Lua de Prata
17 Capítulo 16
POV Jacob
Eu não conseguia parar quieto e desde que cheguei ao hospital estava andando de um lado para o outro, todos já estão aqui, menos meu pai que ainda não conseguiu vir, Charlie está tão nervoso e desesperado quanto eu.
Já faz horas desde que chegamos e eles levaram a Bella para ser atendida, mas desde então não recebemos nenhuma informação, a não ser de que ela tinha entrado em uma cirurgia de emergência... Eu não ouvia o que falavam comigo, mesmo que eles estivessem tentando me acalmar, só consigo pensar na Bella, em como ela estava quase sem respirar quando chegamos aqui e em como eu não irei suportar se perdê-la.
Sue, que já estava aqui quando chegamos porque fazia companhia ao Sam que estava com Emily, se aproximou de mim e colocou a mão em meu ombro me obrigando a parar de caminhar como um louco, a olhei e suspirei tentando enxugar as lágrimas que caíam sem parar em meu rosto.
-Sente um pouco, Jake, vamos ter fé, Bella ficará bem. – ela falou carinhosamente, mas vi a aflição e o medo em seus olhos também.
-Você não viu como ela estava, Sue... – sussurrei.
-Não consigo acreditar nisso... E porque ninguém vem dar notícias? – Charlie esbravejou e Sue deu um beijo em meu rosto e foi para o lado dele tentar acalmá-lo.
Leah que tinha ligado para todos avisando o que tinha acontecido, e para Charlie e os médicos ela falou que Bella tinha sido atropelada, eu não estava com cabeça para pensar em uma desculpa, mas ela fez bem em falar aquilo, afinal ninguém acreditaria no que realmente aconteceu. Embry quando chegou aqui disse que Brady estava inconsolável e queria vir pra cá, mas ele não deixou, o que foi bom, porque mesmo sabendo que foi um acidente eu seria capaz de matar o garoto se visse ele agora.
Sam se aproximou e me deu um abraço forte, Emily estava bem melhor, mas ele ainda não saía do lado dela, agora mais do que nunca eu entendia o sofrimento e desespero dele.
-Vai ficar tudo bem, eu sei que é difícil, mas tenha fé. – ele falou.
-Eu não consigo acreditar que isso está acontecendo. – murmurei.
-Eu vou dar um pulo em La Push para ver o Brady, sei como você deve estar odiando o garoto agora, mas acho melhor não deixá-lo sozinho, ele deve estar transtornado. – Sam falou e eu assenti. –Eu volto logo e trago Billy, mas qualquer coisa mande me chamar.
-Tudo bem. – falei e depois voltei a andar inquieto quando Sam saiu.
Leah se aproximou de mim lentamente, ela estava até agora ao lado do Seth que estava inconformado sentado em um canto junto com os outros da matilha.
-Jacob, vem, senta aqui... – ela me puxou para uma das cadeiras da sala de espera e eu deixei ela me levar e me joguei na cadeira, ela se sentou ao meu lado e segurou minha mão fortemente. –Não adianta se desesperar, todos os médicos correram para atendê-la, ela vai ficar bem.
-Você viu como ela estava... Deus! Eu não vou suportar perdê-la. – um soluço escapou por meus lábios e Leah me abraçou.
Mas um fedor, conhecido e horrível, nos atingiu e nós dois trememos, quando nos levantamos vimos os outros da matilha de pé e alertas também.
Era um sanguessuga... Mas um dos Cullens.
Olhamos para o fim do corredor e vi o que eu menos queria ver agora, eram dois Cullens, um obviamente era o doutor que sabíamos que trabalhava aqui, e o outro era o imbecil do Edward que vive correndo atrás da Bella.
-Se controla. – Leah sussurrou em meu ouvido e eu assenti, mesmo sabendo que seria muito difícil manter o controle.
-O doutor... – Charlie se levantou rapidamente ao ver o sanguessuga médico se aproximando da gente.
