Lua Nebulosa

2 Primeiro dia


Era uma noite como outra qualquer, a garota estava sentada a mesa junto a seu pai e sua madrasta a qual gostava bastante de chamar de mãe. Estava cansada da vida monótona de sempre, cansada de sempre ficar de bobeira e de esquecer os hábitos humanos já que eles estavam esquecendo-a com o passar dos anos e ela sabia que isso só iria piorar dali para a frente.

Na noite anterior ela havia conversado com seus irmãos e eles tinham concordado que seria uma ótima ideia voltar a estudar, assim eles poderiam ficar próximos aos humanos e reconhecer os seus novos hábitos. O problema seria apenas convencer seu pai, já que ele era o tipo de cara com um gênio muito forte.

Seus irmãos, que também estavam sentados a mesa, lhe lançaram um olhar como quem quer dizer: "fala logo porra", e ela sem ter saída, respirou fundo e foi direto ao ponto:

– Pai? — Falou com a voz um pouco fraca.

Seu pai que estava em silencio jantando e lendo um jornal qualquer, que depois ela reconheceu como "New York Times", ergueu seu olhar para observa-la.

– Sim?

– Eu e meus irmãos estávamos pensando em... Voltar a estudar. Tipo, frequentar alguma escola, quem sabe um internato.

Seu pai estreitou os olhos e pela primeira vez, como queridinha do papai, ela sentiu medo.

– Vocês oque?! — Ele falou.

– Pai, sabe como eles estão nos esquecendo! Temos que observa-los, e por que não de perto?

– Talvez você esteja certa... Mas não sei, isso não me parece uma boa ideia. — Falou ele e ela sabia que isto seria praticamente um não.

– Pai, ninguém vai saber quem somos, iremos disfarçados, com nomes falsos... Pensa bem! Por favor!

Então ela lhe lançou um olhar que sabia que ele não iria resistir, sabia que não seria uma boa ideia, mas... Pensando bem, que mal havia nisso tudo? Bem, ele não sabia.

– Tudo bem, tudo bem. Mas vocês precisam de um histórico, idades falsas e nomes falsos e...

– Pode deixar pai, eu serei a Alaska, e eles dois — falou apontando para seus irmãos também sentados a mesa — serão Polo e Ann. Quanto aos históricos, já providenciei tudo, não foi nenhum pouco difícil penetrar no sistema de ensino dos Estados Unidos. — Ela rio como se tivesse passado em uma fase de um vídeo game qualquer.

Seu pai suspirou ainda com o pé meio atrás mas assentiu vagarosamente com a cabeça. O que fez a garota saltar de sua cadeira e ir dar um abraço apertado e caloroso nele. Em seguida ela e seus irmãos saíram da sala planejando como iriam dividir os apartamentos do Campus entre outras coisas, claro.

– Amor, eles vão ficar bem, não se preocupe.

– Sei que vão, mas quero ter a certeza disso. Irei mandar meu irmão e quem mais ele quiser levar com ele.

– Seu irmão? Por que acha que ele concordaria?

– Minha linda — falou ele passando levemente a mão pela maçã de seu rosto. — Lá irão ter lindas garotas e você bem sabe que ele não resiste a um rabo de saia.

Ela não conseguiu conter o riso e lhe deu um breve selinho.

– Pelo que eu conheço de seu irmão, provavelmente ira levar o valentão e o encrenqueiro.

Ele rio.

– Não tenho a menor duvida!

[...]

Uma semana depois os três irmãos já estavam no campus dividindo um apartamento de três quartos, uma cozinha e uma varanda. Haviam conseguido vaga em um internato chamado "Becker" e tinham diversas aulas juntos, ok, talvez nem tantas, mas eles estavam eufóricos de mais para qualquer coisa.

– Alaska, você é foda, eu nunca iria convencer o velho. — Falou rindo Polo e em seguida tomando um gole de cerveja.

– Vocês me devem muuuuitos favores! — Alaska respondeu de volta.

– Parem vocês dois, eu nem queria vim. — Ann falou revirando os olhos.

– Não seja tola maninha, claro que queria. Sei que não vai pegar ninguém, você nunca pega... — Polo iria continuar mas Ann botou a mão em sua boca e lhe lançou um olhar de advertência. Em seguida foi para seu quarto.

– Pelos meus cálculos, ela ficou com raiva.

