POV Leah

Eu não tinha motivos para reclamar da minha vida, era bem feliz com meu irmão, minha mãe e mesmo quando ela se casou de novo, depois da morte do meu pai, eu fiquei contente por ela e porque Charlie, seu novo marido era realmente um cara muito bacana, e sua filha Bella quando veio morar com a gente demonstrou ser alguém bem legal também, então estava tudo bem.

Mas o real motivo para eu me sentir feliz era o Sam, meu namorado desde sempre, meu primeiro amor, o primeiro tudo em minha vida e o único, se dependesse de mim nós ficaríamos juntos para sempre, não consigo me imaginar sem ele, Sam também me ama com a mesma intensidade e isso me completa de uma forma inexplicável.

E eu achei que nada, jamais, poderia mudar isso entre a gente, esse nosso amor, nossa cumplicidade, mas nas últimas semanas tudo mudou, todo meu relacionamento perfeito e feliz começou a desmoronar diante dos meus olhos e eu não sabia o que fazer.

No começo Sam ficou diferente, mais distante, até fisicamente ele estava mudando, mas tentei não dar bola para isso... Até que um dia nós brigamos, ele foi para a casa dele e demorou dias para aparecer e desde então tudo mudou completamente.

Seus cabelos estavam curtos, seus músculos muito mais definidos, agora em seu braço tinha uma tatuagem, ele andava só com uma bermuda na maior parte do tempo, e o que mais me doeu foi que ele mudou completamente comigo, Sam ainda me ama, eu sei disso, sinto e ele me diz, mas não é mais o meu Sam... Perdi a conta das vezes em que brigamos, ele estava me escondendo algo, e isso estava acabando com a gente, com nosso namoro, mas não com nosso amor, e por isso mesmo, por ainda amá-lo tanto e sentir que apesar de tudo ele também me ama, eu resolvi passar por cima de tudo isso e lutar para não perdê-lo. Minha mãe diz que é só uma fase e eu preciso ter paciência, às vezes é como se ela soubesse de algo a mais!

Sem outra escolha é isso que estou fazendo, tendo mais um pouco de paciência e Sam também tem se esforçado, mas infelizmente eu sinto que fingirmos que nada está acontecendo não vai resolver nossos problemas.

Hoje é dia de festa então estou tentando deixar tudo isso de lado, é aniversário do Seth, e Sam está aqui comigo no churrasco em minha casa, a festa já está bem animada, eu acabei de me servir na churrasqueira, onde conversei brevemente com a Bella, mas não quero ficar dividindo meus problemas, na verdade quero esquecê-los então voltei para onde Sam estava sentado me esperando.

-Segundo o que Charlie e Billy estão dizendo esse churrasco está o máximo. – brinquei colocando o pratinho em sua frente e ele sorriu me puxando para seu colo.

-Você está linda Lee.

-Eu usei essa roupa várias vezes Sam. – revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso, era bom escutar elogios dele depois de tudo que tem acontecido.

-Eu sei, é que sinto que ultimamente não digo isso com a frequência que você merece ouvir. – ele acariciou meu rosto.

-Eu entendo que estamos passando por um momento complicado... Só quero que saiba que sempre pode falar comigo Sam, sobre qualquer coisa, eu te amo. – dei um beijo leve em seus lábios.

Seu olhar ficou distante e triste, como vinha acontecendo muito ultimamente, mas logo ele disfarçou e assentiu me beijando.

-Eu te amo Leah, amo muito mesmo, não se esquece disso ok?!

Assenti e segurei em seu rosto beijando seus lábios intensamente, Sam estava quente, mas ele está assim nos últimos dias, e um dos motivos de nossas brigas foi eu insistir que ele procurasse um médico, então não toquei mais nesse assunto, apesar de ficar muito intrigada.

Mas tratei de me esquecer de tudo isso e entrelacei meus dedos em seus cabelos aprofundando nosso beijo, Sam apertou minha cintura e colou mais nossos corpos me fazendo sorrir em seus lábios.

Mordisquei de leve seus lábios me afastando quando o ar me faltou e ele sorriu maliciosamente descendo uma mão até minha perna.

-Você sabe como me enlouquecer né?!

-Sim e adoro. – ri e ia voltar a beijá-lo quando fomos interrompidos.