-Olá, eu sou Carlisle Cullen, estava ajudando no atendimento a Bella. – ele parou em nossa frente e cheguei mais perto dele e do outro que me encarava.
-O que você está fazendo aqui? – perguntei entre dentes.
-Eu já estava aqui, vim mais cedo, com a Bella. – ele respondeu ainda me encarando.
-O que? – não entendi nada, mas ao menos sabia o porquê dela estar fedendo a sanguessuga, culpa dele!
-A Bella estava aqui mais cedo? – Charlie perguntou confuso.
-E com você? – rosnei, Leah segurou em meu braço tentando me acalmar.
-Isso não importa agora, como ela está? – Sue perguntou tentando manter a calma.
-Lamento informar, mas ela não está nada bem... – o doutor falou nos olhando com pesar e senti um buraco se abrir em meu peito. –Bella já chegou aqui muito mal, ela teve muitas fraturas e perdeu muito sangue, passou por uma cirurgia delicada e tentamos de tudo, mas ela entrou em coma.
Charlie se deixou cair na cadeira e chorou, Sue se sentou ao lado dele, eu também senti que poderia cair a qualquer momento, mas Leah me segurava firme e os outros se aproximaram me apoiando também.
-Ela estava muito ferida, tem certeza que foi um atropelamento? – Edward me olhou fixamente e eu tremi.
-Você não deveria nem estar aqui, cale essa boca. – rosnei.
-Edward, não é hora para isso. – o sanguessuga doutor falou o olhando e ele se calou.
-Mas ela vai acordar desse coma, não é? – perguntei, no momento só a Bella me importa.
-Não podemos dar essa certeza, no momento ela só está viva por causa dos aparelhos onde foi ligada, o estado dela é mesmo muito crítico, mas em meio a tudo isso eu tenho uma boa notícia. – ele sorriu levemente.
-E o que pode ser? – Charlie soluçou, eu queria tentar consolá-lo, mas meu desespero e medo eram tão grandes quanto os dele.
-Eles ainda não sabem disso. – Edward sussurrou, mas eu ouvi perfeitamente.
-O que foi? – avancei para mais perto deles.
O doutor nos olhou e depois parou o olhar em mim.
-Quando o meu filho disse que esteve com a Bella aqui mais cedo foi porque ela passou mal, ele estava por perto e a trouxe... E quando a examinamos descobrimos que ela está grávida.
Pude ouvir perfeitamente quando todos na sala ofegaram e cambaleei... Leah e Embry me sentaram em uma das cadeiras e, como se fosse possível, minha dor e meu medo ficaram ainda maiores.
-Grávida? – Charlie gaguejou.
-Sim, ela saiu daqui muito feliz dizendo que ia para a reserva. – o doutor continuou a falar, mas tudo parecia muito distante agora, meu mundo parecia estar parando.
-O bebê... – Charlie não conseguiu completar a pergunta, todos estavam com os olhos marejados, e apesar do medo terrível que me dominou, eu precisava saber.
-O meu filho... Ela perdeu nosso bebê? – as palavras saíram emboladas por causa dos meus soluços.
-Não... – ele sorriu. –O que é um verdadeiro milagre, principalmente porque ela está com apenas dois meses de gestação.
Um alívio enorme me dominou e consegui sorrir em meio a todas minhas lágrimas.
-Meu Deus... Um bebê. – sussurrei e Leah me abraçou.
-Você vai ser papai. – sorriu e vi que ela também chorava.
-Mas e agora o que acontece? Bella está grávida e em coma... – Seth perguntou gaguejando nas últimas palavras.
-Agora só nos resta esperar... Todos os médicos estão envolvidos no caso dela, monitorando ela e o bebê... Se tudo continuar como agora podemos mantê-la no coma enquanto o bebê se desenvolve e fazer uma cesariana...
