Lua No Meio Da Estrada

1 one-shot de aniversário pro Uruha-san


Notas iniciais
Ainda é dia 09/06 no Japão... Já é 09/06 aqui no Brasil... Não há nada que eu possa lhe dizer por aqui, que o seu coração já não saiba! Omedetou! Espero que gostem e comentem Boa leitura Sereny

Era quase meia noite quando eu finalmente saí do trabalho e entrei em meu carro para voltar pra casa... Eu criara o péssimo hábito de não vigiar o relógio quando estava trabalhando e ele me fazia perder preciosas oportunidades de... Simplesmente viver...

Isso acontecer num dia normal poderia até ser desculpável... Mas eu passara meu aniversário enfurnado numa sala de escritório recebendo felicitações e exclamações de espanto por não estar aproveitando devidamente... Fazer o quê? Esse sou eu...

— Eu não tinha mesmo planos de comemorar... – disse a mim mesmo, guiando pelas ruas desertas. – Ia fazer o quê? Falar sozinho dirigindo enquanto volto pra casa? Kami-sama, já estou resmungando sozinho!

Talvez eu estivesse distraído, talvez só cansado demais, mas quando meus olhos focaram a estrada, onde antes não tinha nada, agora tinha um gato malhado de olhos amarelos que me assustou e eu desviei bruscamente, quase batendo o carro.

— O senhor está bem? – alguém se aproximou quando eu desci do carro confuso e ainda um pouco perturbado, buscando meio frenético pelo gato que já não estava mais por perto.

— Hunhum. – murmurei, me voltando para o senhor que também se aproximara do nada.

Olhei mais atentamente e ele tinha vindo da porta de entrada da pousada em cuja parede eu quase batera. Eu só podia estar muito cansado porque também não tinha visto quando o imóvel surgira no acostamento.

— Seria uma batida muito feia! – ele observou. – Acho melhor o senhor entrar e passar a noite...

— Deve ter razão. – respondi. Eu nem sabia dizer se estava mais cansado ou em choque.

Estacionei meu carro na garagem da pousada, que parecia estar bem cheia pra um lugarzinho de beira de estrada e entrei, atravessando um pequeno hall até um balcão, onde uma garota conferia uma agenda. Ela era bem menor do que eu, tinha cabelos castanhos claros e uma áurea que me dava paz de uma maneira estranha.

— Ah... Olá. – chamei-lhe a atenção, pois ela parecia concentrada demais para notar a minha presença e tentei sorrir quando seus olhos castanhos me focaram.

— Sirius! – ela exclamou, me olhando exasperada. – De novo?

Franzi o cenho, sem entender, mas antes que qualquer um de nós dissesse alguma coisa, o gato malhado da estrada pulou nela, fazendo-a se assustar.

— Ah... Gomen... Achei que tinha visto... Meu gato... Pela janela... Na chuva... De novo. – ela disse, constrangida.

— É seu gato? – eu perguntei e os olhos amarelos do felino se focaram em mim com desdém. – Quase me matou o seu gato – resmunguei.

— O quê? – ela tornou a falar surpresa, olhando o gato com fúria. – Já lhe disse que não deve sair, Sirius! Gato malvado! Eu lhe peço desculpas, senhor! Vou lhe arrumar o melhor quarto da pousada pra que possa descansar e perdoar nossa falha...

— Ah, não precisa se preocupar... É só um gatinho... Ninguém se machucou. – eu sorri, constrangido para seu olhar cheio de meiguice.

— Eu faço questão! – ela sorriu. – Onegai, me acompanhe! – ela indicou as escadarias.

Subimos um lance de escadas e entramos em um belo quarto, com lareira e tudo.

— Fique aqui! Vou lhe trazer alguma coisa para comer, toalhas pra tomar banho e mais travesseiros! — a garota disse, cheia de cerimônias. – Tem alguma coisa especial que deseje?

— Você tem... Bolo? – eu perguntei, constrangido. – É... Meu aniversário, sabe?

Ela sorriu abertamente.

— Vou providenciar! Sinta-se à vontade, Takashima-san! – e saiu.

Olhei o quarto com um sentimento muito mais agradável do que o que pesava sobre mim enquanto dirigia. Parado na poltrona, o gato Sirius me encarava.

— Então, Sirius... Faz muito tempo que mora aqui? – brinquei, sentindo-me muito bem-humorado, mas tive a impressão de vê-lo assentir e me afastei para olhar o banheiro.

— Aqui está, Takashima-san! – a garota retornara e sua voz estava tão cheia de entusiasmo que me fez rir.

— Ah, arigatou. – retornei e ela tinha trazido um verdadeiro banquete e um bolo de frutas que parecia delicioso. – Uau! Acho que nunca vi tanta comida pra uma pessoa só!

— É o mínimo que eu podia fazer! – suas faces coraram lindamente. – Omedetou gozaimasu!

— Ah... Arigatou... – respondi, tornando a ficar constrangido. – Acho que nunca conheci alguém que me deixa tão envergonhado como você também – dei risada e ela arregalou os olhos.

— Gomenasai... – eu ri ainda mais.

—Não tem problema não... É só que... Parece que consegue ver a minha alma... – ela pareceu se assustar.

— Eu vou... Deixá-lo comer... Sumimasen...

— Não! – disse, sem pensar, impedindo-a de se mover. – Não quero ficar sozinho... Onegai... É meu aniversário... – dei risada, mas sua expressão era de quem levara muito a sério o que eu dissera.

Ela se sentou diante de mim na enorme cama, com um sorriso calmo e confortador. Toda aquela comida tinha um sabor delicioso e eu só me senti realmente satisfeito ao terminar.

— É o melhor banquete de aniversário da minha vida! – ri satisfeito.

— Isso me alegra muito. – ela sorriu. Sirius pulou no colo dela e eu ri amargurado, sendo novamente focado pelos olhos amarelos.

— Seu gato não gosta mesmo de mim!

— Sirius não gosta muito de ninguém... – ela deu de ombros.

— Gosta muito de você. – observei, levando uma garfada do bolo de frutas à boca e o desprezo do gato parecia agora um fato engraçado.

— Às vezes – ela riu, acariciando atrás da orelha do felino. – Às vezes, some por dias, porque não quer me ver...

— Você também é assim? – perguntei curioso, levando outra garfada de bolo à boca.

— Eu? – ela perguntou surpresa.

— Dizem que os animais são o reflexo de seus donos... É de sumir por que não deseja ver alguém?– expliquei e ela pensou por um momento.

— Acho que sou... Realmente sou... – ela ergueu Sirius diante dos olhos e sorriu. O gato pulou de seu colo e saiu pela porta, fazendo-a rir.

— Sabe... Chamo Sirius pelo nome, mas não sei como você se chama...

—Sereny. – ela deu uma risadinha acanhada.

— Não sei como lhe agradecer, Sereny-chan, por salvar a minha noite de um aniversário terrível!

— Eu fico muito contente de ter tido essa oportunidade, Takashima-san!

— Acho que devo ao Sirius por ter aparecido no meio da estrada... – brinquei.

— Sirius tem de parar de... Aparecer... No meio da estrada... – ela disse pausadamente e pareceu querer dizer outra coisa.

— O que quer dizer? – ela se inclinou e uniu nossos lábios rapidamente, me surpreendendo.

— Omedetou gozaimasu!

Notas finais
mereço reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!