Lua de Sangue

16 Devaneios De Um Sonho Perturbador


Notas iniciais
Gente, finalmente vou postar mais um capítulo. Desculpem pela demora, de verdade, eu também não gosto de demorar muito pra postar, mas é que minha Universidade começou e eu tô com o tempo limitado. Infelizmente, até as próximas férias vou demorar um pouco pra postar aqui, então vcs vão ter que ser um pouco pacientes! Hehe Por favor, não deixem de acompanhar minha história, prometo que vou tentar escrever o mais rápido que eu conseguir, ok!? Portanto, não me abandonem!!!
Besos♥

Capítulo 16 – Devaneios De Um Sonho Perturbador

Levantei e mandei uma mensagem pra Diana dizendo que precisava falar com ela depois da aula. Ela me respondeu confirmando. Fui pro estágio. No caminho, dentro do ônibus, meu sonho vinha à tona em minha mente todo tempo. Era imprescindível não pensar sobre, mesmo que eu não quisesse, as imagens surgiam em minha cabeça assim como fantasmas de um passado distante esquecido.

*Flash Back On*

Estava amanhecendo. O sol quase que totalmente havia nascido. E eu estava lá, comtemplando e admirando as maravilhas da natureza daquele lugar esplêndido. O vento era forte. Meu vestido de seda lilás, muito lindo por sinal, acompanhava o movimento do mesmo, se levantando e balançando freneticamente. Meu cabelo esvoaçava. Sentia-me um pouco diferente. Um forte arrepio percorreu minha espinha naquele momento, fazendo os pelos de meu corpo se eriçarem. Ouvi algo. Olhei para trás na esperança de encontrar a origem do barulho, mas foi inútil. Não avistei nada nem ninguém. Aquilo me preocupara, poderia estar correndo perigo. Um leve sussurro penetrou em meus ouvidos. Bradava meu nome. Uma voz familiar, consegui reconhecer. Senti uma mão pairar sobre meu ombro. Meu coração disparou, quase saltando pela boca. Virei-me e lá estava ele, de pé atrás de mim, com um leve sorriso no rosto. Era Dr. Jacques. Vestia uma camisa branca de mangas compridas, calça jeans escura rasgada e chinelos de couro escuro, seu cabelo estava um pouco mais comprido. Em seu pescoço, pude notar que tinha um colar, uma espécie de medalhão, creio eu, com uma pedra negra no centro. Sua mão esquerda estava envolta em gaze e seu rosto levava alguns arranhões.

EU: Dr. Jacques? – perguntei sem entender o porquê de ele estar lá e naquele estado. Ele me observou e abriu um largo sorriso.

JACQUES: Tá linda! – continuou sorrindo encantadoramente.

EU: Brigada, mas... – tentei mudar de assunto, mas fui interrompida por ele.

JACQUES: Uma longa história. Quando chegar a hora certa, vais entender – o olhei confusa – Não te preocupa tudo vai ficar bem! – na alternativa de me confortar.

EU: Tá bom, mas o que a gente tá fazendo aqui? Como sabias que eu tava aqui? – se aproximou ainda mais de mim, tocando meu rosto gentilmente. Estranhei ele estar fazendo isso, mas tudo bem.

JACQUES: Tudo em sua hora. Relaxa boneca! – falou num tom engraçado, apertando meu nariz. Dei um espirro, ou melhor, quatro – Foi mal! – fez uma cara de “vixe!” – Nariz sensível! – falamos juntos. Rimos. Seus olhos cintilaram com o brilho do sol. Ele os fechou instantaneamente, botando as mãos no rosto, com o intuito de se proteger da claridade – Nunca fui muito fã do sol! – declarou, dando um riso tímido.

EU: Pra falar a verdade, eu não sou nenhum pouco fã do sol também! – disse, deixando-o um pouco mais à vontade – Mas tenho que admitir que é lindo! Além de ter uma energia particular única – Ele pareceu concordar. Seus olhos agora estavam de um verde claro por conta do sol. Mas, por um momento pensei ter visto seus olhos se tornarem vermelhos sangue. Talvez por causa do reflexo do sol também, diante disso fiz pouco caso e deixei pra lá. Ele estava mais lindo e charmoso do que o de costume. Dentro de meu peito tinha a sensação de que já o conhecia fazia algum tempo. Não parecia que o havia conhecido apenas hoje. Essa estranha sensação preenchendo meu coração era muito forte, parecia até amor, mas não sei ao certo se era exatamente isso, uma vez que, eu não conhecia muito bem esse sentimento em relação a homens e essas coisas mais. Sem falar que muitas pessoas o procuram, alguns acabam achando, mas, outros não tem essa mesma sorte. Devo conhecer paixão, mas amor ainda não deu suas caras pra mim. Acho que é cedo demais para isso, mas isso não vem ao caso.

