POV Bella

Tudo o que eu podia ver era a escuridão em minha volta, tentei visualizar um ponto para encontrar alguma luz, ou forças para conseguir sair dali, mas nada... Nada me tirava da imensidão negra.

Angústia, dor, e outros sentimentos fervilhavam dentro de mim. Queria gritar numa intenção de obter resposta, mas nenhum som saía do fundo da minha garganta.

“Oh meus Deus! Será que estou morta? Cadê o Senhor, onde está o som de sua voz para que possa me indicar um ponto certo para seguir até onde fica as almas mortas?”

Essa era uma das infinitas perguntas que fiquei um bom tempo me fazendo. Porém tudo se resumia a nada. Nem ao menos prazer em deixar meu corpo cair, e permitir que os soluços aglomerados no fundo do meu peito saíssem, eu conseguia fazer...

No entanto, já me sentia num beco sem saída, sem esperança para poder voltar, mas foi então que avistei uma luz trazendo uma nova esperança. Não sei se me levantei ou se fora o impacto da esperança que me envolveu, mas não perdi mais tempo... Corri em direção a luz com todas as minhas forças, não fazia ideia do que iria encontrar ali, mas tinha uma esperança de que ela poderia me levar de volta ao lugar certo. Mesmo assim, por um momento hesitei.

“E se talvez o que estivesse fazendo fosse o errado? E aquela luz não estaria me levando ao lugar certo, e sim para uma vida eterna deixando para trás todos que os amo? Santo Deus! Meu filho, o meu bebê que ainda não sei o que será, mas que amo mais que tudo!”

Ainda assim, ele eu não deixaria, ele viria comigo...

Tentei resistir a seguir mais um passo para aquela luz, mesmo assim o alívio que ela me envolvia irrompia toda dor e angustia que sentia, e a medida que os segundos passavam a luz ficava mais irresistível.

Se dei mais algum passo não sei, tudo que sei é que meu corpo parecia ter ganhado vida própria e flutuado em direção da luz novamente... Leveza, paz... Tudo era como um ar fresco em maresia tendo aquela luz a medida que me aproximava dela me envolver. Já estava completamente entregue a ela, já não podia sentir o torpor da escuridão.

Porém, não sei o que foi que aconteceu, tudo que sei é que a dor que sentia antes na escuridão não era nada comparado com a dor cortante que envolveu de tal maneira o meu coração que poderia tentar comparar com uma faca de serra sendo fincada em meu peito.

Dessa vez nada impediu o meu grito horrendo. Fora uma facada, duas facadas, três facadas com simples intervalos, até que a quarta fora fatal. Dessa vez o meu corpo não resistiu, e ao invés de flutuar para a luz ele caía novamente para a escuridão...

Era um poço escuro sem fundo, não sabia quando ou onde cairia, e se chegaria a cair... Possivelmente deveria estar indo para o inferno, então era melhor esperar que o fogo me consumisse... Mas eu me pergunto o porquê de estar indo para o inferno... Nunca fiz algo que merecesse ir para lá, no entanto, tem coisas sobre humanas que desconhecemos e essa possivelmente é uma pequena amostra.

Aguardei o momento em que minha alma iria ser consumida pelo fogo, mas ao contrário dessa dor torturante que esperava novamente fui envolvida pela paz, mas esta paz era uma sensação diferente, como se eu estivesse anestesiada.

Tudo o que posso dizer que senti foi meus pés pousarem em algo macio, úmido... Minhas narinas capturaram o frescor da relva, o orvalho das flores... Intrigada por conseguir definir todos aqueles aromas, abri meus olhos lentamente, surpreendendo a mim mesma por mantê-los fechados, entretanto a minha surpresa foi maior no mesmo segundo em que meus olhos contemplaram a paisagem em minha volta.

Era uma pequena campina tendo em volta árvores imensas, flores silvestres de diversas cores, os pássaros cantavam livremente, o som de águas se chocando nas pequenas rochas em um rio compunham a melodia natural daquele pequeno paraíso. O mais estranho era que tinha a sensação de conhecer aquele lugar. Não que me lembre de alguma vez ter vindo ali, mas era que pelo formato das árvores e o cheiro limpo da natureza era igual aos ares da reserva, como se este paraíso estivesse lá dentro.