-Foi mal interromper casal... – Seth se aproximou rindo. -Mas a mamãe ta chamando, Emily chegou.

-Sério?! – me levantei rapidamente do colo do Sam que me olhou divertido.

-Sua prima que você disse que iria passar uns dias aqui? – ele perguntou se levantando também e pegando em minha mão entrelaçando nossos dedos.

-Ela mesma, vamos lá, onde ela está Seth? – fazia um tempo que eu não via Emily, mas sempre nos demos tão bem, estava com saudades, e nesse momento onde tudo estava tão estranho seria bom tê-la por perto.

-Ali, ta todo mundo indo pra lá. – ele apontou para frente e quando olhei vi Bella com Jake e Embry e minha mãe em torno de alguém, que só podia ser a Emily, então fui pra lá arrastando Sam comigo e sendo seguida por Seth.

Sam riu da minha pressa e eu fiquei feliz em ouvir o som da sua risada, me virei para olhá-lo e ele me beijou rapidamente me fazendo sorrir.

-É um prazer conhecê-la Bella. – escutei Emily falar enquanto abraçava Bella assim que nos aproximamos.

-Aí estão vocês. – minha mãe sorriu quando nos viu e puxou Seth.

-Seth, minha nossa, você está enorme. – Emily sorriu largamente e o abraçou apertado. -Feliz aniversário, seu presente está na minha mala.

-Valeu Emily, mas nem precisava.

-Ah ta, vai se fazer de tímido agora Seth? – Jacob brincou dando um tapa no braço dele que riu.

-É lógico que precisava, e eu estava com saudades, de todos vocês. – ela o olhou carinhosamente.

-E ainda se lembra de mim? – fui para perto do Seth e soltei da mão do Sam para abraçá-la.

-Leah, você está linda, senti sua falta prima. – Emily me abraçou sorrindo ainda mais e retribui seu abraço.

-Também senti saudades... Agora deixa eu te apresentar meu namorado.

-Amor, essa é minha prima Emily... E Emy, esse é o Sam, meu namorado. – me afastei dela voltando a pegar a mão do Sam, mas ele não segurou com firmeza em minha mão e o olhei.

Era como se ele não estivesse aqui, como se só seu corpo estivesse na minha frente, Sam parecia em transe.

-Olá Sam. – Emily sussurrou o olhando e percebi que era para ela que ele estava olhando intensamente.

-Sam... – sussurrei apertando sua mão, mas ele nem ligou pra mim, era como se nem me visse ali, sua atenção estava toda na Emily, ele a olhava admirado, deslumbrado, aquilo me incomodou loucamente, não bastava tudo o que estávamos passando? O modo estranho como ele vinha agindo? Agora ele ia ficar desse jeito pela minha prima, na minha frente?

-Sam... – Jacob deu um empurrão de leve nele, que só então despertou, percebi que todos viram o modo como ele ficou diante da Emily e desviei o olhar envergonhada.

-Ah... Olá. – finalmente ele falou algo, mas sua voz estava distante, foi quase um sussurro, ele não parava de olhá-la, e um sorriso radiante tomou conta de seus lábios, nunca o vi sorrir assim para mim.

Emily corou sem deixar de encará-lo também e eu soltei a mão dele bruscamente, sem conseguir entender o que estava acontecendo ali.

-Hum... Vamos levar suas coisas lá para dentro Emily? Aí você pode aproveitar a festa com a gente. – Bella quebrou o silêncio que tinha se instaurado.

Emily assentiu, ainda olhando para Sam que a encarava descaradamente e senti uma raiva sem tamanho me dominando, ultimamente eu estava mais nervosa, estourava por tudo, mas era tudo conseqüência das mudanças do Sam, do modo estranho que ele andava agindo... Só que toda essa frustração, mágoa e desespero pareciam estar em ebulição dentro de mim e pronto para explodir a qualquer momento.

Não consegui acreditar que os dois estavam mesmo se olhando de forma tão intensa e descarada bem na frente de todo mundo, na minha frente, então me afastei rapidamente sem falar nada, antes que eu realmente explodisse.

Pude escutar Seth e Jacob reclamando com Sam e ainda vi Bella e minha mãe levando Emily, que parecia envergonhada, para dentro de casa.