– Alaska, não precisa nem ser metade da nerd que você é pra perceber isso. — Polo revirou os olhos e continuou bebendo sua cerveja enquanto Alaska pegou seu livro de matemática para fazer alguns exercícios.

[...]

O pai de Alaska havia chamado seu irmão para conversar brevemente e lhe deu uma missão: Observar sua filha em Becker. A principio ele não aceitou, disse que seria perda de tempo, mas depois viu que não tinha jeito e foi, mas não sozinho.

O jovem de cabelos negros e olhos verdes como o oceano, adotou o nome falso de Paul, já seus amigos adotaram o nome de Jack e Stell. Em poucos dias eles três estavam dividindo um apartamento no campus de Becker.

Mas, nisso tudo havia um problema: Seu irmão não o havia dito quem era sua filha ali, não que ele não a conhecesse, mas todos eles adotaram uma aparência beeem diferente ao ingressar na escola. Não podiam correr o risco de serem reconhecidos.

Paul não reclamou, pelo menos estaria se divertindo ali e pensou que mais cedo ou mais tarde iria encontra-la, então não haveria problemas.

[...]

As aulas começaram dois dias depois que os irmãos chegaram, impressionantemente Polo já tinha feito amigos e saiu com eles, deixando Ann e Alaska sozinhas, mas elas não reclamaram, afinal de contas, as duas tinham algumas aulas juntas.

Alaska vestiu-se com uma camiseta branca social e uma calça jeans acompanhadas de seu all star preto, resolveu prender os cabelos loiros e por seu óculos de grau sobre os olhos cinza. Já sua irmã, vestiu-se com uma camiseta do Nirvana e uma calça jeans.

Caminharam juntas para a primeira aula do dia: Matemática.

Pode-se dizer que Alaska era uma espécie de nerd, mas ela não queria demonstrar totalmente esse lado, então, como que primeiro passo para mudar seus hábitos, sentou-se ao fundo com sua irmã, próximo a um grupo de garotas.

– Você é novata, certo? — Falou uma garota de cabelos castanhos e olhos cor de mel que estava sentada ao lado de onde ela havia se sentado.

– Sim, sou Alaska e essa é minha irmã Ann, qual seu nome?

– Meu nome é Kate, e essas são Alice e Lucy. — Falou ela apontando para duas garotas também morenas, que estavam ao seu lado. — Se quiserem ficar com a gente na hora do almoço, serão bem vindas. — Ela sorriu e depois virou-se para frente.

Nesse momento dois garotos entraram: Um era bastante forte e tinha algumas tatuagens, o que Alaska achou um pouco estranho devido a suposta idade dele, o segundo era mais magro porem definido, tinha o rosto jovial e que escondia a sombra de um sorriso.

Não demorou muito para um terceiro garoto entrar na sala, ele era pouco mais alto que ela, tinha barba por fazer, os olhos verdes como o oceano e os cabelos negros bagunçados. Ele sorriu e o coração dela disparou. Sabia que o conhecia, sabia que deveria odia-lo por algum motivo, mas não conseguia fazer isso. Ela teve a impressão de que quando ele olhou para ela, deve ter tido a mesma sensação,
assim como pode ser somente impressão.

Pouco depois, o professor entrou na sala e ela voltou sua atenção para a matemática.

[...]

– Cara, tem muitas garotas lindas aqui, e olha que nem sou eu o pegador da historia.

Stell, o garoto cheio de tatuagens, falou e tirou um breve sorriso do rosto dos amigos.

– Cara, não sei não, mas acho que esse ano vai ser bem divertido. — Falou Paul sorrindo, mas não tirando da cabeça aquela garota de olhos acinzentados que tinha visto assim que entrou na sala. Ele tinha quase certeza de que a conhecia, podia ser uma ex namorada, não sabe ao certo, mas se fosse, ela iria tirar satisfações depois.

– Cara, só sei de uma coisa: O grupo de ciências que me aguarde! — Falou Jack.

– Não achei que você quisesse bancar o nerd, tomou suas drogas direitinho hoje? — Rio Stell.

– Naaao pombão! — Gargalhou Jack. — Mas tenho que planejar minhas pegadinhas, é obvio!

Os dois amigos se olharam e reviraram os olhos para Jack que rio novamente. O professor os repreendeu e eles decidiram fazer silêncio para não correrem o risco de serem expulsos da aula logo no primeiro dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.