Tendo essa possível possibilidade olhei em volta tentando encontrar alguma trilha que me levasse a um ponto onde poderia chegar ao meu destino... Mas ao invés de encontrar uma trilha, meus olhos se chocaram com a imagem de três pessoas, dois homens e uma mulher. Não fazia idéia de quem eram, e nunca em meu tempo de moradia os vi na reserva... Mas reparando bem em seus traços e em suas vestes poderia dizer que eles viviam em uma época diferente da minha. Um dos homens vestia uma parca longa, com um colar de dentes de algum animal, e seus cabelos longos soltos, o outro tinha aparência bem mais velha, e a única diferença em suas vestimentas era um chapéu ou algo parecido com um, mas era bem estranho, quanto à mulher, suas vestes eram mais simples e seus cabelos longos e lisos estavam amarrados em um rabo frouxo.

Os olhares deles para mim eram menos especulativos, como se me conhecessem ou me esperassem. Não ousei me aproximar mais, pelo menos até saber quem eles eram.

-Vejam só! — exclamou brandamente o homem mais velho. -A razão de tanta clemência perturbando o nosso descanso eterno. Como se fôssemos Deus para tal ato.

-Ora, velho! Não somos Deus, mas temos a obrigação de velarmos e protegermos nossos descendentes. — disse o homem mais jovem, de uma forma como se ele fosse o mais velho e não devesse respeito ao outro.

No entanto o senhor não rebateu ou repreendeu o mais jovem por sua ousadia, simplesmente suspirou e me avaliou novamente dos pés a cabeça, dando um sorriso bondoso sem a hostilidade e indiferença anterior.

-Deveras! Não podemos fechar os olhos para tamanha dedicação. — comentou o senhor novamente concordando com o outro, porém ele voltou a dirigir suas palavras diretamente a mim. -É uma mulher de sorte minha jovem.

Franzi a testa sem conseguir entender do que isso se tratava. Então decidi pedir explicação para tudo aquilo.

-Pois não? Porque diz isso? Eu nem ao menos sei onde estou. Quem são vocês? E por que estou aqui? – exigi, ousando dar mais dois passos a frente.

Mas ao invés de um dos homens dizer algo, foi a vez da mulher, que até o momento permaneceu calada só a me observar.

-Tantas perguntas! Mas serão poucas as respondidas.

-O que quer dizer com isso? — perguntei diretamente a ela, não gostando de sua postura.

-Calma minha jovem. Não se aflija... O que ela quis dizer é que você irá saber o motivo principal por estar aqui, e o resto terá suas próprias conclusões. — disse o índio mais velho.

-Se é assim, então poderiam pelo menos dizer quem são? — pedi tentando controlar as minhas emoções.

O senhor dirigiu a mim um sorriso, mas fora o outro quem me respondeu.

-Pois bem... Me chamo Tahaki, este ao meu lado é Ephrain, e esta é minha esposa.

-Nunca ouvi falar de vocês... Vocês moram por aqui ou em outra reserva? — perguntei curiosa, mas pela expressão dele parecia que eu estava bancando a tola, no entanto Tahaki respondeu.

-Sim moramos... Mas você não.

Fiquei confusa com a sua resposta, não sei onde ele queria chegar com aquilo.

-Como não? Não estamos no meio da floresta em La Push? Eu vivo com o meu pai, minha madrasta e seus filhos nessa reserva. -retorqui.

-Não estamos na reserva, minha jovem. — negou a esposa de Tahaki.

Olhei para ela intrigada, mas em seus olhos eu pude ver a verdade. Por mais um segundo fiquei confusa, mas então minha mente me fez lembrar de algo...

Não tinha como estar na reserva, poderia até estar, mas a lembrança da dor, da escuridão me envolver, a voz de Jake soar distante eram minhas únicas lembranças finais. Nesses pensamentos o desespero começou a tomar conta de mim.