Mas me desliguei deles e fui para o canto mais afastado, onde tinha uma enorme árvore e me sentei embaixo dela me encostando em seu tronco e tentando me acalmar.

Respirei fundo e prendi meus cabelos que estavam soltos em um coque frouxo, fechei meus olhos com força e percebi que estava até tremendo, meus olhos marejaram e segurei as lágrimas, não iria chorar... Caramba, eu já tinha chorado tanto desde que o Sam começou a mudar, não estava mais aguentando essa situação e essa cena toda com a Emily parecia estar sendo a gota d’água.

Permaneci de olhos fechados e por isso não percebi quando Sam se aproximou...

-Lee. – ele sussurrou e se sentou ao meu lado.

Abri os olhos e o encarei por alguns instantes em silêncio.

-O que está acontecendo com você Sam? E o que foi aquilo com a Emily?

Ele acariciou meu rosto e depois desviou o olhar de mim suspirando pesadamente e passando as mãos pelo rosto.

-Eu não queria isso, não pedi por nada disso, não sei o que fazer... Me odeio por te magoar. – ele se recriminava e parecia estar pensando em voz alta, porque nada fazia sentido para mim.

-Do que você está falando? – segurei em seu rosto obrigando ele a me olhar nos olhos.

-Vem cá. – ele me puxou para seus braços e me apertou contra seu corpo.

Um abraço tão apertado que quase me sufocou, mas eu não me importei, no fundo eu sentia como se tudo que sofri até agora fosse só o começo... Não conseguia parar de pensar no modo como ele olhou para Emily e como ela o olhou de volta, aquilo estava me matando.

-Porque você a olhou daquele jeito? O que aconteceu Sam? – voltei a perguntar e me afastei para olhá-lo melhor.

Ele respirou fundo e afastou as mãos de mim, notei que elas tremiam, e em um pulo ele se levantou.

-Me perdoa Leah, eu não queria, mas eu não posso... Não posso fazer nada! – ele me olhou com uma mistura de amor, pena, desespero e antes que eu pudesse pensar em algo para falar ele saiu correndo e se afastou de mim.

Me levantei pensando em segui-lo, mas as lágrimas já caíam com força em meu rosto e não queria que os outros na festa me vissem assim então voltei a me encostar no tronco da árvore e chorei, sem fazer ideia do que estava acontecendo.

Estava começando a me acalmar quando minha mãe se aproximou de mim...

-Leah. – ela me olhou estranhamente, parecia estar sofrendo, e me esticou a mão para que eu levantasse.

-O que está acontecendo mãe? Porque o Sam está agindo desse jeito? E o que foi tudo aquilo com a Emily? – peguei em sua mão e me levantei a abraçando.

-Venha querida, vamos para casa.

-Não mãe, eu preciso saber o que está acontecendo, e você sabe né?!

Meu corpo tremia apesar da minha crise de choro ter passado, eu me sentia exausta, física e emocionalmente, parecia ter uma revolução dentro de mim... Eu estava cada vez mais magoada e confusa.

-Leah, por favor, vamos entrar. – ela foi me puxando em direção a casa, passando pelos fundos, longe da festa, a música estava alta e eu podia ouvir a conversa e o riso das pessoas lá na frente.

-Eu tenho o direito de saber... – sussurrei, mas deixei ela me levar, até que meus olhos focaram em uma cena que me paralisou e fez meu corpo tremer ainda mais.

Sam estava ali, afastado, na beira da floresta, sentado em um tronco caído e com Emily ao seu lado, ele estava de cabeça baixa e passava os dedos nervosamente nos cabelos curtos... Emily falava algo e de repente levantou a mão acariciando o rosto dele.

Meu coração falhou uma batida e depois voltou a bater descompassado quando Sam ergueu o rosto e acariciou a bochecha dela com carinho, mesmo de longe era possível ver a admiração com que eles se encaravam, os dois sorriram e ela corou quando ele permaneceu com a mão no rosto dela, ele foi se aproximando dela e seus lábios estavam quase se tocando... Pareciam estar em um mundo só deles!

-Leah. – minha mãe sussurrou pesarosa e passou os braços em meus ombros tentando me tirar dali, mas eu não deixei e me afastei bruscamente dela.