-Espera aí... – me levantei o interrompendo. –Você está querendo dizer que a Bella não vai mais acordar? Que vão mantê-la em coma para meu filho se desenvolver e depois...
Não consegui concluir minha frase, eu estava feliz por saber que seria pai, que meu bebê estava bem, mas Bella estava em coma e ele falava de um jeito que parecia não ter mais esperanças para ela.
-Nós vamos fazer de tudo, mas eu não quero iludi-los... É muito difícil Bella conseguir sair do coma, no momento estamos focados em manter o bebê vivo e bem, em fazer com que ele se desenvolva o bastante para nascer saudável...
-Você fala como se a Bella só servisse agora como uma incubadora, como se ela fosse ser descartada quando o bebê nascer. – Seth esbravejou e eu concordei tão revoltado quanto ele, é óbvio que quero que meu filho fique bem e nasça com saúde, mas não posso perder a Bella.
-Só esperar não é o bastante... Vocês precisam trazê-la de volta... Eu quero os dois, o meu filho e a mulher que eu amo, eu preciso dos dois... Não posso perdê-la! – passei as mãos nervosamente pelos cabelos, o desespero já tinha me dominado.
Leah me abraçou e chorou comigo.
-Nós entendemos, mas agora não podemos fazer mais nada, só torcer para que tudo ocorra da melhor maneira possível para o bebê... Sinto muito, mas é muito remota a possibilidade da Bella acordar e se acordar terá sequelas graves.
Escutei o choro do Charlie, Seth e até Sue chorava desesperada agora... Me livrei dos braços de Leah e me afastei de todos saindo daquela sala que parecia me sufocar.
Cheguei do lado de fora do hospital, mas não tive mais forças para correr e me encostei na parede escorregando até me sentar no chão mesmo... As pessoas me olhavam com pena, mas eu mal os enxergava, era tanta dor e tanto medo dentro de mim que eu achei que fosse enlouquecer.
Bella estava grávida e ia me contar, por isso estava chegando na minha casa naquela hora, pensei se ela também já tinha lido o livro e descoberto o que eu era... E é justamente isso que eu sou que deixou ela nesse estado, um lobo, um irmão deixou a mulher da minha vida entre a vida e a morte.
Morte... Só de pensar nessa palavra meu choro ficou mais forte.
-Deus... Por quê? – solucei e senti braços ao meu redor.
-Jacob. – era Leah. Ergui o rosto e vi que os outros da matilha estavam ali com ela, todo choravam comigo.
-Bella vai ficar bem Jacob, ela vai sair dessa, nós precisamos acreditar nisso. – Seth sussurrou se sentando de frente para mim.
-Vocês ouviram o que ele disse... Ela está em coma, e eles acham que ela não vai mais acordar. – as palavras saíam amargas e doloridas.
-Mas ela está grávida, o bebê resistiu... – Leah falou.
-E é esse bebê, seu filho, que vai mantê-la viva. – Embry falou se sentando ao meu lado.
-E até ele estar pronto para nascer muita coisa pode acontecer... – Quil sorriu levemente.
-Bella vai voltar. – Jared segurou em meu ombro me olhando intensamente e eu assenti tentando tirar forças do apoio deles.
-Nós somos lobos, vivemos em um mundo onde tanta coisa sobrenatural e inexplicável acontece, vamos ter fé... – Leah segurou em meu rosto me fazendo olhá-la.
-Deus te ouça Leah... Porque eu não posso perder a Bella e já amo tanto esse bebê. Ela ia me contar, ele disse que ela ficou feliz quando soube da gravidez, mas ela não teve chance... Merda, eu devia ter feito algo, ter corrido mais rápido, ter...
-Para com isso, Jake, ninguém teve culpa de nada. – Seth me interrompeu.
-Eu sabia que não tinha sido nenhum atropelamento... A culpa é mesmo toda sua. – olhei com raiva para o lado vendo o sanguessuga se aproximar.
