Lua Turquesa
2 Lua Minguante - Parte I

O céu era vermelho, tão vermelho quanto o sangue que escorria das feridas de ambos, seus cabelos — anteriormente brancos com a neve — estavam agora manchados de vermelho, ele nem ao menos sabia de quem era o sangue... De algum inimigo? Ou seria de um amigo? Faria alguma diferença? Talvez fizesse, mas não naquele momento.
Tristan estava cansado, ajoelhado em frente a Illíria, ele a observa em silêncio, sem saber ao certo como consertar tudo que ocorria. Ela o encarava friamente, enquanto as lágrimas escorriam por entre seus olhos. Enquanto ela seguia flutuando a sua frente, seus longos cabelos cacheados e negros flutuando ao redor de sua imagem, devido a sua energia que a envolvia, com seus olhos vermelhos e suas roupas , suas roupas já rasgadas em reflexo da batalha anterior, ele tentava, ainda que sem sucesso acalmar a princesa vermelha.
— Por favor, Adjib. Não precisa ser assim... Não precisa terminar assim. — ele implorou, seus olhos azuis encarando os olhos vermelhos furiosos.
— Eu o amei Tristan. — ela respondeu e havia tanta dor em sua voz, que ele sentiu como se uma faca lhe fosse enfiada no peito. — Com todas as minhas forças, com cada pedaço do meu ser... Eu te amei. — ela continuou, encarando-o como se fosse um verme, algo a ser esmagado por suas botas e ele sabia que ela poderia, pois a mulher que flutuava a sua frente, enquanto sua espada continuava erguida em direção a ele, era a mulher que amava... Mas também era sua inimiga.
— Por favor... Escute-me apenas mais uma vez. Eu sei que errei... Mas... Volte para nós. — Tristan pediu com sua voz falhando em algumas palavras. — Eles precisam de você. Eu preciso de você. Nós precisamos de você.
A espada da mulher fraquejou entre seus dedos, uma expressão dúbia surgiu em seu rosto e o guerreiro sabia que estava indo para o caminho correto.
— Ilíria, por favor. — pediu o prateado, estendo sua mão na direção da mulher.
Por alguns segundos, Tristan teve esperança quando ela estendeu seus dedos em direção à mão que ele lhe estendida, mas então, Ilíria se afastou e com um grito furioso, empunhou novamente sua espada e assumiu uma posição de combate.
— Lutamos até a morte essa noite Lobo Branco... — ela disse com uma voz de desdém ao seu apelido. — Apenas um de nós saíra vivo daqui. Levante-se... Lute!
O que tinha ocorrido? Por alguns segundos, ele acreditou que ele a tinha novamente, apenas para vê-la escapar de novo por entre seus dedos.
— Não precisa ser assim... Ilíria... Baby— Tristan tentou novamente, ainda buscando terminar com aquela luta e com aquela guerra.
Ele quis a guerra antes. Havia se preparado para ela. Havia a arquitetado como um verdadeiro mestre, mas não deveria ser assim... Ele não deveria ter que matar a mulher que amava.
— CALE-SE! Você não tem mais o direito de me chamar assim traidor. LUTE COMIGO.— Ela insistiu, mas o homem não esboçou nenhuma reação.
— Não! Eu não vou erguer minha espada contra você novamente, essa briga não tem nenhum sentido.—
— Então morra...
Fechando seus olhos, Tristan esperou pela morte.
— Sinto muito... — ele sussurrou baixinho.
ADJIB — "Adijibi" > Querido (a). Amado (a)
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