Era como se algo me dominasse agora, raiva, mágoa, tristeza, dor, medo, desespero... Tudo como uma avalanche dentro de mim me destruindo.

Apertei as mãos em punhos e segui em direção a eles.

-O que é isso? – gritei e só então eles notaram que não estavam sozinhos.

-Leah. – Sam se levantou e me olhou.

-Não é nada disso Leah. – Emily também se levantou.

-Disso o que Emily? Eu estou vendo, vi desde o momento em que apresentei vocês... – gritei sem conseguir me controlar, meu corpo tremia ainda mais e era como se eu estivesse pegando fogo!

Sam me encarou intensamente e se aproximou...

-Não chegue perto de mim Sam, eu odeio você, odeio os dois.

-Leah, por favor, vamos conversar... Eu... – Emily soluçou, ela parecia perdida, mas meu ódio não me deixava pensar direito.

As lágrimas deixavam minha visão embaçada, meu coração estava disparado e agora eu tremia sem parar...

-Leah! – minha mãe me chamou, mas nem a olhei.

-Com você não... – Sam sussurrou como se estivesse falando com ele mesmo e não entendi. -Por favor, isso não é possível...

Ele repetia sem parar enquanto se aproximava de mim.

-Você está enlouquecendo Sam? É isso? – dei uns passos para trás me afastando dele.

-Leah vem cá, por favor, se acalma. – ele parecia desesperado.

-Você mudou tanto, mas eu estava tentando superar isso, fingir que nada estava acontecendo, porque eu te amo... E agora te vejo quase beijando minha prima. – voltei a gritar.

Emily me olhava assustada e nervosa, ela parecia tão perdida e confusa quanto eu, mas naquele momento eu a odiava, ela não tinha o direito de chegar aqui e em instantes já ir se aproximando dele desse jeito.

-Leah vem cá... – rapidamente Sam se aproximou e me segurou em seus braços. -Você está quente, muito quente e tremendo... Merda!

-O que foi? – eu escutava a voz da minha mãe, mas não conseguia me focar nela.

-Tira as mãos de mim. – sussurrei entre dentes e bruscamente me afastei dele. -Eu tenho nojo de você, de vocês dois.

Olhei para Emily que chorava e sem conseguir me conter corri, eu só queria ficar o mais longe possível deles.

Ainda pude escutar Sam gritando por mim, por sorte, a música alta da festa não tinha deixado os outros perceberem o que acontecia aqui, não precisava de mais ninguém vendo aquela cena patética.

Nem percebi por onde eu estava correndo e quando me dei conta eu já estava no meio da floresta, nunca corri tanto em minha vida, mas eu precisava me afastar deles, de tudo aquilo que estava me matando, me destroçando por dentro.

Eu ainda achava que tinha alguma chance de recuperar meu relacionamento com o Sam, mesmo com todas as suas mudanças ele dizia me amar, mas vê-lo daquele jeito pela Emily e ver como ela parecia correspondê-lo me mostrou que nada mais seria como antes!

Corri em meio as árvores, mas de repente tive que parar, meu corpo todo doía, ardia, minha cabeça parecia prestes a explodir... Me encostei em uma árvore e tentei me acalmar, mas eu tinha perdido o controle!

Meu corpo não era mais meu, minha mente não era mais minha... Nunca fiquei com tanta raiva, medo e desespero ao mesmo tempo.

Meu corpo parecia estar sendo partido em milhões de pedaços e um fogo parecia me consumir, era incontrolável.

Caí na terra úmida da floresta e cravei minhas unhas nela tentando recuperar o controle de mim mesma.

Meu corpo convulsionou e eu não conseguia entender mais nada, estava delirando, só podia ser isso...

Gritei de dor, de raiva, de frustração... Meus gritos ficaram cada vez mais altos e de repente eu explodi, era como se eu tivesse realmente explodido, e meu próximo grito foi um uivo, alto, forte e agonizante!

Me calei, minha respiração estava ofegante... Tentei ficar de pé, mas quando olhei para baixo vi patas no lugar das minhas pernas, tentei gritar novamente, mas só ouvi aquele uivo aterrorizante e me apavorei quando percebi que eu estava uivando... Eu não era mais a Leah, era um monstro!