-Se você não estivesse sempre rondando a Bella nada disso teria acontecido. – me levantei e todos fizeram o mesmo ficando ao meu lado.
-Foi você que deixou o seu fedor nela... – Seth esbravejou e Quil o segurou.
-Se acontecer o pior com a Bella...
-Some daqui. – o interrompi avançando em sua direção, mas Leah, Embry e Jared me seguraram. –Ninguém está sofrendo mais do que eu agora, é a minha mulher e meu filho que estão entre a vida e a morte ali dentro, então some daqui antes que eu perca o restinho de controle que ainda tenho e arranque sua cabeça fora.
-Não me ameace cachorro.
-Edward, para. – uma baixinha chegou de repente ao lado dele e o segurou, era a tal irmã dele que eu já tinha visto antes.
-Alice. – ele a olhou irritado, mas ela segurou com força no braço dele.
-Vem, vamos... – ela saiu puxando ele para dentro do hospital.
-Eu não quero ver nenhum de vocês perto dela. – rosnei e os dois me encararam fixamente.
A baixinha continuou arrastando o imbecil até entrarem no hospital. Me livrei das mãos que ainda me seguravam e andei uns passos me afastando deles.
-Era só o que me faltava. – resmunguei voltando a andar nervosamente de um lado para o outro.
Todos me olhavam em silêncio, Seth ainda chorava, mas tentava se controlar, eu sei como ele e a Bella são ligados... Leah se aproximou dele e o abraçou fortemente.
O desespero já tinha me tomado por completo, eu não sabia o que fazer, queria correr para dentro daquele hospital e pegar Bella em meus braços, queria ao menos vê-la, mas ao mesmo tempo sei que não teria forças agora para vê-la tão frágil e saber que não posso fazer nada.
As lágrimas caíam sem parar pelo meu rosto por mais que eu tentasse controlá-las. Sei que preciso ser forte agora, pela Bella, pelo nosso bebê, mas eu não consigo!
-Jacob. – olhei para trás e vi meu pai chegando, ele era o único que ainda não tinha conseguido vir, e agora Sam voltou trazendo ele junto.
Fui em sua direção quase correndo, e me sentindo uma criança indefesa... Sam me olhou e deu um passo para trás quando me ajoelhei na frente do meu pai.
Billy tinha os olhos marejados e me abraçou com força.
-Como ela está? – ele perguntou com a voz embargada.
-Mal... – solucei. –Ela está em coma e...
Me afastei um pouco para olhá-lo nos olhos e sussurrei...
-Ela está grávida.
Pude ouvir Sam ofegar e se aproximar colocando uma mão em meu ombro em sinal de apoio.
-Meu Deus... Grávida? E o bebê... – Billy estava com os olhos arregalados.
-O bebê está bem, por um milagre... Mas eles acham que a Bells não vai mais acordar e vão mantê-la no coma para o bebê se desenvolver o máximo que puder. – sussurrei em meio ao choro e Billy voltou a me abraçar.
-Calma, meu filho... Vai dar tudo certo, Bella é forte, e seu filho já mostrou ser muito forte também...
-Nós já passamos por tanta coisa... Eu não posso perdê-la. – sussurrei e Billy apertou os braços ao meu redor.
-Você não vai perdê-la... Tenha fé em Deus, e em nossos espíritos guerreiros, eles sempre olham por nós, principalmente por vocês lobos, tenha fé! – ele sussurrou em meu ouvido e começou a cantarolar uma antiga canção quileute que ele sempre cantava quando eu era pequeno.
Eu tinha fé, sempre tive, mas o meu medo era grande demais... Deixei meu pai me abraçar com força tentando me acalmar como fazia quando eu era só uma criança e chorei implorando para ter Bella e nosso bebê vivos e bem ao meu lado, eu não suportaria perder um dos dois, seria como perder uma parte minha, do meu corpo, da minha alma, se eu perdesse um dos dois uma grande parte minha morreria para sempre e eu não suportaria isso!