JACQUES: Eu... Gostei do vestido – falou num tom de aprovação, apontando timidamente para meu vestido, fazendo uma carinha meiga. Nunca pensei que poderia ver aquele semblante em seu rosto. Até porque o conheci hoje! Mesmo no sonho não parecendo isso.

EU: Brigada – sorri amistosamente – Mas eu realmente estou proibida de fazer perguntas?

JACQUES: Dependendo da pergunta...

EU: O que aconteceu contigo? Por que estás ferido?

JACQUES: Pergunta complicada pra agora, podemos pular essa?

EU: Ah – dei um suspiro – tá bom, não vou é perguntar mais nada! Tudo que eu te pergunto não respondes... Assim fica difícil meu filho! – ele deu um riso curto.

JACQUES: Podemos ficar aqui, apreciando essa vista linda! – passou seu braço e o deixou sobre meu ombro, ficando abraçados. Realmente aquele cenário era surreal, pareciam aquelas cenas de filme quando o personagem morre e vai pro céu e se depara com o paraíso, ou coisa do gênero. Esse lugar tem o poder de colocar qualquer um em uma sintonia esplêndida, te colocando nas alturas com uma grande paz interior. O olhei com o canto do olho, um pouco retraída por ele estar me abraçando daquele jeito tão caloroso – Calma, eu não mordo! – começou a gargalhar do nada. Fiquei sem entender nada, mas tudo bem – Sacou?! – eu fiquei tipo “Hãn?! Do que esse maluco tá falando?”. Ele tentava falar enquanto ria, o que foi bem engraçado – Deixa pra lá...

EU: É...

JACQUES: Esse lugar é realmente divino, bem que você falou – sorriu e olhou o horizonte contente. Eu fiquei confusa, nunca havia falado nada sobre com ele. Isso realmente estava começando a me assustar – E como você disse também, é melhor ainda virmos aqui acompanhados... E eu diria MUITO bem acompanhado! – deu ênfase no “muito”, olhando pra mim.

EU: Ah... Claro! – tentei disfarçar minha falta de informação sobre nossa relação pra ele não perceber, se é que vocês me entendem. Porque eu não tô entendendo mais nada desse bagulho. Cada palavra a mais eu fico mais confusa ainda. Não que eu não esteja gostando de ter certas intimidades com um homem desses, mas quando o negócio é bom demais assim do nada, pode desconfiar que ai tem! Ah, mas ai tem!

JACQUES: Sabe, depois da trágica experiência que eu tive nunca pensei que poderia amar outra vez... – falou com os olhos fixos no horizonte – E ainda por cima, amar uma bruxa – se virou pra mim e tocou meus cabelos delicadamente. Ê rapá, esse negócio tá ficando estranho! Primeiro: como ele sabe que eu sou uma bruxa? Segundo: me amar? Terceiro: trágica experiência? Quarto: me amar? WTF?

EU: Me amar?

JACQUES: Não, não... Edward Cullen te ama! – tirou graça com a minha cara, fazendo uma cara de bobo estupidamente ridícula. Não contive o riso e comecei a rir na cara dele – Para de rir de mim! Eu sei que a piada foi boa, mas também não é pra tanto vai!

EU: Ok! Vou tentar não rir... Mas pelo amor de deus, me sacaneaste pesado agora, Edward Cullen?

JACQUES: Bom, essa era a intenção... Então se o caso é esse, você deveria agradecer de eu não ser como ele, só digo isso – disse com um sorriso safado na cara.

EU: Do que tu tá falando?

JACQUES: Sabes muito bem do que eu estou falando!

EU: Não, eu não sei – eu realmente não sabia, tá!? – O que?

JACQUES: Sempre se fazendo de desentendida... Só porque tu sabes que eu gosto quando fazes isso! – What? Que? Como assim papai do céu? Aproximava lentamente seu rosto do meu a cada respiração. O negócio tava tenso. Mas um “tenso” muito bom, né!? Enfim... Até que, quando nossos lábios iam enfim se tocar... – Ah! – botou a mão na cabeça, fazendo uma expressão como se tivesse lembrado de algo — Quase me esqueço! – o olhei com dúvida não compreendendo do que se tratava. Ele se afastou indo em direção a um carro que estava parado embaixo do morro. Apertei os olhos para enxergar melhor. Era um “Mustang Eleanor 67” preto com listras cinza, simplesmente perfeito. O carro dos meus sonhos de sempre. Fiquei boquiaberta, babando naquela belezura. Jacques entra no carro e o liga, trazendo-o para perto de mim. Quando para com o carro, parece procurar algo dentro do mesmo. Até que acha uma fita, e a coloca no tocador – Tá ouvindo? – ele me pergunta aos berros. Digo que não. Então ele aumenta o volume – E agora? – gritando mais alto ainda.

EU: Agora... Agora sim! Música? – espera ai, eu conheço essa música! “Always” do Bon Jovi – Jon Bon Jovi? – perguntei com um sorriso surpreso no rosto.