“-Leah?!” – a voz parecia estar dentro da minha cabeça o que só me confundiu ainda mais.

Olhei em volta tentando ver quem falava comigo, mas eu estava tão desnorteada que não consegui ver nada direito.

“-Merda, é ela mesma.” – outra voz, de novo na minha cabeça, me concentrei e dessa vez as reconheci.

“-Jared? Paul?”

“-Cara é ela mesma... Quantos mais vão se transformar?” – era o Paul, eu não conseguia entender o que estava acontecendo.

“-Cala a boca Paul, ela está confusa, lembra como foi horrível pra gente também.” – Jared resmungou. “-Leah, se acalme.”

“-Eu enlouqueci?”

“-Não... Isso tudo é muito real.” – a voz de Jared parecia divertida agora e me concentrei nele para não ficar ainda mais pirada.

Mas então tudo ficou ainda pior, se é que isso era possível...

“-Lee...” – eu reconheceria essa voz em qualquer lugar, me virei bruscamente, tentando não pensar em como meu corpo estava agora e dei de cara com um enorme lobo de pêlos negros bem na minha frente.

“-Sam.” – sussurrei ainda em pensamento, já que eu não conseguia mais falar.

O lobo assentiu, seu olhar estava cheio de tristeza.

*~*~*~*~*~*~*~*

Eu queria acreditar que isso era só um pesadelo, mas não dava.

Tinha se passado algum tempo desde que tudo aconteceu, estava ficando escuro, mas eu precisava tanto correr... Sam mandou Jared e Paul embora e ficou ao meu lado, mesmo isso só me deixando ainda mais nervosa.

Eu tentei fugir, mas ele me perseguia, mandei ele para o inferno, mas não adiantou e no fundo eu estava tão assustada que não podia e não queria ficar sozinha.

Sam tinha me contado em um resumo rápido e confuso o que estava acontecendo... E segundo o que eu consegui entender em meio a toda minha confusão e dor, todas as lendas que crescemos ouvindo são reais, e nós somos lobos, existimos para matar vampiros... E parece que eu sou a primeira loba da história ou algo assim, e eu achava que as coisas não podiam piorar.

Sam tentava me manter calma e me contar tudo, mas estava difícil, principalmente porque eu estava com tanta raiva dele...

“-Está na hora de voltarmos Leah, para conversarmos com mais calma.” – ele sussurrou em minha mente, eu não gostava de tê-lo na minha cabeça, e odiava estar na cabeça dele, Sam estava tentando esconder seus pensamentos, mas hora ou outra deixava algumas coisas passarem, e Emily estava tão presente ali que eu só ficava mais furiosa.

“-O que é isso? Porque pensa nela desse jeito?” – parei de correr e fiquei de frente para ele, não queria nem imaginar como eu era nessa forma de loba.

“-Não é hora para falarmos sobre isso Leah, vamos voltar, você precisa se acalmar.” – ele desconversou e deu meia volta correndo.

Sem outra alternativa eu o segui de volta para minha casa, por mais que ainda estivesse muito confusa algumas coisas começavam a fazer sentido agora, as mudanças dele foi por isso, Sam tinha se transformado em um lobo e eu poderia perdoá-lo por isso, até porque sou como ele agora, mas não era assim, tinha a Emily, ele sentia algo forte por ela, por mais que tentasse esconder seus pensamentos de mim eu sentia isso, ele estava tentando lutar contra, mas era uma batalha perdida... E eu percebi com uma tristeza que me dominou completamente que eu tinha perdido o Sam, não sei por que, mas ele não era mais meu!

Sam parou de correr bruscamente e eu fiz o mesmo, mas como não conseguia me controlar direito levei algumas árvores comigo.

Percebi que ele parou porque viu meus pensamentos e nossos olhos se encontraram, eu não queria acreditar em nada daquilo, só queria ir para casa e acordar desse pesadelo.

“-Chegamos.” – Sam sussurrou e me dei conta de que estávamos na floresta atrás da minha casa.

Meus sentidos estavam mais aguçados e eu pude ouvir que a festa do Seth tinha acabado, provavelmente ele tinha saído com os amigos para estender a comemoração.

