Lua Vestida de Cinzas

8 Reserva Quileute - Alexandre


Há meses eu morava com minha família adotiva, e não poderia estar mais feliz. Eu fizera novos amigos, tinha a oportunidade de estudar em uma escola de verdade e pais que me amavam.

Hoje eu iria acompanhar Seth e Quil em uma pequena aventura exploratória. Minha mãe colocou várias coisas em minha mochila e eu quase caí com o peso quando coloquei a bolsa abarrotada nas costas.

— Mãe, para que tudo isto? Seth e Quil provavelmente só levarão a roupa do corpo!

— Mas você precisa se proteger dos raios solares e dos insetos, precisa comer e tomar líquidos de três em três horas e quando você chegar em casa não quero ver nenhum arranhão em você! – Minha mãe disse autoritária.

Revirei os olhos com tédio, porém meu coração se aqueceu ao ver como ela se preocupava comigo.

— Eu prometo, mas não é como se fossemos para o deserto! É só a praia de La Push e os bosques e florestas da reserva Quileute.

Minha mãe me abraçou, e me senti desconfortável com sua temperatura fria, mas feliz com sua demonstração de carinho. Ela beijou minha testa e quando me soltou, olhou em meus olhos de uma maneira que eu sempre desejei que meus pais biológicos tivessem me olhado.

— Você sabe que eu o amo, não é mesmo?

— Eu sei. Também a amo. – Minha voz estava carregada de emoção e me virei de costas e brinquei com a gata de Natalye, Peony, para disfarçar meus olhos vermelhos.

Logo escutei o som de um carro estacionando e saí de casa com um espírito pronto para as aventuras que aquele dia me traria.

— E aí, cara? – Seth me cumprimentou do banco do motorista e me deixou sentar na frente.

— Estou ótimo; e você, Quil? – Virei-me no banco para observar Quil no banco de trás, uma expressão estranha em seu rosto enquanto encarava seu celular. Parece que ele estava encantado e alheio do mundo.

— Quil? – Chamei-o pela segunda vez, e ele finalmente ergueu seus olhos do celular. Pareceu perdido por alguns segundos, mas quando seus olhos me focaram, ele finalmente recuperou sua compostura.

— Ah, oi Alex. – Ele limpou sua garganta e colocou o celular no bolso do short verde musgo que vestia. – Eu estava lendo uma mensagem de texto da Claire. Como estão as coisas?

— Estou ótimo! Pronto para uma maratona! – Me exibi um pouco e Quil riu com vontade.

— Eu não contarei aos seus pais quando você estiver implorando para pararmos para descansar!

— Até parece!

O caminho até a reserva foi divertido enquanto conversávamos e trocávamos experiências. Quando avistei a praia de La Push, procurei não demonstrar minha alegria. Eu nunca havia visto uma praia antes, exceto em livros e filmes. Quando Seth estacionou e começamos a caminhar pela areia, sem sandálias, me senti maravilhado.

O som das ondas, a sensação divertida da areia fofa e molhada se colando aos meus pés. Tenho certeza que aquela paisagem ficaria grava em minha memória para sempre. O sol estava brilhando e o céu azul parecia complementar o mar infinito. Ao longe, o som de uma gaivota.

— Quil! – Uma voz feminina se elevou acima dos sons da natureza e logo percebi Claire correndo em direção a Quil, seu biquíni infantil azul parecia reluzir ao sol enquanto contrastava com o tom de sua pele.

Seu cabelo parecia se movimentar no vento como o de uma atriz de cinema, e pensei que Quil desmaiaria tamanho o sorriso em sua face e admiração que deveria estar sentindo. Os dois se abraçaram apertado e logo percebi que havia perdido um companheiro de aventuras.

— Você veio! Achei que não conseguiria por conta da sua mensagem dizendo que se atrasaria. – Os olhos dele pareciam brilhar como duas estrelas. Será que Claire percebia isto?

— Eu queria lhe fazer uma surpresa!

Logo os dois se afastaram para conversar e fiquei sozinho com Seth, que parecia observar Quil e Claire com tanto interesse que quase pensei que ele havia se esquecido de nossa aventura.

— Alex, você prefere escalar ou caminhar?

— Acho que prefiro caminhar. – Fiquei envergonhado de confessar que nem sabia o que era uma escalada.

— Então, arrume suas coisas e se prepare! – Seth logo estava de pé e preparado para caminhar.

Tirei o repelente em creme da bolsa e o espalhei em minhas pernas e mãos para evitar mordidas e broncas da minha mãe em casa. Quando estava pronto para seguir, Seth me mostrou uma trilha antiga que ia da praia até a floresta.

O cheiro de maresia foi trocado pelo silvestre e os sons de gaivotas pelo de pássaros e cigarras. Andamos durante alguns minutos, até que escutei um som diferente de todos os outros. O uivo de um lobo.

— Você ouviu isto? – Perguntei a Seth, tentando camuflar meu medo.

— Está longe. Nada a que se preocupar.

No entanto, poucos metros depois, um segundo uivo ecoou pela floresta. Tentei ignorar o som e o arrepio em minha espinha, mas quando finalmente paramos para descansar e comer os sanduiches que minha avó preparara, novamente o som horripilante ressoou. Desta vez, o som parecia muito, muito mais perto.

— O que faremos se eles nos encontrarem? – Minha falha tentativa de manter minha voz firme não funcionara.

— Não se preocupe. Os lobos não costumam caçar pessoas. – Seth falara aquilo com tamanha confiança que me perguntei se alguma vez ele já vira um lobo frente a frente.

Seguimos pela trilha, e senti um imenso alívio quando avistei casas de madeira que pareciam convidativas e confortáveis.

— Quer visitar minha família?

— Já que estamos aqui, não vejo por que não.

Seth foi na frente para liderar o caminho, mas antes de segui-lo arrisquei um último olhar para trás. Pode ter sido impressão minha, mas pensei ter visto dois olhos caninos me encarando de uma parte mais escura da floresta.

Logo estava na casa de Seth, sua mãe era muito querida e cheirava a bolinhos. Já sua irmã, Lea, não estava em casa quando cheguei, mas minutos depois apareceu, uma pequena cicatriz avermelhada em seu braço me chamou a atenção.

— O que está achando da escola? – Ela me perguntou enquanto tomávamos uma refrescante limonada.

— Está ótima. Já tenho alguns amigos, e no recreio sempre avisto Natalye e Renesmee. As minhas primeiras provas tiveram boas notas, então não estou preocupado.

— Hm. E sua família? Continuam saindo para acampar? – Ela perguntou com um olhar misterioso, e percebi Seth a olhando com reprovação.

— Sim. Eu já pedi para eles me levarem com eles, ou pelo menos a Natalye, por ser mais velha, mas eles não permitem. Dizem que é perigoso.

— Ah, com certeza. – Novamente Leah tinha aquele olhar misterioso, e por um segundo me perguntei se ela sabia de algo sobre meus pais que eu não sabia.

Logo ela mudou de assunto e sua mãe se juntou a nós no sofá, e quando eu percebi que estava ficando tarde, pedi para Seth me deixar em casa. Minha mãe me inspecionou da cabeça aos pés em busca de arranhões ou picadas de mosquitos, mas nada de mais acontecera.

Quando fui dormir, logo sonhei, não antes de me lembrar da sensação de ser observado por um lobo e das insinuações de Leah de que meus pais haviam ocultado algo a respeito de acamparem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.