Seis meses depois
-Brady está cada vez pior, mal se transforma, mal come, mal dorme...
-Eu sei Leah, mas eu não estou muito diferente disso também, não é?! – resmunguei e encostei a cabeça na parede fechando os olhos.
-Eu sei, mas talvez se você falasse com ele...
-Leah...
-Ele é só um garoto, Jake, e se sente tão culpado, nós sabemos que foi um acidente.
Ela estava certa, e eu sei que preciso conversar com o garoto, os pais dele estavam até com medo do filho fazer uma besteira, mas eu não conseguia!
Seis meses... Já se passaram seis meses e minha vida se transformou em um verdadeiro inferno!
-Vou pensar nisso depois, ok?! – a olhei e Leah assentiu.
Ela tem sido um pouco meu porto seguro nesses meses, na verdade todos da matilha, além do meu pai e Sue... Charlie e Renée, a mãe da Bella que desde então está em Forks, também tentam me apoiar, mas eles precisam de tanto apoio quanto eu. Nesses seis meses estamos nos apoiando uns nos outros.
Minha vida parou nesses meses, não vou mais ao colégio, mal me transformo e quando me olho no espelho sinto que já não sou mais o mesmo Jacob, até minha aparência parece ter mudado, o sofrimento me deixou até mais envelhecido.
Bella continua na mesma... Em coma, sem nenhuma melhora, mas ao menos também não teve nenhuma piora, e todos os dias eu oro para que ela volte pra mim, todos os dias quando acordo tenho uma nova esperança, mas quando vou dormir e nada mudou eu tenho mais uma decepção.
Mas em meio a toda essa dor um milagre aconteceu trazendo um pouco de brilho para minha vida tão escura... Minha filha é forte e luta desesperadamente para viver... Os médicos achavam que o bebê acabaria nascendo com no máximo sete meses e isso já seria muito, mas minha pequena já está com 8 meses e cresce forte e saudável no ventre da mãe! E sim, é a minha pequena, minha princesa, uma menina, ainda lembro quando os médicos descobriram no ultrassom e meu coração há tanto tempo amortecido pela dor bateu acelerado de novo... Será uma menina linda como a mãe.
Mas imaginar que talvez Bella não esteja aqui comigo para cuidar da nossa filha me mata um pouco todos os dias durante esses longos e infernais meses.
Eu mal saio desse hospital, Leah e Seth estão sempre comigo, assim como meu pai e claro, Charlie e Renée, nesse tempo eu fiquei muito próximo da mãe da Bella, e desde quando soube do acidente da filha ela se mudou para Forks.
De certa forma sei que Bella ter conseguido se manter estável durante esses seis meses e nossa filha estar saudável deve ser considerado como um milagre, mas ela não ter dado nenhum sinal de que vai acordar é desesperador.
-Eu vou em casa comer alguma coisa e tomar um banho, mas volto logo. – Renée falou se aproximando da gente, nós nos revezávamos aqui, mas eu mal conseguia sair desse hospital.
-Tudo bem, nós vamos ficar aqui, pode ir tranqüila. – sorri levemente e ela assentiu me dando um beijo na testa e saindo.
-Às vezes nem acredito que já se passaram seis meses. – Leah sussurrou ao meu lado.
-Nem me fale... Bella já está com oito meses de gestação, em no máximo um mês minha filha nasce e se ela não acordar... – engasguei só com o pensamento.
-Não fica assim, ela ainda está viva, então ainda há esperança. – Leah sorriu.
Estávamos só nós dois agora ali, Charlie tinha saído mais cedo porque Sue o obrigou a ir dormir um pouco, os outros estavam na ronda e com Brady, sempre ficava alguém com ele, Kim e Emily também sempre estavam por aqui, Emily tinha se recuperado totalmente, mas agora carrega uma grande cicatriz em seu rosto. Quem também sempre me apóia através de longos telefonemas são minhas irmãs, Rachel e Rebecca, as duas disseram que em breve virão para uma visita e Rachel está até pensando em ficar um bom tempo em La Push.