“-Fica aqui, eu já volto.” – Sam me olhou e em um segundo ele já era humano de novo.

Estava nu na minha frente e me olhando... Rapidamente ele retirou uma calça que estava presa em sua perna e a vestiu.

Ele se aproximou de mim com cuidado e tentou me tocar, mas eu rosnei recuando.

-Já volto. – ele suspirou tristemente e se afastou.

Me abaixei na terra e tentei não pensar em nada, mal tinha prestado atenção nas coisas que Sam tinha tentado me explicar, eu não queria ser uma loba, não queria nada disso que estava acontecendo... Eu só queria poder voltar no tempo, quando minha vida era tão perfeita.

Rapidamente Sam voltou segurando um vestido meu em suas mãos.

-Vamos Leah, para voltar você precisa relaxar, se acalmar. – ele parou na minha frente.

Me acalmar com ele por perto seria praticamente impossível, mas eu queria voltar a me sentir eu mesma novamente, queria ser humana, ser a Leah e não esse monstro!

Fechei os olhos e me concentrei o máximo que pude, demorou, mas de repente eu estava deitada, nua e tremendo, meu corpo todo doía, mas eu era humana de novo.

Sam correu e me vestiu, tentei afastá-lo, mas meu corpo todo doía muito e eu ainda não tinha muito controle sobre mim mesma, então deixei ele me vestir, me pegar em seus braços e me levar para minha casa.

*~*~*~*~*~*~*~*

Perdi a noção do que estava acontecendo a partir daí, tudo era uma mistura de imagens, cores e sons confusos.

-Coloque ela no quarto dela Sam, Bella saiu com o Jacob, Seth com os amigos, Charlie foi assistir um jogo com Billy e Emily quis dar uma volta. – era minha mãe falando, mas não consegui abrir meus olhos, estava com tanta dor.

-Porque isso aconteceu Sue? Não era para a Leah passar por isso e era para ela ser meu imprinting, não a Emily. – Sam parecia atormentado.

-As coisas tinham que ser assim Sam, não podemos fazer nada.

Senti quando ele me deitou em uma cama e tentei abrir os olhos de novo, mas não consegui.

-Como eu já posso amar tanto a Emily desse jeito só com um olhar? Leah era meu grande amor. – Sam sussurrou e senti uma mão em meu rosto.

Gemi de dor e desespero... Ele tinha dito que ama a Emily? E se referiu ao amor que sentia por mim como passado... E o que era aquilo de imprinting?

Tentei perguntar o que era aquilo, tentei me sentar, despertar, mas não dava, eu estava tão fraca, tão derrotada, deixei a dor me dominar e me afundei nela.

Acordei suando e me sentei assustada na cama, pensei que tudo tinha sido um enorme pesadelo, mas minha mãe estava sentada ao meu lado, com um pano em minha testa e me olhando com pena... Era tudo real!

-Vou te explicar tudo querida, só fique calma. – ela sorriu levemente.

-Cadê o Sam? – não queria perguntar por ele, mas foi mais forte do que eu.

-Pedi para ele me deixar sozinha com você.

-Ele está com a Emily né?! – tremi de raiva, mas então me lembrei de como ficar furiosa tinha me transformado naquele monstro e me acalmei.

-Não é assim Leah... Sam não queria isso, nem a Emily.

Me lembrei do que ouvi eles conversando pouco antes de eu apagar e uma palavra me intrigava...

-O que é imprinting?

Ela baixou o olhar e eu tive medo do que ouviria, mas o que poderia ser pior do que tudo que estava acontecendo?

-Você já percebeu que nossas lendas são bem reais não é? – ela segurou em minhas mãos e eu assenti. -Você é uma loba Leah, uma guerreira, que existe para proteger nossa tribo dos frios.

-Vampiros... – sussurrei e ela assentiu, eu já tinha ouvido tantas vezes aquelas lendas.

-Muita magia rodeia nosso povo, e o imprinting é uma delas... – ela respirou fundo e me olhou. -Imprinting é uma magia que acontece com os lobos, é o modo como eles encontram suas companheiras, acontece com um olhar, uma troca de olhar e tudo deixa de existir para o lobo, o objeto de sua impressão passa a ser sua vida... Pode acontecer com você também querida, uma dia você pode encontrar seu companheiro assim.