JACQUES: Isso ai baby. Grande Bon Jovi! – falou batendo a porta do carro vindo em minha direção – Te lembras? – Do que? Lembro do que? Pelo amor do padre! Será que eu tô com mal de Alzheimer ou qualquer bagulho desses?

EU: Ah... – tentando recordar de algo que aparentemente eu não fazia ideia do que era – Claro! – fingi. Agora ele me pegava na mentira.

JACQUES: Nossa primeira dança juntos! – sorriu romanticamente e estendeu a mão para mim. Ambos os corpos se aproximaram até Jacques me puxar para mais perto dele. Estávamos colados agora. Envolvi meus braços em seu pescoço, e ele os seus em minha cintura. Nossos narizes se encostavam, fazendo leves cócegas. Tentei esconder o riso pra não estragar aquele momento romântico. Finalmente o beijo tão esperado por mim aconteceu. Maravilhoso. Puramente delirante. Aproveitei, afinal de contas quando é que se beija o chefe (gato, gostoso e charmoso) assim? Ainda mais com todo esse cenário? Ah, tá no inferno abraça o capeta! Digo mesmo. Por isso que eu gosto tanto de sonhos – Melhor ainda que o primeiro! – fiz uma expressão de dúvida – Melhor ainda que o primeiro beijo que tivemos cabeçuda! – cerrou os punhos e bateu levemente contra minha cabeça, dando um sorriso besta logo depois.

EU: Mas por que eu?

JACQUES: Por que tu o que?

EU: Deixa pra lá... – não quis mais fazer esses tipos de pergunta ao invés de aproveitar aquele homem que estava a minha frente, todo só pra mim – Não importa... Adoro essa música – sorri um pouco encabulada.

JACQUES: Bon Jovi é o cara! – deu uma piscadela, rindo – And I will love you... Baby, Always! – acompanhava a música, um tanto quanto desafinado e eu só fiz rir, como sempre – Eu sei que não canto tão bem assim, mas eu me esforço! – riu.

*Flash Back Off*

A buzina do ônibus me fez despertar de meu devaneio num susto. Meu coração acelerou por conta do barulho, assim tão de repente. Logo depois, só pude ouvir o motorista esbravejar alguma coisa de mau gosto contra outro ônibus que o cortara perigosamente. Mais cinco minutos se passaram até eu “desembarcar” em meu destino. Chegando lá, Dr. Jacques já estava na sala de jaleco e tudo, arrumando alguns objetos. Me senti um pouco estranha ao falar com ele depois do sonho que havia tido noite passada. Ele notou e perguntou se eu estava bem, eu disse que não tinha problema nenhum, só que tinha acordado com um pouco de dor de cabeça, menti. Diante disso ele não fez mais perguntas e seguimos adiante com nosso trabalho. Ele me ensinou na prática como usar corretamente o bisturi. Pela primeira vez na vida, esfaqueei uma pessoa, tá bom, eu só cortei um morto com um bisturi! Mas foi emocionante, não posso negar. No meio do serviço, um cadáver fresquinho chegou para a autópsia forense do Doutor, e claro, eu fui requisitada pra ajudar. A adrenalina pulsava em minhas veias, tantas emoções. Me sentia no CSI! Podia até ouvir a música tema de abertura do programa enquanto ajudava o doutor. Sem querer o trabalho acabou me distraindo de não pensar mais no sonho. Na hora de ir pra casa, quando saio do banheiro vejo Dr. Jacques se aprontando para ir embora também.

EU: Já vai também? – ele vira, ficando de frente pra mim. Pude notar um colar em seu pescoço. Aliás, um colar que se parecia muito com o do meu sonho, ou na verdade o próprio! Gelei. Mas me mantive firme.

JACQUES: Já, tenho umas coisas pra resolver fora daqui. Por falar nisso tenho que correr! – olhou para o relógio, pegando em seguida seu casaco – Tchau, nos vemos amanhã! – saiu correndo e colocando o casaco ao mesmo tempo.

EU: Tchau... – meu queixo caiu no momento em que ele saiu da sala. Nunca tinha acontecido coisa parecida, de eu sonhar com uma coisa que nunca havia visto e logo no dia seguinte eu perceber que essa coisa é real. Isso me deixou um pouco tonta, me apoiei na maca de inox para não cair. Acho que fiquei mais branca do que sou. Suava frio e meus olhos ardiam levemente. Como isso poderia estar acontecendo? Tinha alguma coisa errada, se o medalhão é real o que mais também é real? Nessas condições precisava informar o pessoal desse meu sonho o mais rápido possível. Respirei fundo e aos poucos fui melhorando. Quando passei por Lynn ela ficou preocupada e me perguntou se eu estava me sentindo mal, disse que não e me despedi dela. Afinal, tinha de correr pra não chegar muito tarde em casa e me atrasar pra aula, mais uma vez.