-Eu vou comer alguma coisa na cantina, vem? – Leah se levantou.
-Não, eu vou ver se consigo ficar um tempinho com a Bella.
-Ok, já te encontro lá então. – ela se afastou e eu me levantei seguindo pelo corredor já tão conhecido por mim.
Falei com o médico que estava de plantão cuidando da Bella e consegui um tempo com ela, infelizmente não dava para ficar o tempo todo ao lado dela, mas sempre que podia eu estava lá segurando em sua mão, acariciando seu rosto e conversando com ela, mesmo sabendo que ela não pode me ouvir... Me aproximei dela e sorri ao ver sua linda barriga, nesses meses foi incrível e também extremamente triste ver a barriga dela crescer e não poder curtir isso tudo ao máximo, era desolador não poder partilhar isso com ela, não tirar fotos, não fazer planos... Eu não tinha cabeça nem para comprar as coisas para minha filha, quem cuidava de tudo isso era Sue e Renée com ajuda das garotas.
-Oi meu amor. – sussurrei beijando sua testa demoradamente e depois beijei sua barriga sentindo minha filha se mexer, isso era a única coisa que ainda me mantinha vivo e com esperança.
-Ei filhinha. – sorri acariciando a barriga e uma lágrima escorreu em meu rosto.
-Olá... – olhei para a porta surpreso ao ouvir a voz desconhecida.
–Desculpa atrapalhar, mas eu sou o doutor Carter... Ian Cater, cheguei hoje no hospital, fui transferido para Forks, e vou acompanhar as últimas semanas de gestação e o nascimento da sua filha.
-Ah, olá... Sou Jacob, é um prazer. – apertei sua mão.
-Ouvi falar muito de você, na verdade o caso da sua namorada tem sido muito falado. – ele se aproximou da Bella. –A gestação ter ido tão adiante é um verdadeiro milagre.
-Minha pequena é forte... – sussurrei com uma mão ainda na barriga da Bella. –Forte como a mãe.
-Você já escolheu o nome da bebê? – perguntou e percebi que ele era bem simpático, na verdade todos os médicos que cuidavam da Bella eram gentis e educados com toda a família e amigos, o doutor sanguessuga no começo cuidou da Bella também, mas o filhinho dele vivia cercando e isso me tirava à paciência então ele se afastou ao ver que eu já tinha que lidar com coisas demais ultimamente, ao menos isso... Mas eu sei que aquele sanguessuga de vez em quando aparece por aqui, mas nesses meses só consigo pensar na Bella e na minha filha, nada mais importa muito ultimamente.
-Não... Ainda não consegui escolher o nome... – sussurrei olhando para Bella, ela parecia tão serena, parecia estar dormindo. –Eu e a Bella já tínhamos falado sobre ter filhos no futuro, mas nunca falamos sobre nomes, e eu simplesmente não consigo pensar em um nome sozinho.
-Eu entendo, mas já foi uma grande vitória sua filha estar aqui pronta para nascer, se agarre a isso. – Ian sorriu.
-Estou tentando... Mas eu fico dividido... A cada mês que a gestação ia avançando eu ficava extremamente feliz pela minha filha, mas a Bella nunca ia dando sinal de que estava melhorando e um pavor me domina ao imaginar que em um mês minha filha vai nascer e se a Bella não acordar... – engoli em seco agarrando na mão da Bella.
-Imagino como deva ser difícil para você... Mas tenha força! – ele sorriu e eu assenti.
-Jake, sei que você não quer, mas comprei algo para você comer também... – Leah chegou falando e me virei para ela.
Ian também se virou na direção dela e quando o olhou Leah se calou e parou ainda na porta o olhando intensamente.
Achei aquilo tudo muito estranho e olhei para o doutor que também a olhava com intensidade, mas assim que voltei meu olhar na direção da Leah só precisei de alguns instantes para finalmente compreender o que estava acontecendo.