-OH MEU DEUS, EU... EU, EU ESTOU MORTA?! Eu morri e aqui é o céu ou sabe-se lá aonde as almas vão? — exclamei em desespero.

-Não. Você não está morta. — disse Ephrain sério.

O encarei, incompreensiva, sem saber o que mais pensar.

-Se não estou morta, então o que há de mim? Estou sonhando ou tendo alguma visão... E além do mais, mesmo que tenham dito seus nomes ainda não sei quem são e porque estão aqui. — disse exasperada.

Eles se entreolharam brevemente, como se estivessem tendo uma conversa muda somente com o olhar. Por fim Tahaki mostrou ser o porta voz para responder e explicar tudo o que se sucedia.

-Nem uma coisa nem outra... Sua alma descolou de seu corpo.

-Mas isso é o mesmo que morrer. — retorqui o interrompendo. No entanto ele ignorou minhas palavras e continuou com seu relato.

-O que posso dizer é que não está morta e nem no céu, ou purgatório. Está no lugar onde os espíritos guerreiros repousam... O teu corpo, seja onde estiver, está vivo, desacordado... Não vou mentir, tua alma quase alcançou a luz do descanso eterno, mas intervimos lhe trazendo para cá.

Franzi a testa, sem conseguir entender que disparate sem fundamento ele estava dizendo... Porque se não estou morta, minha alma descolou do meu corpo, então o que realmente aconteceu comigo?

-Certo. — assenti tentando manter a calma. -Você disse que isso tudo aconteceu. Então... Porque me trouxeram aqui? E o que significa?

-Bem! Como disse no começo, estamos aqui para proteger nossos descendentes, aqueles que clamam por nós no momento de dor e acalento.

-Mas você não é uma descendente... — disse Ephrain. -No entanto intercederam por tua alma. Imploraram a nós para que trouxéssemos você de volta. Não somos Deus, estamos longe de decidir quando é a hora de uma alma ir para o seu lugar.

-A verdade é que chegou a hora de você ir Bella. — disse a esposa de Tahaki. -Mas pelo amor imenso e devoção de alguém que a ama, fomos clamados para que possamos levá-la de volta.

-Um amor tão puro e intenso que foi capaz de nos atingir e sentir a intensidade para chegarmos a ponto de interromper o seu verdadeiro destino. — acrescentou Ephrain.

-Mas a questão é que não podemos fazer com que sua alma agarre-se em seu corpo novamente. Se o fizermos, dessa vez não teremos como evitar sua morte. — disse Tahaki.

Era tanta informação que me sentia tonta, mas a angustia estava em meu peito, e numa voz falha tentei dizer algo.

-Mas se é assim, então ficarei aqui... Nunca poderei voltar para minha família e o homem que amo?

Não sei se é possível para uma alma chorar, mas a minha estava chorando.

A esposa de Tahaki se aproximou de mim, e suas mãos tocaram em meu rosto fazendo com que olhasse em seus olhos.

-Não chores... Ainda há esperança. Mas isso dependerá de ti.

Suas palavras me trouxeram esperança, não sei por que, mas acreditei nela... O que dependesse de mim eu faria, seguiria a risca, para voltar para o meu amor. Não tinha esperança de voltar e me encontrar com nosso filho em meu ventre, mas se voltasse estaria empenhada em ser a mulher de sua vida e lhe dar quantos filhos puder.

-Se depender de mim então está mais que decidido... Digo sim para qualquer coisa que me faça voltar e não ter minha morte definitiva.

Ela sorriu, mas dessa vez se afastou um pouco ficando ao lado de seu esposo, que agora estava próximo a mim junto com Ephrain.

-Bem, se está disposta ao que temos a lhe oferecer para conservar tua alma lhe concederemos. — disse Tahaki.

-Então digam o que tenho que fazer. — pedi ansiosa.

-Não precisa fazer nada. Somos nós que o faremos. — ele disse me deixando confusa, mesmo assim assenti.

-Então façam. — concedi.

-Sim, mas antes de fazer quero lhe explicar algumas coisas...

Assenti.