-Mas que merda é essa? – eu não queria ser rude com minha mãe, mas foi inevitável.

-Não fale assim Leah...

-O Sam teve essa coisa com a Emily? Agora ele vai ficar com ela? Simples assim, em um piscar de olhos ele me esqueceu e ama a Emily?

Me levantei da cama, já estava tremendo de novo.

-Eles não queriam isso filha, mas é incontrolável, não podemos fazer nada... Conseqüentemente a Emily se apaixonará por ele também.

-O que? – gritei, estava sem controle de novo, eu já estava chorando, meu corpo ainda doía.

-Leah se acalme. – a voz do Sam me atingiu como um raio e no mesmo instante parei de tremer, olhei para a porta do meu quarto e ele estava lá, parado me olhando.

Não entendi porque seu tom de voz automaticamente fez com que eu obedecesse... Mas logo alguns fleches do que ele tinha me contado enquanto corríamos voltaram à minha mente, ele era o Alfa, ou algo assim, além de tudo, agora ele podia mandar em mim também.

-Vai se ferrar Sam. – gritei e tentei passar por ele, mas ele segurou em meu braço.

-Não faz assim, vamos conversar.

-Sobre o que? Sobre eu ter me transformado em um monstro? Ou sobre você estar me largando para ficar com minha prima? – segurei as lágrimas e ele baixou o olhar.

-Eu ainda te amo Leah. – sua voz foi só um sussurro, mas agora eu ouvia tão bem.

-Mesmo Sam? – suspirei e ele me olhou.

-Sim, mas o que eu sinto pela Emily...

-É mais forte? Você me ama, mas ama a Emily mais? E tudo o que vivemos até hoje, todos esses anos que passamos juntos e os planos que fizemos não significam mais nada?

-É mais forte que eu. – ele largou meu braço.

-Você é que parece muito fraco Sam... Se fosse eu no seu lugar juro que ao menos eu tentaria lutar contra isso.

-Não consigo, tomou conta de mim e é tão forte...

-Você não é mais o Sam que eu amo... E a partir de agora eu também não sou mais a mesma Leah. – uma lágrima caiu em meu rosto e ele me olhou com os olhos marejados também.

-Uma parte minha sempre vai ser sua Leah, sempre vai te amar.

-Não é o bastante... – ofeguei e corri saindo de casa.

Estava bem escuro, mas não encontrei com mais ninguém pela casa e nem no caminho até a floresta onde corri até deixar aquele monstro explodir novamente, eu ainda não tinha controle sobre isso, ainda doía muito e minha cabeça estava uma confusão só... Mas a única coisa que parecia realmente importar e que me machucava mais que tudo era saber que Sam não era mais meu... E eu nem sei mais quem sou agora!

POV Bella


Depois que Emily chegou tudo ficou muito estranho, todo mundo percebeu a troca de olhares entre ela e Sam e não entendemos nada, como o Sam foi capaz de ficar assim pela prima da namorada e bem na frente dela? Coitada da Leah, mas ela sumiu depois, Sam e Emily também.

Apesar disso e de eu ficar preocupada com Leah, era aniversário do Seth então tentamos deixar isso para lá e curtimos o churrasco, Sue também sumiu depois, o que foi bem estranho, mas estava tudo tão estranho ultimamente que se ficasse pensando nisso eu ia pirar.

Seth estava se divertindo com todos os amigos e acabei me divertindo também com Jake, Embry e Quil, Paul não apareceu.

Mas quando a festa já estava bem no fim, depois de comermos o bolo, Jacob segurou em minha mão e beijou meu pescoço.

-Vamos sair um pouco daqui?

Olhei para ele e assenti, então nos despedimos dos outros e saímos juntos.

-Para onde estamos indo? – perguntei quando ele me puxou para a direção contrária de sua casa.

-Um lugar que eu quero te mostrar, na verdade já devia ter te levado lá. – ele riu e me puxou em direção a floresta.

-Jake, o que vamos fazer aí?

-Está com medo Bella? – ele me olhou malicioso e eu gargalhei.

-Suas intenções não parecem ser muito boas para você estar me levando para o meio da floresta assim. – dei de ombros.