Imprinting... Era isso, Leah teve o imprinting com o doutor Ian.
Sorri feliz pela minha amiga, era bom ter motivo para sorrir em meio a toda escuridão que minha vida se transformou.
-Esse é o doutor Ian, ele acabou de ser transferido para cá e vai acompanhar as últimas semanas de gestação da Bella... Doutor, essa é minha amiga Leah. – os apresentei e sorri para Leah que parecia estar saindo de um transe.
-Olá Leah, é um prazer. – ele falou e seus olhos brilhavam.
-Oi. – ela sussurrou, foi a primeira vez que vi Leah meio atrapalhada. –Eu... Eu preciso ir ali fora um instante... Até mais.
Ela saiu e eu ri baixinho.
-Só um minuto, já volto. – falei e ele assentiu.
Fui atrás dela e a alcancei ainda no corredor.
-Você teve mesmo o imprinting com o Ian né?!
-É... – ela parecia horrorizada e ao mesmo tempo maravilhada, se é que isso é possível. –Deus, isso foi loucura, e logo agora.
-Estou feliz por você. – a abracei e ela suspirou.
-O que eu faço?
-Bom, ele vai ficar um bom tempo por aqui e parece ter ficado bem encantado com você. – sussurrei em seu ouvido e ela sorriu.
-Mas eu nem sei nada dele, se tem namorada, se é casado, se...
-Você vai ter tempo para conhecê-lo Leah e sei que dará tudo certo porque você merece muito ser feliz. – beijei sua testa.
-Obrigada Jake.
-Eu é que tenho muito que agradecer a você... Agora preciso voltar lá e ficar mais um pouco com a Bella.
-Claro, eu vou tomar um pouco de água. – ela sussurrou e eu ri enquanto a via se afastando. Leah realmente merece ser feliz.
-Está tudo bem com sua amiga? – Ian perguntou quando voltei.
-Sim, ela é praticamente meia irmã da Bella, é tudo muito difícil para todos nós. – voltei a segurar na mão da Bella e ele assentiu.
-Claro... Bom, eu vim aqui me apresentar a você, preciso ver umas coisas agora, mas daqui a pouco volto para examinar sua filha.
-Tudo bem, obrigado. – o olhei e ele sorriu e saiu.
-Viu isso amor, Leah finalmente encontrou a alma gêmea dela... Assim como nós dois nos encontramos. – sussurrei acariciando o rosto da Bella.
Era sempre terrível vê-la assim, mas também acalentava um pouco meu coração ver sua enorme barriga e saber que em breve teria nossa pequena em meus braços, eu só orava todos os dias para que tivesse Bella ao meu lado também, para o resto da minha vida.
Fiquei ali segurando em sua mão e acariciando seu rosto, nossa filha se mexia sem parar, hoje ela estava bem agitada e isso me fazia sorrir, era tão bom senti-la.
-Nossa filha já vai nascer Bells, falta pouco agora, já está na hora de você voltar, meu amor. – sussurrei e me esforcei ao máximo para não cair no choro mais uma vez.
Mas enquanto eu acariciava os cabelos e a barriga da Bella ouvi seus batimentos cardíacos no monitor começarem a se alterar, olhei assustado para aquela máquina onde ela estava ligada há tanto tempo e me apavorei.
No desespero corri gritando por ajuda e logo enfermeiros e médicos apareceram, o Ian era um deles.
-Ela está tendo uma parada, precisamos trazê-la de volta. – um dos médicos falou e eu me apavorei.
-O que foi? – perguntei.
-É melhor você sair, Jacob. – Ian me olhou calmamente.
-Eu não vou sair... – falei mais alto.
-Então se afaste... Ela está tendo uma parada cardíaca, precisamos reanimá-la...
-Não, não... Deus! – segurei em meus cabelos desesperado. –E minha filha? Façam algo.
