos ajudarem. Para que nenhum ser humano nos descubra e tudo mais.

EU: Eu sei que é uma pergunta idiota, mas e se algum humano souber de nossa existência e de outras criaturas?

DIANA: Primeiro que isso não pode acontecer, e se eventualmente vier a ocorrer estaria descumprindo a lei número um do mundo oculto.

EU: De que tudo tem que ser como é pra ser? Cada um em seu devido lugar? O mundo oculto, permanecendo oculto aos humanos?

DIANA: Isso mesmo, como sabes disso? Nem sequer leste o Código de Hoinogann Koslav!

EU: Foi puramente intuitivo... HOI o que? oO

DIANA: O Código de Hoinogann Koslav.

EU: E que diabos é isso de Ho... Hoi não sei o que?

DIANA: É um livro muito antigo. Foi criado no início dos tempos, quando o mundo oculto começou a existir, antes mesmo do mundo mortal.

EU: Hum, e quem criou?

DIANA: Kirk Hoinogann Primus e Bruise Koslav Primus, pelo que diz a lenda.

EU: Não tinha nome mais fácil, não? E o que eles eram exatamente?

DIANA: Ninguém sabe, mas parece que Kirk foi o primeiro da raça dos bruxos e Bruise o primeiro da raça dos vampiros, é o que dizem.

EU: Que coisa, então esse tal de Kirk ai, seria nosso pai?

DIANA: Mais ou menos... Mas vai logo te arrumar pra gente sair! Já são onze e meia – havíamos conversado tanto sobre aquelas coisas que nos perdemos e deixamos passar uma hora. Tomei um banho morno já que estava frio, sequei meu cabelo, se não ia congelar de frio mais ainda, coloquei uma calça jeans escura, minha bota marrom escura de couro, minha camisa de algodão preta do “Queen” e por cima meu casaco roxo. Estava fazendo uns 17ºC, aproximadamente – Vais levar bolsa?

EU: Não queria, mas vou ter que levar.

DIANA: Ok, ótimo. Coloca teu rímel ai e isso – me entregou o rímel e um pequeno frasco transparente com uma água meio amarelada dentro.

EU: Água? Por que tu me deste um vidro com água dentro? Pra que eu vou querer isso? – examinando o frasco.

DIANA: É água benta com alguérsia, besta! Isso ajuda muito, além de afastar as más vibrações e os maus espíritos. Tens sempre que levar um desses contigo, é bom.

EU: Alguérsia? Que diabo é isso?

DIANA: É uma erva mágica, só as bruxas tem. É uma ótima aliada pra combater várias coisas, desde náuseas até criaturas “teimosas”, se é que você me entende.

EU: Ah, claro entendo. Bora então? – Diana balançou positivamente a cabeça e saímos de casa. Seguimos a pé, já que era perto e gostávamos de caminhar, principalmente juntas. Fomos conversando ao longo do caminho sobre algumas bobagens que falávamos sobre astros do cinema, da música e discutindo sobre nossas séries favoritas da televisão e o que tinha acontecido nelas. Há muito tempo não conversávamos sobre esses assuntos, por mais idiotas que fossem, era um bom assunto para se falar, para se distrair, rir e relembrar os velhos tempos, quando tudo ainda era normal para nós duas e não tínhamos que nos preocupar com vampiros, lobisomens, magia, poderes, armas e tudo mais. Chegamos na frente da entrada do shopping Platinus, o maior e mais chique shopping da cidade. Entramos e nos dirigimos para a praça de alimentação para almoçar. Depois fomos andando olhando as lojas discutindo sobre as roupas, sapatos, livros tudo que víamos e gostávamos. De vez em quando passavam uns gatinhos por nós, só fazíamos rir que nem duas lesas. Subimos bem umas cinco escadas rolantes até chegar ao andar do cinema. Eu disse que o shopping é grande. A fila pra comprar os ingressos estava relativamente grande, mas ficamos lá mesmo esperando, já que estávamos doidas pra ver “Sherlock Holmes 2”. Eu sou louca pelo Robert Downey Jr. e por tudo que ele faz, Diana gosta muito dele também, sem falar do gostoso do Jude Law, né? Por favor! Hahaha. Enfim, ficamos lá em pé esperando a fila andar, éramos as últimas da fila. Era tanta da fila, que nos confundíamos. Era uma pra comprar, outras pra cada sala, só que elas meio que se misturavam, ai ficava um pouco complicado de entender. Olhávamos o painel perto de nós onde passavam os filmes, as sessões e os preços, quando sinto uma mão me cutucando. Me viro pra trás e vejo uma moça magra, toda de preto, com uma maquiagem preta nos olhos, mas nem por isso deixava de ser muito simpática, ela deveria ter minha idade mais ou menos.