-Você vai adorar minhas intenções Bells. – ele piscou.

Andamos um pouco até chegarmos em frente a uma pequena cabana, de madeira e linda.

-De quem é? – sorri dando passos em direção a cabana.

-Meio que minha e dos caras, nossos pais fizeram e ficou pra gente... Às vezes nos reuníamos aqui para fazer bagunça, mas faz um bom tempo que não aparecemos. – ele riu e me puxou para dentro da cabana que estava com cara de abandonada.

-Vocês deviam cuidar melhor daqui. – olhei em volta, era pequena, mas aconchegante.

Jacob foi até um pequeno armário que tinha ali e tirou uma rede, depois voltou para a varandinha na frente da cabana e pendurou a rede lá se deitando e me puxando para seu colo.

-Nós podíamos ter usado ela mais vezes. – sussurrei me aconchegando em seu peito.

-Depois sou eu que tenho más intenções né?! – ele me apertou contra seu corpo e eu ri erguendo meu rosto para beijá-lo.

-Jake, você viu que estranho aquilo tudo com o Sam e a Emily? – não queria ficar falando disso, mas era meio inevitável.

-Verdade, ele ficou embasbacado com ela né?! E ela pareceu corresponder, nem respeitaram a Leah, achei bem sacana.

-Eles sumiram depois que ela chegou.

-Sam e Leah deviam estar brigando e Emily pareceu ficar envergonhada ou confusa, sei lá... Mais uma coisa estranha acontecendo... – ele sussurrou acariciando distraidamente minhas costas. -Jared ainda não deu as caras e Paul nem foi na festa.

-To ficando meio que de saco cheio de tudo isso. – bufei, mas de repente ouvimos um uivo, alto e que me arrepiou completamente.

-O que foi isso? – olhei em volta.

-Parece um lobo. – Jacob também olhou em direção as árvores.

-Tem lobos por aqui?

-Sei lá... – ele deu de ombros, mas logo voltou a se ajeitar na rede me colando mais ao seu corpo.

-Não é perigoso amor? – o olhei e ele sorriu.

-Não se preocupe, qualquer coisa eu te protejo.

-Claro. – revirei os olhos.

Ele me puxou para ficar completamente em cima do seu corpo e me beijou.

-O que acha de pararmos de pensar em todas as coisas estranhas que tem acontecido hein? – enquanto falava bem próximo aos meus lábios ele foi acariciando meu corpo.

-Eu acho uma ideia muito boa. – entrelacei meus dedos em seus cabelos e colei nossos lábios novamente em um beijo mais intenso.

Jacob se levantou da rede e me pegou no colo.

-Para onde vamos? – sussurrei beijando seu pescoço.

-Para dentro, agora eu estou mesmo com más intenções. – ele me olhou intensamente e voltou a me beijar.

Ri em seus lábios e passei meus braços por seu pescoço enquanto ele entrava na cabana e fechava a porta... Não iria ficar me preocupando com nada agora, por pelo menos algumas horas seríamos só Jacob e eu e quando estávamos juntos assim tudo ficava perfeito!

Notas finais
N/May: Oláá *-*
Sei que todo mundo queria que o Sam ficasse com a Leah (nós tbm), mas tudo isso que aconteceu é muito necessário para o que acontecerá agora e ainda tem mt fic pela frente ;)
Muito obrigada por todos reviews, ficamos muito felizes com o apoio de vocês *-*
Bjokas

N/Lu: Olá povo, sei que muitos não queriam que acontecesse o imprinting e fosse tudo diferente, mas o propósito era esse mesmo. Tinha que acontecer isso, até porque pela lógica Leah só se transformou depois que o pai dela faleceu, e como aqui na fic ele já morreu, tínhamos que fazer algo diferente, até porque Leah é a única loba da parada, então para ela se transformar algo bem forte teria que ativar os seus genes lupino, e és que foi o imprinting de Sam. Espero que entendam... Até porque não queremos fazer nada clichê, e sim algo bem criativo, mesmo muitas coisas estando obvias... Mas não ficam muito ligados pelo óbvio porque tem muitas coisas para rolar, e que irão surpreender a todos. Bom, esperamos que tenham gostado do cap., e comentem bastante. Bjs e até o próximo cap.