-Você voltará, mas não voltará no mesmo corpo.

-Como assim? — perguntei sem entender.

-Como já dissemos seu corpo está frágil, a morte lhe rodeia... Não pode voltar para ele, pelo menos não agora. — disse a mulher. -Então o que está em nossas mãos é dar a você o que pode lhe dar forças para quando voltar ao seu verdadeiro corpo.

-No entanto, como você não tem sangue Quileute, nesse período que estiver nesse novo corpo terá que provar que o merece... E quando ficar provado de que é merecedora desse novo eu... Terá sua alma devolvida ao seu corpo verdadeiro levando em companhia o seu novo eu, que impedirá que a morte a leve. — explicou Ephrain.

-Um novo eu? Eu vou estar no corpo de outra pessoa? — perguntei hesitante.

-Quando estiver lá saberá. — retorquiu Tahaki. -Mas tenha logo em conhecimento que nesse corpo terá muitas vantagens e força. Porém estará incomunicável, ninguém saberá que é você ali... Você saberá quem são e escutará a todos.

-Mas se é assim como vou poder dizer ao Jacob e aos meus amigos e família que estou bem? — argumentei incomodada com esse fato.

Tahaki negou com a cabeça, logo dizendo.

-Bella você estará em prova, e a falta de comunicação faz parte disso. Terá que provar sua força, tanto mental, quanto física e espiritual...

-Mas por outro lado não podemos ignorar que estamos mexendo com a ordem da natureza... E que quando um ciclo é rompido para abrir outro... Tudo pode mudar. Mas seja forte e siga seu instinto, e acima de tudo tenha em mente que num momento terá que decidir qual o seu lado na história. — concretizou Ephrain.

Suas palavras se tornaram enigmas para mim... Porém eu sentia a sabedoria nelas, como também sentia que não poderia considerar tudo uma brincadeira. No entanto levaria tudo a risca, e o que fosse preciso fazer para provar que mereço o que me dará a vida novamente eu farei...

Todo aquele diálogo foi repassado em minha mente, mas uma única frase me fez escutar uma palavra, sendo sussurrada em meus pensamentos: Jacob.

Foi ele quem pediu para que seus ancestrais me trouxessem de volta a vida. E foi o seu amor por mim que os convenceu. Então eu me faria merecedora de sua generosidade a alguém que não tem as mesmas raízes de seus descendentes. Provaria que Jacob intercedeu por alguém que merece todo o seu amor.

Sem mais questionamentos, assenti.

-Tudo bem! Seja o que for que terei de enfrentar... Enfrentarei. — garanti.

Os três sorriram para mim... Então se aproximaram mais de mim formando um círculo em minha volta numa forma de triângulo. Estenderam suas mãos ao alto, na altura de seus ombros. Tahaki proferiu umas palavras desconhecidas por mim, depois Ephrain fez o mesmo. E mesmo que não entendesse aquela linguagem pude perceber que não era o mesmo que Tahaki proferiu... Sua esposa fez o mesmo por último...

Quando terminaram, não sei o que aquilo significava, mas de repente senti uma sonolência, que a medida que meus olhos piscavam aumentava mais minha exaustão. Tudo o que sei, é que meus olhos não resistiram e fecharam, fazendo-me ser tragada pela inconsciência.

Notas finais
N/May: Oláá *--*
Uau... E agora hein?! Bella voltará para lutar por sua vida, por uma segunda chance, mas parece que nada será fácil... E em que corpo será que ela voltará hein? Acho que vocês vão descobrir rapidinho ;) rs
Esperamos de coração que tenham gostado... Comentem, recomendem... Logo tem mais *-*
Bjokas
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N/LU: Gente, muita emoção nesse cap. Agora o que será que vai rolar? Como será que Bella vai voltar. Suspeitas? Ta obvio ou há dúvidas? Ehhh, próximo cap. saberemos. Flores, bastante reviews, recomendações, cadê nossas recomendações? A fica está ruim? poxa...(carinha triste.). Bora lá, sejam boazinhas... emmmmmmmm. kkk Bjs e até o próximo cap.