Implorei completamente desesperado, eu não podia perdê-las.
-Calma, nós vamos cuidar delas... – ele falou me olhando e depois se juntou aos outros médicos que estavam em volta da Bella.
Assisti apavorado enquanto eles usavam todos aqueles aparelhos para trazê-la de volta, era assustador ver ela recebendo aqueles choques, seu corpo arqueando e sua pele ficando cada vez mais pálida.
Senti como se estivesse perdendo parte de mim e era horrível não poder fazer nada, a mulher que amo e que está esperando uma filha minha estava ali na minha frente, morrendo, e eu não podia fazer nada... Era inexplicável, apavorante... Todos esses seis meses passaram como um filme na minha cabeça, um terrível filme de terror, seis meses em que minha vida parou e passou a girar em torno desse hospital e eu enlouqueceria se depois de tudo isso perdesse as duas, ou uma delas! Porque por mais que eu soubesse o quão crítica era a situação a verdade é que nunca cogitei a idéia de perdê-las, no fundo sempre tive a esperança de que tudo daria certo, minha filha nasceria saudável e minha Bella voltaria para mim.
Mas agora tudo estava desmoronando definitivamente bem diante de mim e eu não podia fazer nada.
Chorei e me desesperei... Fechei os olhos com força e me lembrei do meu pai dizendo, ontem à noite, que ele estava pedindo aos nossos espíritos guerreiros que olhassem por mim e cuidassem da Bella e da minha filha, ele realmente acreditava que eles cuidavam da gente.
-Eu não posso perdê-la... Não posso perder nenhuma das duas... – comecei a sussurrar freneticamente. –Se vocês realmente olham por mim... Espíritos Guerreiros... Se vocês nos guiam e nos iluminam eu imploro, eu, Jacob Black, imploro que tragam minha mulher de volta, que cuidem dela e da minha filha... E que a tragam para mim. – sussurrei sem parar ainda com os olhos fechados e desejando de todo coração que minhas preces fossem atendidas.
-Ela está voltando... – escutei a voz de um dos médicos e abri os olhos assustado.
-A bebê está estável. – Ian falou claramente aliviado.
Meu coração disparou e precisei me apoiar na parede... Eles tinham me ouvido?
Notas finais
As coisas ficaram beem tensas né?! É muito sofrimento e Bella está ali entre a vida e a morte, será que ela acorda desse coma? Confesso que enquanto lia a Saga por muitas vezes quis que a Bella morresse... kkkkk... Mas aqui ela é diferente, está com o Jake, então vamos ver se damos uma segunda chance a ela ;) rsrs
Não se preocupem porque daremos um jeito em tudo isso, mas até lá muita água vai rolar ainda... *-*
Próximo cap. já está prontinho, mas queremos reviews e recomendações ;) Postamos logo... E muito obrigada pelo apoio *-*
Bjokas
OBS: Não sei o pq, mas o hyperlink parece não estar funcionando bem, então quem quiser ver quem é o Ian, imprinting da Leah, abaixo está o link da foto:
http://vampirediariesbrasil.org/wp-content/uploads/2010/12/ian-somerhalder.jpg
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N/Lu: Quanta tensão em um só cap. Pobre Jake, sua amada fica em coma, descobre que vai ser pai...e as coisas pioram porque o tempo passa e Bella está em coma ainda, e do nada começa a querer ver o cabo da boa esperança. Agora será mesmo que os espíritos guerreiros escutaram suas preces ou foi mera coincidência? Bem isso ainda é mistério...Oh...Leah, não tem como esquecer de você...em meio a tempestade veio a bonança para ti loba...Encontrou finalmente a tampa da sua panela, o cancavo de seu convexo, a casca da sua ferida, a metade da laranja...Ta ,parei... Mas a loba ta na sorte. Agora que sejas feliz ,não é? kkkkk Gente, reviews em...não esqueçam. Bjs e ate o próximo cap.
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