MOÇA: Desculpa, mas essa fila é pra que? – falou meio retraída.

EU: Ah, essa é a fila pra comprar ingresso!

MOÇA: Ah tudo bem, obrigada. Estou na fila certa.

EU: Tá sim – parei e pensei – Vai ver o que?

MOÇA: Sherlock Holmes 2! – falou com um sorrisinho no rosto e um leve brilho nos olhos – Diana se virou.

DIANA: Ah, vamos ver esse também! – sorriu amistosamente para a moça.

EU: Robert é TUDO!

MOÇA: Verdade, adoro ele! — já dava pra sentir que ela estava se extrovertendo conosco.

DIANA: Qual é teu nome?

MOÇA: Ah... É Lyn.

DIANA: Eu sou Diana, ela é Miranda.

TODAS: Prazer! – assim seguimos o resto da fila conversando e depois entramos juntas na fila da sala e continuamos conversando. Nós três estávamos nos dando tão bem, nem parecia que tínhamos acabado de nos conhecer.

DIANA: Hum... Acho que vou comprar uma pipoca tamanho família pra nós, uns nachos e uns refrigerantes.

EU: Acho muito digno! Muito digno!

DIANA: Tá, qual refri vocês vão querer?

EU: Guaraná! – Lyn parecia um pouco sem graça de acanhada por estarmos comprando alguma coisa pra ela.

DIANA: Lyn? Ah não precisa ficar com vergonha não flor, de boa.

LYN: Tá bom, é que eu sou assim gente, nem sei como eu tô falando assim com vocês! – riu – Ah, eu quero coca, por favor!

DIANA: Copiado! Vou Lá, já volto.

EU: Belê! – Lyn e eu seguimos conversando sobre os filmes que estavam em cartaz, sobre os atores e tudo mais, até que o carinha que ficava na porta da sala do cinema liberou a entrada. Estávamos entrando e nada da Diana vir com nossos combustíveis. Olho pro outro lado e vejo Diana colocando com pressa o último copo na bandejinha. Ela veio correndo que nem uma doida desembestada, o que fez algumas pipocas irem caindo no chão e derrubar um cara no chão! Rimos muito.

DIANA: Voltei! – tomando fôlego.

EU: Quase que tu trazes o cara também, né?! – gargalhamos.

DIANA: Besta! Me ajuda aqui com a pipoca e os nachos que eu seguro os refris.

EU: Ok! – carreguei a pipoca e os nachos e fomos caminhando em direção à entrada da sala – Lyn, quando tu entrar vai correndo subindo os degraus e pega um lugar bom! – se a gente fosse correr subindo escadas ainda por cima íamos acabar derrubando tudo.

LYN: Tá bom! – riu – e assim foi feito. Ela correu, pegou lugares bons, no meio. Ficamos lá até começar o filme, conversando um pouco mais. Quando as luzes apagaram, nossa expectativa era enorme. O filme começou, assistimos, comentávamos baixinho algumas coisas sobre o filme e rimos muito, mas muito mesmo, junto com as outras pessoas também. Pois tinham partes em que era inevitável não rir. Quando acabou o filme, só sabíamos falar sobre o mesmo.

EU: Foi Lindo! *-*

DIANA: Nem me fale! Muito massa.

LYN: Verdade, sabia que ia valer muito a pena assistir. Ainda mais junto com vocês!

DIANA/EU: Own! – demos um abraço nela, era incrível como parecia que nos conhecíamos já fazia muito tempo.

LYN: Obrigada gente, mas agora tenho que ir embora – falou isso nos deu tchau e se foi. Achamos um pouco estranho, mas relevamos. Diana e eu seguimos passeando pelo shopping e depois fomos caminhando em direção a nossas casas. Ainda comentando e repetindo algumas falas do filme. Já chegando perto de nossas casas.

DIANA: O vejo amanhã Sr. Holmes?

EU: Elementar meu caro Watson! – rimos e fomos uma para cada lado, seguindo nossos rumos em direção a nossas respectivas casas. Há muito tempo que não nos divertíamos tanto assim, hoje foi um dia muito bom. Posso dizer que estou estupidamente feliz!